Love Game – Capítulo I

Todos os defeitos de um homem perfeito

Olhando para ele agora, consigo me lembrar de todos os sentimentos ,que apenas por ver esse lindo rosto, tomavam conta da minha mente, do meu coração, de cada célula do meu corpo. Todos os arrepios que sua voz me causava, como se cada palavra fosse um feitiço para que eu me apaixonasse cada dia mais e mais. Me lembro de tudo que senti por todos esses anos, amor, ódio, um misto dos dois.

Amor, não há nada que eu conseguisse não amar em Jeongmin, ele era perfeito, desde sua aparência, até sua personalidade, que eu costumo comparar a um raio de Sol, sempre aquecendo e iluminando meus dias. Como um milagre que veio até mim me mostrar sentimentos que eu nunca imaginei como fossem e nunca pensei em um dia sentir em tamanha proporção e força.

E ódio, ódio por amar quem eu não podia, não devia. Ódio por saber que iria sofrer e não conseguir me conter para deixar tudo isso fora de mim. Por ele ser tão maravilhoso que mesmo odiando o que eu sentia, não conseguir deixar de ama-lo, como um vício, vício por sofrer, uma espécie de masoquismo que me destruía a cada segundo.

Por tudo isso, me odiava, mas nunca o odiaria, afinal, ele não tem a mínima culpa por eu ser apaixonado por ele desde que o conheci, há pouco mais de dois anos atrás, e que desde então minha mente é regada a uma confusão sem fim. Ele não pediu por isso, assim como eu nunca pedi, a culpa não é de ninguem, talvez eu apenas merecesse isso, talvez as forças superiores decidiram que eu merecia. Ou talvez não havia motivo nenhum, simplesmente era daquele jeito.

As coisas eram exatamente como estavam agora, nós dois, abraçados no sofá, ele dormindo e sonhando, confiando que está perto de seu melhor amigo, enquanto eu, acordado, sei das reais intenções de toda proximidade e penso em tudo que realmente sinto e ele não tem ideia. Sempre tentava me aproximar dele sem exceder os limites da amizade, afinal, ele confiava em mim, apesar de saber da minha orientação sexual, e nunca me julgou nem por um segundo, ao contrário de todas as outras pessoas que acabaram descobrindo. Essa era uma das razões pela qual somos tão próximos e porque sempre me sinto confortável com ele. Era como se ele fosse a única pessoa que me conhecesse bem e aceitasse tudo em mim, eu podia ser cem por cento eu mesmo em sua presença. Ainda me lembro do primeiro dia que o vi, nosso primeiro dia no treinamento, ele se apresentou com aquele lindo sorriso no rosto e depois daquilo, nunca mais pude passar um dia sequer sem vê-lo, sem ouvir sua voz, sentir sua presença. O dia em que ele descobriu meu maior segredo e que nos tornamos melhores amigos também estará sempre guardado em minha memória.

X

 

– Hyunseong, você ainda não me disse por que não deu o telefone para aquela trainee linda, você já tem namorada? Alguém em vista? – ele já me perguntou isso mais de cem vezes durante dois dias, eu já não aguentava mais ouvir aquela conversa sobre garotas, parece que ele não ia parar até que eu dissesse o real motivo, e eu não queria dizer.

– Não tenho ninguém, Jeongmin, eu só não gosto, apenas isso – me olhou como se analisando se eu estava falando a verdade, e eu estava, estava apenas omitindo algumas palavras para meu próprio bem.

– Não gosta de que? Você não pode dizer que não gosta dela, hyung, você nem a conhece! Dê uma chance – eu já estava a ponto de explodir e resolvi simplesmente falar tudo e correr o risco de nunca ter sua amizade novamente. Antes de responder, fui até a porta da sala de ensaios ver se não tinha ninguém andando por perto que pudesse ouvir. Provavelmente não haveria, já que naquele dia, nós dois resolvemos ficar praticando a nova música pedida na aula até tarde, e ninguém mais estava por perto ensaiando. Mesmo assim, nunca é bom arriscar.

– Jeongmin, vou te contar uma coisa, sei que você provavelmente nunca mais vai falar comigo, vai me odiar, mas preciso que me prometa que vai guardar segredo – ele parecia assustado e nervoso, mas tinha certeza que mais nervoso que eu ele não podia estar. Minhas mãos estavam suando e as coisas giravam lentamente a minha volta. Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Você não é um serial killer, é? Por que eu não sei se conseguiria mentir se a polícia viesse me procurar – ri de sua suposição, sua imaginação ia sempre longe. Só imaginar aquilo em sua cabeça pareceu assusta-lo muito, então resolvi falar logo antes que ele se desesperasse demais.

– Não sou um assassino, não consigo matar nem uma barata – ele suspirou e pareceu mais aliviado, até a tensão tomar seus olhos novamente.

– Então você é um traficante de drogas famoso e procurado? Sério, Hyunseong, eu nunca vou conseguir guardar um segredo assim – ele não ia esperar eu falar até inventar histórias loucas em sua mente?

– Não é nada que possa me mandar para a cadeia, você não vai precisar mentir para polícia – ri e ficamos em silêncio. Poucos segundos que pareceram uma eternidade. Vi que ele estava esperando até que eu falasse algo. Respirei fundo antes de começar a falar – Jeongmin, eu… eu sou gay, vou entender se nunca mais quiser ficar perto de mim ou me ver, me desculpe – olhava para o chão e conseguia sentir as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos sempre que eu mencionava esse assunto.

– Você está chorando? – então senti seus braços me envolvendo num abraço forte, o que fez minhas lágrimas caírem ainda mais rapidamente – Por favor, não chore, hyung. Eu nunca deixaria de falar com você por isso – ficamos mais um tempo apenas parados até que eu me acalmasse um pouco.

– Mesmo? Você não se importa? – o olhei e ele sorria pra mim, em seus olhos pude ver que ele estava sendo sincero, que o que eu acabara de dizer não o afetava de nenhuma maneira.

– Claro que não. Mas você me assustou fazendo esse drama todo só por isso – ambos rimos e quando ele falava desse jeito eu senti que não havia mesmo nenhum problema naquilo e que só era uma grande coisa porque eu fazia parecer assim – Nunca tenha vergonha de quem você é, hyung, você é uma pessoa maravilhosa, não deixe nenhum babaca preconceituoso te fazer acreditar no contrário – concordei com a cabeça e o abracei de novo, ele retribuiu.

– Muito obrigada, Jeongminnie, ninguem fez isso por mim antes – ele se separou do meu abraço e olhou nos meus olhos sorrindo novamente.

– Agora alguém fez – e continuaria fazendo pelo resto dos anos.

X

Estava tão perdido em meus pensamentos que só percebi que ele já havia acordado quando ele me cutucou. Ainda com os olhos fechados pela falta de costume com a luz, tentava me olhar. Eu apenas sorri, amava o ver daquele jeito, natural, ele era maravilhoso nos momentos mais simples. Ele sorriu de volta.

– Dormiu bem, hyung? – na verdade nunca dormia quando tirávamos cochilos na sala, o olhar adormecido era bem melhor.

– Não dormi muito – respondi enquanto levantávamos e ele se espreguiçava. Fazendo seu corpo todo se arrepiar, e como consequência, o meu também se arrepiava.

– Por quê? – “Estava ocupado pensando no quanto eu te amo” seria a resposta verdadeira, mas eu sempre tinha uma invenção na língua para dizer quando ele me perguntava esse tipo de coisa.

– Insônia, como sempre – ele assentiu e sorriu maravilhosamente pela última vez antes de sair para seu quarto e continuar sua vida, onde só tinha uma hora por semana de tempo exclusivamente para mim, e eu não reclamava, enlouqueceria se ficasse por mais tempo tão próximo dele.

Já enlouquecia com ele até nos meus pensamentos.

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