One Shot (Barquelle) – All The Things She Said

Barbie estava desolada após o fim de seu namoro com Ken. Por mais que ela tenha escolhido esse caminho, era difícil mudar aquilo que já durava tantos anos. Em seu closet, estava sentada atrás de um dos armários tentando se esconder de qualquer um que tentasse a procurar, não estava com vontade de bater papo.

– Barbie? – escutou uma voz muito conhecida em algum lugar do closet não tão perto de onde estava – Barbie? Você está ai? – por mais que não quisesse falar, era impossível não atender àquela voz.

– Estou aqui, Raquelle – logo ouviu passos em sua direção e logo a morena estava se sentando do seu lado.

Ficaram um tempo sentadas em silêncio. Barbie, ainda triste, sem vontade de falar algo. Raquelle, sem palavras, algo raro, mas não era muito boa em confortar as pessoas e não queria dizer besteiras naquele momento. Mesmo com pudor, decidiu quebrar a quietude.

– Barbie… sinto muito pelo seu término. Não sei exatamente o que aconteceu, mas você sabe que não fiz nada para causar isso, certo? Não dessa vez – dizia calma e lentamente.

– Eu sei, Raquelle, não se preocupe, a culpa foi toda minha.

– Se importaria de me contar o que aconteceu? Odeio te ver triste assim, você é sempre tão alegre – a loira deu um pequeno sorriso ao ouvir as palavras da outra.

– Obrigada pelo apoio – sorriu para a morena mas continuou a falar mais seriamente – Quer mesmo saber? Planejo te contar isso há algum tempo.

– Como planeja me contar se tudo aconteceu hoje?

– Não foi algo de apenas um dia, Raquelle, já faz um tempo que carregava essa vontade de acabar com isso.

– Do que você está falando, Barbie? – Raquelle estava confusa, o casal parecia feliz até ontem. Por que Barbie iria querer romper o relacionamento?

– Preciso que preste muita atenção no que tenho a dizer.

– Pode falar, estou escutando.

– Raquelle, há algum tempo percebi que havia uma razão para sempre te querer por perto, por mais que todos dissessem que você queria me fazer mal. Eu sentia que não, sentia que algo especial sempre aconteceu entre nós, algo que eu não compreendia, mas finalmente entendi e quero que você saiba. Eu te amo – Raquelle estava sem palavras, nunca imaginou realmente ouvir aquilo.

– Barbie, eu… – não conseguiu concluir a frase.

– Não precisa dizer nada, sei que você gosta do Ken, agora o caminho está livre.

– Você achou mesmo que eu gostasse do Ken? – não conseguiu conter o riso – Eu sempre quis separar vocês dois por ciúmes de você, eu também te amo, Barbie.

– Mesmo? – os olhos azuis da loira brilhavam enquanto olhava nos de Raquelle.

– Mesmo – a morena sorria.

– Vamos ficar juntas para sempre.

– Mas é claro, para a eternidade.

Então elas diminuíram a distância entre elas e seus lábios se tocaram, selando a união de seus corações e realização de seus maiores sonhos.

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Love Game – Capítulo II

You are the music in me

Jogava Naruto em meu PSP, aquele jogo era viciante e eu provavelmente não ia parar até zerar todas as partes dele. Na verdade, já tinha zerado e aquela era a segunda vez que percorria o caminho, mas nunca ficava cansativo.

Estava no meio de um jogo de adivinhação de kage bushin quando senti duas mãos em meus ombros. Olhei rapidamente para trás no intuito de descobrir quem era o dono das mãos que ousavam atrapalhar meu jogo sagrado. Fiquei um pouco bravo, mas quando finalmente me virei, já me vi sorrindo como um bobo, era Jeongmin. Não me importava que ele atrapalhasee meu jogo, ou qualquer outra coisa, mas tentei parecer um pouco irritado, pois era assim que eu agiria se fosse qualquer outra pessoa.

– Jeongminnie, você me fez perder o jogo – levantei meu PSP apenas para confirmar que havia mesmo perdido. Me senti envergonhado, aquele era o mini game mais fácil que já existiu. Pelo menos eu tinha uma desculpa.

– Desculpe, hyung, é que eu preciso de um favor – disse enquanto fazia o caminho para se sentar ao meu lado no sofá. Quando chegou sorriu para mim de um jeito que eu já sabia que não ia recusar nada que eu pedisse, assim como ele também sabia. Sempre usava essa tática e nunca falhou, então desliguei meu PSP e direcionei toda a minha atenção para ele.

– Do que você precisa, Jeongminnie? – ele apenas me mostrou um pedaço de papel onde havia escrito uma letra de música e alguns acordes e eu já sabia o que aquilo significava: ele queria que eu gravasse a voz para outro demo de suas músicas – Outra música? – assentiu e eu soltei um suspiro – Você acha que sou um plugin de voz? – disse fingindo estar irritado e ri com sua reação, ele fechou um pouco a cara e ficou sem palavras por alguns segundos, até ouvir minha risada e responder.

– Claro que não, mas sua voz é muito bonita, como não vou querer ela em todas as músicas possíveis? – ele realmente sabia como me convencer. Amava cantar para Jeongmin, era a única coisa que eu conseguia fazer para impressiona-lo. Ele agia como se minha voz fosse a coisa mais linda que ele já ouviu, e apesar de envergonhado, me sentia feliz com isso.

– Tudo bem, vamos ensaiar – ele sorriu para mim, pegou na minha mão e me levou para o carro. Meu coração sempre batia rápido e eu ficava nervoso quando Jeongmin pegava na minha mão. Por alguns segundos podia fantasiar que estavamos indo de mãos dadas para um encontro ou algo assim. Algo bem idiota, eu sei, mas por mais que eu tente manter a compostura e não parecer um completo otário, as vezes não consigo me controlar. Ele provavelmente me acharia um louco se fosse como a Jean Grey e pudesse ler mentes.

Fomos até o carro que pertencia a Donghyun, já que nenhum de nós tinha um e o hyung sempre me deixava treinar em seu carro, dizia que se eu perdesse o gosto por dirigir depois de tirar a carta de motorista nunca mais o recuperaria. E como acabara de tirar a habilitação, devia dirigir muito, segundo ele. Achava um exagero, mas isso me fazia sempre poder usar o carro então, não reclamava muito.

Assim que entramos, Jeongmin plugou seu pen drive no aparelho de som e escolheu uma música. Após ouvir um segundo da música escolhida o olhei e sorrimos, sempre cantávamos aquela música no carro e hoje não seria diferente, logo começamos a cantarolar Love Game, da Lady Gaga. Jeongmin era praticamente um Little Monster e eu aprendi a gostar de algumas músicas depois de tanto ouvi-las, Love game era uma delas. Era impossível não se entregar a melodia e depois vi que a letra era um pouco pornográfica, não me importei muito, afinal, não esperaria menos de uma música que Jeongmin gosta. Ainda cantamos muitas outras músicas – todas do gosto de Jeongmin, não é como se minha opinião valesse – antes de chegarmos ao nosso destino, o estúdio.

Ficamos por muito tempo apenas jogando conversa fora, fofocando sobre os membros, alguns novos trainees que havíamos conhecido, ao inves de realmente ensaiarmos, acabamos passando a música duas vezes. Mas Jeongmin insistiu que estava perfeito e que deveríamos gravar uma vez antes de irmos embora, só com voz e teclado, que ele tocaria. Assim fizemos, enquanto cantava, pensava na letra que estava em minha frente. Era quase impossível acreditar que poemas tão bonitos saiam da cabeça de Jeongmin. Nos conheciamos há anos mas ele sempre tinha um jeito de me surpreender todos os dias. Quando conversavamos, ele era sempre leve, alegre, e ali naquelas músicas me parecia mais profundo, melancolico. Seria bom se ele compartilhasse esse lado comigo um dia, como seu principal confidente. As vezes, enquanto tocava, direcionava seus olhos diretos nos meus e sorria, como se para dizer que eu estava indo bem. Do jeito que ele me olhava quando tocavamos juntos, quase poderia acreditar que ele gostasse de mim, que correspondesse meus sentimentos. Era intenso, como uma ligação forte e única, algo maior que a parte consciente de nossa mente. Mas sempre que a música acabava, toda a magia no ar ia junto com ela.

– Foi perfeito, hyung – ele se levantou, andou até mim e estendeu sua mão para um high five, terminei o casual cumprimento.

– Como pode ter sido perfeito? Ficamos falando besteiras ao invés de ensaiarmos – ri lembrando de todo o trabalho que tivemos para chegar ali se podíamos simplesmente ficar conversando em casa.

– Só basta você cantar para ser perfeito – ele sorriu e saiu da sala de gravação para arrumar suas coisas. Já estava tarde e precisávamos ir embora.

Eu, por outro lado, não dei um passo sequer, quando ele dizia coisas como aquela para mim, ficava paralisado por algum tempo. Parecia que falava e sorria daquele jeito de propósito, apenas para que eu me apaixonasse cada dia mais. Para que me perdesse totalmente naquela estrada que já parecia sem saída. Sabia que para ele era normal elogiar seus amigos, mas ainda significava o mundo para mim. Cada ciclo de sua respiração já representava isso, ele era meu mundo.

Drabble – Listen to the rain

Ouvindo a chuva. Era isso que eu estava fazendo. E era essa uma das minhas atividades preferidas em dias de ócio.

A chuva tem vida.

A chuva conta histórias, tristes ou felizes.

A chuva guarda consigo os momentos mais inesquecíveis da minha vida.

Foi num dia de chuva que eu conheci Hyunseong.

Estava chovendo forte e estávamos os dois abrigados em baixo do toldo de uma loja qualquer. Quando o ouvi murmurar algo sobre seu cabelo estar arruinado agora, não pude deixar de rir. Ele me olhou, logo estávamos os dois rindo. Senti uma ligação com ele naquele momento, era estranho, não costumava ficar próximo de desconhecidos rapidamente. Não sei por que, naquele dia resolvi pedir seu telefone e prometer que ia lhe ligar em breve, mas fico feliz por ter feito isso.

Foi também num dia chuvoso que tivemos nosso primeiro encontro. Depois de tanto conversarmos por telefone, decidimos nos ver de novo. Fomos a um café no centro da cidade.  Naquele dia cheguei um pouco atrasado, ele já estava me esperando numa mesa com dois chocolates quentes em mãos. Fiquei impressionado por ele ter se lembrado que eu comentei vagamente que aquela era minha bebida favorita em uma conversa. Me lembro de como ele estava adoravelmente nervoso, derrubando quase tudo em que tocava e falando estranhamente rápido. Eu também estava um pouco inquieto, mas felizmente era melhor em esconder isso do que ele. Conversar pessoalmente era definitivamente melhor que por telefone, cheguei a essa conclusão naquele dia. No final, aquele encontro apenas resultou na certeza de que haveriam muitos outros.

E assim aconteceu. Depois disso, nossos encontros já não eram assim tão raros. Ficávamos muito tempo juntos e a cada vez que o via o sentimento era melhor. Sentia arrepios quando ouvia sua voz e todas as vezes que ele me abraçava, que não eram poucas. Um frio na barriga sempre que ele dizia que me amava, ou quando queria me proteger de tudo, parecia que queria me proteger até do vento. Quando estava com Hyunseong, sentia que nada podia me atingir, que nada de ruim ia me acontecer, só por ter ele por perto.

Numa chuva fina de julho foi quando nos beijamos pela primeira vez. Estávamos num parque onde costumávamos ir, cujo estava basicamente vazio devido ao tempo. Mas não havia problema para nós, um guarda chuva resolvia tudo, nunca perderíamos uma oportunidade de nos ver por um motivo tão banal. E eu ainda estava com a jaqueta de Hyunseong sobre a cabeça. Ele insistiu para que eu a usasse, para que não ficasse resfriado. Rebati dizendo que assim ele ficaria resfriado, mas no fim ele conseguiu me convencer com o argumento que eu era mais sensível com esse tipo de coisa.

Ficamos andando por um bom tempo dentro do parque, apenas jogando conversa fora, observando as árvores e o pouco movimento que havia nele, quando Hyunseong automaticamente se aproximou e selou meus lábios num movimento rápido. Assim que se afastou novamente pude ver seu rosto ficar em vários tons de rosa enquanto ele começava a se desculpar descontroladamente. Consegui apenas rir e me aproximar dele novamente para calá-lo com um beijo agora um pouco mais profundo. Pelo jeito que ele me olhou, ainda não tinha percebido que gostava dele há um tempo. Achei que fosse óbvio, mas ele nunca foi do tipo mais observador, então não me surpreendi.

Noutro dia quando uma tempestade caia, estávamos em minha casa jogando videogame. Eu o chamara ali por uma razão. Por mais que já planejasse o pedir em namoro há algum tempo, não conseguia deixar de me sentir nervoso. Ele ficou muito surpreso ao ouvir meu pedido, mas seus olhos brilharam com felicidade ao aceitar, fazendo meu coração se aquecer ao vê-lo tão feliz.

Fui interrompido em meus pensamentos por uma mão tocando em meus ombros. Olhei para o lado e vi Hyunseong me entregando uma xícara de café. Sorri ao pegar e sentir ele me abraçar logo em seguida.

– Sempre que vejo a chuva me lembro do dia que te conheci, Jeongminnie – ri ao constatar que não era o único que pensava sempre nisso.

– Estava pensando nisso agora mesmo – sussurrei já perto de seus lábios e me aproximei para um leve selar. Ambos sorrimos ao nos separar.

– Espero passar muitos dias de chuva ao seu lado.

– Vamos ficar juntos em todos que ainda pudermos ver – estendi meu dedo mindinho e ele repetiu o gesto, os juntando numa promessa um tanto infantil.

Uma promessa que se cumpriria até quando pudéssemos escutar a chuva caindo.

One Shot (Seoljeong) – Daydream

Finalmente escrevi uma fic que não seja Jeongseong, foi difícil mas saiu. Ando muito apaixonada por AOA ultimamente, especialmente por essas duas, espero escrever mais coisas delas no futuro, passar a vida toda escrevendo só um couple ninguém merece né, amores. Enfim, mesmo sendo a primeira espero que esteja aceitável ♡

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O salão estava lotado de pessoas, andando e dançando por todos os lados em vestidos glamorosos e ternos elegantes. Hyejeong adorava trajes de gala, eram seus favoritos, por isso sempre escolhia muito bem quando tinha a oportunidade de usar. Naquele dia em especial, escolheu um vestido de seda rosa claro que ela mesmo havia desenhado em sua última coleção. Ela preferia cores mais chamativas, mas preferiu não chamar atenção nessa festa, já que era o casamento de sua amiga e ela devia ser a estrela.

Estava muito feliz por Eunji, já que sempre foi seu sonho se casar e finalmente estava sendo realizado. Desde que conheceu Taekwoon planejava esse dia, ainda se lembrava da primeira vez que a amiga comentou sobre o garoto da sua sala da faculdade com os olhos brilhando, era maravilhoso que depois desses anos eles estivessem dando esse passo juntos. Já Hyejeong nunca teve essa ambição, sempre focou em sua carreira e mal teve tempo para namoro desde a faculdade, casamento não era algo com que se preocupava. Apesar de se encantar com aqueles vestidos brancos de casamento, que transmitem pureza e felicidade a todos que presenciam a cerimônia.

Por mais que achasse a festa maravilhosa, nunca se acostumava em permanecer em lugares cheios. Passava a maior parte do tempo sozinha em casa ou em seu ateliê, precisava respirar após ficar muito tempo rodeada de pessoas.

O lugar onde a festa acontecia, tinha um jardim enorme e muito bonito, com esculturas enormes de uma grama verde e claramente bem tratada. Além de postes de luzes que davam um ar vintage ao vergel. Hyejeong respirou fundo para sentir o ar puro que havia ali, era sempre melhor respirar em lugares vazios, ou quase vazios, como pôde constatar ao observar melhor os bancos a sua frente. Havia uma mulher sentada com os cotovelos apoiados em suas pernas e as mãos cobrindo o rosto, parecia frustrada. Hyejeong ficou preocupada, afinal, não era comum ver pessoas se sentindo assim em comemorações como aquela. Se aproximou dela e antes que dissesse qualquer coisa conseguiu imaginar qual era o problema, o vestido dela tinha um rasgo da ponta até o joelho.

– Ei – disse baixo e a mulher tirou as mãos do rosto para olhar em sua direção. Hyejeong suspirou quando a viu, ela era linda, os olhos grandes que expressavam surpresa, provavelmente por ter uma estranha falando com ela no meio do nada. Os lábios pequenos pintados de rosa, que combinavam perfeitamente com o tom levemente bronzeado de sua pele e com os cabelos pretos, compridos e lisos. Hyejeong via super modelos o tempo todo, mas aquela mulher a sua frente era a mais bonita que já vira em anos. Continuou a falar mesmo que ainda um pouco sem fôlego – Está com problemas no figurino? – tentou parecer casual apesar de estar um pouco nervosa.

– Sim, sou muito desastrada para usar vestidos longos assim – ela riu, Hyejeong logo se viu contagiada e riu também – Não posso voltar para lá desse jeito – disse com a voz chorosa e fazendo um bico fofo.

– Eu posso te ajudar se quiser – Hyejeong disse enquanto abria sua bolsa, tirando dali um pequeno estojo de costura – Sempre carrego um desses – ela sorriu e a mulher sorriu de volta.

– Você acaba de salvar minha noite, eu nunca pensaria em trazer um desses, e mesmo se trouxesse não sei costurar – as duas riam enquanto Hyejeong já preparava sua linha para costurar o vestido.

– Não se preocupe, as roupas das minhas modelos rasgam o tempo todo antes dos desfiles, estou acostumada a fazer isso – disse sem olhar para a outra, estava concentrada no tecido vermelho.

– Suas modelos? – perguntou a Hyejeong com um tom surpreso.

– Sim, eu sou estilista – respondeu – E meu nome é Shin Hyejeong, me desculpe, nem me apresentei antes de ir colocando as mãos no seu vestido – a outra riu com o comentário.

– Tudo bem, eu também não me apresentei, sou Kim Seolhyun – Hyejeong olhou para cima apenas para se deparar com o sorriso mais lindo que já vira direcionado para si.

– Muito prazer, Seolhyun – sorriu também e tentou se concentrar no vestido novamente.

– Então, o que faz aqui fora ao invés de estar aproveitando a festa? – Hyejeong já havia notado que Seolhyun gostava muito de conversar, ficou feliz em responde-la.

– Queria tomar um pouco de ar, muitas pessoas em volta me deixam tonta – Seolhyun riu com o comentário – E você, o que faz aqui além de esconder o vestido?

– Eu não conheço ninguém aqui na verdade, vim apenas para parabenizar Taekwoon.

– Entendo, eu conheço vários colegas antigos de faculdade, mas não é como se eu quisesse falar com eles – Seolhyun gargalhou um pouco alto demais e Hyejeong riu também, não entendia como a outra achava graça em sua falta de talento para socializar, mas sua risada era maravilhosa então aquilo não importava.

– Eu poderia dizer para você não falar assim sobre seus colegas mas sempre evito os meus também. Eram todos chatos, fiquei aliviada quando me formei.

– Parece que você não pode me julgar então – as duas riram – Mas como você conhece Taekwoon e não conhece mais ninguém aqui?

– Nos conhecemos quando minha empresa patrocinou uma de suas peças e ficamos amigos.

– Você tem uma empresa? – Hyejeong a olhou surpresa, afinal, Seolhyun parecia ser muito jovem para possuir uma corporação.

– Na verdade ela é dos meus pais, mas eu sou a CEO no momento – explicava como se estivesse falando que possuía uma bicicleta. Hyejeong ficou encantada, além de bonita, interessante, simpática, Seolhyun ainda era bem-sucedida.

– Nunca vi uma CEO tão bonita como você – Hyejeong disse sem pensar. Imaginou como aquilo deve ter soado ridículo logo após dizer, corou e já preparava as desculpas em sua mente quando ouviu Seolhyun rir baixo, ela não parecia incomodada com o comentário.

– Obrigada, também nunca vi uma estilista tão bonita – Hyejeong sorriu ainda olhando para o vestido, agora quase costurado – Na verdade não conheço muitas, mas não acho que conseguem ser mais bonitas que você, Hyejeong.

– Conseguem sim, você devia ir em um dos meus desfiles para vê-las.

– Duvido muito, mas aceito o convite para o desfile – disse Seolhyun para Hyejeong que agora se levantava após terminar o reparo no vestido vermelho.

– Pronto, não está perfeito mas está aceitável para ser visto até o fim da noite – olhava para baixo, vendo o que havia feito. Poderia ter ficado melhor, mas ela só tinha seu kit de emergência. Além de prestar mais atenção na voz melodiosa e na risada contagiante de Seolhyun do que no que estava fazendo – E eu ficaria muito feliz se você fosse mesmo em um desfile.

– Muito obrigada, Hyejeong, ficou maravilhoso – Seolhyun se levantou e girava para mover seu vestido e observar a barra agora quase perfeita – Não sei o que faria se você não tivesse aparecido.

– Provavelmente ficaria aqui sentada pelo resto da noite – Hyejeong riu. Seolhyun se sentou ao lado dela no banco, muito perto, o suficiente para deixar o coração de Hyejeong descompassado.

– Eu estava planejando fazer isso agora, se você quiser ficar aqui comigo, é claro – Seolhyun pegou na mão de Hyejeong e sorriu para ela, esperando uma resposta qual Hyejeong tentava dizer mas nada saia da sua boca.

– Quero sim – conseguiu dizer num sussurro e esperou que Seolhyun não a achasse muito idiota por ficar nervosa com tão pouco. Mas não era sempre que uma mulher tão bonita ficava perto de Hyejeong, segurando sua mão e provavelmente com segundas intenções. Aquilo nunca acontecera na verdade, Hyejeong nunca foi muito experiente nesse tipo de coisa.

– Ótimo – Seolhyun chegou mais perto, o que Hyejeong já achava que não era possível – Acho que podemos nós divertir mais aqui sozinhas.

Hyejeong soltou um suspiro quando Seolhyun colocou a mão em seu pescoço, aproximando seus rostos. Ela parou quando estavam perto o suficiente para sentirem a respiração uma da outra, como se desse tempo para Hyejeong se afastar se quisesse, obviamente ela não queria, pelo contrario, o que antes parecia muito perto começara a se tornar distante demais para ela, então num segundo de coragem se aproximou mais de Seolhyun, selando seus lábios.

Seolhyun logo correspondeu pressionando sua boca contra a outra, num selar calmo que rapidamente se tornou um beijo mais profundo quando Seolhyun pediu passagem com a língua e foi concedida no mesmo momento. Hyejeong colocou a mão na cintura de Seolhyun a puxando mais para perto e pode ouvir um leve arfar contra seus lábios enquanto separavam seus rostos por milímetros, apenas para se olharem e logo voltarem ao beijo, se perdendo naquela sensação que Hyejeong já não sabia se durara segundos ou horas. Quando se separaram, Hyejeong abriu os olhos e viu Seolhyun sorrindo, sorriu também.

– Acho que devia me passar seu número, para me avisar a data do seu próximo desfile – Seolhyun disse e Hyejeong riu, ela falava como se nada tivesse acontecido naquele espaço de tempo. Ela se via encantada com o modo simples que Seolhyun tinha de tratar as coisas.

– Claro me passe o seu também – Seolhyun concordou e as duas trocaram os celulares. Hyejeong salvou seu número no celular da outra como “Dongdong ♥” e riu de si mesma, se sentia uma adolescente de novo. Quando pegou seu próprio celular viu o novo contato “Seolhyunnie ♡” e ficou feliz por não ser a única se comportando como uma boba.

Não demorou muito para que se perdessem uma na outra entre beijos e continuassem assim pelo resto da noite, sem sequer se lembrar que uma festa ocorria lá dentro.

X

Hyejeong acordou na manha de domingo com um sorriso no rosto, ainda parecia um sonho tudo que acontecera na última noite. Se recordava de tudo com os mínimos detalhes, desde os olhos brilhantes de Seolhyun até seus lábios macios.

Pegou seu celular e viu que não passava das 8 da manha, decidiu dormir mais um pouco, mas não antes de abrir a mensagem que aparecia em suas notificações.

De: Seolhyunnie ♡

Bom dia, Dongdong ♥

Sei que já marcamos de nos encontrar no desfile, mas isso pode demorar um pouco, não? ㅋㅋㅋ poderíamos sair para tomar um café essa semana antes que eu sinta mais sua falta  ㅠㅠ

Hyejeong sorriu ao ler, já sentia falta de Seolhyun também e fez questão de dizer isso em sua resposta, pensou em voltar a dormir, mas enquanto lembrava dos beijos de Seolhyun e devaneava sobre todos os futuros encontros com ela, já se sentia no mundo dos sonhos.

One shot – I Shouldn’t (Should) Do It

Desde que recebeu aquele roteiro Hyunseong sabia que não deveria ter aceitado. Mas não era como se ele estivesse em posição de escolher alguma coisa, conseguiu poucos trabalhos nos últimos anos, apenas alguns personagens secundários em filmes alternativos. Com esse papel, sua carreira poderia melhorar, o diretor Kim Donghyun era conhecido e esse filme era aguardado por seus fãs, o público seria muito maior que qualquer filme que ele já havia feito. Não hesitou em aceitar, apesar de ver que o roteiro tinha uma cena de beijo. Hyunseong nunca achou que teria que beijar em cena, para ele era uma coisa especial que deveria ser dividida com alguém que se ama, não com um colega de trabalho aleatório. Mesmo assim resolveu ir no primeiro dia de gravações como havia combinado.

Antes de começar as gravações Hyunseong procurou Donghyun no set, aquele lugar era muito maior que qualquer um que ele já havia filmado, o que resultou em passar nos mesmos corredores várias vezes até achar o diretor sentado numa mesa com vários papeis a sua volta.

– Donghyun – ele olhou em sua direção, não parecia muito feliz de lhe ver ali, mas Hyunseong continuou – Posso me sentar um pouco? – ele concordou com a cabeça – Então, sobre essa cena do beijo, eu preciso mesmo fazer?

– Claro que precisa, Hyunseong, se está no roteiro é para ser feito – o ator abriu a boca para protestar mas logo foi interrompido – Não se preocupe, Jeongmin já fez isso várias vezes, ele vai te ajudar.

– Mas eu nem o conheço, vai ser estranho ter esse nível de intimidade, nós não poderíamos ao menos esperar uns dias para essa cena?

– Não, só vamos ter esse cenário disponível hoje. Você está se preocupando atoa, vai ser até bom, Jeongmin beija muito bem.

– Como você sabe disso? – Hyunseong viu Donghyun ficar completamente vermelho em um segundo e teve que se segurar para não soltar uma risada.

– Pare de fazer perguntas e vá logo fazer sua maquiagem, Hyunseong – o mais novo saiu sem falar mais nada e riu assim que saiu da vista de Donghyun.

Quando se acalmou, foi para o camarim se preparar. Uma maquiadora o esperava lá dentro, o que era um choque, já que nos outros filmes que fizera, teve que fazer sua própria maquiagem. Tudo ficou pronto rápido e ele agradeceu à mulher que sorriu para ele e deixou a sala depois de arrumar suas coisas.

Hyunseong resolveu passar seu roteiro mais uma vez antes de entrar em cena, apesar de ter alguns anos de experiência, sua memória ainda o traia em momentos cruciais. Já teve que lidar com várias experiências ruins por esquecer suas falas constantemente.

Ainda pensava no que conversara com Donghyun, será que o ator que trabalharia com ele realmente o ajudaria? Ele deveria ser ao menos um pouco mais famoso que Hyunseong, já que tinha trabalhado em muitos filmes e alguns com bastante prestígio, segundo a maquiadora, que lhe contou tudo sobre a equipe enquanto o maquiava. Ele poderia ser como alguns atores rudes que deixavam a fama subir a cabeça ou algo do tipo. Mas preferiu pensar que ele seria legal e que ele não teria que beijar nenhum idiota.

Ouviu batidas na porta e disse um “Pode entrar” alto o suficiente para que quem estivesse do outro lado da porta pudesse ouvir.

– Hey – pôde ver um garoto entrando pela porta, um pouco hesitante. Ele se aproximou e Hyunseong se levantou para cumprimenta-lo – Sou Lee Jeongmin, prazer, serei seu novo namorado nesses dias de filmagem – ele sorriu.

Hyunseong nunca tinha visto um sorriso tão lindo, tinha certeza que seu rosto já estava vermelho e demorou um tempo – um bom tempo – para estender a mão para Jeongmin e se apresentar.

– Sou Shim Hyunseong – sorriu também – Estava um pouco nervoso para te conhecer – Hyunseong se arrependeu no mesmo segundo em que terminou a frase, aquilo soava idiota, mas ele não conseguia controlar sua boca as vezes. Jeongmin não pareceu o achar tão bobo, apenas riu como se ele tivesse feito uma piada.

– Por que nervoso? Espero que Donghyun não tenha feito uma propaganda muito ruim.

– Ele só disse que você beija muito bem – Jeongmin riu ainda mais dessa vez.

– Ah, não ligue para isso, Donghyun é meio apaixonado por mim, mas quem não é? – ele se olhava no espelho arrumando sua franja que já estava arrumada. Hyunseong não sabia se ele estava brincando ou não, mas riu assim mesmo.

– Talvez eu seja o próximo – falou eu tom de brincadeira, mas sabia que não estava totalmente brincando.

– Espero que sim – Jeongmin diminuiu a distância entre eles, apoiou seus braços nos ombros de Hyunseong e ficou nas pontas dos pés para lhe dar um beijo na bochecha. Hyunseong o olhou com os olhos arregalados – Me desculpe se foi demais, só queria que você se sentisse mais confortável comigo para as filmagens não serem uma tortura – Hyunseong sorriu.

– Estou me sentindo bem melhor sobre isso agora que te conheci.

– Deveríamos ir agora, já vamos começar a filmar, vim aqui te chamar para isso na verdade – ele riu seguido por Hyunseong.

Os dois andaram em direção ao set de mãos dadas.

X

Durante as filmagens Hyunseong esqueceu suas falas algumas vezes. Não pela memória ruim como de costume, mas porque não conseguia parar de olhar para Jeongmin, reparando em todos os detalhes. Além do sorriso radiante, ele tinha lindos olhos pequenos, que quase se fechavam quando ele ria. Uma risada animada e melodiosa, que ecoava por todo o set, deixando o ar mais puro e brilhante. Seus cabelos que cobriam a testa num tom escuro de castanho e moldavam mais que perfeitamente seu rosto. Por fim, Hyunseong olhava para seus lábios, perfeitamente desenhados, que pareciam ser macios e perfeitos. A ideia de beija-los deixou de ser assustadora e passou a ser tentadora. Hyunseong pensou que Jeongmin falara sério mais cedo sobre todos se apaixonarem por ele.

Estavam num set que representava o quarto de Jeongmin – ou Donghae, como dizia o script – e eles estavam discutindo intensamente. Hyunseong – ou Hyukjae – conseguiu reproduzir todas as falas perfeitamente até o clímax da cena, o tão intimidador e depois tão aguardado beijo.

Hyunseong se levantou da cama e parou na frente de Jeongmin. Esse, já respirava fundo, se recuperando da briga que tinha acabado de encenar. As mãos de Hyunseong subiram para seu rosto enquanto ele se aproximavam mais. Jeongmin selou os lábios de Hyunseong. O beijo deveria ser técnico, os dois sabiam disso, mas ele acabou se desenvolvendo numa circulação de línguas entre as duas bocas. Não era como se isso fosse piorar a cena de algum jeito, pelo contrário.

Se separaram e se olharam, ambos com as bochechas rosadas e ofegantes, mas conseguiram continuar.

– Me desculpe, eu te amo – Hyunseong ( Hyukjae) disse e foi respondido com um sorriso do mais novo.

– Também te amo.

– CORTA – ouviram a voz estridente de Donghyun ecoar e finalmente se separaram – Isso foi ótimo – ele deu tapas nas costas dos dois, os parabenizando – Você estava nervoso atoa Hyunseong.

Na verdade Hyunseong estava mais nervoso agora que antes, ele beijara seu colega ultrapassando totalmente as barreiras do limite, mas Jeongmin não parecia ligar enquanto sorria e se curvava agradecendo pelo esforço hoje, Hyunseong se curvou de volta.

X

Com o dia de filmagem no fim, Hyunseong arrumou suas coisas e se preparou para voltar para casa, já estava na porta do estúdio quando sentiu alguém andar ao seu lado, se virou para encontrar Jeongmin sorrindo em sua direção, sorriu de volta automaticamente.

– Sabe, Donghae estava aqui falando na minha mente, e me pediu para convidar seu Hyukjae para um café, será que ele aceitaria? – Hyunseong riu com a desculpa que o mais novo arranjara para lhe convidar para um encontro.

– Não acho que Hyukjae negaria algo a seu amado, terei que aceitar – brincou também.

Jeongmin pegou na mão de Hyunseong enquanto o guiava para seu café preferido e descrevia todo o cardápio do lugar.

Hyunseong sorria para o menor e pensava “Sempre soube que deveria aceitar esse papel”.