Love Game – Capítulo IV

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  Quando Jeongmin me olhou com aquele sorriso no rosto, já imaginei que não iria escutar nada que me agradasse. Apesar de ele ficar feliz por dividir tudo comigo, eu preferia permanecer ignorante sobre alguns acontecimentos de sua vida. Mas o que eu mais temia aconteceu, Jeongmin me contava alegremente sobre sua nova namorada.

Isso já aconteceu antes, mas quando acabou, imaginei que não precisaria passar por aquilo de novo, fui muito estúpido. O aperto no peito, a sensação de preferir morrer que estar ali ouvindo aquelas palavras, a dor de saber concretamente que o amor da sua vida nunca vai te olhar, nunca vai cogitar também te amar, que você vai passar o resto de seus anos sofrendo por algo tão idiota como isso, mas que consegue destruir seu coração em dezenas de pequenos pedaços, como uma peça de vidro que nunca retornaria a sua forma original.

Um amor sem perspectiva de realização apesar de doer um pouco é suave, você não tem certeza do que pode acontecer e ainda nutre uma gota de esperança; mas, naquele momento, toda a esperança fora extraída de minha alma já sem cor e com pouca vida restante.

Apesar de me sentir sem chão, sorria enquanto ele contava sobre como a conheceu durante um passeio pelo parque que ficava perto de sua faculdade e como se apaixonaram perdidamente desde então – duas semanas atrás. Gostaria de dizer que nesse curto período de tempo é impossível se apaixonar assim, mas pareceria com inveja ou ciúme então apenas o parabenizei e finalmente dei uma desculpa de estar com muito sono e precisar dormir, não pude escapar de um último pedido.

– Hyung, quero que a conheça – ele segurava meu pulso para que eu não entrasse para meu quarto antes de o responder, o que era exatamente o que estava planejando. Questionei o porquê de tal pedido e ele respondeu – Preciso da sua aprovação, afinal, você é meu melhor amigo – a cada dia que se passava o ódio pela palavra amigo aumentava – Ela se parece muito com você, os gostos também são semelhantes, vocês vão se dar muito bem.

– Então seu tipo ideal é uma garota que se pareça comigo, Jeongminnie – ri tentando disfarçar qualquer coisa que pudesse transparecer daquela conversa horrível.

– Claro, como seria outro? – também riu e me soltou, me desejando boa noite, o qual respondi num último suspiro desacompanhado de lágrimas.

Entrei no meu quarto e imediatamente entrei em baixo das cobertas, escondendo meu rosto para que pudesse apenas chorar com um pouco de privacidade. Isso era um grande problema em morar num dormitório, se alguem visse me perguntaria o que aconteceu e eu não queria dizer a verdade, além de nunca ter sido um bom mentiroso. A única alternativa era torcer para ser invisivel por algumas horas.

Consegui esconder as lágrimas, mas não consegui esconder o estado horrível em que me encontrava nos dias seguintes. Até quando me olhava no espelho parecia que eu havia sido atropelado por um trem, e realmente havia, um trem chamado Lee Jeongmin. Que passou por cima de mim sem dó e sem perceber o dano que tinha causado, seguiu sua viagem à heterolândia tranquilamente.

Todos me perguntavam o que aconteceu com meus olhos e nariz vermelhos, eu apenas respondia que estava cansado. Era fácil de acreditar, pois realmente aquela agenda toda era feita para destruir o ânimo de qualquer pessoa, e fácil de mentir porque uma parte era verdade. Minha mentira não pareceu convencer Jeongmin, ele continuou a me perguntar o que estava acontecendo. Depois de vinte minutos recebendo inúmeros “Nada” como resposta, resolveu desistir e mudar de assunto.

Depois de Jeongmin contar a novidade a todos, Kwangmin me olhou, recebendo a resposta que queria há poucos dias atrás. Nem precisava confirmar a resposta, mas mesmo assim me arrastou até o banheiro, onde ele me consolou enquanto eu chorava mais um pouco. Dizia que eu deveria arrumar alguém – outra vez – e que deveria esquecer Jeongmin de uma vez por todas, eu concordava dizendo que com certeza faria isso. O problema é que falar era sempre mais fácil que fazer.

Os dias passavam normalmente, já me acostumava com a tristeza, apesar de não supera-la, sua presença frequente já se tornava de fácil controle para mim. Até o momento que Jeongmin me perguntou se eu poderia sair com ele e sua namorada no dia seguinte. Como negar algo àquele lindo sorriso? Era impossível. Aceitei tranquilamente e voltei a lavar a louça, tarefa que executava antes do convite. Chorava ainda mais, o controle não mais permanecia depois daquilo.

X

            Coloquei minhas melhores roupas – na minha opinião – para conhecer minha adversária. Pensei em me parecer com um legítimo macho de quem as meninas tem medo, talvez ela se afastasse de Jeongmin caso eu a amedrontasse o suficiente. Aquilo parecia impossível na minha mente, mas tentar não ia custar nada. Com minha jaqueta preta de couro, calças também pretas, uma regata branca por baixo e cabelos num topete sendo jogados para cima, fiz o que pude para ser o homem mais másculo de todo o paìs. Jeongmin entrou no quarto e vi apenas seu reflexo no espelho, lindo, como sempre, com aquele estilo despojado e delicado ao mesmo tempo, os olhos expressivos perfeitamente delineados, os cabelos alinhados que se encaixavam perfeitamente em sua figura e o sorriso, que fazia meu coração acelerar ou parar, não tinha muita certeza, não conseguia prestar atenção nas movimentações dos orgãos internos com aquela perfeição em frente aos meus olhos.

– Está bonito, hyung. Até parece que quem vai se encontrar com a namorada é você – riu enquanto se aproximava e pegava um lápis de olho para me ajudar a aplicar. Sabia que eu era horrível manuseando essas coisas.

– Apenas quero que ela tenha uma boa impressão de mim – tão boa que desista de você, vá embora e deixe meu caminho livre novamente.

– Ela vai te adorar, quem não adoraria? – ‘muitas pessoas’ pensei, mas apenas sorri e continuei em silêncio até que ele terminasse minha maquiagem – Pronto, podemos ir? –  concordei e deixamos o dormitório.

X

            Marcamos o “encontro” em um café perto do dormitório. Logo que entramos, vi uma garota sorrindo e acenando em nossa direção, Jeongmin acenou de volta e fomos em direção a ela. Quando chegamos, ela sorriu para mim e se curvou. Era muito bonita, cabelos longos, castanhos e levemente ondulados, uma maquiagem leve, mas bem feita, era baixa (Claro, Jeongmin nunca namoraria uma garota muito alta, ou ele pareceria ainda menor), super fofa e delicada, um esteriótipo de garota perfeita, que pelo que escutava, todos os garotos sonhavam. Talvez Jeongmin tivesse medo que eu ficasse interessado nela se não soubesse que não me interessaria nem se fosse a mulher mais bonita do mundo.

Fiquei com muita inveja. Sabia que aquela garota na minha frente poderia dar a Jeongmin tudo o que ele sonhasse em um relacionamento, enquanto eu não poderia dar nada. Não podia lhe dar uma familia, nada que fosse socialmente aceitável e nem mesmo sexo, nem uma vagina eu tinha. A única coisa que eu tinha era decepção. Fui tirado de meus pensamentos.

– Myungsook, esse é meu melhor amigo, Hyunseong – dizia sorrindo – Hyunseong, essa é minha namorada, Myungsook – ouvir aquilo doeu mais que eu imaginava. Pensei que não poderia ser pior que quando ele me deu a grande notícia pela primeira vez, estava errado.

Mas apenas sorri e disse que estava lisonjeado em conhece-la. Naquele momento me senti um ótimo ator pois minha vontade era pular no pescoço dela a qualquer momento. Não que eu fosse fazer minha vontade, nunca agia como um descontrolado.

Conversamos enquanto eu tomava meu frappucino e tentava me concentrar em Jeongmin e fingir que aquela garota nem estava ali. Não adiantou muito, ela me perguntava muitas coisas, queria dizer “Minha vida não te interessa, querida” mas apenas respondia educadamente.

Antes de sairmos, Jeongmin insistiu em pagar, o que era estranho já que ele sempre me fazia pagar tudo o que comprava, se dirigiu até o balcão e nos deixou sozinhos por uns minutos. Tinha algo que eu precisava dizer.

– Myungsook – ela, que estava mexendo no celular, me olhou esperando que continuasse – Pode me prometer uma coisa? – assentiu com a cabeça – Por favor, cuide bem de Jeongmin. Ele já teve algumas decepções amorosas, não quero ve-lo machucado de novo.

Foi a primeira vez que fui sincero o dia todo. Apesar de todo o ciúmes e inveja que sentia no momento, o que eu mais queria era ver Jeongmin feliz, sabia muito bem que não seria eu a trazer aquela felicidade, então era melhor te-la com outra pessoa.

– Você gosta muito dele, não é? – concordei – Ele sempre fala de você com muito carinho. Não se preocupe, vou cuidar dele.

Jeongmin falava de mim para sua namorada? Essa ideia realmente nunca havia passado pela minha mente. Achava que ele só lembrava de mim quando queria algo, ele é sempre tão indiferente a tudo. Mas talvez ao menos nossa amizade importasse de verdade para ele.

Finalmente fomos para casa, no caminho, Jeongmin ficava me perguntando o que eu tinha achado de Myungsook. Apenas disse a verdade, que a achei bonita e que ela parecia ser legal. Ele sorria, parecia estar feliz de verdade com ela. Aquilo me deixava feliz no fundo, bem no fundo do meu coração, apenas uma pequena ponta do fundo, o resto queria apenas deitar e ficar chorando para sempre.

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Love Game – Capítulo III

Sem Você

Acordei de um sono pesado com alguém balançando meus braços, provavelmente para de despertar. Agora um pouco mais consciente consegui reconhecer a voz de Kwangmin. Murmurei alguns sons que nem eu reconheci, mas era uma tentativa de perguntar por que ele estava me acordando, parece que ele entendeu o suficiente para me responder.

– Donghyun hyung me pediu para te chamar, já vamos tomar café da manha – sentou-se em minha cama enquanto eu me levantava para sentar também e tentar espantar o sono extremamente forte que tomava conta de mim naquele momento.

– É tão tarde? – coçei os olhos e o vi assentindo mesmo com minha vista embaçada – Fiquei no estúdio até tarde com Jeongmin ontem e quase não dormi.

– E você vai ficar até quando nessa com Jeongmin hyung? – ele me perguntava sério.

– Nessa qual? – me fiz de desentendido, não queria falar disso logo pela manhã.

– Você sabe, hyung – Kwangmin sabia de meus sentimentos sobre Jeongmin. Descobriu há pouco mais de um ano atrás, claramente, não por vontade da minha parte para contar algo.

X

– Hyung, você está sentado ai com essa cara faz uma hora, você está bem? – olhei para Kwangmin que entrava na sala com um grande pote de sorvete de baunilha nas mãos.

– Que cara, Kwangmin? – respondi talvez um pouco rispidamente demais, vendo como ele me olhou com os olhos arregalados. Abriu a boca várias vezes, tentando dizer alguma coisa. Me senti mal, não era culpa dele se eu estava irritado – Me desculpe, não estou de bom humor.

– Isso ficou claro, o que aconteceu? – sentou-se ao meu lado e me ofereceu uma colher. Tinha duas em suas mãos, uma para cada um de nós, logo abriu o sorvete e me servi de uma colherada antes de responder, acho que devia ter um jeito de falar aquilo sem soar estranho.

– Jeongmin saiu com sua nova namoradinha hoje – rispidamente engoli outra colherada do sorvete. Ele parecia me analisar por alguns segundos antes de responder.

– Você gosta do Jeongmin hyung? – ainda olhava nos meus olhos. Não sabia dizer se ele sabia de tudo ou não, resolvi tentar não demonstrar nada, ele podia estar falando sobre amizade apenas.

– Claro que sim, ele é meu melhor amigo. Só não gosto de quando ele me dispensa por alguma garota – tentei parecer o mais natural possível, mas acabei gaguejando um pouco. Só fiquei torcendo para ter o convencido.

– Você entendeu o que eu quis dizer, hyung, não finja que não – comecei a ficar desesperado. O que eu iria falar? Não tinha escolha a não ser falar a verdade, mesmo tendo isso decidido, nenhum som saia de minha boca. Por que Kwangmin tinha que ser tão esperto? – Eu já tinha percebido antes, vocês parecem estar em outro mundo juntos, nunca vi nenhum par de amigos agindo assim. Só achei que ele correspondia seu sentimento. Não parece ser o caso, ele sabe que você gosta dele? – apenas escutava. Como ele podia saber dessas coisas apenas observando de fora? Era incrível. Apenas neguei com a cabeça, ainda incapaz de falar alguma coisa – Você devia falar, talvez ele corresponda, hyung.

– Ele não vai – finalmente levantei a cabeça, ele me olhava esperando que eu continuasse – Ele até sabe que sou gay, mas sei que ele gosta de garotas, tem até uma namorada, me confessar só destruiria nossa amizade, não quero isso.

– Não acho que seria bem assim, mas você decide o que vai fazer – assenti com a cabeça, começava a sentir lágrimas caindo de meus olhos. Mas sequei e segurei as que insistiam em cair, não deixaria Kwangmin me ver chorando – Hyung, pode conversar comigo sobre isso se precisar, somos amigos, certo? – ele sorriu para mim e sorri de volta.

– Muito obrigada, Kwangminnie – passamos o resto do dia vendo filmes e comendo sorvetes.

Jeongmin terminou com a tal namorada alguns dias depois, ela havia traído ele com um garoto mais velho. O consolei por uns dias, apesar de ficar triste por vê-lo daquele jeito, não podia deixar de sentir um pouco de alívio por ele estar solteiro de novo, não que ele fosse querer algo comigo, mas era inevitável.

X

– Não quero falar sobre isso, Kwangmin – me levantei da cama e segui até o banheiro. Ele logo apareceu atrás de mim.

– E o que você quer, continuar sofrendo? – não podia negar que ele tinha razão, mas não é como se eu pudesse ir no meu cérebro e desligar o botão “Paixonite por Jeongmin”.

– Acho que sim – disse sinceramente, ele apenas me lançou um olhar de desaprovação e saiu sem dizer mais nada.

Continuei escovando os dentes enquanto pensava no que Kwangmin dissera. Sabia que ele se preocupava comigo e não queria que eu sofresse, mas eu não conseguia encontrar nenhuma solução. Não havia jeito de me livrar de meus sentimentos e muito menos te-los correspondidos. Procurar alguém para me fazer esquecer também não era uma opção. Era errado usar alguem desse jeito, nunca teria coragem de fazer isso. O jeito era continuar sofrendo, como fiz nos últimos dois anos.

Fui para a cozinha e dei um ‘Bom dia’ direcionado a todos. Meu olhar foi direto para Jeongmin, que sorria para mim e batia numa cadeira a seu lado, que havia reservado para mim, gesticulando me pedindo para me sentar ao seu lado. Me irritava que cada coisa tão pequena significasse tanto para mim, era só uma cadeira, mas para mim, quis dizer que ele se importa o bastante para querer que eu ficasse ao seu lado. Sorri e me sentei ao seu lado, onde ele havia indicado.

Não tinhamos nada programado para aquele dia, então, depois do café da manha, estávamos livres para fazer o que quisermos. Perguntei a Jeongmin se ele queria ver um filme comigo, como costumavamos fazer em tardes livres, mas ele recusou, disse que tinha coisas a fazer. Apenas concordei e fiquei na sala esperando que ele saísse. O que ele poderia ter para fazer? Quando saía com seus amigos, geralmente era a noite, e para visitar a família ele precisaria de mais de um dia livre, não era o que tinhamos no momento.

Ele apareceu na porta de seu quarto enquanto a abria e já pude sentir o cheiro forte de perfume, chegou na sala e vi suas roupas, uma camiseta azul, calças jeans escuras e jaqueta de couro preta. Além das muitas joias, vários colares, dois brincos em cada orelha e três aneis, dois deles identifiquei como meus. Ele apenas se despediu casualmente antes de sair pela porta principal. Algo naquilo não me cheirava nada bem, meu estomago se revirava de pensar se ele estaria indo encontrar uma garota, alguem mais importante que eu com certeza. Resolvi ir até Minwoo e perguntar se ele sabia de algo, ele apenas negou dizendo.

– Se ele não te disse, não ia me dizer, hyung – um pouco ríspido, mas era Minwoo e eu já deveria estar preparado para uma resposta como aquela. Apenas agradeci e voltei para a sala, onde coloquei algum DVD aleatório para assistir.

X

Beirava a meia noite quando ainda assistia filmes. Tinha perdido as contas de quantos já havia visto e já estava morrendo de sono, mas não conseguiria dormir antes que Jeongmin chegasse.

Não demorou mais quinze minutos para que a porta se abrisse e revelasse um Jeongmin sorridente entrando no apartamento. Arqueei uma sobrancelha enquanto o olhava, era muito estranho o ver agindo daquele jeito.

– Onde você estava até tão tarde, Jeongminnie? – finalmente perguntei o que deveria ter perguntado antes que ele saísse.

– Ainda acordado, hyung? Está tarde – ainda sorrindo, sentou-se ao meu lado no sofá e tirou os sapatos brancos com enormes saltos pretos.

– Sim, estava te esperando – soou um pouco estranho mas não consegui pensar em nenhuma mentira na hora, então seria a verdade mesmo.

– Que bom – se virou para mim quando terminou de tirar as meias e olhou diretamente em meus olhos – Preciso te contar uma coisa.

Desde o começo do dia já sentia que ele não seria bom, parece que isso começaria a se concretizar.

Love Game – Capítulo I

Todos os defeitos de um homem perfeito

Olhando para ele agora, consigo me lembrar de todos os sentimentos ,que apenas por ver esse lindo rosto, tomavam conta da minha mente, do meu coração, de cada célula do meu corpo. Todos os arrepios que sua voz me causava, como se cada palavra fosse um feitiço para que eu me apaixonasse cada dia mais e mais. Me lembro de tudo que senti por todos esses anos, amor, ódio, um misto dos dois.

Amor, não há nada que eu conseguisse não amar em Jeongmin, ele era perfeito, desde sua aparência, até sua personalidade, que eu costumo comparar a um raio de Sol, sempre aquecendo e iluminando meus dias. Como um milagre que veio até mim me mostrar sentimentos que eu nunca imaginei como fossem e nunca pensei em um dia sentir em tamanha proporção e força.

E ódio, ódio por amar quem eu não podia, não devia. Ódio por saber que iria sofrer e não conseguir me conter para deixar tudo isso fora de mim. Por ele ser tão maravilhoso que mesmo odiando o que eu sentia, não conseguir deixar de ama-lo, como um vício, vício por sofrer, uma espécie de masoquismo que me destruía a cada segundo.

Por tudo isso, me odiava, mas nunca o odiaria, afinal, ele não tem a mínima culpa por eu ser apaixonado por ele desde que o conheci, há pouco mais de dois anos atrás, e que desde então minha mente é regada a uma confusão sem fim. Ele não pediu por isso, assim como eu nunca pedi, a culpa não é de ninguem, talvez eu apenas merecesse isso, talvez as forças superiores decidiram que eu merecia. Ou talvez não havia motivo nenhum, simplesmente era daquele jeito.

As coisas eram exatamente como estavam agora, nós dois, abraçados no sofá, ele dormindo e sonhando, confiando que está perto de seu melhor amigo, enquanto eu, acordado, sei das reais intenções de toda proximidade e penso em tudo que realmente sinto e ele não tem ideia. Sempre tentava me aproximar dele sem exceder os limites da amizade, afinal, ele confiava em mim, apesar de saber da minha orientação sexual, e nunca me julgou nem por um segundo, ao contrário de todas as outras pessoas que acabaram descobrindo. Essa era uma das razões pela qual somos tão próximos e porque sempre me sinto confortável com ele. Era como se ele fosse a única pessoa que me conhecesse bem e aceitasse tudo em mim, eu podia ser cem por cento eu mesmo em sua presença. Ainda me lembro do primeiro dia que o vi, nosso primeiro dia no treinamento, ele se apresentou com aquele lindo sorriso no rosto e depois daquilo, nunca mais pude passar um dia sequer sem vê-lo, sem ouvir sua voz, sentir sua presença. O dia em que ele descobriu meu maior segredo e que nos tornamos melhores amigos também estará sempre guardado em minha memória.

X

 

– Hyunseong, você ainda não me disse por que não deu o telefone para aquela trainee linda, você já tem namorada? Alguém em vista? – ele já me perguntou isso mais de cem vezes durante dois dias, eu já não aguentava mais ouvir aquela conversa sobre garotas, parece que ele não ia parar até que eu dissesse o real motivo, e eu não queria dizer.

– Não tenho ninguém, Jeongmin, eu só não gosto, apenas isso – me olhou como se analisando se eu estava falando a verdade, e eu estava, estava apenas omitindo algumas palavras para meu próprio bem.

– Não gosta de que? Você não pode dizer que não gosta dela, hyung, você nem a conhece! Dê uma chance – eu já estava a ponto de explodir e resolvi simplesmente falar tudo e correr o risco de nunca ter sua amizade novamente. Antes de responder, fui até a porta da sala de ensaios ver se não tinha ninguém andando por perto que pudesse ouvir. Provavelmente não haveria, já que naquele dia, nós dois resolvemos ficar praticando a nova música pedida na aula até tarde, e ninguém mais estava por perto ensaiando. Mesmo assim, nunca é bom arriscar.

– Jeongmin, vou te contar uma coisa, sei que você provavelmente nunca mais vai falar comigo, vai me odiar, mas preciso que me prometa que vai guardar segredo – ele parecia assustado e nervoso, mas tinha certeza que mais nervoso que eu ele não podia estar. Minhas mãos estavam suando e as coisas giravam lentamente a minha volta. Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Você não é um serial killer, é? Por que eu não sei se conseguiria mentir se a polícia viesse me procurar – ri de sua suposição, sua imaginação ia sempre longe. Só imaginar aquilo em sua cabeça pareceu assusta-lo muito, então resolvi falar logo antes que ele se desesperasse demais.

– Não sou um assassino, não consigo matar nem uma barata – ele suspirou e pareceu mais aliviado, até a tensão tomar seus olhos novamente.

– Então você é um traficante de drogas famoso e procurado? Sério, Hyunseong, eu nunca vou conseguir guardar um segredo assim – ele não ia esperar eu falar até inventar histórias loucas em sua mente?

– Não é nada que possa me mandar para a cadeia, você não vai precisar mentir para polícia – ri e ficamos em silêncio. Poucos segundos que pareceram uma eternidade. Vi que ele estava esperando até que eu falasse algo. Respirei fundo antes de começar a falar – Jeongmin, eu… eu sou gay, vou entender se nunca mais quiser ficar perto de mim ou me ver, me desculpe – olhava para o chão e conseguia sentir as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos sempre que eu mencionava esse assunto.

– Você está chorando? – então senti seus braços me envolvendo num abraço forte, o que fez minhas lágrimas caírem ainda mais rapidamente – Por favor, não chore, hyung. Eu nunca deixaria de falar com você por isso – ficamos mais um tempo apenas parados até que eu me acalmasse um pouco.

– Mesmo? Você não se importa? – o olhei e ele sorria pra mim, em seus olhos pude ver que ele estava sendo sincero, que o que eu acabara de dizer não o afetava de nenhuma maneira.

– Claro que não. Mas você me assustou fazendo esse drama todo só por isso – ambos rimos e quando ele falava desse jeito eu senti que não havia mesmo nenhum problema naquilo e que só era uma grande coisa porque eu fazia parecer assim – Nunca tenha vergonha de quem você é, hyung, você é uma pessoa maravilhosa, não deixe nenhum babaca preconceituoso te fazer acreditar no contrário – concordei com a cabeça e o abracei de novo, ele retribuiu.

– Muito obrigada, Jeongminnie, ninguem fez isso por mim antes – ele se separou do meu abraço e olhou nos meus olhos sorrindo novamente.

– Agora alguém fez – e continuaria fazendo pelo resto dos anos.

X

Estava tão perdido em meus pensamentos que só percebi que ele já havia acordado quando ele me cutucou. Ainda com os olhos fechados pela falta de costume com a luz, tentava me olhar. Eu apenas sorri, amava o ver daquele jeito, natural, ele era maravilhoso nos momentos mais simples. Ele sorriu de volta.

– Dormiu bem, hyung? – na verdade nunca dormia quando tirávamos cochilos na sala, o olhar adormecido era bem melhor.

– Não dormi muito – respondi enquanto levantávamos e ele se espreguiçava. Fazendo seu corpo todo se arrepiar, e como consequência, o meu também se arrepiava.

– Por quê? – “Estava ocupado pensando no quanto eu te amo” seria a resposta verdadeira, mas eu sempre tinha uma invenção na língua para dizer quando ele me perguntava esse tipo de coisa.

– Insônia, como sempre – ele assentiu e sorriu maravilhosamente pela última vez antes de sair para seu quarto e continuar sua vida, onde só tinha uma hora por semana de tempo exclusivamente para mim, e eu não reclamava, enlouqueceria se ficasse por mais tempo tão próximo dele.

Já enlouquecia com ele até nos meus pensamentos.