Love Game – Capítulo III

Sem Você

Acordei de um sono pesado com alguém balançando meus braços, provavelmente para de despertar. Agora um pouco mais consciente consegui reconhecer a voz de Kwangmin. Murmurei alguns sons que nem eu reconheci, mas era uma tentativa de perguntar por que ele estava me acordando, parece que ele entendeu o suficiente para me responder.

– Donghyun hyung me pediu para te chamar, já vamos tomar café da manha – sentou-se em minha cama enquanto eu me levantava para sentar também e tentar espantar o sono extremamente forte que tomava conta de mim naquele momento.

– É tão tarde? – coçei os olhos e o vi assentindo mesmo com minha vista embaçada – Fiquei no estúdio até tarde com Jeongmin ontem e quase não dormi.

– E você vai ficar até quando nessa com Jeongmin hyung? – ele me perguntava sério.

– Nessa qual? – me fiz de desentendido, não queria falar disso logo pela manhã.

– Você sabe, hyung – Kwangmin sabia de meus sentimentos sobre Jeongmin. Descobriu há pouco mais de um ano atrás, claramente, não por vontade da minha parte para contar algo.

X

– Hyung, você está sentado ai com essa cara faz uma hora, você está bem? – olhei para Kwangmin que entrava na sala com um grande pote de sorvete de baunilha nas mãos.

– Que cara, Kwangmin? – respondi talvez um pouco rispidamente demais, vendo como ele me olhou com os olhos arregalados. Abriu a boca várias vezes, tentando dizer alguma coisa. Me senti mal, não era culpa dele se eu estava irritado – Me desculpe, não estou de bom humor.

– Isso ficou claro, o que aconteceu? – sentou-se ao meu lado e me ofereceu uma colher. Tinha duas em suas mãos, uma para cada um de nós, logo abriu o sorvete e me servi de uma colherada antes de responder, acho que devia ter um jeito de falar aquilo sem soar estranho.

– Jeongmin saiu com sua nova namoradinha hoje – rispidamente engoli outra colherada do sorvete. Ele parecia me analisar por alguns segundos antes de responder.

– Você gosta do Jeongmin hyung? – ainda olhava nos meus olhos. Não sabia dizer se ele sabia de tudo ou não, resolvi tentar não demonstrar nada, ele podia estar falando sobre amizade apenas.

– Claro que sim, ele é meu melhor amigo. Só não gosto de quando ele me dispensa por alguma garota – tentei parecer o mais natural possível, mas acabei gaguejando um pouco. Só fiquei torcendo para ter o convencido.

– Você entendeu o que eu quis dizer, hyung, não finja que não – comecei a ficar desesperado. O que eu iria falar? Não tinha escolha a não ser falar a verdade, mesmo tendo isso decidido, nenhum som saia de minha boca. Por que Kwangmin tinha que ser tão esperto? – Eu já tinha percebido antes, vocês parecem estar em outro mundo juntos, nunca vi nenhum par de amigos agindo assim. Só achei que ele correspondia seu sentimento. Não parece ser o caso, ele sabe que você gosta dele? – apenas escutava. Como ele podia saber dessas coisas apenas observando de fora? Era incrível. Apenas neguei com a cabeça, ainda incapaz de falar alguma coisa – Você devia falar, talvez ele corresponda, hyung.

– Ele não vai – finalmente levantei a cabeça, ele me olhava esperando que eu continuasse – Ele até sabe que sou gay, mas sei que ele gosta de garotas, tem até uma namorada, me confessar só destruiria nossa amizade, não quero isso.

– Não acho que seria bem assim, mas você decide o que vai fazer – assenti com a cabeça, começava a sentir lágrimas caindo de meus olhos. Mas sequei e segurei as que insistiam em cair, não deixaria Kwangmin me ver chorando – Hyung, pode conversar comigo sobre isso se precisar, somos amigos, certo? – ele sorriu para mim e sorri de volta.

– Muito obrigada, Kwangminnie – passamos o resto do dia vendo filmes e comendo sorvetes.

Jeongmin terminou com a tal namorada alguns dias depois, ela havia traído ele com um garoto mais velho. O consolei por uns dias, apesar de ficar triste por vê-lo daquele jeito, não podia deixar de sentir um pouco de alívio por ele estar solteiro de novo, não que ele fosse querer algo comigo, mas era inevitável.

X

– Não quero falar sobre isso, Kwangmin – me levantei da cama e segui até o banheiro. Ele logo apareceu atrás de mim.

– E o que você quer, continuar sofrendo? – não podia negar que ele tinha razão, mas não é como se eu pudesse ir no meu cérebro e desligar o botão “Paixonite por Jeongmin”.

– Acho que sim – disse sinceramente, ele apenas me lançou um olhar de desaprovação e saiu sem dizer mais nada.

Continuei escovando os dentes enquanto pensava no que Kwangmin dissera. Sabia que ele se preocupava comigo e não queria que eu sofresse, mas eu não conseguia encontrar nenhuma solução. Não havia jeito de me livrar de meus sentimentos e muito menos te-los correspondidos. Procurar alguém para me fazer esquecer também não era uma opção. Era errado usar alguem desse jeito, nunca teria coragem de fazer isso. O jeito era continuar sofrendo, como fiz nos últimos dois anos.

Fui para a cozinha e dei um ‘Bom dia’ direcionado a todos. Meu olhar foi direto para Jeongmin, que sorria para mim e batia numa cadeira a seu lado, que havia reservado para mim, gesticulando me pedindo para me sentar ao seu lado. Me irritava que cada coisa tão pequena significasse tanto para mim, era só uma cadeira, mas para mim, quis dizer que ele se importa o bastante para querer que eu ficasse ao seu lado. Sorri e me sentei ao seu lado, onde ele havia indicado.

Não tinhamos nada programado para aquele dia, então, depois do café da manha, estávamos livres para fazer o que quisermos. Perguntei a Jeongmin se ele queria ver um filme comigo, como costumavamos fazer em tardes livres, mas ele recusou, disse que tinha coisas a fazer. Apenas concordei e fiquei na sala esperando que ele saísse. O que ele poderia ter para fazer? Quando saía com seus amigos, geralmente era a noite, e para visitar a família ele precisaria de mais de um dia livre, não era o que tinhamos no momento.

Ele apareceu na porta de seu quarto enquanto a abria e já pude sentir o cheiro forte de perfume, chegou na sala e vi suas roupas, uma camiseta azul, calças jeans escuras e jaqueta de couro preta. Além das muitas joias, vários colares, dois brincos em cada orelha e três aneis, dois deles identifiquei como meus. Ele apenas se despediu casualmente antes de sair pela porta principal. Algo naquilo não me cheirava nada bem, meu estomago se revirava de pensar se ele estaria indo encontrar uma garota, alguem mais importante que eu com certeza. Resolvi ir até Minwoo e perguntar se ele sabia de algo, ele apenas negou dizendo.

– Se ele não te disse, não ia me dizer, hyung – um pouco ríspido, mas era Minwoo e eu já deveria estar preparado para uma resposta como aquela. Apenas agradeci e voltei para a sala, onde coloquei algum DVD aleatório para assistir.

X

Beirava a meia noite quando ainda assistia filmes. Tinha perdido as contas de quantos já havia visto e já estava morrendo de sono, mas não conseguiria dormir antes que Jeongmin chegasse.

Não demorou mais quinze minutos para que a porta se abrisse e revelasse um Jeongmin sorridente entrando no apartamento. Arqueei uma sobrancelha enquanto o olhava, era muito estranho o ver agindo daquele jeito.

– Onde você estava até tão tarde, Jeongminnie? – finalmente perguntei o que deveria ter perguntado antes que ele saísse.

– Ainda acordado, hyung? Está tarde – ainda sorrindo, sentou-se ao meu lado no sofá e tirou os sapatos brancos com enormes saltos pretos.

– Sim, estava te esperando – soou um pouco estranho mas não consegui pensar em nenhuma mentira na hora, então seria a verdade mesmo.

– Que bom – se virou para mim quando terminou de tirar as meias e olhou diretamente em meus olhos – Preciso te contar uma coisa.

Desde o começo do dia já sentia que ele não seria bom, parece que isso começaria a se concretizar.

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Love Game – Capítulo I

Todos os defeitos de um homem perfeito

Olhando para ele agora, consigo me lembrar de todos os sentimentos ,que apenas por ver esse lindo rosto, tomavam conta da minha mente, do meu coração, de cada célula do meu corpo. Todos os arrepios que sua voz me causava, como se cada palavra fosse um feitiço para que eu me apaixonasse cada dia mais e mais. Me lembro de tudo que senti por todos esses anos, amor, ódio, um misto dos dois.

Amor, não há nada que eu conseguisse não amar em Jeongmin, ele era perfeito, desde sua aparência, até sua personalidade, que eu costumo comparar a um raio de Sol, sempre aquecendo e iluminando meus dias. Como um milagre que veio até mim me mostrar sentimentos que eu nunca imaginei como fossem e nunca pensei em um dia sentir em tamanha proporção e força.

E ódio, ódio por amar quem eu não podia, não devia. Ódio por saber que iria sofrer e não conseguir me conter para deixar tudo isso fora de mim. Por ele ser tão maravilhoso que mesmo odiando o que eu sentia, não conseguir deixar de ama-lo, como um vício, vício por sofrer, uma espécie de masoquismo que me destruía a cada segundo.

Por tudo isso, me odiava, mas nunca o odiaria, afinal, ele não tem a mínima culpa por eu ser apaixonado por ele desde que o conheci, há pouco mais de dois anos atrás, e que desde então minha mente é regada a uma confusão sem fim. Ele não pediu por isso, assim como eu nunca pedi, a culpa não é de ninguem, talvez eu apenas merecesse isso, talvez as forças superiores decidiram que eu merecia. Ou talvez não havia motivo nenhum, simplesmente era daquele jeito.

As coisas eram exatamente como estavam agora, nós dois, abraçados no sofá, ele dormindo e sonhando, confiando que está perto de seu melhor amigo, enquanto eu, acordado, sei das reais intenções de toda proximidade e penso em tudo que realmente sinto e ele não tem ideia. Sempre tentava me aproximar dele sem exceder os limites da amizade, afinal, ele confiava em mim, apesar de saber da minha orientação sexual, e nunca me julgou nem por um segundo, ao contrário de todas as outras pessoas que acabaram descobrindo. Essa era uma das razões pela qual somos tão próximos e porque sempre me sinto confortável com ele. Era como se ele fosse a única pessoa que me conhecesse bem e aceitasse tudo em mim, eu podia ser cem por cento eu mesmo em sua presença. Ainda me lembro do primeiro dia que o vi, nosso primeiro dia no treinamento, ele se apresentou com aquele lindo sorriso no rosto e depois daquilo, nunca mais pude passar um dia sequer sem vê-lo, sem ouvir sua voz, sentir sua presença. O dia em que ele descobriu meu maior segredo e que nos tornamos melhores amigos também estará sempre guardado em minha memória.

X

 

– Hyunseong, você ainda não me disse por que não deu o telefone para aquela trainee linda, você já tem namorada? Alguém em vista? – ele já me perguntou isso mais de cem vezes durante dois dias, eu já não aguentava mais ouvir aquela conversa sobre garotas, parece que ele não ia parar até que eu dissesse o real motivo, e eu não queria dizer.

– Não tenho ninguém, Jeongmin, eu só não gosto, apenas isso – me olhou como se analisando se eu estava falando a verdade, e eu estava, estava apenas omitindo algumas palavras para meu próprio bem.

– Não gosta de que? Você não pode dizer que não gosta dela, hyung, você nem a conhece! Dê uma chance – eu já estava a ponto de explodir e resolvi simplesmente falar tudo e correr o risco de nunca ter sua amizade novamente. Antes de responder, fui até a porta da sala de ensaios ver se não tinha ninguém andando por perto que pudesse ouvir. Provavelmente não haveria, já que naquele dia, nós dois resolvemos ficar praticando a nova música pedida na aula até tarde, e ninguém mais estava por perto ensaiando. Mesmo assim, nunca é bom arriscar.

– Jeongmin, vou te contar uma coisa, sei que você provavelmente nunca mais vai falar comigo, vai me odiar, mas preciso que me prometa que vai guardar segredo – ele parecia assustado e nervoso, mas tinha certeza que mais nervoso que eu ele não podia estar. Minhas mãos estavam suando e as coisas giravam lentamente a minha volta. Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Você não é um serial killer, é? Por que eu não sei se conseguiria mentir se a polícia viesse me procurar – ri de sua suposição, sua imaginação ia sempre longe. Só imaginar aquilo em sua cabeça pareceu assusta-lo muito, então resolvi falar logo antes que ele se desesperasse demais.

– Não sou um assassino, não consigo matar nem uma barata – ele suspirou e pareceu mais aliviado, até a tensão tomar seus olhos novamente.

– Então você é um traficante de drogas famoso e procurado? Sério, Hyunseong, eu nunca vou conseguir guardar um segredo assim – ele não ia esperar eu falar até inventar histórias loucas em sua mente?

– Não é nada que possa me mandar para a cadeia, você não vai precisar mentir para polícia – ri e ficamos em silêncio. Poucos segundos que pareceram uma eternidade. Vi que ele estava esperando até que eu falasse algo. Respirei fundo antes de começar a falar – Jeongmin, eu… eu sou gay, vou entender se nunca mais quiser ficar perto de mim ou me ver, me desculpe – olhava para o chão e conseguia sentir as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos sempre que eu mencionava esse assunto.

– Você está chorando? – então senti seus braços me envolvendo num abraço forte, o que fez minhas lágrimas caírem ainda mais rapidamente – Por favor, não chore, hyung. Eu nunca deixaria de falar com você por isso – ficamos mais um tempo apenas parados até que eu me acalmasse um pouco.

– Mesmo? Você não se importa? – o olhei e ele sorria pra mim, em seus olhos pude ver que ele estava sendo sincero, que o que eu acabara de dizer não o afetava de nenhuma maneira.

– Claro que não. Mas você me assustou fazendo esse drama todo só por isso – ambos rimos e quando ele falava desse jeito eu senti que não havia mesmo nenhum problema naquilo e que só era uma grande coisa porque eu fazia parecer assim – Nunca tenha vergonha de quem você é, hyung, você é uma pessoa maravilhosa, não deixe nenhum babaca preconceituoso te fazer acreditar no contrário – concordei com a cabeça e o abracei de novo, ele retribuiu.

– Muito obrigada, Jeongminnie, ninguem fez isso por mim antes – ele se separou do meu abraço e olhou nos meus olhos sorrindo novamente.

– Agora alguém fez – e continuaria fazendo pelo resto dos anos.

X

Estava tão perdido em meus pensamentos que só percebi que ele já havia acordado quando ele me cutucou. Ainda com os olhos fechados pela falta de costume com a luz, tentava me olhar. Eu apenas sorri, amava o ver daquele jeito, natural, ele era maravilhoso nos momentos mais simples. Ele sorriu de volta.

– Dormiu bem, hyung? – na verdade nunca dormia quando tirávamos cochilos na sala, o olhar adormecido era bem melhor.

– Não dormi muito – respondi enquanto levantávamos e ele se espreguiçava. Fazendo seu corpo todo se arrepiar, e como consequência, o meu também se arrepiava.

– Por quê? – “Estava ocupado pensando no quanto eu te amo” seria a resposta verdadeira, mas eu sempre tinha uma invenção na língua para dizer quando ele me perguntava esse tipo de coisa.

– Insônia, como sempre – ele assentiu e sorriu maravilhosamente pela última vez antes de sair para seu quarto e continuar sua vida, onde só tinha uma hora por semana de tempo exclusivamente para mim, e eu não reclamava, enlouqueceria se ficasse por mais tempo tão próximo dele.

Já enlouquecia com ele até nos meus pensamentos.