Love Game – Capítulo V

  Mr. Lee     

Tudo parecia borrado em minha frente. Não via nada, apenas sentia. Sentia mãos me acariciando e lábios tocando os meus ferozmente, enquanto eu respondia na mesma intensidade. Apesar de não enxergar, sabia quem estava ali junto a mim, Lee Jeongmin. Com seu jeito perfeitamente experiente, me deixava louco com qualquer toque entre nossas peles. E até eu não parecia tão idiota e leigo no assunto quando procurava suas partes sensíveis para tocar e faze-lo gemer, um som maravilhoso, poderia ouvir a noite toda. Também gemia, um pouco alto, não sabia se estávamos no dormitório ou algum lugar onde pudêssemos ser ouvidos, mas nada daquilo parecia importar agora, só aqueles toques nada puros importavam.

O olhei nos olhos, eles estavam cheios de luxuria e desejo, por mim, parecia inacreditável. Sua pele suada, como a minha provavelmente. Não tive mais tempo de olha-lo, ele descia, me acariciando por todos os lugares, até sua boca repousar em minha roupa de baixo enquanto lentamente a tirava…

Ouvi um barulho e levei um enorme susto, estava em meu quarto e Youngmin estava do lado da minha cama, parecendo um pouco chocado.

— Hyung, me desculpe, você estava fazendo barulhos e se mexendo muito enquanto dormia, achei melhor te acordar – então era um sonho, claro que era.

— Fez bem Youngminnie, obrigada. Estava tendo sonhos um pouco… – acho que eróticos não era a palavra certa a usar – estranhos. Que horas são? – tentei desfocar a conversa do sonho.

— Hora de levantar – só agradeci e me levantei em direção ao banheiro.

Andei cuidadosamente afim de esconder a ereção que se formava dentro de meu pijama. Devia estar vermelho de vergonha por aquela situação toda. O que foi isso? Eu tinha acabado de ter um sonho erótico com Jeongmin e acordara excitado por conta disso, extrapolei todos os limites que podia com isso. Meu deus, nunca pensei que sentiria tanta vergonha.

Chegando ao banheiro, vi parado se olhando a pessoa que menos queria ver no momento. Já não bastava me provocar nos sonhos, tinha que aparecer na vida real apenas usando boxers e regata. Seus braços maravilhosamente esculpidos, mesmo que não malhasse podia ver alguns músculos, eram naturais, eu acho. As coxas, um pouco grossas e definidas, marcadas pelo contorno das boxers pretas. Ele se olhava no espelho, os olhos sempre vivos e brilhante olhavam seu próprio reflexo como se ele soubesse o quão gostoso e maravilhoso era. Com certeza sabia.

Provavelmente percebeu que eu estava o encarando quando se virou para mim e sorriu. Aquele sorriso que eu amava, contornado por lindos lábios vermelhos que pareciam ter imãs, sempre sendo atraídos pelos meus, que lutavam com uma força descomunal para resistir àquela atração. Sua boca se movia, acho que ele estava falando algo, mas não conseguia ouvir, estava concentrado em segurar meus hormônios.

— Hyung, você está me ouvindo? – ele choacolhou meus ombros e eu acordei de meus devaneios, mas ainda não consegui responder – Você está bem?

— Estou sim Jeongminnie, não se preocupe – tentei soar normal mas minha voz saiu rouca e baixa, mal era possível escuta-la.

— Não, você não está, parece tenso. Acho que precisa de uma massagem – e com sua brilhante ideia, me virou de costas e começou a apertar meus ombros com as mãos.

Seus dedos correndo por toda a extensão das minhas costas não me deixou exatamemte relaxado. Seu toque era um pouco bruto, tinha uma força que chegava a ser surpreendente e isso me deixava insanamente preso em pensamentos nada puros. Por alguns minutos me deixei perder, mas já sentia que não aguentava mais.

— Obrigada, Jeongminnie, mas eu realmente preciso tomar banho – tentei fugir de sua visão o mais rápido possível fechando a porta. Eu precisava dar um jeito naquela ereção. Entrei no chuveiro e comecei a trabalhar nisso.

Tentei não pensar nele enquanto me masturbava, mas tudo o que vinha na minha cabeça era aquele sonho, combinado com a sensação de suas mãos que me tocaram e eu ainda podia sentir minha pele formigando.

Acho que nunca me senti tão sujo e pervertido. Ter uma queda por Jeongmin tudo bem, mas imaginar esse tipo de coisa era algo que eu nunca achei que pudesse acontecer.

Sai do banho e tentei me acalmar, logo teria que cumprir agenda e não queria aparecer em público daquele jeito. No caminho, Jeongmin se sentou ao meu lado. Geralmente seguiamos rindo, fazendo piadas e fofocas quando sentávamos juntos, mas não hoje. Eu não conseguia encará-lo sem pensar nos acontecimentos daquela manhã, acho que nunca o veria da mesma forma. Só não sei porque isso começou a surgir dois anos depois de estar apaixonado por ele, talvez fossem os hormônios da adolescência chegando um pouco atrasados.

— Hyung – Jeongmin me chamava e eu o olhei esperando que continuasse – Você está estranho comigo hoje, eu fiz alguma coisa para te deixar nervoso?

— Claro que não, Jeongminnie, eu só estou me sentindo um pouco estranho hoje – ficar nervoso com ele era algo impossível de acontecer.

— Mesmo? – assenti e ele sorriu – Sabe que se precisar de alguma coisa pode falar comigo, certo? Sou seu melhor amigo – já mencionei o quanto odeio as palavras “melhor amigo”?

— Não se preocupe, vai passar logo – apenas sorri e tentei fingir que não era o cara que tinha sonhos eróticos com os amigos.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Eu tentava focar em alguma outra coisa, até ele se dirigir a mim novamente.

— Amanha eu e Myungsook faremos um mês de namoro – dizia sorrindo. Eu evitava falar sobre o assunto namoradinha, mas ele insistia em trazê-lo a tona.

— Que bom, fico feliz que esteja durando – na verdade não ficava.

— E você, hyung, não vai arrumar um namorado? – sempre aquelas perguntas, não aguentava mais responder que não arrumaria namorado nenhum.

— Não é como se eu pudesse sair por ai perguntando para alguns caras se eles são gays e querem sair comigo – falava baixo, não queria que alguem escutasse aquilo. Jeongmin, percebendo o porquê do tom de voz, também sussurrou.

— Não se preocupe com isso, você é lindo, até os héteros teriam uma queda – ele riu. Pena que suas palavras não condiziam a realidade — Mas sério, hyung. Seu gaydar está quebrado? Me lembro de quando saíamos e você me apontava todos os gays que passavam pela rua.

— O gaydar está sendo afetado pelo cansaço dessa agenda – ri fraco e ele riu também. Ele conseguia deixar o assunto que eu mais odiava tocar leve e até engraçado. Tudo ficava melhor com ele por perto, e isso se tornava um problema maior a cada dia.

X

            Voltamos para casa a noite, depois de um dia cheio, a única coisa que eu queria fazer era deitar e dormir. Mas Jeongmin insistia que queria um cappuccino do Starbucks. Disse para ele fazer um cappuccino na máquina de café mas ele alegava que aquela máquina não chegava perto das bebidas do Starbucks. Não deixava de ser verdade, mas era tarde da noite!

Eu, como o bom escravo que era, não discuti mais e saí em busca do tal café. As vezes achava inacreditável como eu fazia as vontades mais absurdas de Lee Jeongmin.

Chegando lá entrei numa fila enorme. Quem tomava café as dez da noite? Provavelmente muitas pessoas.

Distraí-me olhando as pessoas que estavam no lugar, não era como se tivesse algo para fazer, apenas mandei uma mensagem para Jeongmin dizendo que ia demorar. Havia muitos casais ali, mas havia um, num canto, quase escondido que me chamou a atenção.

Uma linda garota de cabelos castanhos ondulados que beijava um garoto alto de cabelos pretos.

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