Drabble (Hyunseong-centric) – Expectativa

Finalmente o debut solo do Hyunseong nas minhas fics!!! Escrevi isso testando umas coisas que aprendi na aula de Literatura então pode estar um pouco estranho ??? Resolvi postar no aniversário dele que é a data mais especial do ano ♥♥♥

XX

O sinal tocou.

Alto e claro, anunciando a liberdade daqueles que se sentiam presos dentro da sala de aula. Mas as vezes o corredor cheio de pessoas que carregavam olhares pesados fosse pior que uma sala pequena.

Não era tão fácil para Hyunseong passar por ali com todos os olhos, risadas e cochichos direcionados a si. Respirou fundo e seguiu por ali ignorando a tudo e todos, apenas pensando em seu objetivo final no momento, chegar até o portão.

Inteiro.

Nem todos os dias ele conseguia.

Muitos garotos pareciam achar engraçado o importunar, fazer piadas sem graça e até tentar agredi-lo fisicamente (Plano que falhou miseravelmente após a primeira tentativa em que um deles recebeu de volta um soco muito bem dado). Alguns até diziam que ele devia sair da escola, mas ele não desistiria por causa de garotos mimados que gostavam de cuidar mais da vida alheia que das próprias.

Passou pelos lugares que já sabia que estariam vazios para chegar ao seu destino, aprendera rotas para evitar todos que pudessem o importunar. O silêncio dentro das paredes cinzas o deixava muito mais calmo que estava há minutos atrás. As únicas pessoas que o viram foram professores, que apenas sorriram educadamente ao passar. Não que gostassem mais dele que o resto dos ocupantes do local, mas eram civilizados o bastante para ao menos fingir.

Ainda teria que lidar com mais algumas pessoas no pátio imenso, mas, felizmente, estavam muito entretidas para se preocuparem com ele.

Ao ver o portão frontal preto com grades que separava duas paredes cinzas enormes, como todas da escola, se sentiu mais aliviado.

E ao passar por ele era como se até conseguisse respirar com mais facilidade. O barulho de adolescentes gritando que vinha do pátio logo foi substituído pelo canto calmo dos pássaros que moravam nas arvores que adornavam aquela vizinhança.

Andou pela calçada coberta de grama lentamente, cantarolando a música que ensaiara na aula do dia anterior. A música não era a mais animada, mas não pôde deixar de se animar ao cantá-la se lembrando dos elogios que recebera ao conseguir alcançar todas as notas perfeitamente “Um talento natural que só precisava ser trabalhado” como apontou sua professora.

Nunca pensou que realmente tivesse algum talento antes de fazer a audição, apenas fizera porque seu irmão insistiu. Seus pais foram contra no começo, mas logo concordaram. Ele suspeitou que a oferta de passar o dia todo longe dele fora tentadora para os dois. Surpreendentemente passou e logo começou a estudar canto, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Não demorou muito para chegar ao prédio verde e branco. Arrumou seus cabelos levemente bagunçados pelo vento forte que soprava.

Mal podia esperar pelas melhores horas do dia.

Drabble – Brilhante como o sol

O sol brilhava nas ruas de Seoul, Hyunseong caminhava para mais um dia de trabalho pelas ruas movimentadas e caóticas. Sendo o único ali que parecia não estar correndo. Nunca gostara de correr, apenas esportivamente é claro, a pressa era um sentimento que quase nunca o acompanhava.

Chegando na escola, cumprimentou todos os colegas com um sorriso no rosto, pegou seu café usual na sala dos professores e foi para sua sala de aula: a quadra.

O lugar vazio daquele jeito sempre parecia maior que realmente era, as paredes pintadas num tom de verde contrastadas com o chão e arquibancada pintados de branco. Mesmo com as lindas cores, só ficou realmente jovial com a presença dos alunos que logo chegaram para o primeiro período.

Não demorou para que a última aula, no fim da tarde, chegasse. A aula com as crianças menores era sempre mais divertida. Quando começou a lecionar, se sentia estranho perto delas e não conseguia cativá-las muito, mas logo aprendeu a se divertir com elas.

Como todas as outras do dia, essa aula passou rápido e logo viu-se despedindo das crianças e entregando os pequenos aos seus pais. Quase lhe passou despercebido que um deles ficara lá depois de todos irem embora, foi até ele e sorriu, pedindo ao pequeno garoto lhe ajudar a guardar os materiais no depósito, apenas para que não ficasse ali sozinho.

O céu já escurecia quando terminaram e foram até o banco ao lado da quadra se sentar.

– Professor, você acha que meu pai esqueceu de me buscar? – o garoto perguntou enquanto olhava para suas pernas que balançavam no banco por não alcançar o chão.

– Claro que não, Jungho, tenho certeza que ele já está chegando e só se atrasou por algum problema no trabalho – ele não sabia o que havia acontecido para o pai dele se atrasar tanto mas pensou em tentar animá-lo.

– Pode ser isso, ele trabalha muito.

– É mesmo? Ele trabalha com o que? – tratou de mudar o foco da conversa e logo viu que funcionou pois o garoto lhe olhou com um sorriso para responder.

– Ele é compositor, faz muitas músicas legais – Hyunseong se surpreendeu com essa resposta, a maioria das crianças ali tinham pais que trabalhavam em algum escritório, logo entendeu a animação de Jungho para responder.

– Ele deve ser muito legal mesmo – o garoto concordou com a cabeça ainda mais animado.

Antes que pudessem continuar a conversa ouviu alguém gritando o nome de seu aluno e ao vê se levantar animado e correr na direção da voz concluiu que era o pai dele.

Viu que o homem tinha quase sua idade, bem jovem para já ter um filho. Ele abriu os braços para receber o filho com um abraço enquanto sorria, seu sorriso era lindo e brilhante como o próprio sol, Hyunseong constatou ao observar a cena, iluminando o ambiente de forma que nem a lua seria capaz.

Depois de um tempo se separaram e vieram em direção a Hyunseong de mãos dadas.

– Professor, esse é o meu pai – Jungho disse animado.

– É um prazer conhecê-lo, Senhor Lee – se reverenciou para cumprimentá-lo e ele fez o mesmo.

– É um prazer também. Me desculpe te deixar aqui esperando por tanto tempo, não consegui sair do trabalho a tempo – ele sorriu e Hyunseong sorriu de volta – E pode me chamar apenas de Jeongmin.

– Então, Jeongmin – riu, pois não costumava tratar os pais dos alunos com informalidade, mas não poderia negar nada àquele belo sorriso – Não foi nada, imaginei que o atraso fosse por algo assim, não se preocupe.

– Muito obrigado… – pensou e o olhou confuso – Não sei seu nome, apenas o conheço como Professor Shim – os dois riram.

– Meu nome é Hyunseong, pode me chamar assim também.

– Certo, Hyunseong. Muito obrigado por cuidar do Jungho, não só hoje, mas ele sempre fala muito bem de você, não é, filho? – se dirigiu ao garoto que concordou com a cabeça antes de começar a falar.

– Pai, você podia sair com o Professor, acho que vocês ficariam bem juntos – olhou para os dois que de repente se viram com olhos arregalados e bochechas coradas.

– Jungho, não fale coisas assim – disse em tom de reprovação.

– Mas talvez não seja uma ideia tão ruim assim, não acha? – Hyunseong falou baixo, sem certeza se queria mesmo que o outro ouvisse, mas ele ouviu.

– Ah… sim… claro… quero dizer – Jeongmin parecia um pouco nervoso e Hyunseong riu pois achou extremamente fofo – Você poderia me passar seu número… se quiser, é claro.

– Passo sim, vamos marcar algo.

Os dois trocaram seus números enquanto Jungho observava a cena sorrindo e com os olhinhos brilhando. Gostava do Professor Shim e ficara feliz ao saber que seu pai também gostou dele.

Se despediram e cada um foi para um lado, Jeongmin e Jungho direto para casa e Hyunseong para a sala dos professores.

Não muito mais tarde, Hyunseong ia para sua casa, como sempre, sem pressa até chegar ao ônibus. Entrando nele, se sentou e logo se pôs a observar o céu, já escuro mas iluminado por várias estrelas e pela lua, sorriu ao vê-lo, não era tão comum ver o céu bonito como estava naquela noite.

Chegou em casa cansado, mas ainda assim feliz, dormiu pensando no que o esperaria de manha quando acordasse, mais um dia de trabalho e talvez um café com o dono de um sorrisos mais lindos que já vira.

Drabble – Listen to the rain

Ouvindo a chuva. Era isso que eu estava fazendo. E era essa uma das minhas atividades preferidas em dias de ócio.

A chuva tem vida.

A chuva conta histórias, tristes ou felizes.

A chuva guarda consigo os momentos mais inesquecíveis da minha vida.

Foi num dia de chuva que eu conheci Hyunseong.

Estava chovendo forte e estávamos os dois abrigados em baixo do toldo de uma loja qualquer. Quando o ouvi murmurar algo sobre seu cabelo estar arruinado agora, não pude deixar de rir. Ele me olhou, logo estávamos os dois rindo. Senti uma ligação com ele naquele momento, era estranho, não costumava ficar próximo de desconhecidos rapidamente. Não sei por que, naquele dia resolvi pedir seu telefone e prometer que ia lhe ligar em breve, mas fico feliz por ter feito isso.

Foi também num dia chuvoso que tivemos nosso primeiro encontro. Depois de tanto conversarmos por telefone, decidimos nos ver de novo. Fomos a um café no centro da cidade.  Naquele dia cheguei um pouco atrasado, ele já estava me esperando numa mesa com dois chocolates quentes em mãos. Fiquei impressionado por ele ter se lembrado que eu comentei vagamente que aquela era minha bebida favorita em uma conversa. Me lembro de como ele estava adoravelmente nervoso, derrubando quase tudo em que tocava e falando estranhamente rápido. Eu também estava um pouco inquieto, mas felizmente era melhor em esconder isso do que ele. Conversar pessoalmente era definitivamente melhor que por telefone, cheguei a essa conclusão naquele dia. No final, aquele encontro apenas resultou na certeza de que haveriam muitos outros.

E assim aconteceu. Depois disso, nossos encontros já não eram assim tão raros. Ficávamos muito tempo juntos e a cada vez que o via o sentimento era melhor. Sentia arrepios quando ouvia sua voz e todas as vezes que ele me abraçava, que não eram poucas. Um frio na barriga sempre que ele dizia que me amava, ou quando queria me proteger de tudo, parecia que queria me proteger até do vento. Quando estava com Hyunseong, sentia que nada podia me atingir, que nada de ruim ia me acontecer, só por ter ele por perto.

Numa chuva fina de julho foi quando nos beijamos pela primeira vez. Estávamos num parque onde costumávamos ir, cujo estava basicamente vazio devido ao tempo. Mas não havia problema para nós, um guarda chuva resolvia tudo, nunca perderíamos uma oportunidade de nos ver por um motivo tão banal. E eu ainda estava com a jaqueta de Hyunseong sobre a cabeça. Ele insistiu para que eu a usasse, para que não ficasse resfriado. Rebati dizendo que assim ele ficaria resfriado, mas no fim ele conseguiu me convencer com o argumento que eu era mais sensível com esse tipo de coisa.

Ficamos andando por um bom tempo dentro do parque, apenas jogando conversa fora, observando as árvores e o pouco movimento que havia nele, quando Hyunseong automaticamente se aproximou e selou meus lábios num movimento rápido. Assim que se afastou novamente pude ver seu rosto ficar em vários tons de rosa enquanto ele começava a se desculpar descontroladamente. Consegui apenas rir e me aproximar dele novamente para calá-lo com um beijo agora um pouco mais profundo. Pelo jeito que ele me olhou, ainda não tinha percebido que gostava dele há um tempo. Achei que fosse óbvio, mas ele nunca foi do tipo mais observador, então não me surpreendi.

Noutro dia quando uma tempestade caia, estávamos em minha casa jogando videogame. Eu o chamara ali por uma razão. Por mais que já planejasse o pedir em namoro há algum tempo, não conseguia deixar de me sentir nervoso. Ele ficou muito surpreso ao ouvir meu pedido, mas seus olhos brilharam com felicidade ao aceitar, fazendo meu coração se aquecer ao vê-lo tão feliz.

Fui interrompido em meus pensamentos por uma mão tocando em meus ombros. Olhei para o lado e vi Hyunseong me entregando uma xícara de café. Sorri ao pegar e sentir ele me abraçar logo em seguida.

– Sempre que vejo a chuva me lembro do dia que te conheci, Jeongminnie – ri ao constatar que não era o único que pensava sempre nisso.

– Estava pensando nisso agora mesmo – sussurrei já perto de seus lábios e me aproximei para um leve selar. Ambos sorrimos ao nos separar.

– Espero passar muitos dias de chuva ao seu lado.

– Vamos ficar juntos em todos que ainda pudermos ver – estendi meu dedo mindinho e ele repetiu o gesto, os juntando numa promessa um tanto infantil.

Uma promessa que se cumpriria até quando pudéssemos escutar a chuva caindo.

Underneath – Parte II: Jeongmin’s Feelings

Hyunseong era como uma âncora, sempre lá para me apoiar quando eu precisasse. Ele sempre estava lá quando eu estava triste para me consolar, e sempre que eu estava feliz para dividir sorrisos comigo. Não importava o quão ruim meu dia fora, eu sorria, pois sabia que ele estaria lá para mim.

Ele era um anjo, delicado, amoroso, inocente, além de extremamente bonito. As vezes pensava em como alguém tão perfeito poderia existir. Me via gostando mais de tê-lo perto de mim a cada dia.

Quando ele estava ao meu lado, era como se nada pudesse me atingir, como se nós dois juntos fossemos invencíveis, talvez a única coisa capaz de nos vencer fosse o medo.

Eu amava estar perto de Hyunseong, seus toques completamente inapropriados, seus abraços, suas palavras altamente constrangedoras, seus sorrisos que acendiam cada chama de felicidade existente em meu corpo. Mas sentia que deveria me afastar se alguém estivesse nos observando. Me sentia na obrigação de justificar qualquer contato além do considerado normal para amigos, de fazer o possível para que todos achassem que não éramos tão próximos.

As vezes sentia que todos sabiam, como se me julgassem a cada vez que me olhassem e isso me consumia. A única coisa que me deixava tranquilo era que apesar de tudo, Hyunseong ainda passaria a noite comigo assistindo a filmes ou apenas rindo de besteiras sem sentido.

Apesar da felicidade e tranquilidade que sentia estando com ele, tudo acabava quando passava da porta de casa e mais uma vez sentimentos ruins se estabeleciam. O medo era sempre o pior deles.

Tinha medo que alguém descobrisse meus sentimentos e os interpretasse de maneira errada. Mas qual era a maneira certa? Que sentimento era? Não sei descrever ao certo, só sei que é algo forte e que deve ser mantido em segredo.

Underneath – Parte I: Hyunseong’s Feelings

Isso não tem exatamente um plot, eu nem sei de onde saiu isso em primeiro lugar, mas escrevi faz um tempo e como estava guardada resolvi postar. Ela vai ter só dois capítulos em forma de drabble.

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Era estranho ter aquele tipo de sentimento. O sentimento errado. Pela pessoa errada. Na hora errada e no lugar errado. Ao mesmo tempo que parecia errado, parecia ter cada vez mais sentido. Mas eu sabia que o mundo não aceitaria minhas razões para achar certo, assim como eu não entendo as dele para achar errado.

E era assim que me sentia desde que o conheci. Aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso radiante, quando o vi, comecei a achar que era impossível não amar aquele jeito resplandecente se ser. Depois de um tempo percebi que estava certo, e não pude fazer nada a não ser me apaixonar como uma criança romântica e sonhadora.

Passava boa parte do meu tempo apenas o olhando e automaticamente sorrindo, era impossível me sentir triste com ele por perto. Jeongmin era como um vício, precisava dele, e tinha que manter isso em segredo. Ele me trazia sensações incríveis, inexplicáveis, e isso tinha que ficar guardado. O segredo sobre isso era para o meu próprio bem apesar de demasiadamente sufocante.

A cada vez que nós brigávamos, sentia um calafrio, um medo percorrendo todo o meu corpo. Medo de aquilo ser definitivo e eu nunca mais poder chegar perto dele, o abraçar, ficar tão perto a ponto de sentir sua respiração e seus batimentos cardíacos, aspirar seu perfume adocicado e intoxicante.

Uma sensação horrível ficava no meu peito a cada vez que ele me ignorava, ou quando encontrava seu olhar e ele parecia querer mirar em qualquer direção oposta à minha. Como se minha existência fosse irrelevante. Mas isso não durava mais que dois dias, depois disso parecia que nada tinha acontecido. E eu preferia fingir que realmente não aconteceu, doía muito lembrar.

A melhor alternativa era sempre aproveitar todo o momento que poderia ter. Aproveitar todo o amor que poderia receber e oferecer.

Drabble – Proposal

– Você acha que ele vai aceitar? – Jeongmin analisava as a caixa aberta em suas mãos, que mostrava duas alianças. Essas, escolhidas arduamente por semanas, deviam ser perfeitas.

– Claro que vai, hyung, não sei porque tem dúvida. Hyunseong – hyung é louco por você – Kwangmin falava com metade do raciocínio no papo gay de Jeongmin e metade no jogo. Talvez três quartos no jogo.

– Mas mesmo assim, talvez ele ache que isso não tem sentido e que estou maluco.

– Que você está maluco ele sempre soube – recebeu um tapa no braço – Hyung! Não precisa me bater assim, eu quase perdi a última vida.

– Isso é para aprender a prestar atenção nos mais velhos ao invés de ficar no videogame.

– Diz o que fica o dia todo com o celular na mão – Jeongmin apenas resmungou ao ouvir e saiu da sala.

Kwangmin fora inútil ao lhe ajudar num momento de reflexão. Mas se o mais novo tinha tanta certeza que Hyunseong aceitaria, por que ele ficava tão nervoso de o contrário acontecer? Agora que as alianças estavam compradas ele não podia voltar atrás, mesmo que ele não aceitasse, Jeongmin as usaria. Aquilo havia custado quase o mesmo preço que seu iphone.

Se dirigiu ao quarto de Hyunseong para perguntar e acabar logo com isso. Quando abriu a porta logo foi recebido por um sorriso caloroso do mais velho, que estava sozinho no recinto e pintando alguns livros de colorir com ursinhos ou algo parecido. Sorriu também ao sentar no chão ao lado de Hyunseong e o abraçando pela lateral, envolvendo sua cintura e se apoiando em seu ombro. Ele pareceu não se importar e continuou pintando o bichinho de azul.

– Por que você comprou isso, hyung? – Hyunseong riu, já imaginando que ouviria essa pergunta.

– Porque eu gosto de pintar e porque é fofo.

– Os desenhos são estranhos mas você sim é fofo pintando – Jeongmin deu um beijo na bochecha de Hyunseong. Esse se virou e depositou um leve selinho nos lábios do outro.

Depois de se separarem, ficaram apenas se olhando e sorrindo. Costumavam fazer isso, era como se ainda fosse surreal que pudessem se olhar de tão perto e tão profundamente. Era em momentos como aquele, olhando nos olhos de Hyunseong e mergulhando em todas as emoções que o fez se apaixonar, que Jeongmin tinha certeza que queria passar o resto da vida com ele.

– Hyunseong, tem algo que quero te perguntar – Jeongmin quebrou o silêncio e Hyunseong sinalizou para que ele continuasse – Se levante primeiro – o mais novo se ajoelhou quando ele levantou, o causando um olhar de estranhamento. Jeongmin pegou a caixa vermelha e a abriu – Você quer se casar comigo?

– O que? – foi a única coisa que passou pela mente de Hyunseong com aquela cena. Parecia que Jeongmin começou a achar que eles eram um casal hétero e podiam, simplesmente, fazer isso.

– Perguntei se você quer se casar comigo.

– Sim, eu entendi. Mas você sabe que não podemos, não sabe?

– Sei, mas eu comecei a pensar esses dias – Jeongmin se levantou com a ajuda de Hyunseong antes de continuar – Nós podemos ser noivos, no dia que for permitido, seremos os primeiros da fila. O que acha? Você aceita? – Jeongmin notou uma lágrima escorrendo do olho direito de Hyunseong – Hyung, você está be…

– Claro que aceito, Jeongminnie – foi interrompido pela frase e por um abraço forte – Eu te amo tanto, quero tanto ficar com você para sempre.

– Eu também te amo. Muito.

Jeongmin se lembrou naquele momento do quanto foi difícil para ambos desde o começo. Aceitar seus sentimentos, se aceitar e finalmente aceitar o outro em sua vida. Todo o sacrifício pareceu plenamente satisfatório sentindo agora o resultado. Finais felizes poderiam existir de verdade, afinal.

Drabble – Pretend not to know

A insônia me consumia, por dias a fio ela se fazia presente. Era extremamente chato ficar deitado por horas sem fazer nada. Resolvi levantar e ir pegar uma água ou qualquer outra coisa, não é como se eu fosse conseguir dormir tão cedo.

Levantei da cama e percebi que Hyunseong hyung não estava no quarto, ele provavelmente estava na sala vendo TV, conseguia ouvir alguns barulhos estranhos vindos de lá. Quando cheguei na sala, desejei que minha suposição estivesse certa, mas o que eu vi foi bem diferente de alguém assistindo TV.

Hyunseong hyung realmente estava lá, mas em cima de Jeongmin hyung que se deitava no sofá, e os dois estavam… se beijando, se agarrando, não sei mais o que. Eles sorriam um para o outro entre cada beijo, estavam tão distraídos que pareceram nem notar minha presença. Não conseguia decidir se aquilo era fofo ou nojento. Pensando melhor, era muito nojento. Não consegui reagir, apenas fiquei parado, olhando, boquiaberto. Até que percebi que Jeongmin notou minha presença. No meio de um beijo, seus olhos ficaram arregalados e no segundo seguinte ele empurrou Hyunseong que caiu do sofá com uma expressão confusa. Quando ele olhou para Jeongmin, percebeu para onde estava olhando e também me viu. Logo levantou e chegou perto de mim.

– Youngmin, isso não é o que você está pensando – disse apreensivo, conseguia ouvir as batidas de seu coração, devia estar nervoso, ou envergonhado.

– Eu estou pensando que vocês estavam se agarrando na sala, o que mais seria? – essa de ‘Não é o que você está pensando’ só me faz acreditar que realmente é o que eu estou pensando.

– Na verdade, eu quero conseguir um papel em um drama e o hyung está me ajudando com a cena do beijo, certo, Hyunseong? – Jeongmin podia ter inventado algo melhor, drama? Sério?

– Jeongmin hyung, pare com isso, me contem o que está acontecendo. Vocês se pegam às vezes? Só hoje? Estão namorando?

– Nós estamos namorando, Youngmin – Hyunseong disse depois de um longo suspiro, logo seguido por Jeongmin gritando.

– HYUNG, você não devia ter falado.

– Nós teríamos que contar em algum momento – se virou para mim e continuou – Olhe, Youngmin, eu sei que isso é muito estranho para você, dois garotos namorando, principalmente seus colegas. Mas nós nos amamos, não estamos apenas curtindo o momento, sabe? Tente entender, por favor.

– Tudo bem, hyung. E não vou contar para ninguém, não se preocupem. Boa noite – sai antes que eles pudessem me responder ou tentar dar mais explicações.

Hyunseong estava certo, aquilo era muito estranho. Não que eu nunca tivesse desconfiado de algo entre os dois. Sempre se abraçando e rindo como se não houvesse amanhã, sempre entrando juntos no banheiro e passando horas lá dentro. Mas achei que fosse paranoia e que tudo era apenas Hyunseong hyung sendo meloso como é com todos, apenas com Jeongmin era mais exagerado porque se conheciam há mais tempo e eram melhores amigos, fui muito inocente.

Era melhor parar de pensar nisso e tentar dormir novamente, afinal, aquilo não tinha nada a ver comigo. Ainda ia demorar para de acostumar, e tenho certeza que nunca mais conseguirei olhar para os dois da mesma forma depois dessa cena.

Drabble – My First Kiss

Jeongmin jogava em seu celular enquanto escutava Hyunseong falar, sem muito interesse no discurso repetitivo que ele sempre fazia. Vivia falando sobre como era frustrante ser um garoto de 22 anos que nunca havia dado um beijo em alguém, e sobre como passaria o resto da sua vida sozinho. Jeongmin poderia dizer que achava Hyunseong maravilhoso e que ele poderia ter qualquer garota ou garoto que quisesse se tentasse, mas isso não é o tipo de coisa que se diz em voz alta, então preferia concordar em silêncio, mas aquilo estava cansativo demais, ele tinha que se manifestar.

– Hyung, você não se cansa de falar disso? – Hyunseong o olhou confuso.

– Disso o que?

– De ficar reclamando que nunca namorou, beijou, etc, se é tão ruim é só resolver o problema e beijar alguém.

– Não é tão fácil, Jeongmin.

– Claro que é.

– Se é fácil, resolva por mim e pronto.

– Tudo bem, vou resolver.

Jeongmin se levantou e foi até a outra ponta do sofá, onde Hyunseong estava sentado, chegou perto dele e o beijou. Não houve resistência por parte do mais velho, como Jeongmin cogitou que haveria, ele simplesmente retribuiu enquanto era guiado. Hyunseong era inexperiente, mas surpreendentemente bom nisso, Jeongmin pensou. O beijo foi longo, Jeongmin não queria ouvir reclamações depois daquilo, então fez o trabalho completo. Depois de se separarem, Jeongmin olhou para Hyunseong, seus olhos possuíam um brilho que ele nunca tinha visto enquanto ele se aproximava de novo. Jeongmin chegou perto do ouvido de Hyunseong e sussurrou.

– Problema resolvido, hyung – quando se afastou, Hyunseong continuou o olhando e não disse nada, então Jeongmin pegou seu iphone e foi andando em direção ao seu quarto. Quando chegou em frente a porta, não teve tempo de abrir a porta antes de sentir dois braços se entrelaçando em sua cintura.

– Se eu começar a reclamar que não dei meu segundo beijo você vai resolver para mim de novo? – Hyunseong disse. Jeongmin riu, não devia ter se aproveitado disso só para beijar Hyunseong, mas também não devia tê-lo feito sem justificativa. Virou para encarar Hyunseong antes de responder.

– Posso pensar no caso, por que você não tenta? – deu um selinho no mais velho antes de entrar para seu quarto.

Hyunseong já pensava em como passar o resto da vida reclamando.

Drabble – Sneaking In

Eram dez da noite. Ainda não acreditava que estava me preparando para dormir a essa hora, mas não conseguia parar em pé. Não havia dormido na noite passada e passei o dia como um zumbi. Um desperdício gastar a madrugada dormindo.

Saí do banheiro, onde estava escovando os dentes, para ir para a cama. Não antes de me encontrar com Hyunseong hyung apenas com uma toalha, prestes a tomar banho. Ele passou por mim, sorriu, e me cumprimentou me chamando de Jjomaennie, por mais que tivesse me visto há cinco minutos atrás.

Mas não consegui prestar atenção em nada disso, só consegui olhar para a parte descoberta do corpo dele. Resolvi então abrir uma fresta da porta. Ele já estava dentro do Box transparente com o chuveiro ligado.

Era impressionante como o hyung conseguiu esse corpo, ele malhava muito. No começo eu achava loucura, mas depois comecei a ver a parte boa dessa história de academia.

Acho que eu devia ter inveja, certo? Ou algo desse tipo. Não devia ficar arrepiado, com uma vontade quase incontrolável de tocar. Mas era impossível não ficar assim, ele é muito gostoso.

Enquanto assistia a água correndo por todo seu corpo, não pude conter pensamentos impuros que se formaram em minha mente. Vendo todas suas partes íntimas expostas daquele jeito me fazia lembrar de alguns filmes gay porn e querer reproduzi-los. Mas eu não podia simplesmente chegar e dizer “Hey hyung, vamos transar, que tal?”. Tenho quase certeza que ele mal sabe o que é sexo. Uma vez, pegamos Donghyun hyung vendo algum filme pornô e ele tapou os olhos com as mãos e saiu correndo, não acreditei que uma pessoa de 22 anos ficou tão chocada com aquilo. Definitivamente tentar algo não era uma opção. A única que me sobrava era olhar e imaginar.

Só fui acordado do transe quando Hyunseong desligou o chuveiro, abriu a porta do box e olhou diretamente para mim.

– Jeongmin, o que está fazendo ai? – fiquei em pânico, o que ia dizer? Que estava heterossexualmente e amigavelmente o vendo tomar banho? Não me parecia uma boa ideia.

– Eu… eu estava… esperando você sair para poder escovar os dentes.

– Mas quando eu entrei no banho você tinha acabado de escova-los – com milhões de mentiras disponíveis eu consegui dizer a pior.

– É que eu percebi que meus dentes não estavam totalmente limpos e resolvi escovar de novo – isso soava até ridículo.

– Ah sim – ele sorriu, por incrível que pareça, acreditou no que eu disse – Vou dormir, boa noite Jjomaennie.

– Boa noite, hyung – enquanto ele saia, continuei olhando para as suas costas, que agora estavam molhadas.

Entrei no banheiro e fechei a porta, ainda tentando assimilar as ações dos hormônios no meu corpo. Fiquei por lá, mas ao invés de escovar os dentes de novo, resolvi usar meu tempo para outra coisa.

Drabble – Boys Just Wanna Have Fun

Jeongmin estava sentado no sofá vendo TV enquanto esperava todos se arrumarem antes que pudessem sair. Por um milagre ele fora o primeiro a ficar pronto. Viu Hyunseong saindo de seu quarto sorrindo assim que o viu.

– Bom dia, Jjomaennie – beijou sua bochecha e sentou ao seu lado.

– Bom dia, hyung – se abraçaram e ficaram por alguns minutos assim até o mais velho se pronunciar.

– Acho que podíamos ir até aquele motel hoje à noite – Jeongmin estava pensando nisso há dias, mas morria de vergonha de comentar sobre. Era a única coisa de que já sentira vergonha na vida. Como Hyunseong já havia começado poderia contar tudo.

– Ótima ideia. Inclusive acho que já é hora de você ser o ativo, Hyunseong – esse ficou vermelho e abria a boca várias vezes sem que nenhum som saísse dela, até conseguir dizer algo.

– Mas Jeongmin, eu… eu não sei se consigo fazer isso.

– Claro que consegue, hyung. Já faz quatro meses desde a nossa primeira vez e você nunca me deixou ser passivo, eu também quero me divertir.

– Tudo bem, eu vou tentar – Jeongmin apenas sorriu antes que Youngmin saísse do quarto e acabasse com os minutos que tinham sozinhos.

Logo saíram para cumprir suas obrigações, mas a mente de Jeongmin só conseguia focar na noite que estava por vir.
X
Chegaram ao motel com o carro emprestado de Donghyun, que obviamente não sabia para onde seu carro era sempre levado.

Já chegaram no quarto se beijando e se deitando na cama. Tinham pouco tempo e ele devia ser aproveitado.

Hyunseong estava em cima de Jeongmin chupando seu pescoço e deixando várias marcas ali. O mais novo gemia sem se conter, até que a sensação que antes sentia, parou.

– O que foi, hyung? – Hyunseong parecia triste.

– Eu não sei fazer isso, Jeongmin, me desculpe.

– Como não sabe? É só fazer e pronto.

– Não é assim, é mais difícil que isso, eu nunca fiz, vai ser horrível.

– Hyung, por acaso nós entramos em alguma competição de quem faz o melhor sexo? Ou vamos gravar algum filme pornô?

– Não.

– Então por que você se preocupa tanto em ser perfeito?

– Eu só quero ser bom o suficiente para você, Jjomaennie – no final, Hyunseong sempre arrumava um jeito de ser fofo, Jeongmin pensou.

– Só de você tentar já é bom o suficiente para mim – Hyunseong o olhou confuso, então ele riu e continuou – Eu só quero te sentir, hyung. É para isso que estamos aqui.

– Mesmo?

– Mesmo. Podemos continuar agora? – Hyunseong concordou e então voltaram para o que faziam antes.

X
Deitaram-se exaustos um ao lado do outro. Apesar do cansaço, a felicidade era visível em suas expressões.

– Como foi, Jeongmin? – Hyunseong o olhou preocupado. Jeongmin apenas riu e deu um selinho no outro.

– Foi perfeito – sorriram e começaram um beijo calmo que apenas demonstrava o afeto que tinham um pelo outro.

Jeongmin não entedia o motivo de Hyunseong se sentir tão inseguro se ele sempre garantia que todas as noites que passavam juntos fossem perfeitas, por mais que não percebesse. Os dois estarem ali juntos já era perfeito, só, mais nada era necessário.