The Only Exception – Capítulo V

Hyunseong achou que depois do dia em que ele se confessou as coisas entre ele e Jeongmin ficariam estranhas, mas o contrário aconteceu. O mais novo parecia ainda mais próximo dele, como se as barreiras que ele vinha construindo desde que se conheceram tivessem finalmente sucumbido.

Ele não entendia exatamente o que se passava na mente de Jeongmin, talvez gostasse dele também, talvez estivesse agindo assim só para não perder uma amizade. Preferia não saber a ter uma resposta que não queria.

Mesmo assim, concordou em passar uma noite na casa dele. Jeongmin havia dito que Hyunseong era o primeiro amigo que ele levaria para sua casa, e ele não podia evitar se sentir ridiculamente animado por isso. Era uma coisa boba, mas significava muito para Hyunseong.

Chegando ao seu destino, Hyunseong foi muito bem recebido pela mãe de Jeongmin, que o informou que este estava tomando banho, e começou a lhe contar várias histórias. Como uma em que Jeongmin tinha cinco anos, tentava se equilibrar nas barras quando caiu e fez um leve corte na perna. Depois passou a semana chorando por conta do corte.

Hyunseong não conseguia imaginar Jeongmin chorando por um mínimo corte. Mas a imagem de um mini Jeongmin sensível lhe parecia a coisa mais fofa do mundo e o fez sorrir.

Até que este desceu as escadas, logo fazendo o sorriso de Hyunseong se transformar em um olhar de pura admiração. Hyunseong nunca o tinha visto com os cabelos molhados, era ainda mais bonito que ele imaginava.

Então os dois subiram para o quarto de Jeongmin para que pudessem fazer sua festa do pijama ou algo parecido. Jogaram videogame por um bom tempo até que resolveram se deitar para dormir.

O quarto era grande, e só havia uma cama de casal disponível nele, obrigando Hyunseong a dormir ao lado de Jeongmin na cama. Não que isso o incomodava, muito pelo contrário, o fazia imaginar inúmeras coisas, um namoro, quem sabe até um casamento. Hyunseong estava perdido em sua imaginação até que sua atenção foi chamada por uma voz que quebrou o silêncio do lugar.

– Hyung – Hyunseong apenas limpou a garganta como barulho para sinalizar que estava escutando – Se lembra daquele dia que você se declarou para mim?

– Me lembro sim, por quê?

– Você ainda sente tudo aquilo que me disse? Ainda me ama? – Jeongmin o olhava nos olhos com uma seriedade que o mais velho nunca tinha visto em seus olhos. E ficou surpreso não só por isso, mas porque achava que Jeongmin já nem se lembrasse disso. Mas mesmo assim respondeu sinceramente.

– Claro que amo, Jeongmin. Sempre vou amar – e antes que pudesse perceber, o mais novo havia selado seus lábios.

– Também te amo, hyung – Hyunseong sorriu, acabou com a distância entre seus lábios mais uma vez. Agora em um beijo mais profundo, diferente de poucos outros que haviam dividido. Esse representava mais, representava uma história prestes a começar, uma história que para Hyunseong era como um conto de fadas que ele nunca achou que pudesse, de fato, se realizar.

– Sei que você não confia muito nas pessoas, mas juro que não vou te desapontar, Jeongminnie – Jeongmin apenas concordou e sorriu antes de começar o terceiro beijo da noite, que não seria o último.

X

Jeongmin acordou com a luz do sol incomodando seus olhos, ele nunca se lembrava de fechar aquelas cortinas. Mas algo o incomodou mais, o espaço vazio na cama ao seu lado que deveria estar ocupado por Hyunseong. Por um momento pensou que ele havia o abandonado após arrancar sua confissão, afinal, todos faziam isso. Mas antes que pensasse mais besteiras, viu um bilhete em cima da cabeceira da cama.

Olá Jeongminnie
Me desculpe por sair sem me despedir, minha mãe me ligou logo cedo e tive que ir.
Adorei dormir na sua casa ontem, espero voltar mais vezes ^^
Te amo
Ass: Hyunseong

Jeongmin sorriu, como pôde pensar que Hyunseong o magoaria de alguma maneira? Ele nunca faria isso, e esse bilhete era a última prova que ele precisava pra confiar totalmente no mais velho.

Era a prova de que tudo aquilo não era um sonho, era real, e sempre seria.
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The Only Exception – Capítulo IV

Jeongmin se aproximou de onde ouviu o barulho de choro e olhou por de baixo da porta. Conseguiu reconhecer imediatamente os tênis brancos com detalhes em azul.

– Hyunseong? – ele bateu na porta e houve um silêncio repentino. Após alguns segundos o fecho da porta se abriu. Jeongmin entrou no box e viu que Hyunseong estava sentado no chão, encostado na parede e com os olhos vermelhos – O que aconteceu?

– Você sabe muito bem o que aconteceu.

– Sei?

– Sabe sim, você estava lá – Hyunseong se virou pro outro lado tentando esconder as lágrimas que retornavam, enquanto Jeongmin se sentou ao seu lado no chão.

– Olha Hyunseong, me desculpe eu…

– Quer saber? Esquece isso, eu sabia que isso ia acontecer de novo, você deve ter nojo de mim agora, não sei o que deu em mim para dizer aquilo.

– O que? Por que eu teria nojo de você?

– Porque eu disse que te amo – Hyunseong olhou para Jeongmin, que estava esperando que ele continuasse, então ele suspirou e prosseguiu – Uma vez, eu gostei de um garoto que era da minha antiga sala. Resolvi me declarar pra ele, mas ele apenas respondeu que tinha nojo de mim e depois disso nunca mais me dirigiu a palavra. Passaram-se quase quatro meses depois disso e ele resolveu contar o quão horrível eu era pra escola inteira. Não aguentei ficar lá por mais de um mês, foi quando me mudei para cá.

– Sinto muito, Hyunseong – Jeongmin imaginou o quanto aquilo deveria ser horrível – Mas não foi por isso que eu saí daquele jeito.

– Então foi por quê?

– Não sei, ninguém nunca me disse isso antes, a não ser minha mãe, é claro, só fiquei surpreso, só isso.

– Isso quer dizer que você não me odeia?

– Claro que não, eu imagino o que você passa, sabe – Hyunseong o olhou com curiosidade, como ele poderia saber? – Minha mãe, ela se casou com meu pai porque os pais dela a obrigaram. Eles passaram anos “juntos” até que ela resolveu que não queria mais aquilo, porque estava apaixonada por outra. Então se separou do meu pai e resolveu assumir que não gostava de homens de uma vez por todas. Eu nunca me importei com isso, mas sei que muitas pessoas se importam, eu vejo.

– Sério? – ele parecia um pouco chocado com a história – Sua mãe é muito legal – Jeongmin riu.

– Ela é sim. Mas, me desculpe por hoje, de verdade, não queria te magoar.

-Tudo bem – Hyunseong sorriu, já se sentia como se nada tivesse acontecido – Mas e a sua resposta?

– Ainda não sei, não digo que te amo ou que não, preciso de um tempo para pensar.

– Você pode ter todo o tempo do mundo – então ele se aproximou de Jeongmin e beijou sua bochecha. Eles se olharam e sorriram.

– Obrigado – Jeongmin disse, quase num sussurro e se aproximou de Hyunseong, dessa vez para beijar, rapidamente, seus lábios.

The Only Exception – Capítulo III

Segunda-feira, Hyunseong e Jeongmin estavam matando a primeira aula no jardim. Jeongmin sempre dizia que não precisava daquelas aulas para ser um músico, então não precisava perder seu tempo com aquilo. Já Hyunseong apenas seguia Jeongmin para ficar cada vez mais perto dele. Depois do encontro do fim de semana ele se sentia mais próximo dele. Agora que eles poderiam se ver em outros lugares além da escola, era como se finalmente fizessem parte um da vida do outro. E Hyunseong achou que aquele momento seria o melhor para dizer o que realmente sentia.

Eles estavam em silêncio sentados na grama um do lado do outro. Apenas olhando para o céu, admirando seu azul e as nuvens que o completavam.

– Jeongmin.

– Hum – murmurou ainda sem tirar os olhos das nuvens.
– Eu te amo.

– O que? – Jeongmin parecia assustado e Hyunseong já começava a se arrepender de ter dito – O que você quer dizer? Ama de amar mesmo?

– Sim? – a conversa parecia um pouco sem sentido para Hyunseong.

– Não, acho que você está se confundindo.

– Não estou confundindo nada.

– Está sim – Jeongmin pegou sua mochila e levantou – Nos vemos depois, Hyunseong – e saiu sem nem olhar para trás.

Hyunseong ficou ali parado, já segurando as lágrimas que ameaçavam cair. Ele não pensou que aquilo pudesse acontecer de novo. Achou que talvez Jeongmin pudesse gostar dele, e se não, que não ficaria assustado daquele jeito, que não usaria aquele tom de voz frio. Mas ele deveria saber que ele nunca conseguiria amar ninguém, que não era certo se apaixonar por outros garotos, como ele fazia. Ele só ainda não tinha aprendido a deixar a boca fechada, e sabia que ainda sofreria muito por isso. Sem gastar mais um segundo, saiu do jardim rumo a qualquer lugar onde ele pudesse chorar sozinho.

X

Jeongmin seguia caminho para sua sala. Resolveu entrar para ver se distraia sua mente com algo e esquecer o que acabara de acontecer. Hyunseong tinha dito que o amava? Ele ainda não havia processado as palavras. Já tinha visto milhões de casais e nunca viu nenhum que realmente se amasse, todos eram uma farsa, como seus pais foram um dia. Como ele poderia sentir algo que não existe?

Ele pensou em todos os momentos com Hyunseong. Como o mais velho sempre tentou se aproximar dele, por mais que Jeongmin tenha tentado se afastar. Como ele sempre conseguia arrancar sorrisos de Jeongmin e como sempre se sentia bem perto de Hyunseong. Era incrível como eles se davam bem, e Hyunseong já até conhecia sua mãe. Jeongmin nunca havia pensado sobre isso, foi tudo tão leve e automático desde o início, ele não reparou o quanto já eram quase inseparáveis.

E por um momento lhe veio à mente que ele podia ter machucado Hyunseong com o jeito que o respondeu, só foi tudo tão estranho, sua intenção não foi magoa-lo. Decidiu que deveria procurar Hyunseong o mais rápido possível para que pudessem conversar.

Antes de entrar na sala resolveu ir ao banheiro lavar o rosto e aparecer um pouco apresentável ao professor de matemática. Quando transpôs a porta do banheiro, pôde ouvir um choro abafado vindo do último box.

The Only Exception – Capítulo II

Hyunseong acordou animado naquela manhã de sábado. Ele não precisava realmente acordar cedo, mas estava tão ansioso para o resto do dia que mal conseguia pregar os olhos. Tinha um encontro com Jeongmin. Provavelmente, para o mais novo, aquilo não era exatamente um encontro, mas não importava para Hyunseong no momento. Ele se levantou e foi direto se arrumar. Tomou banho, ajeitou seus cabelos e unhas e tentou procurar algo para vestir. Não conseguia decidir quais peças seriam apropriadas e ficara por quase meia hora revirando seu guarda roupa procurando algo. Se sentia um pouco estúpido por isso, estava totalmente animado com um encontro que nem era um encontro. Mas não podia controlar suas ações.

Após mais um tempo procurando algo, optou por um sobretudo cinza claro com alguns detalhes em prata, uma calça skinny branca e seu all star preto. Ele queria algo um pouco menos tradicional, mas não poderia sair como se estivesse indo à entrega do oscar. Quando Hyunseong se deu por si, já era praticamente a hora que ele deveria sair. Eles tinham combinado que Hyunseong passaria na casa de Jeongmin para irem, já que Hyunseong já tinha sua habilitação, eles iriam de carro até Hongdae para fazer compras. Então Hyunseong seguiu para a casa de Jeongmin, que ele havia descoberto que não ficava muito longe da sua. Quando chegou, ficou dentro do seu carro, que no caso era o carro do seu pai, esperando para ver se Jeongmin saia pela porta. Mas depois de 15 minutos, se cansou de esperar e resolveu tocar a campainha. Não demorou muito até que a porta se abrisse e ele desse de cara com uma senhora, que imaginou ser a mãe de Jeongmin. Ela parecia ter seus quarenta anos e usava roupas apertadas e de couro, acompanhadas de algumas correntes de prata e de uma maquiagem forte. Os cabelos loiros um pouco desbotados presos em um coque. Definitivamente não se parecia nada com sua mãe, Hyunseong pensou.

– Olá querido, você é Hyunseong, certo? – ela disse já praticamente puxando Hyunseong pra dentro de casa.

-S-sim, muito prazer senhora Lee – Hyunseong fez uma referência rápida.

– Não precisa ser tão formal comigo – ela sorriu, e ele percebeu que seu sorriso se parecia um pouco com o de Jeongmin, então sorriu timidamente de volta – Sabe, já ouvi falar muito de você.

– Já ouviu?

– Sim, Jeongmin sempre me fala de você, e realmente você é muito lindo – Hyunseong arregalou os olhos, será que Jeongmin falava mesmo dele para sua mãe? – Ah, ele já vai descer, esse garoto demora eras para se arrumar.

Depois de 10 minutos que Hyunseong passou conversando com mãe de Jeongmin, ele desceu. E então os dois saíram, ouvindo vários avisos sobre não chegar tarde, não falar com estranhos e tomar cuidado com o dinheiro.
X
Quando chegaram lá, Jeongmin, que tinha acabado de ganhar sua mesada, queria gasta-la inteira em sapatos.

– Tenho certeza que você não vai usar nem metade disso – Hyunseong disse enquanto observava Jeongmin abrir a quinta caixa de sapatos para experimentar.

– Claro que vou, e quanto mais eu tiver, melhor. Você também devia comprar alguns.

– Não, obrigada, já tenho muitos.

– Muitos quantos?

– Muitos 5 ou 6.

– Desde quando isso é muito? Isso é o que eu vou comprar só hoje.

– Isso porque você é muito consumista, inclusive, melhor irmos embora logo antes que você compre a loja inteira – Hyunseong riu enquanto Jeongmin parecia irritado, um pouco antes de rir também e dar um soco leve no braço de Hyunseong.

– Só saio daqui se for para comer, e com seu dinheiro, o meu vai todo nisso aqui.

– Você é muito folgado, Lee Jeongmin. Mas tudo bem, eu pago.

– Sabia que iria. – Então, Jeongmin entrelaçou as mãos com Hyunseong para guia-lo até o caixa.

Hyunseong sentia seu coração bater mais rápido a cada passo que dava. Sempre ficava próximo de Jeongmin mas, nunca era o mais novo que iniciava o contato físico e Hyunseong não conseguia conter o estúpido sentimento de felicidade que crescia dentro dele toda vez que Jeongmin o tocava. Ele se sentia um idiota, um idiota que só conseguia pensar em Lee Jeongmin.

The Only Exception – Capítulo I

Numa sexta feira, Hyunseong estava com os colegas de classe com que já havia feito amizade no intervalo. Insistiu para se sentarem na mesma mesa onde ele havia se sentado há duas semanas, em seu primeiro dia de aula. Na verdade, ele sentou todos os dias naquela mesma mesa. Sempre observando o mesmo garoto que também ficava em sua mesa habitual. Ele sempre estava sentado sozinho, apenas cumprimentando e sorrindo para algumas pessoas que passavam por perto. Seu sorriso, definitivamente o sorriso mais lindo que Hyunseong já vira, era cheio de brilho, cheio de luz. Para ele era automático sorrir também quando o via. Ele sempre estava divagando e olhando para o nada, e depois simplesmente pegava um papel e começava a escrever. Hyunseong queria muito saber o que estava escrito naquele papel. Queria saber muitas coisas, tinha desenvolvido muitas curiosidades desde o primeiro dia. Queria saber que tipo de música ele estava sempre ouvindo e batendo os dedos na mesa enquanto acompanhava o ritmo. Queria saber porque ele fazia expressões diferentes enquanto olhava para o céu ou para as árvores. Queria saber o porquê das joias que sempre o acompanhavam, e o porquê de estar sempre sozinho. Também queria saber seu nome, obviamente. Mas não criou coragem para falar nada durante esse tempo. Apenas observava, e pensava que o garoto realmente andava sempre distraído, por nunca perceber o par de olhos que pousavam nele incansavelmente.

Mais uma semana se passou, uma semana em que Hyunseong reunia coragem para finalmente falar com o garoto. Ele não sabia o que dizer, se sentia nervoso só em pensar nisso. Ele nunca teve dificuldades em fazer amigos, mas aquele garoto parecia diferente das outras pessoas. Hyunseong apenas não sabia se ele era realmente diferente, ou apenas se ele o via desse jeito por alguma razão incompreensível. Depois de muito pensar, decidiu que no intervalo daquele dia falaria com ele. Afinal, era apenas uma conversa simples, não havia motivo para tanta ansiedade. Só precisava que seu cérebro entendesse isso, e que seu coração parasse de bater irritantemente rápido enquanto ele caminhava até a mesa.

Quando finalmente chegou ao seu destino, ficou imóvel até que o garoto desviasse sua atenção do celular para a figura parada a sua frente.

– Oi? – ele disse com uma sobrancelha arqueada numa expressão um pouco confusa que se juntava a incerteza no tom de voz.

-Oi – Hyunseong sorriu tentando passar a confiança que não possuía enquanto falava – Posso me sentar aqui?

– Claro – ele fez um gesto com as mãos para que Hyunseong sentasse a sua frente.

– Obrigado – ele se sentou ainda se sentindo um pouco nervoso – Então… Muito prazer, sou Shim Hyunseong, e você é..?

– Jeongmin… Lee Jeongmin – disse enquanto estendia sua mão para Hyunseong sorrindo. Hyunseong quase sentiu seu maxilar quebrar por tanto que sorria enquanto retribuía o aperto de mão – Então, está fazendo o que aqui?

– Aqui onde? No mundo, no país, na cidade, na escola… – Jeongmin interrompeu o estranho raciocínio de Hyunseong rindo.

– Aqui na minha mesa, Hyunseong. – disse ainda rindo levemente.
– Ah sim, me desculpe, estou te incomodando, certo? – Hyunseong levantava da mesa já se retirando. O que ele tinha na cabeça? Não podia simplesmente chegar perto das pessoas assim. Ainda estava se culpando mentalmente quando Jeongmin interrompeu seus pensamentos.

– Calma, pode ficar, você não está incomodando – ele esperou Hyunseong se sentar novamente para continuar – Não quis parecer rude, me desculpe, apenas fiquei curioso, alunos novos não costumam falar comigo. Você é novo aqui, não é?

– Sou sim – Hyunseong olhava para baixo enquanto falava, um pouco envergonhado. – Eu só… quis te conhecer, apenas isso.

– Por quê?

– Não sei ao certo, porque você parece ser uma pessoa interessante talvez?

– Pareço? – Jeongmin perguntou num tom um pouco mais leve e menos desconfiado do que o que havia usado até agora.

– Sim – Hyunseong respondeu agora olhando pra cima sorrindo levemente.

– Se você diz – então eles conversaram sobre coisas aleatórias até o fim do intervalo.

X

Hyunseong e Jeongmin estavam sentados no jardim da escola depois do intervalo. Sim, eles haviam faltado a uma das aulas e não, não havia ninguém ali que ligava para isso. No último mês eles começaram a se conhecer melhor, e ficavam juntos quase todos os dias. Hyunseong percebeu que estava certo desde o começo ao gostar de Jeongmin. A cada dia gostava mais dele, a cada coisa nova que descobria durante suas conversas. Era um pouco difícil se aproximar e ter uma conversa apropriada com ele, Hyunseong percebeu isso desde o início. Mas o esforço, que diminuía ao longo do tempo, sempre valia a pena. E Jeongmin gostava da companhia do mais velho, fazia um tempo que ele não tinha amigos novos, preferia se afastar de tudo. Mas Hyunseong sempre insistira para ficar com ele, e Jeongmin não reclamava. Ele gostava do tempo que passava com Hyunseong, e estranhamente, também gostava do eterno bombardeio de perguntas sobre tudo.

Nesse dia eles estavam sentados enquanto Jeongmin trabalhava em uma música que estava compondo. Hyunseong apenas o encarava com um sorriso no rosto, quando Jeongmin percebeu o par de olhos sobre si, desviou sua atenção da partitura, para Hyunseong.

– Por que você está me olhando assim? – Jeongmin sempre sabia que podia esperar qualquer tipo de resposta bizarra, mas sempre perguntava mesmo assim.

– Porque você é lindo – Hyunseong simplesmente respondeu ainda com um sorriso no rosto.

– Eu sei – disse Jeongmin rindo, apesar de sempre ficar com vergonha dos infinitos elogios do mais velho. Parecia que a cada dia Hyunseong encontrava uma qualidade nova nele.

–  Que bom que sabe – Hyunseong então colocou uma de suas mãos sobre outra de Jeongmin enquanto a acariciava. Aquilo também não era novidade. Hyunseong sempre fazia coisas assim. Abraços, mãos se tocando, braços em volta da cintura. No começo Jeongmin achou estranho, mas depois se acostumou e já nem ligava mais.

Hyunseong, por sua vez, amava tocar em Jeongmin, ficar cada vez mais perto dele. Mesmo que ele encarasse isso como algo normal e como se não fosse nada de mais. Para Hyunseong eram os melhores momentos do seu dia. Quando eles podiam ficar sozinhos juntos. Por isso o mais velho sempre insistia em matar algumas aulas depois do intervalo, mesmo que durante esse tempo eles ficassem juntos sempre, Hyunseong não podia ficar tão perto de Jeongmin quanto queria, não no meio de tantas pessoas. Quando estavam sozinhos, ambos se sentiam melhor.

The Only Exception – Prólogo

Hyunseong estava um pouco nervoso e totalmente empolgado com seu primeiro dia de aula. Podia parecer algo bobo e infantil, mas era impossível se conter. Ele havia estudado na mesma escola desde que se conhecia por gente. Por um lado fora difícil se despedir dos antigos colegas, mas por outro estava feliz em poder conhecer pessoas novas. Ele saia pouco, por isso os únicos lugares disponíveis para conhecer alguém, eram a escola e alguns cursos que já havia frequentado. Aquela era uma oportunidade de viver algo novo. Mas no fundo podia sentir que estava animado demais e que o lugar poderia ser menos do que esperava.

Desceu do ônibus um pouco incerto sobre o local em que estava. Não sabia se havia descido no ponto de ônibus correto e não conseguia ver nenhuma indicação para seu caminho. Começara a sentir um leve pânico por estar perdido até que visualizou, do outro lado da rua, três garotos usando o mesmo uniforme que ele e se sentiu um pouco aliviado. Resolveu seguir os garotos. Claro que eles poderiam estar indo para outro lugar ao invés da escola, mas não é como se Hyunseong tivesse outra opção. Após seguir o grupo discretamente por um quarteirão, conseguiu ver uma construção enorme com o nome Instituto Ross talhado em letras garrafais, porém sofisticadas, em sua entrada. Só então conseguiu se acalmar totalmente. Hyunseong era quase profissional em se perder pela cidade, por isso sempre se assustava um pouco quando andava em locais desconhecidos, mas agora que já tinha o caminho do colégio na memória, seria difícil repetir o feito.

As primeiras aulas se resumiram em apresentações diante o professor e a turma de cada aula, que Hyunseong descobriu que odiava fazer, e algumas conversas aleatórias com poucos colegas que se mostraram simpáticos. Parecia que ali era raro novatos serem transferidos no meio do ano letivo, mais um motivo que deixou Hyunseong com extrema vergonha dos olhares curiosos durante as várias apresentações. Ele era do tipo que adorava conversar e falava livremente até com estranhos, mas tinha certo pavor de falar em público. Realmente não havia pensado nessa parte da transferência.

X

Na hora do intervalo, ficara totalmente perdido naquele refeitório lotado, parecia que todas as mesas estavam ocupadas e Hyunseong não teria coragem de simplesmente sentar em alguma delas. Mas o lugar era muito grande, e ele viu que também havia uma parte descoberta com um número bem menor de ocupantes.

Ali na área descoberta, haviam algumas mesas vazias e então ele consegui uma para se sentar. Uma vez instalado, parou para observar a sua volta. A parte externa era composta por árvores em toda sua extensão e bem perto das mesas, fixadas numa grama verde e bem cuidada. Era bem mais bonito e relaxante que o caótico refeitório cheio de barulho e movimento. Ali era mais tranquilo, tinha uma aura diferente do resto da escola, apesar de estar dentro dela.

Enquanto fazia uma vista geral do ambiente, seus olhos se fixaram em um certo ponto. Uma mesa que estava a cerca de três metros de distância de sua própria e que era ocupada apenas por um garoto. Hyunseong não sabia exatamente o que chamara tanto sua atenção a ele. Se foram seus cabelos avermelhados, os brincos e correntes brilhantes, ou o olhar profundo que estava concentrado em um papel que ele possuía. Só sabia que poderia ficar encarando por uma eternidade.