Underneath – Parte II: Jeongmin’s Feelings

Hyunseong era como uma âncora, sempre lá para me apoiar quando eu precisasse. Ele sempre estava lá quando eu estava triste para me consolar, e sempre que eu estava feliz para dividir sorrisos comigo. Não importava o quão ruim meu dia fora, eu sorria, pois sabia que ele estaria lá para mim.

Ele era um anjo, delicado, amoroso, inocente, além de extremamente bonito. As vezes pensava em como alguém tão perfeito poderia existir. Me via gostando mais de tê-lo perto de mim a cada dia.

Quando ele estava ao meu lado, era como se nada pudesse me atingir, como se nós dois juntos fossemos invencíveis, talvez a única coisa capaz de nos vencer fosse o medo.

Eu amava estar perto de Hyunseong, seus toques completamente inapropriados, seus abraços, suas palavras altamente constrangedoras, seus sorrisos que acendiam cada chama de felicidade existente em meu corpo. Mas sentia que deveria me afastar se alguém estivesse nos observando. Me sentia na obrigação de justificar qualquer contato além do considerado normal para amigos, de fazer o possível para que todos achassem que não éramos tão próximos.

As vezes sentia que todos sabiam, como se me julgassem a cada vez que me olhassem e isso me consumia. A única coisa que me deixava tranquilo era que apesar de tudo, Hyunseong ainda passaria a noite comigo assistindo a filmes ou apenas rindo de besteiras sem sentido.

Apesar da felicidade e tranquilidade que sentia estando com ele, tudo acabava quando passava da porta de casa e mais uma vez sentimentos ruins se estabeleciam. O medo era sempre o pior deles.

Tinha medo que alguém descobrisse meus sentimentos e os interpretasse de maneira errada. Mas qual era a maneira certa? Que sentimento era? Não sei descrever ao certo, só sei que é algo forte e que deve ser mantido em segredo.

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Underneath – Parte I: Hyunseong’s Feelings

Isso não tem exatamente um plot, eu nem sei de onde saiu isso em primeiro lugar, mas escrevi faz um tempo e como estava guardada resolvi postar. Ela vai ter só dois capítulos em forma de drabble.

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Era estranho ter aquele tipo de sentimento. O sentimento errado. Pela pessoa errada. Na hora errada e no lugar errado. Ao mesmo tempo que parecia errado, parecia ter cada vez mais sentido. Mas eu sabia que o mundo não aceitaria minhas razões para achar certo, assim como eu não entendo as dele para achar errado.

E era assim que me sentia desde que o conheci. Aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso radiante, quando o vi, comecei a achar que era impossível não amar aquele jeito resplandecente se ser. Depois de um tempo percebi que estava certo, e não pude fazer nada a não ser me apaixonar como uma criança romântica e sonhadora.

Passava boa parte do meu tempo apenas o olhando e automaticamente sorrindo, era impossível me sentir triste com ele por perto. Jeongmin era como um vício, precisava dele, e tinha que manter isso em segredo. Ele me trazia sensações incríveis, inexplicáveis, e isso tinha que ficar guardado. O segredo sobre isso era para o meu próprio bem apesar de demasiadamente sufocante.

A cada vez que nós brigávamos, sentia um calafrio, um medo percorrendo todo o meu corpo. Medo de aquilo ser definitivo e eu nunca mais poder chegar perto dele, o abraçar, ficar tão perto a ponto de sentir sua respiração e seus batimentos cardíacos, aspirar seu perfume adocicado e intoxicante.

Uma sensação horrível ficava no meu peito a cada vez que ele me ignorava, ou quando encontrava seu olhar e ele parecia querer mirar em qualquer direção oposta à minha. Como se minha existência fosse irrelevante. Mas isso não durava mais que dois dias, depois disso parecia que nada tinha acontecido. E eu preferia fingir que realmente não aconteceu, doía muito lembrar.

A melhor alternativa era sempre aproveitar todo o momento que poderia ter. Aproveitar todo o amor que poderia receber e oferecer.

One Shot (Seoljeong) – Daydream

Finalmente escrevi uma fic que não seja Jeongseong, foi difícil mas saiu. Ando muito apaixonada por AOA ultimamente, especialmente por essas duas, espero escrever mais coisas delas no futuro, passar a vida toda escrevendo só um couple ninguém merece né, amores. Enfim, mesmo sendo a primeira espero que esteja aceitável ♡

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O salão estava lotado de pessoas, andando e dançando por todos os lados em vestidos glamorosos e ternos elegantes. Hyejeong adorava trajes de gala, eram seus favoritos, por isso sempre escolhia muito bem quando tinha a oportunidade de usar. Naquele dia em especial, escolheu um vestido de seda rosa claro que ela mesmo havia desenhado em sua última coleção. Ela preferia cores mais chamativas, mas preferiu não chamar atenção nessa festa, já que era o casamento de sua amiga e ela devia ser a estrela.

Estava muito feliz por Eunji, já que sempre foi seu sonho se casar e finalmente estava sendo realizado. Desde que conheceu Taekwoon planejava esse dia, ainda se lembrava da primeira vez que a amiga comentou sobre o garoto da sua sala da faculdade com os olhos brilhando, era maravilhoso que depois desses anos eles estivessem dando esse passo juntos. Já Hyejeong nunca teve essa ambição, sempre focou em sua carreira e mal teve tempo para namoro desde a faculdade, casamento não era algo com que se preocupava. Apesar de se encantar com aqueles vestidos brancos de casamento, que transmitem pureza e felicidade a todos que presenciam a cerimônia.

Por mais que achasse a festa maravilhosa, nunca se acostumava em permanecer em lugares cheios. Passava a maior parte do tempo sozinha em casa ou em seu ateliê, precisava respirar após ficar muito tempo rodeada de pessoas.

O lugar onde a festa acontecia, tinha um jardim enorme e muito bonito, com esculturas enormes de uma grama verde e claramente bem tratada. Além de postes de luzes que davam um ar vintage ao vergel. Hyejeong respirou fundo para sentir o ar puro que havia ali, era sempre melhor respirar em lugares vazios, ou quase vazios, como pôde constatar ao observar melhor os bancos a sua frente. Havia uma mulher sentada com os cotovelos apoiados em suas pernas e as mãos cobrindo o rosto, parecia frustrada. Hyejeong ficou preocupada, afinal, não era comum ver pessoas se sentindo assim em comemorações como aquela. Se aproximou dela e antes que dissesse qualquer coisa conseguiu imaginar qual era o problema, o vestido dela tinha um rasgo da ponta até o joelho.

– Ei – disse baixo e a mulher tirou as mãos do rosto para olhar em sua direção. Hyejeong suspirou quando a viu, ela era linda, os olhos grandes que expressavam surpresa, provavelmente por ter uma estranha falando com ela no meio do nada. Os lábios pequenos pintados de rosa, que combinavam perfeitamente com o tom levemente bronzeado de sua pele e com os cabelos pretos, compridos e lisos. Hyejeong via super modelos o tempo todo, mas aquela mulher a sua frente era a mais bonita que já vira em anos. Continuou a falar mesmo que ainda um pouco sem fôlego – Está com problemas no figurino? – tentou parecer casual apesar de estar um pouco nervosa.

– Sim, sou muito desastrada para usar vestidos longos assim – ela riu, Hyejeong logo se viu contagiada e riu também – Não posso voltar para lá desse jeito – disse com a voz chorosa e fazendo um bico fofo.

– Eu posso te ajudar se quiser – Hyejeong disse enquanto abria sua bolsa, tirando dali um pequeno estojo de costura – Sempre carrego um desses – ela sorriu e a mulher sorriu de volta.

– Você acaba de salvar minha noite, eu nunca pensaria em trazer um desses, e mesmo se trouxesse não sei costurar – as duas riam enquanto Hyejeong já preparava sua linha para costurar o vestido.

– Não se preocupe, as roupas das minhas modelos rasgam o tempo todo antes dos desfiles, estou acostumada a fazer isso – disse sem olhar para a outra, estava concentrada no tecido vermelho.

– Suas modelos? – perguntou a Hyejeong com um tom surpreso.

– Sim, eu sou estilista – respondeu – E meu nome é Shin Hyejeong, me desculpe, nem me apresentei antes de ir colocando as mãos no seu vestido – a outra riu com o comentário.

– Tudo bem, eu também não me apresentei, sou Kim Seolhyun – Hyejeong olhou para cima apenas para se deparar com o sorriso mais lindo que já vira direcionado para si.

– Muito prazer, Seolhyun – sorriu também e tentou se concentrar no vestido novamente.

– Então, o que faz aqui fora ao invés de estar aproveitando a festa? – Hyejeong já havia notado que Seolhyun gostava muito de conversar, ficou feliz em responde-la.

– Queria tomar um pouco de ar, muitas pessoas em volta me deixam tonta – Seolhyun riu com o comentário – E você, o que faz aqui além de esconder o vestido?

– Eu não conheço ninguém aqui na verdade, vim apenas para parabenizar Taekwoon.

– Entendo, eu conheço vários colegas antigos de faculdade, mas não é como se eu quisesse falar com eles – Seolhyun gargalhou um pouco alto demais e Hyejeong riu também, não entendia como a outra achava graça em sua falta de talento para socializar, mas sua risada era maravilhosa então aquilo não importava.

– Eu poderia dizer para você não falar assim sobre seus colegas mas sempre evito os meus também. Eram todos chatos, fiquei aliviada quando me formei.

– Parece que você não pode me julgar então – as duas riram – Mas como você conhece Taekwoon e não conhece mais ninguém aqui?

– Nos conhecemos quando minha empresa patrocinou uma de suas peças e ficamos amigos.

– Você tem uma empresa? – Hyejeong a olhou surpresa, afinal, Seolhyun parecia ser muito jovem para possuir uma corporação.

– Na verdade ela é dos meus pais, mas eu sou a CEO no momento – explicava como se estivesse falando que possuía uma bicicleta. Hyejeong ficou encantada, além de bonita, interessante, simpática, Seolhyun ainda era bem-sucedida.

– Nunca vi uma CEO tão bonita como você – Hyejeong disse sem pensar. Imaginou como aquilo deve ter soado ridículo logo após dizer, corou e já preparava as desculpas em sua mente quando ouviu Seolhyun rir baixo, ela não parecia incomodada com o comentário.

– Obrigada, também nunca vi uma estilista tão bonita – Hyejeong sorriu ainda olhando para o vestido, agora quase costurado – Na verdade não conheço muitas, mas não acho que conseguem ser mais bonitas que você, Hyejeong.

– Conseguem sim, você devia ir em um dos meus desfiles para vê-las.

– Duvido muito, mas aceito o convite para o desfile – disse Seolhyun para Hyejeong que agora se levantava após terminar o reparo no vestido vermelho.

– Pronto, não está perfeito mas está aceitável para ser visto até o fim da noite – olhava para baixo, vendo o que havia feito. Poderia ter ficado melhor, mas ela só tinha seu kit de emergência. Além de prestar mais atenção na voz melodiosa e na risada contagiante de Seolhyun do que no que estava fazendo – E eu ficaria muito feliz se você fosse mesmo em um desfile.

– Muito obrigada, Hyejeong, ficou maravilhoso – Seolhyun se levantou e girava para mover seu vestido e observar a barra agora quase perfeita – Não sei o que faria se você não tivesse aparecido.

– Provavelmente ficaria aqui sentada pelo resto da noite – Hyejeong riu. Seolhyun se sentou ao lado dela no banco, muito perto, o suficiente para deixar o coração de Hyejeong descompassado.

– Eu estava planejando fazer isso agora, se você quiser ficar aqui comigo, é claro – Seolhyun pegou na mão de Hyejeong e sorriu para ela, esperando uma resposta qual Hyejeong tentava dizer mas nada saia da sua boca.

– Quero sim – conseguiu dizer num sussurro e esperou que Seolhyun não a achasse muito idiota por ficar nervosa com tão pouco. Mas não era sempre que uma mulher tão bonita ficava perto de Hyejeong, segurando sua mão e provavelmente com segundas intenções. Aquilo nunca acontecera na verdade, Hyejeong nunca foi muito experiente nesse tipo de coisa.

– Ótimo – Seolhyun chegou mais perto, o que Hyejeong já achava que não era possível – Acho que podemos nós divertir mais aqui sozinhas.

Hyejeong soltou um suspiro quando Seolhyun colocou a mão em seu pescoço, aproximando seus rostos. Ela parou quando estavam perto o suficiente para sentirem a respiração uma da outra, como se desse tempo para Hyejeong se afastar se quisesse, obviamente ela não queria, pelo contrario, o que antes parecia muito perto começara a se tornar distante demais para ela, então num segundo de coragem se aproximou mais de Seolhyun, selando seus lábios.

Seolhyun logo correspondeu pressionando sua boca contra a outra, num selar calmo que rapidamente se tornou um beijo mais profundo quando Seolhyun pediu passagem com a língua e foi concedida no mesmo momento. Hyejeong colocou a mão na cintura de Seolhyun a puxando mais para perto e pode ouvir um leve arfar contra seus lábios enquanto separavam seus rostos por milímetros, apenas para se olharem e logo voltarem ao beijo, se perdendo naquela sensação que Hyejeong já não sabia se durara segundos ou horas. Quando se separaram, Hyejeong abriu os olhos e viu Seolhyun sorrindo, sorriu também.

– Acho que devia me passar seu número, para me avisar a data do seu próximo desfile – Seolhyun disse e Hyejeong riu, ela falava como se nada tivesse acontecido naquele espaço de tempo. Ela se via encantada com o modo simples que Seolhyun tinha de tratar as coisas.

– Claro me passe o seu também – Seolhyun concordou e as duas trocaram os celulares. Hyejeong salvou seu número no celular da outra como “Dongdong ♥” e riu de si mesma, se sentia uma adolescente de novo. Quando pegou seu próprio celular viu o novo contato “Seolhyunnie ♡” e ficou feliz por não ser a única se comportando como uma boba.

Não demorou muito para que se perdessem uma na outra entre beijos e continuassem assim pelo resto da noite, sem sequer se lembrar que uma festa ocorria lá dentro.

X

Hyejeong acordou na manha de domingo com um sorriso no rosto, ainda parecia um sonho tudo que acontecera na última noite. Se recordava de tudo com os mínimos detalhes, desde os olhos brilhantes de Seolhyun até seus lábios macios.

Pegou seu celular e viu que não passava das 8 da manha, decidiu dormir mais um pouco, mas não antes de abrir a mensagem que aparecia em suas notificações.

De: Seolhyunnie ♡

Bom dia, Dongdong ♥

Sei que já marcamos de nos encontrar no desfile, mas isso pode demorar um pouco, não? ㅋㅋㅋ poderíamos sair para tomar um café essa semana antes que eu sinta mais sua falta  ㅠㅠ

Hyejeong sorriu ao ler, já sentia falta de Seolhyun também e fez questão de dizer isso em sua resposta, pensou em voltar a dormir, mas enquanto lembrava dos beijos de Seolhyun e devaneava sobre todos os futuros encontros com ela, já se sentia no mundo dos sonhos.

One shot – I Shouldn’t (Should) Do It

Desde que recebeu aquele roteiro Hyunseong sabia que não deveria ter aceitado. Mas não era como se ele estivesse em posição de escolher alguma coisa, conseguiu poucos trabalhos nos últimos anos, apenas alguns personagens secundários em filmes alternativos. Com esse papel, sua carreira poderia melhorar, o diretor Kim Donghyun era conhecido e esse filme era aguardado por seus fãs, o público seria muito maior que qualquer filme que ele já havia feito. Não hesitou em aceitar, apesar de ver que o roteiro tinha uma cena de beijo. Hyunseong nunca achou que teria que beijar em cena, para ele era uma coisa especial que deveria ser dividida com alguém que se ama, não com um colega de trabalho aleatório. Mesmo assim resolveu ir no primeiro dia de gravações como havia combinado.

Antes de começar as gravações Hyunseong procurou Donghyun no set, aquele lugar era muito maior que qualquer um que ele já havia filmado, o que resultou em passar nos mesmos corredores várias vezes até achar o diretor sentado numa mesa com vários papeis a sua volta.

– Donghyun – ele olhou em sua direção, não parecia muito feliz de lhe ver ali, mas Hyunseong continuou – Posso me sentar um pouco? – ele concordou com a cabeça – Então, sobre essa cena do beijo, eu preciso mesmo fazer?

– Claro que precisa, Hyunseong, se está no roteiro é para ser feito – o ator abriu a boca para protestar mas logo foi interrompido – Não se preocupe, Jeongmin já fez isso várias vezes, ele vai te ajudar.

– Mas eu nem o conheço, vai ser estranho ter esse nível de intimidade, nós não poderíamos ao menos esperar uns dias para essa cena?

– Não, só vamos ter esse cenário disponível hoje. Você está se preocupando atoa, vai ser até bom, Jeongmin beija muito bem.

– Como você sabe disso? – Hyunseong viu Donghyun ficar completamente vermelho em um segundo e teve que se segurar para não soltar uma risada.

– Pare de fazer perguntas e vá logo fazer sua maquiagem, Hyunseong – o mais novo saiu sem falar mais nada e riu assim que saiu da vista de Donghyun.

Quando se acalmou, foi para o camarim se preparar. Uma maquiadora o esperava lá dentro, o que era um choque, já que nos outros filmes que fizera, teve que fazer sua própria maquiagem. Tudo ficou pronto rápido e ele agradeceu à mulher que sorriu para ele e deixou a sala depois de arrumar suas coisas.

Hyunseong resolveu passar seu roteiro mais uma vez antes de entrar em cena, apesar de ter alguns anos de experiência, sua memória ainda o traia em momentos cruciais. Já teve que lidar com várias experiências ruins por esquecer suas falas constantemente.

Ainda pensava no que conversara com Donghyun, será que o ator que trabalharia com ele realmente o ajudaria? Ele deveria ser ao menos um pouco mais famoso que Hyunseong, já que tinha trabalhado em muitos filmes e alguns com bastante prestígio, segundo a maquiadora, que lhe contou tudo sobre a equipe enquanto o maquiava. Ele poderia ser como alguns atores rudes que deixavam a fama subir a cabeça ou algo do tipo. Mas preferiu pensar que ele seria legal e que ele não teria que beijar nenhum idiota.

Ouviu batidas na porta e disse um “Pode entrar” alto o suficiente para que quem estivesse do outro lado da porta pudesse ouvir.

– Hey – pôde ver um garoto entrando pela porta, um pouco hesitante. Ele se aproximou e Hyunseong se levantou para cumprimenta-lo – Sou Lee Jeongmin, prazer, serei seu novo namorado nesses dias de filmagem – ele sorriu.

Hyunseong nunca tinha visto um sorriso tão lindo, tinha certeza que seu rosto já estava vermelho e demorou um tempo – um bom tempo – para estender a mão para Jeongmin e se apresentar.

– Sou Shim Hyunseong – sorriu também – Estava um pouco nervoso para te conhecer – Hyunseong se arrependeu no mesmo segundo em que terminou a frase, aquilo soava idiota, mas ele não conseguia controlar sua boca as vezes. Jeongmin não pareceu o achar tão bobo, apenas riu como se ele tivesse feito uma piada.

– Por que nervoso? Espero que Donghyun não tenha feito uma propaganda muito ruim.

– Ele só disse que você beija muito bem – Jeongmin riu ainda mais dessa vez.

– Ah, não ligue para isso, Donghyun é meio apaixonado por mim, mas quem não é? – ele se olhava no espelho arrumando sua franja que já estava arrumada. Hyunseong não sabia se ele estava brincando ou não, mas riu assim mesmo.

– Talvez eu seja o próximo – falou eu tom de brincadeira, mas sabia que não estava totalmente brincando.

– Espero que sim – Jeongmin diminuiu a distância entre eles, apoiou seus braços nos ombros de Hyunseong e ficou nas pontas dos pés para lhe dar um beijo na bochecha. Hyunseong o olhou com os olhos arregalados – Me desculpe se foi demais, só queria que você se sentisse mais confortável comigo para as filmagens não serem uma tortura – Hyunseong sorriu.

– Estou me sentindo bem melhor sobre isso agora que te conheci.

– Deveríamos ir agora, já vamos começar a filmar, vim aqui te chamar para isso na verdade – ele riu seguido por Hyunseong.

Os dois andaram em direção ao set de mãos dadas.

X

Durante as filmagens Hyunseong esqueceu suas falas algumas vezes. Não pela memória ruim como de costume, mas porque não conseguia parar de olhar para Jeongmin, reparando em todos os detalhes. Além do sorriso radiante, ele tinha lindos olhos pequenos, que quase se fechavam quando ele ria. Uma risada animada e melodiosa, que ecoava por todo o set, deixando o ar mais puro e brilhante. Seus cabelos que cobriam a testa num tom escuro de castanho e moldavam mais que perfeitamente seu rosto. Por fim, Hyunseong olhava para seus lábios, perfeitamente desenhados, que pareciam ser macios e perfeitos. A ideia de beija-los deixou de ser assustadora e passou a ser tentadora. Hyunseong pensou que Jeongmin falara sério mais cedo sobre todos se apaixonarem por ele.

Estavam num set que representava o quarto de Jeongmin – ou Donghae, como dizia o script – e eles estavam discutindo intensamente. Hyunseong – ou Hyukjae – conseguiu reproduzir todas as falas perfeitamente até o clímax da cena, o tão intimidador e depois tão aguardado beijo.

Hyunseong se levantou da cama e parou na frente de Jeongmin. Esse, já respirava fundo, se recuperando da briga que tinha acabado de encenar. As mãos de Hyunseong subiram para seu rosto enquanto ele se aproximavam mais. Jeongmin selou os lábios de Hyunseong. O beijo deveria ser técnico, os dois sabiam disso, mas ele acabou se desenvolvendo numa circulação de línguas entre as duas bocas. Não era como se isso fosse piorar a cena de algum jeito, pelo contrário.

Se separaram e se olharam, ambos com as bochechas rosadas e ofegantes, mas conseguiram continuar.

– Me desculpe, eu te amo – Hyunseong ( Hyukjae) disse e foi respondido com um sorriso do mais novo.

– Também te amo.

– CORTA – ouviram a voz estridente de Donghyun ecoar e finalmente se separaram – Isso foi ótimo – ele deu tapas nas costas dos dois, os parabenizando – Você estava nervoso atoa Hyunseong.

Na verdade Hyunseong estava mais nervoso agora que antes, ele beijara seu colega ultrapassando totalmente as barreiras do limite, mas Jeongmin não parecia ligar enquanto sorria e se curvava agradecendo pelo esforço hoje, Hyunseong se curvou de volta.

X

Com o dia de filmagem no fim, Hyunseong arrumou suas coisas e se preparou para voltar para casa, já estava na porta do estúdio quando sentiu alguém andar ao seu lado, se virou para encontrar Jeongmin sorrindo em sua direção, sorriu de volta automaticamente.

– Sabe, Donghae estava aqui falando na minha mente, e me pediu para convidar seu Hyukjae para um café, será que ele aceitaria? – Hyunseong riu com a desculpa que o mais novo arranjara para lhe convidar para um encontro.

– Não acho que Hyukjae negaria algo a seu amado, terei que aceitar – brincou também.

Jeongmin pegou na mão de Hyunseong enquanto o guiava para seu café preferido e descrevia todo o cardápio do lugar.

Hyunseong sorria para o menor e pensava “Sempre soube que deveria aceitar esse papel”.

One Shot – Rumors

Equações matemáticas pareciam infinitas, ainda mais quando você não tinha ideia do que estava fazendo. Hyunseong não sabia se preferia ficar no conforto do aquecedor instalado na sala de aula, fingindo resolver aquelas coisas, ou ter sua liberdade anexada ao frio causado pela neve que caia lá fora. Talvez nenhuma das duas opções fosse muito feliz, mas ele teria que sair de qualquer jeito assim que o sinal tocasse, o que não demorou a acontecer.

Arrumou apressadamente suas coisas na mochila e saiu com pressa para fora dos portões do colégio, não que ele tivesse qualquer coisa importante para fazer em casa, ele só queria jogar vídeo game e dormir no conforto do seu quarto.

Estava andando rápido, ou praticamente correndo, quando sentiu uma falta de peso repentina em suas costas, aquilo já havia acontecido antes, era sua mochila que ele esquecera de fechar e todos os seus materiais agora provavelmente estavam derretendo junto com a neve no chão. Hyunseong suspirou forte e se virou para recolher as coisas molhadas e seguir seu caminho. Mas ao invés de encontrar seu caderno destruído, encontrou um estudante sorrindo para ele com suas coisas nas mãos.

– Espero que não se importe, só vi suas coisas caindo e resolvi pegar antes que ficassem muito molhadas, acho que o estrago foi pouco – Hyunseong ficou olhando para ele por uns segundos, tentando lembrar a quem pertencia aquele lindo sorriso.

Imaginou que o garoto já se sentia desconfortável até a hora que ele se lembrou que era o capitão do time de basquete da escola, Lee Jeongmin.

– Obrigado, não imaginei que alguém aqui fosse perder tempo me ajudando, muito obrigado mesmo – sorriu e pegou suas coisas das mãos de Jeongmin, colocando-as de volta em sua mochila e agora se certificando que ela estava devidamente fechada.

– Não foi nada – Jeongmin o olhou, depois olhou para o chão, Hyunseong olhava para qualquer direção e quando resolveu apenas se despedir e ir para a casa foi interrompido – Então – ele realmente não imaginava que Jeongmin tentaria puxar algum assunto – Você é o presidente do grêmio, Hyunseong, certo?

– Sim, e você é Jeongmin, do time de basquete?

– Isso, parece que somos famosos – riu, e Hyunseong se viu rindo junto sem motivo.

– Somos celebridades do ensino médio com certeza – Hyunseong nunca sabia muito bem o que dizer, na frente de garotos bonitos sabia menos ainda o que estava fazendo.

– Você está ocupado agora? – Jeongmin perguntou e Hyunseong negou com a cabeça – Nós podíamos tomar um café ou qualquer coisa quente, sabe, está frio e não estamos fazendo nada.

Ele estava ouvindo certo e estava sendo convidado pra um encontro? Podia ser apenas uma saída inocente, mas ao ouvir aquilo, se lembrou de ter escutado alguns rumores sobre Jeongmin já ter transado com todos os membros do seu time, e membros de outros times, e também caras que não tinham nenhum time, e ainda algumas garotas. Tendo isso em mente pensou se deveria ou não aceitar o encontro e provavelmente virar mais um nome na lista.

Pensando bem, ele ainda era um adolescente, não era como se estivesse procurando o amor da sua vida ou nada assim, nem sabia se queria um relacionamento sério, não tinha nenhum problema em sair com um cara galinha – e muito bonito – que ele nunca imaginaria em sua vida que o convidaria para sair. Era uma oportunidade grande demais pra desperdiçar por bobagens.

– Claro, algum lugar que você queira ir? – ele sorriu novamente, seu sorriso era lindo, e pelo jeito ele amava exibi-lo para o mundo.

– Tem um lugar aqui perto que eu adoro, não sei se você conhece.

– Provavelmente não conheço, não costumo sair muito – Hyunseong poderia falar que não saia nunca, mas eufemismo sempre ajudava.

– Agora pode sair comigo – Hyunseong o olhou desconfiado, Jeongmin o conhecia há menos de 30 minutos e já estava o convidando para o segundo encontro – Se você quiser, é claro.

– Vou querer sempre que me convidar – já que Jeongmin era ousado, achou que poderia ser também.

Chegando na cafeteria, fizeram seus pedidos e ficaram até tarde conversando. Hyunseong aprendera que Jeongmin era legal e engraçado, diferente de sua percepção de garotos que participavam de times “populares” da escola, pensava que todos eram idiotas que não sabiam conversar sobre algo que não fosse bolas. Mas Jeongmin o surpreendeu, o que rendeu em um segundo encontro marcado para sexta feira a noite. Dessa vez iriam para uma casa noturna, já que Hyunseong comentou que nunca entrara em uma e Jeongmin se ofereceu para ser seu guia na noite.

X

A escola já parecia ruim o suficiente para Hyunseong sem pessoas o olhando e dando risadinhas quando ele passava, agora lhe parecia terrível. Não entendeu o motivo para qualquer coisa o envolvendo ter circulado pelos corredores, ele provavelmente saberia se sim. Resolveu tentar ignorar e entrar na aula de biologia, mas alguém o puxou pelo pulso antes que o fizesse. Só quando pararam do outro lado do corredor viu que era Jiwon.

– Posso saber que história é essa, sua com o garoto do basquete? – ela disse em um tom acusatório, com os braços cruzados.

– Do que você está falando, Jiwon?

– Ouvi por ai que vocês foram ontem depois das aulas para as arquibancadas e transaram lá mesmo – por que ela ouviria um absurdo desses de uma hora para outra? – Você devia ter me contado, sou sua melhor amiga ou não?

– Eu não contei porque isso não aconteceu, onde você ouviu isso?

– Todo mundo está comentando que você é o novo nome da sex list do garoto.

– Isso é loucura, nós não fizemos nada disso, alguém resolveu espalhar esses boatos sem motivo.

– Me jura que isso é mentira? – Hyunseong assentiu – Mas alguma coisa aconteceu para falarem isso.

– Ontem quando as aulas acabaram ele me parou no portão e me convidou para tomar um café, só isso.

– Não rolou nem um beijo?

– Nada.

– Você é muito lerdo, Hyunseong – Jiwon lhe deu um tapa no braço e ele riu – É melhor descobrir se foi ele que espalhou isso, porque se foi, é melhor ele não chegar mais perto de você.

– Não se preocupe, mãe, vou falar com ele quando puder.

– Ok, agora entre nessa sala antes que se atrase, filho – os dois riram e se despediram.

Hyunseong não podia acreditar que Jeongmin espalharia uma coisa daquelas. Ele tinha sido tão legal no dia anterior. Talvez a primeira impressão foi a errada. Hyunseong já se arrependia de ter aceitado o convite, agora ficaria conhecido como mais um na lista de um galinha pelo resto do ensino médio.

Logo que o primeiro tempo acabou, Hyunseong foi a procura de Jeongmin, sabia que os clubes se reuniam nesse horário, então ele foi para a quadra. Antes que pudesse trilhar metade do caminho foi parado por alguém gritando seu nome. Se virou para trás e viu Jeongmin correndo em sua direção, parou em sua frente, respirando forte, provavelmente por ter corrido muito. Hyunseong pensou que um atleta teria uma preparação física melhor que a que estava vendo agora.

– Não fui eu que espalhei esses boatos pela escola, eu juro, você deve estar me odiando agora, mas não fui eu, acredite – ele falava rápido ainda sem ar. Pelo tom de sua voz, Hyunseong quase acreditou. Respirou fundo antes de responder.

– Por que eu deveria acreditar? – estava desconfiado, claro que estava, Jeongmin não podia culpa-lo.

– Porque tenho quase certeza de quem fez isso – Hyunseong gesticulou para que continuasse – Tem um garoto do terceiro ano, Donghyun, que ficou estressado quando eu o rejeitei há alguns meses e desde então tenta estragar qualquer relacionamento que eu tenha, até as amizades. Ele espalha aos quatros ventos que eu transo com a escola inteira.

– E não transa? – Hyunseong não conseguiu resistir à curiosidade quando o assunto foi mencionado.

– Claro que não! Na verdade eu sou virgem – Jeongmin olhava para o chão, Hyunseong o encarou surpreso, não esperava ouvir isso. Jeongmin voltou seu olhar para Hyunseong – Não me olhe como se eu estivesse dizendo um absurdo, é verdade.

– Eu acredito, só fiquei um pouco surpreso, sua fama não é exatamente de um ser puritano.

– Sei que não é, eu fico sim com várias pessoas, mas nunca chego tão longe.

– Qual seu objetivo em ficar com elas se não é para ir para a cama? – Hyunseong nunca pensou que falaria de sexo abertamente no meio do corredor com um cara que conhecia há dois dias.

– Só quero conhecer alguém legal, quando vejo que a pessoa não é, desisto, só isso – Jeongmin parecia sincero enquanto falava – Espero que isso não te faça desistir do nosso segundo encontro.

– Acho que posso pensar no seu caso, Lee Jeongmin.

X

Sexta-feira, Hyunseong ainda não havia dito se perdoaria Jeongmin a tempo de ainda querer sair com ele. Já estava ficando um pouco desesperado, passou a semana toda atrás de Hyunseong, se sentando com ele no almoço e o levando até perto de casa depois que saiam. Jeongmin começava a pensar se todo aquele esforço valia a pena se ele podia, simplesmente, seguir em frente e sair com outra pessoa, depois de uma semana ele não ganhara nem um beijo do mais velho. Mas algo em Hyunseong o atraia tanto que o fazia querer descobrir se aquilo daria certo ou não, talvez Jeongmin estivesse descobrindo uma leve queda por desafios.

Sentiu seu celular vibrar no bolso da jaqueta, imediatamente o pegou para ver do que se tratava, não é como se fosse prestar atenção na aula com ou sem celular. Viu uma mensagem de Hyunseong.

Ainda quer me levar àquela boate hoje a noite? ㅋㅋㅋㅋ

Sorriu ao ler, ainda tinha chances, afinal.

Claro, não posso te deixar em casa numa sexta-feira a noite ㅋㅋㅋ posso passar na sua casa as oito?

A resposta veio rápido

  Pode sim, vou esperar ♡

Seu sorriso aumentou e ele respondeu com outro coração. Demorou cerca de 10 segundos para que ele se sentisse um idiota por sentir seu coração bater mais rápido por um emoticon. Resolveu guardar o celular, deitar em seu caderno e dormir até o final da aula.

X

Hyunseong não tinha ideia de como se vestir para ir em um clube noturno, tentou seguir alguns modelos que havia visto em filmes, mas não é como se ele tivesse roupas bonitas como as de lá, então colocou uma regata branca, uma calça preta e um tênis também branco- a regata era uma dica de Jiwon, que lhe disse para “Mostrar os músculos” – além de alguns acessórios que encontrou em sua estante.

Ouviu a campainha enquanto terminava de passar seu lápis de olho, tentou não se apressar para não borrar, sua mãe atenderia a porta de qualquer jeito.

Desceu e como previsto, sua mãe abriu a porta e agora conversava animadamente com Jeongmin.

– Hyunseongie, por que não me contou que seu amigo novo era tão bonito e simpático? – Jeongmin riu e Hyunseong apenas revirou os olhos.

– Não sabia que tinha que qualificar meus amigos assim, mãe.

– Tem sim, agora se comportem nesse tal clube, ok – deu um beijo na bochecha de Hyunseong.

– Vou tomar conta dele, senhora, não se preocupe – Jeongmin sorria para ela como se a conhecesse há eras.

– Não vou me preocupar – ela sorriu também – E traga Jeongmin aqui mais vezes, Hyunseongie – este apenas murmurou um sim antes de sair e fechar a porta atrás de si.

– Ouviu sua mãe, Hyunseongie, me traga em sua casa mais vezes – Jeongmin sussurrou em seu ouvido. Hyunseong se arrepiou mas logo teve o reflexo de bater no ombro de Jeongmin com seu próprio, ouvindo uma risada do outro – Você fica bonito sem uniforme.

Hyunseong sentiu seu rosto esquentar ouvindo aquilo, tentou olhar para Jeongmin, mas quando viu seus olhos virados para ele, desviou o rosto para baixo.

– Obrigado, você também – não pode deixar de gaguejar um pouco, afinal, já tinha reparado nas calças pretas e justas marcando suas coxas e a camiseta larga que reforçava o jeito rebelde que ele sempre carregava, mas até aquele momento, tinha escolhido não comentar.

Durante o caminho e já dentro do clube, conversaram sobre coisas aleatórias e riram muito. Encontraram um sofá disponível e ficaram por lá mesmo, Jeongmin disse que já estava muito velho para ficar em pé, para Hyunseong isso tinha outro nome, sedentarismo, mas concordou em se sentar mesmo assim. Ele estava olhando para a pista de dança, quando sentiu Jeongmin cutucar seu ombro, se virou para ele e percebeu que estavam muito próximos um do outro. Podia sentir a respiração de Jeongmin enquanto a sua própria aumentava o ritmo. Não teve muito tempo pra reparar em mais detalhes, Jeongmin o puxou para si conectando seus lábios. Hyunseong logo correspondeu, já queria fazer isso há algum tempo, na verdade, não sabia porque ainda não havia feito, ele era um pouco lerdo as vezes. Quando se separaram, Jeongmin o olhou sorrindo, o que o fez sorrir também, mas logo deixou seus olhos para dizer em seu ouvido.

– Espero que você aguente mais alguns rumores quando entrarmos de mãos dadas nos corredores.

– Podemos fazer com que o que eles dizem seja verdade.

Ficou envergonhado com o que disse mas viu a reação de Jeongmin, que sorria enquanto entrelaçava os dedos com os dele e logo o puxou para outro beijo, seus pensamentos tirados da vergonha em menos de dois segundos.

Teria de ignorar mais boatos por muito tempo.

 

Drabble – Proposal

– Você acha que ele vai aceitar? – Jeongmin analisava as a caixa aberta em suas mãos, que mostrava duas alianças. Essas, escolhidas arduamente por semanas, deviam ser perfeitas.

– Claro que vai, hyung, não sei porque tem dúvida. Hyunseong – hyung é louco por você – Kwangmin falava com metade do raciocínio no papo gay de Jeongmin e metade no jogo. Talvez três quartos no jogo.

– Mas mesmo assim, talvez ele ache que isso não tem sentido e que estou maluco.

– Que você está maluco ele sempre soube – recebeu um tapa no braço – Hyung! Não precisa me bater assim, eu quase perdi a última vida.

– Isso é para aprender a prestar atenção nos mais velhos ao invés de ficar no videogame.

– Diz o que fica o dia todo com o celular na mão – Jeongmin apenas resmungou ao ouvir e saiu da sala.

Kwangmin fora inútil ao lhe ajudar num momento de reflexão. Mas se o mais novo tinha tanta certeza que Hyunseong aceitaria, por que ele ficava tão nervoso de o contrário acontecer? Agora que as alianças estavam compradas ele não podia voltar atrás, mesmo que ele não aceitasse, Jeongmin as usaria. Aquilo havia custado quase o mesmo preço que seu iphone.

Se dirigiu ao quarto de Hyunseong para perguntar e acabar logo com isso. Quando abriu a porta logo foi recebido por um sorriso caloroso do mais velho, que estava sozinho no recinto e pintando alguns livros de colorir com ursinhos ou algo parecido. Sorriu também ao sentar no chão ao lado de Hyunseong e o abraçando pela lateral, envolvendo sua cintura e se apoiando em seu ombro. Ele pareceu não se importar e continuou pintando o bichinho de azul.

– Por que você comprou isso, hyung? – Hyunseong riu, já imaginando que ouviria essa pergunta.

– Porque eu gosto de pintar e porque é fofo.

– Os desenhos são estranhos mas você sim é fofo pintando – Jeongmin deu um beijo na bochecha de Hyunseong. Esse se virou e depositou um leve selinho nos lábios do outro.

Depois de se separarem, ficaram apenas se olhando e sorrindo. Costumavam fazer isso, era como se ainda fosse surreal que pudessem se olhar de tão perto e tão profundamente. Era em momentos como aquele, olhando nos olhos de Hyunseong e mergulhando em todas as emoções que o fez se apaixonar, que Jeongmin tinha certeza que queria passar o resto da vida com ele.

– Hyunseong, tem algo que quero te perguntar – Jeongmin quebrou o silêncio e Hyunseong sinalizou para que ele continuasse – Se levante primeiro – o mais novo se ajoelhou quando ele levantou, o causando um olhar de estranhamento. Jeongmin pegou a caixa vermelha e a abriu – Você quer se casar comigo?

– O que? – foi a única coisa que passou pela mente de Hyunseong com aquela cena. Parecia que Jeongmin começou a achar que eles eram um casal hétero e podiam, simplesmente, fazer isso.

– Perguntei se você quer se casar comigo.

– Sim, eu entendi. Mas você sabe que não podemos, não sabe?

– Sei, mas eu comecei a pensar esses dias – Jeongmin se levantou com a ajuda de Hyunseong antes de continuar – Nós podemos ser noivos, no dia que for permitido, seremos os primeiros da fila. O que acha? Você aceita? – Jeongmin notou uma lágrima escorrendo do olho direito de Hyunseong – Hyung, você está be…

– Claro que aceito, Jeongminnie – foi interrompido pela frase e por um abraço forte – Eu te amo tanto, quero tanto ficar com você para sempre.

– Eu também te amo. Muito.

Jeongmin se lembrou naquele momento do quanto foi difícil para ambos desde o começo. Aceitar seus sentimentos, se aceitar e finalmente aceitar o outro em sua vida. Todo o sacrifício pareceu plenamente satisfatório sentindo agora o resultado. Finais felizes poderiam existir de verdade, afinal.

Drabble – Pretend not to know

A insônia me consumia, por dias a fio ela se fazia presente. Era extremamente chato ficar deitado por horas sem fazer nada. Resolvi levantar e ir pegar uma água ou qualquer outra coisa, não é como se eu fosse conseguir dormir tão cedo.

Levantei da cama e percebi que Hyunseong hyung não estava no quarto, ele provavelmente estava na sala vendo TV, conseguia ouvir alguns barulhos estranhos vindos de lá. Quando cheguei na sala, desejei que minha suposição estivesse certa, mas o que eu vi foi bem diferente de alguém assistindo TV.

Hyunseong hyung realmente estava lá, mas em cima de Jeongmin hyung que se deitava no sofá, e os dois estavam… se beijando, se agarrando, não sei mais o que. Eles sorriam um para o outro entre cada beijo, estavam tão distraídos que pareceram nem notar minha presença. Não conseguia decidir se aquilo era fofo ou nojento. Pensando melhor, era muito nojento. Não consegui reagir, apenas fiquei parado, olhando, boquiaberto. Até que percebi que Jeongmin notou minha presença. No meio de um beijo, seus olhos ficaram arregalados e no segundo seguinte ele empurrou Hyunseong que caiu do sofá com uma expressão confusa. Quando ele olhou para Jeongmin, percebeu para onde estava olhando e também me viu. Logo levantou e chegou perto de mim.

– Youngmin, isso não é o que você está pensando – disse apreensivo, conseguia ouvir as batidas de seu coração, devia estar nervoso, ou envergonhado.

– Eu estou pensando que vocês estavam se agarrando na sala, o que mais seria? – essa de ‘Não é o que você está pensando’ só me faz acreditar que realmente é o que eu estou pensando.

– Na verdade, eu quero conseguir um papel em um drama e o hyung está me ajudando com a cena do beijo, certo, Hyunseong? – Jeongmin podia ter inventado algo melhor, drama? Sério?

– Jeongmin hyung, pare com isso, me contem o que está acontecendo. Vocês se pegam às vezes? Só hoje? Estão namorando?

– Nós estamos namorando, Youngmin – Hyunseong disse depois de um longo suspiro, logo seguido por Jeongmin gritando.

– HYUNG, você não devia ter falado.

– Nós teríamos que contar em algum momento – se virou para mim e continuou – Olhe, Youngmin, eu sei que isso é muito estranho para você, dois garotos namorando, principalmente seus colegas. Mas nós nos amamos, não estamos apenas curtindo o momento, sabe? Tente entender, por favor.

– Tudo bem, hyung. E não vou contar para ninguém, não se preocupem. Boa noite – sai antes que eles pudessem me responder ou tentar dar mais explicações.

Hyunseong estava certo, aquilo era muito estranho. Não que eu nunca tivesse desconfiado de algo entre os dois. Sempre se abraçando e rindo como se não houvesse amanhã, sempre entrando juntos no banheiro e passando horas lá dentro. Mas achei que fosse paranoia e que tudo era apenas Hyunseong hyung sendo meloso como é com todos, apenas com Jeongmin era mais exagerado porque se conheciam há mais tempo e eram melhores amigos, fui muito inocente.

Era melhor parar de pensar nisso e tentar dormir novamente, afinal, aquilo não tinha nada a ver comigo. Ainda ia demorar para de acostumar, e tenho certeza que nunca mais conseguirei olhar para os dois da mesma forma depois dessa cena.

One Shot – Broken

Estava andando nos corredores lotados após uma cansativa aula de matemática e indo para outra cansativa aula de biologia. Mas não podia entrar na sala sem ver Hyunseong, é claro. Ele dizia não estar interessado em mim, mas eu sei que ele estava, qualquer pessoa desse mundo daria a alma para ficar comigo, era impossível que o único que eu quisesse ficar fosse diferente.

Fiz meu caminho até o armário 301, trajeto qual já sabia de cor. Ao chegar lá não acreditei no que vi. Hyunseong estava beijando alguma das garotas aleatórias da escola. Eu não sabia quem era, mas sabia que ela não ia beijar meu homem desse jeito.

Cheguei em frente ao armário e fiz questão de separa-los educadamente com as mãos.

– Com licença, querida. Gostaria de saber por que você está beijando meu namorado.

– Seu o que? – ela me olhava com aquela cara de piranha cínica, meu deus, como mulheres são irritantes.

– Não liga pra ele, Seolhyun, ele é só meu amigo.

– Amigo? Achei que já tivéssemos passado pela fase de ter vergonha do nosso relacionamento, hyung – então lhe dei um selinho que ele já estava acostumado então não reagiria.

– Então você é gay e só estava brincando comigo, Hyunseong? – a garota saiu de perto quase chorando. Por minha culpa, e eu não poderia me sentir melhor com isso.

– Finalmente ela foi embora.
– Jeongmin, você acabou de estragar o encontro que eu estava planejando há semanas.

– Estou apenas te poupando de experiências desagradáveis, hyung – cheguei perto dele, mas ele me empurrou antes de qualquer outro movimento.

– Eu já te disse mil vezes que não sou gay e que não gosto de você.

– E eu já te disse mil vezes que meu gaydar não falha.

– Sinto dizer que seu gaydar está com defeito – ele começou a andar, mas o puxei pelo pulso antes que pudesse dar mais dois passos.

– Então por que depois de todo esse tempo ainda somos melhores amigos?

– Porque eu gosto de você como amigo e nada mais – ele soltou seu pulso da minha mão e saiu andando em direção a sua próxima aula.

Por mais que já tivesse sido rejeitado várias vezes, sempre doía. Sou apaixonado por Hyunseong desde a sétima série quando nos conhecemos. Somos melhores amigos desde então, ao meu ver, já agimos praticamente como um casal, mas ao dele não. Ele sempre tenta arrumar alguma garota, como essa de hoje, não foi a primeira e não será a última. Fico confuso pensando se ele não aceita que me ama, ou se eu não aceito que estou sendo um otário por anos. Por mais que eu me magoe e seja rejeitado, algo me diz que não devo desistir dele. Desde que percebi meus sentimentos por ele, não consigo parar de pensar nisso. E em alguns momentos, ficamos tão próximos que me esqueço de todos os episódios da série “Somos só amigos” e acabo dizendo milhões e milhões de vezes as palavras eu te amo.

X
– Por que ele não gosta de mim, Minwoo? Você acha que não sou bonito o suficiente? – estávamos sentados no sofá da minha casa com um balde cheio de bolachas e jogando xbox.

– Achei que tivesse me convidado para jogar, não para ouvir sua baboseira gay – Minwoo só aceitava me visitar para jogar em meu xbox, já que não tinha um. Era amigo do videogame, não meu amigo.

– Meu deus, não posso falar nada em minha própria casa.

– Olha Jeongmin, já estou cansado de você chorando por isso o tempo todo, fale com ele seriamente e dê um ultimato para ele resolver seja lá o que ele esteja resolvendo, depois você vai ter sua resposta definitiva.

– Nossa, obrigada Minwoo, nunca pensei que realmente escutasse o que eu falo.

– Não posso bloquear meus ouvidos, infelizmente. Podemos voltar para o jogo? – concordei com a cabeça e passamos o resto da tarde jogando enquanto eu pensava no que fazer para resolver essa história.

X

Era sábado, e resolvi que seria o dia do fim da minha agonia. Parei na frente da casa de Hyunseong e toquei a campainha. A Sra. Shim, sempre sorridente, abriu a porta para mim e me informou que Hyunseong estava no quarto, como sempre.

Subi as escadas e quando cheguei em frente a porta parei e respirei fundo antes de abri-la. Assim que entrei, Hyunseong notou a minha presença e sorriu para mim. Por que ele fazia isso?

– Jeongmin, o que faz aqui? Se estiver atrás da cueca de arco íris de novo, ela não está comigo.

– Não, não vim pela cueca, só preciso falar com você.

– Sobre?

– Sobre tudo, tudo que envolve minha mente nos últimos quatro anos.

– Você quer dizer… aquilo de gostar de mim.

– Exatamente.

– Jeongmin, já te disse que não… – o interrompi antes da conclusão da frase.

– Não, pare de mentir para mim, por favor, preciso de uma resposta definitiva, Hyunseong, não aguento mais viver nessa dúvida. Como se fosse um idiota correndo atrás de você o tempo todo enquanto cada vez que você me afasta, me puxa para ainda mais perto depois. Preciso saber se devo continuar com meus sentimentos idiotas ou se devo sofrer ainda mais para afasta-los – não havia percebido, mas quando acabei de falar pude sentir as lágrimas descerem pelo meu rosto. Tentei esconder meus olhos, mas já era tarde para isso.

– Jeongmin, me desculpe. Não chore, por favor.

– Essa não é a primeira vez que choro por causa disso.

– Não imaginava que isso te magoava assim, você age como se nada pudesse te atingir.

– Mas pode – não conseguia pronuncia direito em meio ao choro – Só peço que seja sincero comigo sobre isso, de verdade.

– Eu não sei.

– Não sabe o que?

– Se gosto mesmo de você.

– Você sempre me disse que não gostava, por que nunca me disse isso?

– Também não sei, medo talvez, de como as coisas seriam se namorássemos. Medo de descobrir que seu gaydar está certo, de te beijar e ver que tudo o que eu tentei acreditar não era verdade. Todas as vezes que saia com uma garota só conseguia imaginar o momento em que você viria nos separar.

– Nunca pensei que se sentia assim. Mas eu não aguento mais essa dúvida, eu te amo tanto, Hyunseong.

– Eu… eu também te amo.

Ele disse que me ama? Era inacreditável ouvir aquilo depois de tantas frases contrárias.

Ao olhar em seus olhos percebi que também começava a chorar. Então ele chegou mais perto, tanto que eu conseguia sentir sua respiração em meus lábios enquanto ele acariciava meu rosto. Até que finalmente selou seus lábios nos meus, pela primeira vez por vontade própria. E pela primeira vez nos entregamos aos nossos sentimentos sem pensar em mais nada. Arrepios percorriam todo meu corpo e eu me sentia literalmente nas nuvens, como se nada pudesse me alcançar. Nunca imaginei que só um beijo pudesse causar essas sensações, por mais que já o tenha imaginado em inúmeros sonhos.

Nos separamos e nos olhamos, ele ainda parecia confuso, como se não conseguisse processar a ordem dos acontecimentos.

– Não devia ter feito isso, Jeongmin, me desculpe, eu me descontrolei e… – ele parou de falar abruptamente quando beijei sua bochecha.

– Tudo bem, eu já tenho minha resposta – sai do seu quarto sem esperar que ele dissesse algo, e depois de me despedir da Sra. Shim, fui andando até minha casa.

Minha resposta era: Sim, eu devia continuar lutando por esse amor. Ele estava confuso, e não sabia o que fazer, mas me amava. Ainda teria que ouvir muitos nãos até finalmente ter meu tão desejado amor verdadeiro, mas valia a pena. Não dizem que o que vem fácil, vai fácil? Então estava certo que para algo eterno era preciso aguentar mais algum tempo. Muito ou pouco, não importa, a única coisa que importa é que vou poder guardar esse sentimento dentro de mim para sempre.

One Shot – Say Something

Hyunseong estava em seu quarto se arrumando. Se preparando para uma nova chance. Não que ele tivesse certeza que ia funcionar mas, com certeza a tentativa valia. Ele conheceu esse colega de faculdade há algumas semanas, Jinyoung, que parecia ser um cara legal e talvez pudesse tirar essa paixão unilateral estúpida que a mente de Hyunseong insistia em manter. Era difícil esquecer uma pessoa que ele via todos os dias, o tempo todo.

Ele mal sabia como essa paixão por seu colega de quarto começou, apenas era impossível evitar. Jeongmin tinha algum tipo de charme ou qualquer outra coisa, que conseguiu conquistar Hyunseong antes mesmo que ele pudesse pensar sobre o assunto. Que pudesse avaliar o quão impossível seria carregar aquele sentimento, já que Jeongmin estava sempre com uma garota diferente dentro daquele apartamento. Quando acontecia, Hyunseong apenas tentava fingir indiferença até se trancar o seu quarto e ficar por lá até ouvir alguém saindo. Até o dia em que ele resolveu dizer.
X
– Me desculpe hyung, eu não sinto o mesmo – Jeongmin dizia calmamente, tentando ao máximo amenizar palavras que pareciam cruéis de qualquer jeito.

– Eu sei que não, eu só… – ‘Eu só o que? Nem sei porque fiz isso’ pensou Hyunseong, ele sabia que seu amigo nunca corresponderia, achava até que mesmo que Jeongmin fosse gay ele não teria chance, por que ele ainda perdia seu tempo com isso? – Não aguentava mais guardar – ele realmente estava sufocado, mas dizer só serviu pra piorar.

– Tudo bem, eu entendo, só espero que isso não atrapalhe nossa amizade – Jeongmin sorriu, e Hyunseong não sabia se também sorria por ele ainda querer ser seu amigo, ou se chorava porque nunca teria o garoto mais perfeito que ele já havia visto.

– Claro que não, se estiver tudo bem para você – ele escolheu a primeira opção, sorrir de volta. Não ia adiantar se lamentar de qualquer maneira.

– Ótimo, amigos então – com isso Jeongmin se levantou e foi para seu quarto, deixando Hyunseong ali sentado, sem reação.
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Seis meses depois de ser rejeitado ele ainda não tinha feito nada a respeito. Só ficava próximo de Jeongmin, como sempre, e morria de raiva quando ele resolvia o trocar pela garota aleatória da semana.

Isso estava para mudar. Dando os últimos retoques em seu lápis de olho, Hyunseong terminou de se arrumar e se olhou no espelho para ver se estava realmente pronto. Quando confirmou, pegou sua carteira e saiu do quarto em direção ao café do campus.

Passou pela sala e Jeongmin estava assistindo algum DVD de uma banda que Hyunseong não conhecia sem parecer prestar muita atenção ao seu redor, por isso sua voz o pegou de surpresa.

– Onde está indo? – ele perguntou sem tirar os olhos da TV.

– Vou sair – Jeongmin o olhou ainda sem aparentar muito interesse.

– Isso eu percebi, mas vai aonde?

– Ali no café com o Jinyoung.

– Vocês estão indo como se fosse..?

– Sim, um encontro. Preciso ir agora, Jeongmin, até mais.

– Tchau.
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Quando Jeongmin ouviu que Hyunseong ia para um encontro se sentiu estranho. Com um pouco de ciúmes, talvez. Não que ele gostasse de Hyunseong desse jeito, é só que ele pensou que por causa da paixão de seu amigo, ele fosse sempre receber toda a atenção dele. Mas parece que isso estava prestes a mudar. Jeongmin soltou um longo suspiro pensando em porque se importava com isso, não tinha sentido. ‘Ele não gosta mais de mim? Será que ele apenas desistiu ou encontrou alguém melhor?’ era o que se passava em sua cabeça ‘Não, é impossível ele ter achado alguém melhor’ ainda sem total confiança nisso resolveu se arrumar e ver quem era o tal garoto.

Assim que chegou ao café que sabia que era o preferido de Hyunseong por ter ido ali várias vezes com o mesmo, logo o avistou em uma mesa perto da janela, o reconheceu mesmo de costas. ‘É a mesma mesa que nós sempre nos sentamos’ a raiva apenas aumentava, Jeongmin sabia que não tinha o direito de sentir nada em relação a isso, mas também não havia nada que ele podia fazer.

Via de frente o tal Jinyoung, ele usava um boné preto virado para trás e uma blusa larga e azul. ‘Eu sou muito mais bonito que ele, com certeza’ Jeongmin sorriu ao pensar, mas seu sorriso desapareceu quando viu o garoto entrelaçando seus dedos com os de Hyunseong naturalmente ‘Não posso mais assistir isso’ então se levantou em direção á mesa.
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Hyunseong estava se divertindo com Jinyoung, ele era engraçado, e o tratava muito bem. Parecia mesmo se interessar em tudo que ele falava, por mais que Hyunseong estivesse falando pouco para evitar falar alguma besteira,  o que ele sabia que iria. Ainda era diferente do que ele sentia quando estava com Jeongmin, muito diferente. Com Jeongmin ele podia falar de tudo, se ele falasse algo idiota o mais novo iria apenas rir e falar algo idiota também, e os dois passariam horas rindo daquilo. Seu relacionamento com Jeongmin era diferente de todas as maneiras, talvez esse seja um dos motivos de sempre querer estar com ele.

Mas ele estava ali para esquecer, por que esse tipo de bobagem não saia de sua cabeça nem quando ele estava em um encontro com outro garoto?

Seus pensamentos foram interrompidos quando ele percebeu que Jinyoung pegou em sua mão enquanto sorria. Hyunseong hesitou um pouco, mas acabou também sorrindo. Afinal, se era para tentar, ele ia realmente tentar. De repente ouviu alguém puxar a cadeira que estava do seu lado e quando olhou e viu quem era, num susto soltou a mão de Jinyoung.

– Jeongmin – ele esperou Jeongmin dizer algo, mas só conseguiu ver seu café agora sendo tomado por ele – O que está fazendo aqui?

– Vim tomar café? – ele respondeu com aquele sorriso sarcástico que Hyunseong já conhecia muito bem.

– Então você é o Jeongmin? Ouvi falar muito de você – Jinyoung, quem Hyunseong tinha esquecido que estava ali por um segundo, sorriu e estendeu a mão.

– Ouviu? Pena que não posso dizer o mesmo – Jeongmin estendeu a mão de volta parecendo amigável mas, Hyunseong percebeu que ele estava um pouco irritado, ele só não sabia o porquê – Não queria interromper o encontro, mas, hyung, nós temos um trabalho para entregar amanhã. Precisamos ir, até mais Jinyoung – e com isso Jeongmin pegou Hyunseong pelo pulso e, praticamente, o arrastou para fora do café.

Quando estavam do lado de fora, Hyunseong se soltou, muito em choque para ter feito isso antes.

– O que foi isso de trabalho Jeongmin? Não tem nenhum trabalho. – eles nem faziam o mesmo curso, a mentira certamente poderia ter sido melhor.

– Eu sei, só queria te tirar de lá – ele disse tranquilamente tomando o último gole do café de Hyunseong.

– E por quê?

– Porque não entendi essa história de encontro, achei que você gostasse de mim.

– E eu achei que você não gostasse de mim.

– Não gosto.

– Por que está aqui então?

– Não sei.
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Algumas semanas se passaram depois da tentativa falha de encontro de Hyunseong. Ele sentia que depois daquilo ele e Jeongmin estavam mais próximos, ou talvez fosse só sua imaginação; a segunda alternativa parecia mais óbvia.

Hyunseong estava sentado no sofá com o celular na mão jogando algum desses jogos bobos apenas para passar o tempo quando sentiu Jeongmin sentar ao seu lado no sofá e apoiar a cabeça em seu ombro. Hyunseong sorriu. Eles ficaram nessa posição por um bom tempo, o silêncio parecia confortável, mas foi quebrado.

– Hyung, como você descobriu que era gay? – Hyunseong arqueou a sobrancelha tirando os olhos do celular e fitando Jeongmin, que ainda estava deitado em seu ombro, avaliando a parede vazia a sua frente.

– Não sei, é tudo muito confuso, muitas coisas passam pela cabeça antes de se ter realmente certeza. É muito, muito confuso – ele ainda não sabia o motivo da pergunta mas respondeu mesmo assim.

– E como descobriu que gostava de mim?

– Acho que eu já gostava antes de descobrir, um dia só acordei e me dei conta – aquelas perguntas tão diretas fizeram Hyunseong ficar um pouco vermelho ao responder – Mas por que está perguntando isso, Jeongminnie?

– Nada, por nada…