One Shot – As Flores e os Zéfiros

Os dias se passavam lentamente em Alfheim, ainda mais para quem não tinha uma função.

A floresta era um lugar magnífico, sua terra era verde, as águas cristalinas e a temperatura sempre ideal, graças a todos os elfos que faziam tudo que podiam para deixar aquele lugar sempre perfeito e na maioria das vezes usavam seus dons conjuntos com a natureza para o bem comum.

Todo elfo já sabia com qual elemento tinha afinidade, pois nasciam dele. Quando um elfo completava seus 15 anos, já era hora começar a treinar para realizar a conexão e trabalhar durante toda sua vida com seu elemento. Não demorava muito para que se conectassem com sua natureza. Pelo menos deveria ser assim com todo mundo.

Hyunseong já sabia há muito tempo que era um filho do Ar, mas já tinha 24 anos e não conseguira sua mágica ainda. Sua irmã do Ar e vizinha Hyosung, sempre lhe dava conselhos, dizia que ele precisava continuar tentando e o fazia ir sempre para lugares altos para sentir seu elemento em sua maior força e se comunicar com ele. Nunca funcionava.

Os outros moradores da floresta o olhavam com pena, era óbvio para eles que ele nunca conseguiria ser um verdadeiro filho do Ar, que algo dentro dele sempre o impediria disso. Mas ele não podia parar de tentar, era sua função principal como um elfo, afinal.

Durante os longos anos que procurava seu elemento, pensava sempre em desistir. As vezes queria encontrar outro elfo que pudesse passar a vida com ele e descobrir o sentimento que outras espécies chamavam de amor.

Na verdade era seu sonho desde sempre, queria amar.

Mas os elfos não amavam uns aos outros dessa forma, eles viviam apenas para se conectar a natureza e trazer harmonia para o planeta. Esse pensamento logo saia de sua mente e ele se esforçava para focar em seu principal objetivo novamente.

Por isso, resolvera naquela manha tentar meditar na montanha mais alta de Alfheim, a montanha Parnes. Ainda tinha esperanças de ser aceito pelo Ar por ir tão longe e tão alto apenas para ter sua aprovação. O caminho era longo, mas ele sempre gostou de caminhar e admirar a paisagem a sua volta, principalmente aquela do caminho até a montanha, pois nunca andara por ali antes.

Era lindo, principalmente a vegetação, sabia que muitos elfos filhos da Terra moravam ali, e cuidavam muito bem de seu território, apesar de também cuidar de toda a floresta, suas casas eram lugares especiais.

Não pôde deixar de observar um lindo e enorme canteiro de flores. Era incrivelmente colorido e belo, sabia que ali havia flores de todos os tipos, apesar de não entender muito sobre elas. Parou para sentir a mistura de cheiros e observá-las mais de perto.

Uma flor em especial chamou sua atenção, ela tinha uma cor rosada que degradava de tom em suas pétalas, tão delicada que parecia ter sido pintada a mão pela mais habilidosa artesã. Ao ver tão bela flor, pensou que a pessoa que a cultivava não sentiria falta se levasse uma consigo, tinha muitas outras, afinal.

Se moveu para tira-la do solo, abaixando-se para chegar mais perto de seu caule, quando sentiu uma mão em seu ombro. Com certeza não era ninguém conhecido, já que estava em uma parte distante da floresta, onde não conhecia ninguém. Não precisava ser um gênio para constatar que se tratava do dono das flores. Suspirou fundo, não esperava ser pego mexendo nas flores de outra pessoa assim, se sentia culpado, apesar de, tecnicamente, não ter feito nada ainda.

Finalmente resolveu olhar para trás, já preparado para dar milhões de desculpas. Se esqueceu de tudo que formulara ao olhar para o elfo que o encarava em pé com as sobrancelhas erguidas.

Nunca poderia imaginar que o dono das flores fosse mais bonito que todas as suas criações naquele jardim.

Ele tinha os cabelos castanhos e lisos, os olhos pequenos e brilhantes e a boca perfeitamente desenhada e rosada. Usava roupas verdes, como a maioria dos filhos da Terra. Era uma presença simplesmente cintilante.

– Se desejar alguma coisa no meu jardim seria melhor falar comigo primeiro, não acha? – ele disse em tom de acusação. Hyunseong não poderia culpá-lo, ele estava prestes a pegar uma flor sem sua permissão.

– Me desculpe, não quis parecer rude, eu só… – respondeu rapidamente e gaguejando um pouco.

– Você só… – fez movimentos circulares com a mão esquerda, indicando que queria que terminasse de falar.

– Só achei suas flores muito bonitas, queria levar uma comigo e achei que não sentiria falta, me desculpe – terminou de falar com a cabeça baixa, ainda com vergonha do que fizera.

– Tudo bem – ele suspirou, relaxando um pouco, pareceu satisfeito com a explicação do outro – Da próxima vez que quiser alguma flor apenas peça primeiro.

– Claro, me desculpe mesmo – disse, se levantando. Viu que era mais alto que o outro elfo, que parecia bem mais fofo e menos assustador desse ângulo.

– Você é mesmo daqui? – indagou curioso – Não consigo sentir a magia em você.

– Sou sim, moro mais ao norte. E a falta de magia, é uma longa história.

– Se importaria de me dizer? Nunca vi um elfo adulto sem magia por aqui e fiquei curioso.

Hyunseong não sabia se devia dizer ou não. O garoto havia pedido tão educadamente e ele era tão lindo, era difícil recusar qualquer pedido assim. Mas por outro lado não queria outra pessoa o julgando.

Olhou nos olhos brilhantes do outro que refletiam a mais pura curiosidade e animação e resolveu que uma pessoa a mais sabendo sobre sua história não faria mal. Contou tudo ao outro, que ao contrário do que pensou não o olhou com pena, mas sim com animação ao lhe dar um conselho.

– Uau, é muito raro que isso aconteça, tenho certeza que o Ar está preparando algo tão especial pra você que você deve se preparar muito para receber – Hyunseong riu disso, achou fascinante a forma como o filho da Terra via as coisas.

– Nunca pensei por esse lado, mas você pode estar certo, obrigado – sorriu e o outro sorriu de volta, um sorriso tão brilhante quanto o dono.

– Não foi nada, obrigado por compartilhar sua história comigo – o filho do Ar ainda estava sem ar fitando o belo sorriso a sua frente. Resolveu ir embora rapidamente antes que ficasse tarde.

– Preciso ir agora, adeus.

Foi embora a passos rápidos sem dar tempo para que o filho da Terra dissesse algo, ele apenas respondeu com um aceno de mão.  Por mais que ele tivesse sido tão simpático, ainda não acreditava que passara vergonha na frente de um elfo tão belo como aquele. Tinha certeza que demoraria mais de uma semana para esquecer aquilo. Ou mais, já que teria que passar pelo jardim do outro todos os dias enquanto estivesse fazendo suas meditações na montanha.

Enquanto subia, tentava esvaziar sua mente, pois precisaria dela livre de qualquer preocupação pelo resto da tarde. Não foi difícil, já estava acostumado a se concentrar todos os dias para aquilo. Era como um ritual, limpar a mente, se sentar ali no solo e se concentrar para sentir o Ar em sua volta.

Ficava ali tentando se conectar com seu elemento, fazendo tudo que Hyosung lhe ensinara. Abria sua mente para que o Ar pudesse lê-la e tentava dividir todos seus sentimentos com ele.

Depois de muito tentar resolveu abrir os olhos e viu que já escurecia. Suspirou, outro dia sem sucesso, mas ainda continuaria indo àquele lugar pelo menos por duas semanas, era sua última esperança. Começava a acreditar que realmente não era capaz de se conectar com seu elemento e que precisaria encontrar outra função que não fosse guiar os ventos pela floresta.

Avistou novamente o jardim mais lindo da floresta enquanto voltava. Se lembrou do lindo elfo e percebeu que ao menos tinha se apresentado ou perguntado o nome dele. Mas teria que passar por ali todos os dias de qualquer jeito, talvez tivesse a sorte de vê-lo novamente.

 

X

 

O sol nascia mais uma vez e Hyunseong seguia para sua rotina diária interminável. Ouviu mais uma vez os conselhos de Hyosung sobre como meditar e sobre como deveria voltar cedo pois era perigoso ficar fora de casa quando não havia luz solar. Já ouvira aquilo milhares de vezes mas sempre escutava com atenção, ele sabia que ela só estava sendo cuidadosa.

Naquele dia, andou mais rápido para chegar ao seu destino, qual não sabia exatamente se era a montanha ou o jardim. Tentou não se animar tanto para rever o elfo filho da Terra, pois o outro poderia nem estar lá, ou estar e ignorá-lo.

Mas em pouco tempo já podia ver o jardim e o elfo ali, tomando conta de suas plantas, logo ficou animado novamente.

Quando chegou perto do canteiro, se sentiu do mesmo jeito que da primeira vez. Hipnotizado pelas cores e estonteado pelos aromas. O elfo dono do lugar estava distraído com seu trabalho e não percebeu Hyunseong se aproximando. Ele já começava a pensar que era melhor deixar o outro trabalhando e seguir seu caminho quando o outro o olhou e exibiu um sorriso radiante.

– Achei que você não viria logo – ele riu ao sair do meio das flores e se aproximar do outro. Hyunseong não sabia se estava imaginando ele dizendo que o esperou ali – Me dei conta que nem perguntei seu nome ontem.

– É Hyunseong – hesitou um pouco, ficava nervoso perto dele.

– Prazer, meu nome é Jeongmin – estendeu a mão para cumprimentá-lo e logo foi correspondido.

– Prazer, também esperava que você estivesse aqui fora quando eu passasse – Jeongmin riu e Hyunseong pôde ver suas bochechas um pouco rosadas.

– Que bom que ambos estamos aqui então. Na verdade queria te dar uma coisa – ele se abaixou no nível das flores. O filho do Ar estava curioso, tentou olhar o que ele estava fazendo ali sem sucesso. Apenas viu que ele segurava uma flor quando se levantou, a mesma que Hyunseong tentou pegar no dia anterior – Você gostou dessa não é? Pode ficar com ela.

Hyunseong ficou chocado, não imaginava que o mais baixo lhe daria uma de suas flores assim. Ele as cultivava com tanto carinho e Hyunseong era só um estranho que passara pela sua casa duas vezes.

– Jeongmin… muito obrigado, ela é linda – disse aproximando a flor de seu nariz para senti-la, depois de seus olhos para observá-la de perto.

– Não é nada – ele riu – As flores sempre me alegram, imaginei que pudessem te alegrar também e te dar sorte na montanha hoje.

– Tenho certeza que vai, obrigado novamente.

Se despediram de forma mais calorosa dessa vez, com um aperto forte de mão. Hyunseong não podia negar que queria dar um abraço no outro elfo, mas claro, não teve coragem. Já se sentia próximo de Jeongmin por mais que tivesse o visto apenas duas vezes. Queria conhecê-lo melhor.

A oportunidade para isso veio no dia seguinte, quando saiu de casa mais cedo a fim de ter mais tempo com o filho da Terra. O elfo lhe convidou para um chá e o outro aceitou prontamente, ainda um pouco nervoso por entrar em sua casa pela primeira vez.

Era um casebre todo decorado por flores do lado de fora, Hyunseong não sabia exatamente como as flores ficavam agarradas a parede, mas o importante no momento era que deixava a casa lindíssima. Por dentro, as paredes não tinham tantos enfeites, mas sim prateleiras e estantes cheias de livros, parecia uma pequena biblioteca.

Jeongmin preparou um chá de camomila para eles, estava delicioso e Hyunseong não pôde deixar de perguntar se a flor usada ali também era cultivada em seu jardim, a resposta foi sim, obviamente.

– Você precisa ir a que horas? – Jeongmin perguntou tomando mais um gole de seu chá.

– Acho que não posso demorar muito – respondeu de cabeça baixa.

– Está desanimado para encontrar o Ar hoje?

– Pra ser sincero nunca estou muito animado – Jeongmin o encarou com os olhos arregalados. Como um elfo não queria se conectar com seu elemento? – É só que – suspirou antes de continuar – Já faz nove anos que tento me conectar e nada funciona, Jeongmin, as vezes acho que nunca vou conseguir.

Era a primeira vez que dizia isso em voz alta. Não queria falar sobre com alguém de sua aldeia, todos ficariam decepcionados. Mas considerando a reação de Jeongmin quando lhe contou sobre sua falta de mágica, deu um voto de confiança e contou, pensara que ele agiria diferente.

E Hyunseong logo percebeu que estava certo. O outro elfo o olhava compreensivo, ao invés de desapontado. Não disse nada por um bom tempo, talvez ponderando o que deveria falar.

– Sabe, eu também demorei a me conectar com a Terra, consegui apenas aos vinte anos.

– Mesmo? Parece que você faz isso há tanto tempo – o outro riu por seu espanto.

– Faz apenas três anos que estou conectado, também achei que nunca fosse conseguir – dizia olhando para sua caneca enquanto circulava seu dedo indicador na borda dela – Quer saber como consegui? – levantou o olhar ao perguntar e Hyunseong meneou a cabeça afirmativamente. Então ele começou a falar de novo – Desde que descobri que era um filho da Terra comecei a estudar muito. A Terra exige sabedoria de seus escolhidos, então passei a me dedicar a isso. Como você pode ver, tem muitos livros aqui, já li todos, e nenhum deles me trouxe a conexão. Eu não entendia o que fazia de errado para ser rejeitado pela Terra assim, até conhecer um velho amigo. Ele já era um filho da Terra há muitos anos, então lhe pedi conselhos sobre como me conectar e ele me respondeu que eu deveria me abrir a Terra e entender o verdadeiro significado de sabedoria.

– E qual era o significado? – estava curioso para o final da história.

– Depois de aprender muitas coisas desse amigo, o pedi a recomendação de algum livro, ele me disse que nunca lera um na vida pois não sabia ler – Hyunseong arregalou aos olhos ao ouvir, nunca conheceu um filho da Terra que não soubesse ler – Fiquei muito chocado quando soube, mas finalmente percebi que sabedoria não é só se afundar em livros, mas também viver, experimentar e aprender com isso. Não demorou muito para conseguir me conectar depois que cheguei a essa conclusão.

– Uau, que incrível – Jeongmin riu do modo exagerado que o mais velho falou – Você acha que esse pode ser meu problema? Que eu não tenha descoberto o que é coragem ainda?

– Pode ser, por isso te contei isso, é importante estar pleno em sua virtude para se conectar.

– Obrigado pelos conselhos Jeongmin, você realmente é sábio, a Terra deve estar orgulhosa – disse sorrindo e viu as bochechas de Jeongmin corarem, o que o fez sorrir ainda mais.

– Não diga coisas assim! – o repreendeu mas acabou rindo também.

Hyunseong não foi até a montanha naquele dia, nem nos seguintes.

Decidiu que já era inútil meditar todos os dias como sempre fizera. Já fazia a mesma coisa por anos e nunca teve resultado. Ao invés disso, passava os dias com Jeongmin, que se comprometeu a ajudá-lo com isso.

As vezes ficavam em sua casa, procurando uma resposta em vários de seus livros e as vezes saiam e Jeongmin o fazia subir em árvores ou atravessar rios para provar sua coragem ao Ar. Nada disso adiantava, mas não se arrependia de ter mudado sua tática, ao contrário dos longos dias de meditação, tentar coisas novas com Jeongmin era muito divertido. Ele estava cada dia mais afeiçoado àqueles olhos brilhantes e sempre que descobria algo novo gostava do filho da Terra ainda mais.

Como quando entrou no lago perto do jardim e o puxou junto. Nesse dia descobriu que Jeongmin não sabia nadar e o outro ficara muito bravo, não por muito tempo, logo Hyunseong o guiava pela água de mãos dadas com ele e os dois se divertiram.

Também descobriu que Jeongmin apesar de amar seus livros, não organizava-os como deveria. Passou uma tarde toda arrumando todas as estantes enquanto Jeongmin reclamava que aquilo atrapalharia seu processo criativo. No final do dia ganhou uma flor pequena e amarela como agradecimento. O mais novo também disse que devia guardá-la para não se esquecer dele quando voltasse pra casa. Mesmo que Hyunseong não precisasse de nada para pensar nele o tempo todo.

Naquela noite de verão, descobrira que Jeongmin amava observar a natureza sob a luz da Lua e era apaixonado pelas estrelas. A maioria dos elfos preferia ficar em casa durante a noite, eram seres estritamente diurnos, então Hyunseong sempre ficou também. Mas naquela noite se viu deitado na grama ao lado de Jeongmin, contemplando a beleza do céu noturno.

– É lindo não é? – Jeongmin perguntou ao fita-lo.

– Sim, ainda não acredito que fiquei todo esse tempo sem perceber tanta beleza.

– Fico feliz que tenha gostado, agora posso ter companhia para observar as estrelas.

Apenas sorriu enquanto olhava para Jeongmin. Sua beleza era mais estonteante que a das estrelas, se sentia o elfo mais sortudo do mundo por poder passar todos os dias com ele.

Estavam muito perto um do outro, Hyunseong conseguia sentir a respiração dele em seus lábios e ver o brilho de seus olhos que tanto amava perfeitamente. Mal percebeu quando a boca dele tocou a sua.

Não conseguiu pensar em nada além de como era bom estar tão perto de Jeongmin quando retribuiu o beijo. Sua mente desligou o raciocínio e se focou nas sensações. Sua barriga que parecia ter borboletas voando dentro dela, seu coração que batia rápido como nunca antes e principalmente seus lábios, que só queriam sentir ainda mais o outro e mergulhar em todos aqueles sentimentos novos e maravilhosos.

Quando se separaram, viu Jeongmin ainda de olhos fechados e com a boca mais rosada que o nomal, por conta do que acabara de acontecer. Sua expressão era serena e Hyunseong pensou que ele estava mais lindo do que nunca, apenas conseguia reproduzir na sua mente três palavras que insistiam em sair pela sua boca, “Eu te amo”. Logo conseguiu sair do transe e percebeu o que fizeram. Ficou assustado.

Aquilo era errado, deveria estar a procura do Ar ao invés de estar ali, se perdendo em tudo que Jeongmin o fazia sentir.

Se levantou e saiu dali o mais rápido que podia, ignorando os chamados do filho da Terra pedindo que voltasse, precisava de um tempo sozinho.

 

X

 

Hyunseong se sentia pesado por tantos sentimentos que se acumulavam dentro de si na última semana. Estava com saudades de Jeongmin, não o via desde o dia em que se beijaram. Também sentia culpa, por ter deixado o filho da Terra sozinho daquele jeito sem nenhuma explicação da sua parte. Mas o que mais pesava era o medo, queria não saber o que estava sentindo e voltar no tempo para nunca conhecer Jeongmin, não estava pronto para sentir tudo aquilo.

Passou dias trancado em sua casa, se comunicando apenas com Hyosung, que insistia em fazer companhia para o elfo mais novo ao menos por pouco tempo durante o dia.

Ele contou tudo que acontecera a irmã, ela não o julgou, afinal, já imaginava que o outro filho do Ar logo se apaixonaria, sempre viu esse desejo nele.

Em uma de suas conversas Hyosung o disse algo que finalmente o faria entender tudo.

– Hyunseong, eu não entendo por que você não tem coragem de se declarar para ele – o outro que estava cabisbaixo de repente a olhou surpreso fazendo com que ela parasse de falar – O que foi?

– Eu não tenho coragem – repetiu.

– Sim, foi isso que eu disse – ficou em silêncio até se dar conta também – É por isso que você não conseguiu se conectar ainda.

– O que eu faço, Hyosung? – apesar de ter descoberto o motivo de não ser aceito pelo seu elemento ainda estava confuso.

– Vá falar com ele! É o que o Ar quer que você faça, seu medo não era ser rejeitado caso amasse Jeongmin? – o elfo confirmou com um gesto – Agora não precisa mais se preocupar com isso, vá!

– Você acha mesmo que eu deva ir? – a mais velha o olhou com as sobrancelhas arqueadas.

– Precisa que eu te leve até lá de mãos dadas? – Hyunseong sabia que ela realmente faria isso se ele não saísse dali naquele momento.

– Não é necessário – se levantou para abraçar a irmã – Obrigado Hyosung, não sei o que faria sem você.

– Provavelmente não muita coisa – riu – Vá logo.

Então ele seguiu para a casa de Jeongmin e esperou que ele o perdoasse pela última vez que se viram.

O jardim estava lindo como sempre, mas o dono dele não estava cuidando das flores como habitualmente fazia. Ele estava sentado ao pé de uma árvore grande um pouco afastada do jardim, apenas olhando para cima, observando as nuvens, provavelmente.

Se aproximou e logo que Jeongmin percebeu sua presença se abaixou para abraçá-lo.

– Jeongmin, me desculpe por ter fugido naquele dia, por favor, eu estava assustado, me desculpe.

– Calma, Hyunseong, você vai me sufocar – disse rindo levemente e logo o filho do Ar soltou-o do abraço murmurando desculpas novamente – Não estou bravo com você, imaginei que fugira por isso, pude ver que estava nervoso, eu também me senti assim para ser sincero.

– Mesmo?

– Claro, quem não estaria? – Hyunseong concordou e os dois ficaram em silêncio. O filho do Ar procurava a coragem dentro de si para dizer o que queria ao outro elfo.

– Jeongmin… eu vim aqui para te dizer algo – hesitou e Jeongmin o olhava esperando que continuasse – Não sei se você sente o mesmo mas preciso dizer que te amo.

Jeongmin não pôde deixar de sorrir ao ouvir aquilo e responder com as mesmas palavras que também o amava, agora arrancando sorrisos dos dois elfos.

De repente sentiram um vento forte em volta da árvore onde estavam, ele fazia um movimento circular e logo o ar estava cheio de pólen. Hyunseong estava confuso, como um vento conseguiria ser tão forte para trazer pólen de tão longe?

– Hyunseong, foi você não foi? – o mais novo perguntou ao outro que não conseguiu responder, não tinha ideia do que acontecia naquele momento – Tente fazer parar – ele fez como Jeongmin pediu, apenas mentalizou o movimento da corrente de ar e em seguida movimentos menos abruptos, sentindo que o vento seguia os movimentos que mentalizava.

– Fui eu – olhava para suas mãos sem acreditar no que acabara de acontecer, finalmente se conectou com o Ar.

Quando olhou para Jeongmin novamente o viu sorrindo e sorriu também. Não demorou muito para que o outro colasse os lábios nos seus, num selo tão doce e apaixonante quanto o último que compartilharam.

– Estou tão orgulhoso, sempre te disse que o Ar tinha algo especial planejado para você, mas os Zéfiros foram realmente uma surpresa.

– Você acha que a Terra e o Ar fizeram nossas habilidades serem adjacentes de propósito?

– Com certeza sim – os dois riram antes de juntarem seus lábios novamente em outro beijo.

Muitos outros beijos ainda viriam depois dos primeiros, fazendo os dois elfos se tornarem complementares assim como os Zéfiros e as flores devem ser.

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