Drabble – Listen to the rain

Ouvindo a chuva. Era isso que eu estava fazendo. E era essa uma das minhas atividades preferidas em dias de ócio.

A chuva tem vida.

A chuva conta histórias, tristes ou felizes.

A chuva guarda consigo os momentos mais inesquecíveis da minha vida.

Foi num dia de chuva que eu conheci Hyunseong.

Estava chovendo forte e estávamos os dois abrigados em baixo do toldo de uma loja qualquer. Quando o ouvi murmurar algo sobre seu cabelo estar arruinado agora, não pude deixar de rir. Ele me olhou, logo estávamos os dois rindo. Senti uma ligação com ele naquele momento, era estranho, não costumava ficar próximo de desconhecidos rapidamente. Não sei por que, naquele dia resolvi pedir seu telefone e prometer que ia lhe ligar em breve, mas fico feliz por ter feito isso.

Foi também num dia chuvoso que tivemos nosso primeiro encontro. Depois de tanto conversarmos por telefone, decidimos nos ver de novo. Fomos a um café no centro da cidade.  Naquele dia cheguei um pouco atrasado, ele já estava me esperando numa mesa com dois chocolates quentes em mãos. Fiquei impressionado por ele ter se lembrado que eu comentei vagamente que aquela era minha bebida favorita em uma conversa. Me lembro de como ele estava adoravelmente nervoso, derrubando quase tudo em que tocava e falando estranhamente rápido. Eu também estava um pouco inquieto, mas felizmente era melhor em esconder isso do que ele. Conversar pessoalmente era definitivamente melhor que por telefone, cheguei a essa conclusão naquele dia. No final, aquele encontro apenas resultou na certeza de que haveriam muitos outros.

E assim aconteceu. Depois disso, nossos encontros já não eram assim tão raros. Ficávamos muito tempo juntos e a cada vez que o via o sentimento era melhor. Sentia arrepios quando ouvia sua voz e todas as vezes que ele me abraçava, que não eram poucas. Um frio na barriga sempre que ele dizia que me amava, ou quando queria me proteger de tudo, parecia que queria me proteger até do vento. Quando estava com Hyunseong, sentia que nada podia me atingir, que nada de ruim ia me acontecer, só por ter ele por perto.

Numa chuva fina de julho foi quando nos beijamos pela primeira vez. Estávamos num parque onde costumávamos ir, cujo estava basicamente vazio devido ao tempo. Mas não havia problema para nós, um guarda chuva resolvia tudo, nunca perderíamos uma oportunidade de nos ver por um motivo tão banal. E eu ainda estava com a jaqueta de Hyunseong sobre a cabeça. Ele insistiu para que eu a usasse, para que não ficasse resfriado. Rebati dizendo que assim ele ficaria resfriado, mas no fim ele conseguiu me convencer com o argumento que eu era mais sensível com esse tipo de coisa.

Ficamos andando por um bom tempo dentro do parque, apenas jogando conversa fora, observando as árvores e o pouco movimento que havia nele, quando Hyunseong automaticamente se aproximou e selou meus lábios num movimento rápido. Assim que se afastou novamente pude ver seu rosto ficar em vários tons de rosa enquanto ele começava a se desculpar descontroladamente. Consegui apenas rir e me aproximar dele novamente para calá-lo com um beijo agora um pouco mais profundo. Pelo jeito que ele me olhou, ainda não tinha percebido que gostava dele há um tempo. Achei que fosse óbvio, mas ele nunca foi do tipo mais observador, então não me surpreendi.

Noutro dia quando uma tempestade caia, estávamos em minha casa jogando videogame. Eu o chamara ali por uma razão. Por mais que já planejasse o pedir em namoro há algum tempo, não conseguia deixar de me sentir nervoso. Ele ficou muito surpreso ao ouvir meu pedido, mas seus olhos brilharam com felicidade ao aceitar, fazendo meu coração se aquecer ao vê-lo tão feliz.

Fui interrompido em meus pensamentos por uma mão tocando em meus ombros. Olhei para o lado e vi Hyunseong me entregando uma xícara de café. Sorri ao pegar e sentir ele me abraçar logo em seguida.

– Sempre que vejo a chuva me lembro do dia que te conheci, Jeongminnie – ri ao constatar que não era o único que pensava sempre nisso.

– Estava pensando nisso agora mesmo – sussurrei já perto de seus lábios e me aproximei para um leve selar. Ambos sorrimos ao nos separar.

– Espero passar muitos dias de chuva ao seu lado.

– Vamos ficar juntos em todos que ainda pudermos ver – estendi meu dedo mindinho e ele repetiu o gesto, os juntando numa promessa um tanto infantil.

Uma promessa que se cumpriria até quando pudéssemos escutar a chuva caindo.

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