Love Game – Capítulo IV

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  Quando Jeongmin me olhou com aquele sorriso no rosto, já imaginei que não iria escutar nada que me agradasse. Apesar de ele ficar feliz por dividir tudo comigo, eu preferia permanecer ignorante sobre alguns acontecimentos de sua vida. Mas o que eu mais temia aconteceu, Jeongmin me contava alegremente sobre sua nova namorada.

Isso já aconteceu antes, mas quando acabou, imaginei que não precisaria passar por aquilo de novo, fui muito estúpido. O aperto no peito, a sensação de preferir morrer que estar ali ouvindo aquelas palavras, a dor de saber concretamente que o amor da sua vida nunca vai te olhar, nunca vai cogitar também te amar, que você vai passar o resto de seus anos sofrendo por algo tão idiota como isso, mas que consegue destruir seu coração em dezenas de pequenos pedaços, como uma peça de vidro que nunca retornaria a sua forma original.

Um amor sem perspectiva de realização apesar de doer um pouco é suave, você não tem certeza do que pode acontecer e ainda nutre uma gota de esperança; mas, naquele momento, toda a esperança fora extraída de minha alma já sem cor e com pouca vida restante.

Apesar de me sentir sem chão, sorria enquanto ele contava sobre como a conheceu durante um passeio pelo parque que ficava perto de sua faculdade e como se apaixonaram perdidamente desde então – duas semanas atrás. Gostaria de dizer que nesse curto período de tempo é impossível se apaixonar assim, mas pareceria com inveja ou ciúme então apenas o parabenizei e finalmente dei uma desculpa de estar com muito sono e precisar dormir, não pude escapar de um último pedido.

– Hyung, quero que a conheça – ele segurava meu pulso para que eu não entrasse para meu quarto antes de o responder, o que era exatamente o que estava planejando. Questionei o porquê de tal pedido e ele respondeu – Preciso da sua aprovação, afinal, você é meu melhor amigo – a cada dia que se passava o ódio pela palavra amigo aumentava – Ela se parece muito com você, os gostos também são semelhantes, vocês vão se dar muito bem.

– Então seu tipo ideal é uma garota que se pareça comigo, Jeongminnie – ri tentando disfarçar qualquer coisa que pudesse transparecer daquela conversa horrível.

– Claro, como seria outro? – também riu e me soltou, me desejando boa noite, o qual respondi num último suspiro desacompanhado de lágrimas.

Entrei no meu quarto e imediatamente entrei em baixo das cobertas, escondendo meu rosto para que pudesse apenas chorar com um pouco de privacidade. Isso era um grande problema em morar num dormitório, se alguem visse me perguntaria o que aconteceu e eu não queria dizer a verdade, além de nunca ter sido um bom mentiroso. A única alternativa era torcer para ser invisivel por algumas horas.

Consegui esconder as lágrimas, mas não consegui esconder o estado horrível em que me encontrava nos dias seguintes. Até quando me olhava no espelho parecia que eu havia sido atropelado por um trem, e realmente havia, um trem chamado Lee Jeongmin. Que passou por cima de mim sem dó e sem perceber o dano que tinha causado, seguiu sua viagem à heterolândia tranquilamente.

Todos me perguntavam o que aconteceu com meus olhos e nariz vermelhos, eu apenas respondia que estava cansado. Era fácil de acreditar, pois realmente aquela agenda toda era feita para destruir o ânimo de qualquer pessoa, e fácil de mentir porque uma parte era verdade. Minha mentira não pareceu convencer Jeongmin, ele continuou a me perguntar o que estava acontecendo. Depois de vinte minutos recebendo inúmeros “Nada” como resposta, resolveu desistir e mudar de assunto.

Depois de Jeongmin contar a novidade a todos, Kwangmin me olhou, recebendo a resposta que queria há poucos dias atrás. Nem precisava confirmar a resposta, mas mesmo assim me arrastou até o banheiro, onde ele me consolou enquanto eu chorava mais um pouco. Dizia que eu deveria arrumar alguém – outra vez – e que deveria esquecer Jeongmin de uma vez por todas, eu concordava dizendo que com certeza faria isso. O problema é que falar era sempre mais fácil que fazer.

Os dias passavam normalmente, já me acostumava com a tristeza, apesar de não supera-la, sua presença frequente já se tornava de fácil controle para mim. Até o momento que Jeongmin me perguntou se eu poderia sair com ele e sua namorada no dia seguinte. Como negar algo àquele lindo sorriso? Era impossível. Aceitei tranquilamente e voltei a lavar a louça, tarefa que executava antes do convite. Chorava ainda mais, o controle não mais permanecia depois daquilo.

X

            Coloquei minhas melhores roupas – na minha opinião – para conhecer minha adversária. Pensei em me parecer com um legítimo macho de quem as meninas tem medo, talvez ela se afastasse de Jeongmin caso eu a amedrontasse o suficiente. Aquilo parecia impossível na minha mente, mas tentar não ia custar nada. Com minha jaqueta preta de couro, calças também pretas, uma regata branca por baixo e cabelos num topete sendo jogados para cima, fiz o que pude para ser o homem mais másculo de todo o paìs. Jeongmin entrou no quarto e vi apenas seu reflexo no espelho, lindo, como sempre, com aquele estilo despojado e delicado ao mesmo tempo, os olhos expressivos perfeitamente delineados, os cabelos alinhados que se encaixavam perfeitamente em sua figura e o sorriso, que fazia meu coração acelerar ou parar, não tinha muita certeza, não conseguia prestar atenção nas movimentações dos orgãos internos com aquela perfeição em frente aos meus olhos.

– Está bonito, hyung. Até parece que quem vai se encontrar com a namorada é você – riu enquanto se aproximava e pegava um lápis de olho para me ajudar a aplicar. Sabia que eu era horrível manuseando essas coisas.

– Apenas quero que ela tenha uma boa impressão de mim – tão boa que desista de você, vá embora e deixe meu caminho livre novamente.

– Ela vai te adorar, quem não adoraria? – ‘muitas pessoas’ pensei, mas apenas sorri e continuei em silêncio até que ele terminasse minha maquiagem – Pronto, podemos ir? –  concordei e deixamos o dormitório.

X

            Marcamos o “encontro” em um café perto do dormitório. Logo que entramos, vi uma garota sorrindo e acenando em nossa direção, Jeongmin acenou de volta e fomos em direção a ela. Quando chegamos, ela sorriu para mim e se curvou. Era muito bonita, cabelos longos, castanhos e levemente ondulados, uma maquiagem leve, mas bem feita, era baixa (Claro, Jeongmin nunca namoraria uma garota muito alta, ou ele pareceria ainda menor), super fofa e delicada, um esteriótipo de garota perfeita, que pelo que escutava, todos os garotos sonhavam. Talvez Jeongmin tivesse medo que eu ficasse interessado nela se não soubesse que não me interessaria nem se fosse a mulher mais bonita do mundo.

Fiquei com muita inveja. Sabia que aquela garota na minha frente poderia dar a Jeongmin tudo o que ele sonhasse em um relacionamento, enquanto eu não poderia dar nada. Não podia lhe dar uma familia, nada que fosse socialmente aceitável e nem mesmo sexo, nem uma vagina eu tinha. A única coisa que eu tinha era decepção. Fui tirado de meus pensamentos.

– Myungsook, esse é meu melhor amigo, Hyunseong – dizia sorrindo – Hyunseong, essa é minha namorada, Myungsook – ouvir aquilo doeu mais que eu imaginava. Pensei que não poderia ser pior que quando ele me deu a grande notícia pela primeira vez, estava errado.

Mas apenas sorri e disse que estava lisonjeado em conhece-la. Naquele momento me senti um ótimo ator pois minha vontade era pular no pescoço dela a qualquer momento. Não que eu fosse fazer minha vontade, nunca agia como um descontrolado.

Conversamos enquanto eu tomava meu frappucino e tentava me concentrar em Jeongmin e fingir que aquela garota nem estava ali. Não adiantou muito, ela me perguntava muitas coisas, queria dizer “Minha vida não te interessa, querida” mas apenas respondia educadamente.

Antes de sairmos, Jeongmin insistiu em pagar, o que era estranho já que ele sempre me fazia pagar tudo o que comprava, se dirigiu até o balcão e nos deixou sozinhos por uns minutos. Tinha algo que eu precisava dizer.

– Myungsook – ela, que estava mexendo no celular, me olhou esperando que continuasse – Pode me prometer uma coisa? – assentiu com a cabeça – Por favor, cuide bem de Jeongmin. Ele já teve algumas decepções amorosas, não quero ve-lo machucado de novo.

Foi a primeira vez que fui sincero o dia todo. Apesar de todo o ciúmes e inveja que sentia no momento, o que eu mais queria era ver Jeongmin feliz, sabia muito bem que não seria eu a trazer aquela felicidade, então era melhor te-la com outra pessoa.

– Você gosta muito dele, não é? – concordei – Ele sempre fala de você com muito carinho. Não se preocupe, vou cuidar dele.

Jeongmin falava de mim para sua namorada? Essa ideia realmente nunca havia passado pela minha mente. Achava que ele só lembrava de mim quando queria algo, ele é sempre tão indiferente a tudo. Mas talvez ao menos nossa amizade importasse de verdade para ele.

Finalmente fomos para casa, no caminho, Jeongmin ficava me perguntando o que eu tinha achado de Myungsook. Apenas disse a verdade, que a achei bonita e que ela parecia ser legal. Ele sorria, parecia estar feliz de verdade com ela. Aquilo me deixava feliz no fundo, bem no fundo do meu coração, apenas uma pequena ponta do fundo, o resto queria apenas deitar e ficar chorando para sempre.

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