One Shot – Broken

Estava andando nos corredores lotados após uma cansativa aula de matemática e indo para outra cansativa aula de biologia. Mas não podia entrar na sala sem ver Hyunseong, é claro. Ele dizia não estar interessado em mim, mas eu sei que ele estava, qualquer pessoa desse mundo daria a alma para ficar comigo, era impossível que o único que eu quisesse ficar fosse diferente.

Fiz meu caminho até o armário 301, trajeto qual já sabia de cor. Ao chegar lá não acreditei no que vi. Hyunseong estava beijando alguma das garotas aleatórias da escola. Eu não sabia quem era, mas sabia que ela não ia beijar meu homem desse jeito.

Cheguei em frente ao armário e fiz questão de separa-los educadamente com as mãos.

– Com licença, querida. Gostaria de saber por que você está beijando meu namorado.

– Seu o que? – ela me olhava com aquela cara de piranha cínica, meu deus, como mulheres são irritantes.

– Não liga pra ele, Seolhyun, ele é só meu amigo.

– Amigo? Achei que já tivéssemos passado pela fase de ter vergonha do nosso relacionamento, hyung – então lhe dei um selinho que ele já estava acostumado então não reagiria.

– Então você é gay e só estava brincando comigo, Hyunseong? – a garota saiu de perto quase chorando. Por minha culpa, e eu não poderia me sentir melhor com isso.

– Finalmente ela foi embora.
– Jeongmin, você acabou de estragar o encontro que eu estava planejando há semanas.

– Estou apenas te poupando de experiências desagradáveis, hyung – cheguei perto dele, mas ele me empurrou antes de qualquer outro movimento.

– Eu já te disse mil vezes que não sou gay e que não gosto de você.

– E eu já te disse mil vezes que meu gaydar não falha.

– Sinto dizer que seu gaydar está com defeito – ele começou a andar, mas o puxei pelo pulso antes que pudesse dar mais dois passos.

– Então por que depois de todo esse tempo ainda somos melhores amigos?

– Porque eu gosto de você como amigo e nada mais – ele soltou seu pulso da minha mão e saiu andando em direção a sua próxima aula.

Por mais que já tivesse sido rejeitado várias vezes, sempre doía. Sou apaixonado por Hyunseong desde a sétima série quando nos conhecemos. Somos melhores amigos desde então, ao meu ver, já agimos praticamente como um casal, mas ao dele não. Ele sempre tenta arrumar alguma garota, como essa de hoje, não foi a primeira e não será a última. Fico confuso pensando se ele não aceita que me ama, ou se eu não aceito que estou sendo um otário por anos. Por mais que eu me magoe e seja rejeitado, algo me diz que não devo desistir dele. Desde que percebi meus sentimentos por ele, não consigo parar de pensar nisso. E em alguns momentos, ficamos tão próximos que me esqueço de todos os episódios da série “Somos só amigos” e acabo dizendo milhões e milhões de vezes as palavras eu te amo.

X
– Por que ele não gosta de mim, Minwoo? Você acha que não sou bonito o suficiente? – estávamos sentados no sofá da minha casa com um balde cheio de bolachas e jogando xbox.

– Achei que tivesse me convidado para jogar, não para ouvir sua baboseira gay – Minwoo só aceitava me visitar para jogar em meu xbox, já que não tinha um. Era amigo do videogame, não meu amigo.

– Meu deus, não posso falar nada em minha própria casa.

– Olha Jeongmin, já estou cansado de você chorando por isso o tempo todo, fale com ele seriamente e dê um ultimato para ele resolver seja lá o que ele esteja resolvendo, depois você vai ter sua resposta definitiva.

– Nossa, obrigada Minwoo, nunca pensei que realmente escutasse o que eu falo.

– Não posso bloquear meus ouvidos, infelizmente. Podemos voltar para o jogo? – concordei com a cabeça e passamos o resto da tarde jogando enquanto eu pensava no que fazer para resolver essa história.

X

Era sábado, e resolvi que seria o dia do fim da minha agonia. Parei na frente da casa de Hyunseong e toquei a campainha. A Sra. Shim, sempre sorridente, abriu a porta para mim e me informou que Hyunseong estava no quarto, como sempre.

Subi as escadas e quando cheguei em frente a porta parei e respirei fundo antes de abri-la. Assim que entrei, Hyunseong notou a minha presença e sorriu para mim. Por que ele fazia isso?

– Jeongmin, o que faz aqui? Se estiver atrás da cueca de arco íris de novo, ela não está comigo.

– Não, não vim pela cueca, só preciso falar com você.

– Sobre?

– Sobre tudo, tudo que envolve minha mente nos últimos quatro anos.

– Você quer dizer… aquilo de gostar de mim.

– Exatamente.

– Jeongmin, já te disse que não… – o interrompi antes da conclusão da frase.

– Não, pare de mentir para mim, por favor, preciso de uma resposta definitiva, Hyunseong, não aguento mais viver nessa dúvida. Como se fosse um idiota correndo atrás de você o tempo todo enquanto cada vez que você me afasta, me puxa para ainda mais perto depois. Preciso saber se devo continuar com meus sentimentos idiotas ou se devo sofrer ainda mais para afasta-los – não havia percebido, mas quando acabei de falar pude sentir as lágrimas descerem pelo meu rosto. Tentei esconder meus olhos, mas já era tarde para isso.

– Jeongmin, me desculpe. Não chore, por favor.

– Essa não é a primeira vez que choro por causa disso.

– Não imaginava que isso te magoava assim, você age como se nada pudesse te atingir.

– Mas pode – não conseguia pronuncia direito em meio ao choro – Só peço que seja sincero comigo sobre isso, de verdade.

– Eu não sei.

– Não sabe o que?

– Se gosto mesmo de você.

– Você sempre me disse que não gostava, por que nunca me disse isso?

– Também não sei, medo talvez, de como as coisas seriam se namorássemos. Medo de descobrir que seu gaydar está certo, de te beijar e ver que tudo o que eu tentei acreditar não era verdade. Todas as vezes que saia com uma garota só conseguia imaginar o momento em que você viria nos separar.

– Nunca pensei que se sentia assim. Mas eu não aguento mais essa dúvida, eu te amo tanto, Hyunseong.

– Eu… eu também te amo.

Ele disse que me ama? Era inacreditável ouvir aquilo depois de tantas frases contrárias.

Ao olhar em seus olhos percebi que também começava a chorar. Então ele chegou mais perto, tanto que eu conseguia sentir sua respiração em meus lábios enquanto ele acariciava meu rosto. Até que finalmente selou seus lábios nos meus, pela primeira vez por vontade própria. E pela primeira vez nos entregamos aos nossos sentimentos sem pensar em mais nada. Arrepios percorriam todo meu corpo e eu me sentia literalmente nas nuvens, como se nada pudesse me alcançar. Nunca imaginei que só um beijo pudesse causar essas sensações, por mais que já o tenha imaginado em inúmeros sonhos.

Nos separamos e nos olhamos, ele ainda parecia confuso, como se não conseguisse processar a ordem dos acontecimentos.

– Não devia ter feito isso, Jeongmin, me desculpe, eu me descontrolei e… – ele parou de falar abruptamente quando beijei sua bochecha.

– Tudo bem, eu já tenho minha resposta – sai do seu quarto sem esperar que ele dissesse algo, e depois de me despedir da Sra. Shim, fui andando até minha casa.

Minha resposta era: Sim, eu devia continuar lutando por esse amor. Ele estava confuso, e não sabia o que fazer, mas me amava. Ainda teria que ouvir muitos nãos até finalmente ter meu tão desejado amor verdadeiro, mas valia a pena. Não dizem que o que vem fácil, vai fácil? Então estava certo que para algo eterno era preciso aguentar mais algum tempo. Muito ou pouco, não importa, a única coisa que importa é que vou poder guardar esse sentimento dentro de mim para sempre.
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