Drabble – Sneaking In

Eram dez da noite. Ainda não acreditava que estava me preparando para dormir a essa hora, mas não conseguia parar em pé. Não havia dormido na noite passada e passei o dia como um zumbi. Um desperdício gastar a madrugada dormindo.

Saí do banheiro, onde estava escovando os dentes, para ir para a cama. Não antes de me encontrar com Hyunseong hyung apenas com uma toalha, prestes a tomar banho. Ele passou por mim, sorriu, e me cumprimentou me chamando de Jjomaennie, por mais que tivesse me visto há cinco minutos atrás.

Mas não consegui prestar atenção em nada disso, só consegui olhar para a parte descoberta do corpo dele. Resolvi então abrir uma fresta da porta. Ele já estava dentro do Box transparente com o chuveiro ligado.

Era impressionante como o hyung conseguiu esse corpo, ele malhava muito. No começo eu achava loucura, mas depois comecei a ver a parte boa dessa história de academia.

Acho que eu devia ter inveja, certo? Ou algo desse tipo. Não devia ficar arrepiado, com uma vontade quase incontrolável de tocar. Mas era impossível não ficar assim, ele é muito gostoso.

Enquanto assistia a água correndo por todo seu corpo, não pude conter pensamentos impuros que se formaram em minha mente. Vendo todas suas partes íntimas expostas daquele jeito me fazia lembrar de alguns filmes gay porn e querer reproduzi-los. Mas eu não podia simplesmente chegar e dizer “Hey hyung, vamos transar, que tal?”. Tenho quase certeza que ele mal sabe o que é sexo. Uma vez, pegamos Donghyun hyung vendo algum filme pornô e ele tapou os olhos com as mãos e saiu correndo, não acreditei que uma pessoa de 22 anos ficou tão chocada com aquilo. Definitivamente tentar algo não era uma opção. A única que me sobrava era olhar e imaginar.

Só fui acordado do transe quando Hyunseong desligou o chuveiro, abriu a porta do box e olhou diretamente para mim.

– Jeongmin, o que está fazendo ai? – fiquei em pânico, o que ia dizer? Que estava heterossexualmente e amigavelmente o vendo tomar banho? Não me parecia uma boa ideia.

– Eu… eu estava… esperando você sair para poder escovar os dentes.

– Mas quando eu entrei no banho você tinha acabado de escova-los – com milhões de mentiras disponíveis eu consegui dizer a pior.

– É que eu percebi que meus dentes não estavam totalmente limpos e resolvi escovar de novo – isso soava até ridículo.

– Ah sim – ele sorriu, por incrível que pareça, acreditou no que eu disse – Vou dormir, boa noite Jjomaennie.

– Boa noite, hyung – enquanto ele saia, continuei olhando para as suas costas, que agora estavam molhadas.

Entrei no banheiro e fechei a porta, ainda tentando assimilar as ações dos hormônios no meu corpo. Fiquei por lá, mas ao invés de escovar os dentes de novo, resolvi usar meu tempo para outra coisa.

The Only Exception – Capítulo V

Hyunseong achou que depois do dia em que ele se confessou as coisas entre ele e Jeongmin ficariam estranhas, mas o contrário aconteceu. O mais novo parecia ainda mais próximo dele, como se as barreiras que ele vinha construindo desde que se conheceram tivessem finalmente sucumbido.

Ele não entendia exatamente o que se passava na mente de Jeongmin, talvez gostasse dele também, talvez estivesse agindo assim só para não perder uma amizade. Preferia não saber a ter uma resposta que não queria.

Mesmo assim, concordou em passar uma noite na casa dele. Jeongmin havia dito que Hyunseong era o primeiro amigo que ele levaria para sua casa, e ele não podia evitar se sentir ridiculamente animado por isso. Era uma coisa boba, mas significava muito para Hyunseong.

Chegando ao seu destino, Hyunseong foi muito bem recebido pela mãe de Jeongmin, que o informou que este estava tomando banho, e começou a lhe contar várias histórias. Como uma em que Jeongmin tinha cinco anos, tentava se equilibrar nas barras quando caiu e fez um leve corte na perna. Depois passou a semana chorando por conta do corte.

Hyunseong não conseguia imaginar Jeongmin chorando por um mínimo corte. Mas a imagem de um mini Jeongmin sensível lhe parecia a coisa mais fofa do mundo e o fez sorrir.

Até que este desceu as escadas, logo fazendo o sorriso de Hyunseong se transformar em um olhar de pura admiração. Hyunseong nunca o tinha visto com os cabelos molhados, era ainda mais bonito que ele imaginava.

Então os dois subiram para o quarto de Jeongmin para que pudessem fazer sua festa do pijama ou algo parecido. Jogaram videogame por um bom tempo até que resolveram se deitar para dormir.

O quarto era grande, e só havia uma cama de casal disponível nele, obrigando Hyunseong a dormir ao lado de Jeongmin na cama. Não que isso o incomodava, muito pelo contrário, o fazia imaginar inúmeras coisas, um namoro, quem sabe até um casamento. Hyunseong estava perdido em sua imaginação até que sua atenção foi chamada por uma voz que quebrou o silêncio do lugar.

– Hyung – Hyunseong apenas limpou a garganta como barulho para sinalizar que estava escutando – Se lembra daquele dia que você se declarou para mim?

– Me lembro sim, por quê?

– Você ainda sente tudo aquilo que me disse? Ainda me ama? – Jeongmin o olhava nos olhos com uma seriedade que o mais velho nunca tinha visto em seus olhos. E ficou surpreso não só por isso, mas porque achava que Jeongmin já nem se lembrasse disso. Mas mesmo assim respondeu sinceramente.

– Claro que amo, Jeongmin. Sempre vou amar – e antes que pudesse perceber, o mais novo havia selado seus lábios.

– Também te amo, hyung – Hyunseong sorriu, acabou com a distância entre seus lábios mais uma vez. Agora em um beijo mais profundo, diferente de poucos outros que haviam dividido. Esse representava mais, representava uma história prestes a começar, uma história que para Hyunseong era como um conto de fadas que ele nunca achou que pudesse, de fato, se realizar.

– Sei que você não confia muito nas pessoas, mas juro que não vou te desapontar, Jeongminnie – Jeongmin apenas concordou e sorriu antes de começar o terceiro beijo da noite, que não seria o último.

X

Jeongmin acordou com a luz do sol incomodando seus olhos, ele nunca se lembrava de fechar aquelas cortinas. Mas algo o incomodou mais, o espaço vazio na cama ao seu lado que deveria estar ocupado por Hyunseong. Por um momento pensou que ele havia o abandonado após arrancar sua confissão, afinal, todos faziam isso. Mas antes que pensasse mais besteiras, viu um bilhete em cima da cabeceira da cama.

Olá Jeongminnie
Me desculpe por sair sem me despedir, minha mãe me ligou logo cedo e tive que ir.
Adorei dormir na sua casa ontem, espero voltar mais vezes ^^
Te amo
Ass: Hyunseong

Jeongmin sorriu, como pôde pensar que Hyunseong o magoaria de alguma maneira? Ele nunca faria isso, e esse bilhete era a última prova que ele precisava pra confiar totalmente no mais velho.

Era a prova de que tudo aquilo não era um sonho, era real, e sempre seria.

The Only Exception – Capítulo IV

Jeongmin se aproximou de onde ouviu o barulho de choro e olhou por de baixo da porta. Conseguiu reconhecer imediatamente os tênis brancos com detalhes em azul.

– Hyunseong? – ele bateu na porta e houve um silêncio repentino. Após alguns segundos o fecho da porta se abriu. Jeongmin entrou no box e viu que Hyunseong estava sentado no chão, encostado na parede e com os olhos vermelhos – O que aconteceu?

– Você sabe muito bem o que aconteceu.

– Sei?

– Sabe sim, você estava lá – Hyunseong se virou pro outro lado tentando esconder as lágrimas que retornavam, enquanto Jeongmin se sentou ao seu lado no chão.

– Olha Hyunseong, me desculpe eu…

– Quer saber? Esquece isso, eu sabia que isso ia acontecer de novo, você deve ter nojo de mim agora, não sei o que deu em mim para dizer aquilo.

– O que? Por que eu teria nojo de você?

– Porque eu disse que te amo – Hyunseong olhou para Jeongmin, que estava esperando que ele continuasse, então ele suspirou e prosseguiu – Uma vez, eu gostei de um garoto que era da minha antiga sala. Resolvi me declarar pra ele, mas ele apenas respondeu que tinha nojo de mim e depois disso nunca mais me dirigiu a palavra. Passaram-se quase quatro meses depois disso e ele resolveu contar o quão horrível eu era pra escola inteira. Não aguentei ficar lá por mais de um mês, foi quando me mudei para cá.

– Sinto muito, Hyunseong – Jeongmin imaginou o quanto aquilo deveria ser horrível – Mas não foi por isso que eu saí daquele jeito.

– Então foi por quê?

– Não sei, ninguém nunca me disse isso antes, a não ser minha mãe, é claro, só fiquei surpreso, só isso.

– Isso quer dizer que você não me odeia?

– Claro que não, eu imagino o que você passa, sabe – Hyunseong o olhou com curiosidade, como ele poderia saber? – Minha mãe, ela se casou com meu pai porque os pais dela a obrigaram. Eles passaram anos “juntos” até que ela resolveu que não queria mais aquilo, porque estava apaixonada por outra. Então se separou do meu pai e resolveu assumir que não gostava de homens de uma vez por todas. Eu nunca me importei com isso, mas sei que muitas pessoas se importam, eu vejo.

– Sério? – ele parecia um pouco chocado com a história – Sua mãe é muito legal – Jeongmin riu.

– Ela é sim. Mas, me desculpe por hoje, de verdade, não queria te magoar.

-Tudo bem – Hyunseong sorriu, já se sentia como se nada tivesse acontecido – Mas e a sua resposta?

– Ainda não sei, não digo que te amo ou que não, preciso de um tempo para pensar.

– Você pode ter todo o tempo do mundo – então ele se aproximou de Jeongmin e beijou sua bochecha. Eles se olharam e sorriram.

– Obrigado – Jeongmin disse, quase num sussurro e se aproximou de Hyunseong, dessa vez para beijar, rapidamente, seus lábios.