Marry You – Capítulo I

Hangover


Hyunseong acordou em seu quarto de hotel em Las Vegas, Jeongmin estava adormecido na cama ao lado da sua. Os dois haviam ido viajar nas férias. Tudo estaria normal se não fosse pelo fato de Hyunseong não se lembrar como tinha chegado no quarto, ele com certeza não havia entrado ali aquela noite. Na verdade, não se lembrava de ter feito nada naquela noite. Sua cabeça doía muito, já não bastava a perca de memória.

Resolveu se levantar e foi até a cama de Jeongmin para acorda-lo. Eles estavam juntos no último momento que vinha na memória de Hyunseong, talvez soubesse de algo.

– Jeongmin – sussurrou, mas não adiantou muito já que o outro nem se moveu – Jeongmin, acorda – chocalhou seu ombro para ver se conseguia alguma reação.

– Hyung, vai dormir, está cedo – murmurou ainda sem se mexer.

– Eu preciso falar com você, é sério – dessa vez Jeongmin se virou para Hyunseong.

– Diz logo.

– Não fale assim comigo – Jeongmin apenas revirou os olhos e esperou que o mais velho continuasse – Você sabe o que aconteceu ontem?

– Várias coisas aconteceram, você precisa ser mais específico.

– Mas eu não me lembro de nada.

– Nada mesmo??

– É, nada. Você tem que saber alguma coisa.

– Não sei muito porque estava um pouco bêbado, pelo jeito você também.

– Claro que não, Jeongmin, eu só tomei suco de maça naquela balada que nós fomos.

– Então você se lembra.

– Só até a parte que você me trouxe o suco, depois acordei aqui.

– Bom, então procure sozinho porque eu também só me lembro disso – Jeongmin tirou a mão de baixo do cobertor e Hyunseong notou que ele estava usando um anel que ele nunca havia visto.

– Jeongmin, o que é isso?

– Isso o que?

– Esse anel, ele parece uma aliança.

– Não sei o que é, mas você também tem um.

– O que? – Hyunseong olhou para suas mãos e viu que realmente tinha um igual, então o tirou e viu que havia uma gravação nele – Por que tem uma aliança com seu nome escrito no meu dedo, Jeongmin?

– Tem meu nome nela? Espere – também tirou a sua para olhar a parte de dentro – A minha também tem o seu, hyung.

– Meu deus, nós nos casamos – Hyunseong não imaginava como havia feito uma coisa dessas e não se lembrava.

– Parece que sim.

– Precisamos descobrir como isso aconteceu para desfazer.

– Mas nós acabamos de nos casar e você já quer divórcio, Hyunseong?

– Eu estou falando sério – ele jogou uma almofada em Jeongmin que apenas riu enquanto observava Hyunseong seriamente mexendo nas roupas que estavam no chão, as que haviam usado no dia anterior.

– Eu também estou falando sério, é tão ruim assim estar casado comigo?

– Claro que não… Quer dizer… não é tão ruim, mas queria saber o que aconteceu.

– Talvez você se lembre mais tarde. Posso voltar a dormir?

– Depois disso você ainda quer voltar a dormir?? Não acredito.

– Nem todos estão acostumados a dormir tão pouco, ok?

– Pode dormir se quiser, eu vou continuar procurando.

– Boa sorte na sua busca. Boa noite.

– Bom dia né, bom dia.

– Tanto faz.

Então Hyunseong continuou procurando em todos os bolsos possíveis das roupas, até que achou um papel no bolso traseiro da calça de Jeongmin.

Drabble – Forgive Me

              Eu e Jeongmin brigamos outra vez, isso sempre acontecia, geralmente por motivos banais como, por exemplo, a limpeza do nosso apartamento, que era parte dele e eu sempre acabava por fazer. Ele era um colega de quarto horrível, mas mesmo assim era impossível não gostar dele. Me indagava todos os dias se existia alguém no mundo que não amasse Lee Jeongmin.

                De qualquer jeito, continuava a ignora-lo, como fiz desde o começo do dia. Resolvi sair para tomar um café, ou qualquer coisa. Ouvi Jeongmin murmurar algo atrás de mim, mas ignorei e continuei em direção a porta. Segui até o elevador e sua porta estava quase se fechando quando alguém impediu que ela se fechasse completamente. Era Jeongmin, parecia que ele não ia desistir de falar comigo, ele sabia que no final eu sempre o perdoava e tudo se resolvia.

                Um silêncio desconfortável percorreu o ambiente por alguns segundos até que o elevador parou de se mover e uma rápida queda de luz anunciou que o elevador ficaria imóvel por um tempo.

                – Ótimo – murmurei enquanto tentava parecer tranquilo. Não era muito raro aquilo acontecer no elevador do prédio, por isso sempre evitava usa-lo. Mas tinha me esquecido disso completamente.

                – Hyunseong – ele chamou e eu me virei em sua direção – ainda está bravo comigo?

                – O que você acha? – fiz meu tom parecer o mais irônico possível por mais que aquele não fosse meu forte.

                – Mas por quê? Você simplesmente me ignorou o dia inteiro, eu juro que não fiz nada errado dessa vez.

                – Eu não aguento mais, você diz que sou seu melhor amigo, mas sempre prefere sair com todos aqueles seus amigos estranhos ao invés de mim, sempre me esquece por causa deles – estava um pouco envergonhado, mas não aguentava mais guardar isso.

                – Hyung, você se lembra como passamos a tarde de segunda? – ele perguntou enquanto se aproximava um pouco de mim.

                – Sim, nós vimos um filme.

                – E a noite de terça?

                – Nós dormimos juntos no sofá da sala.

                – E quarta? – a cada pergunta ele se aproximava mais, e já estava a centímetros de mim.

                – Nós passamos a noite conversando no seu quarto.

                – Está vendo Hyunseong, eu passo quase todos os dias, o dia todo com você, como você pode dizer que eu te esqueço?

                – Me esquece quando é pra sair, você nunca me convidou pra ir numa festa com seus amigos, nunca.

                – É porque meus amigos são só pra sair, você é o único que eu amo e que sei que sempre posso contar. Não gosto que ninguém me atrapalhe quando estou com você.

                – Você está mentindo.

                – Claro que não, se eu não ficasse sozinho com você não poderia fazer isso – então ele colocou suas mãos por dentro da minha camiseta e começou a acariciar todas as partes disponíveis do meu corpo. Eu não sabia que apenas toques podiam causar tanto efeito em mim, quando percebi minha respiração já estava pesada.

                – Jeongmin, o que você está… – minhas palavras foram cortadas por um gemido que escapou da minha boca quando ele mordeu levemente minha orelha.

                – Não diga nada – ele sussurrou em meu ouvido. Eu apenas gemi mais uma vez em resposta enquanto ele seguia lentamente a linha do meu pescoço com seus lábios, depositando ali vários beijos e mordidas.

                Nesse momento eu já estava completamente em transe. Suas mãos ainda explorando por dentro da minha camiseta enquanto sua boca subia a mesma parte do pescoço que havia descido, do mesmo jeito.

                Seus lábios continuavam seu caminho, percorrendo meu maxilar até que chegaram perto dos meus próprios lábios, podia sentir sua respiração contra a minha. Abri meus olhos, que eu mal sabia em que momento havia fechado. Quando o olhei ele estava sorrindo, sorri também e antes que pudesse voltar a pensar claramente ele me beijou. Fiquei um pouco assustado de início, mas permiti lentamente que aprofundasse o beijo quando pediu. Logo suas mãos alcançaram as minhas, entrelaçando nossos dedos.

                Nos separamos um pouco, ainda com as mãos juntas.

                – Eu te amo – ele me beijou de novo, dessa vez um beijo mais leve e calmo.

                – Também te amo – sussurrei, era o único som que conseguia emitir.

                – Me desculpe por tudo, eu não sabia que isso te magoava tanto. Vou te apresentar para os meus amigos, prometo, mas com uma condição.

                – Qual?

                – Quero te apresentar como meu namorado.

                – Idiota – ri e bati levemente no seu ombro.

Então a luz teve outra oscilação e o elevador voltou a se mexer. Subimos de novo para o nosso apartamento e passei o resto da tarde aproveitando a companhia de Jeongmin que hoje percebi ser a coisa mais importante para mim.

One shot – Stay The Night

Esse apartamento carregava tantas lembranças que eu mal conseguia decidir qual delas fazia com que eu me sentisse pior. Sentia falta de viver aqui, mesmo achando que saí porque era o melhor para ambos. Até o cheiro me parecia familiar, o lugar que eu estava sentado no sofá e que já ocupei tantas vezes, e até mesmo o barulho estranho que o aquecedor fazia as vezes. Era como se estivesse anos longe daqui mesmo que fosse apenas por um mês. Resolvi simplesmente tirar esses pensamentos da minha cabeça e me levantei.

– Hyunseong, preciso ir embora – quando ele me convidou pra vir até aqui pensei que aguentaria mais tempo.

– Não, espere, você vai sair nessa chuva? – ele segurou meu pulso antes que eu pudesse dar ao menos um passo. Olhei para ele por um segundo, depois olhei pra janela. Mal tinha reparado que a chuva estava tão forte.

– Tudo bem, não sou feito de açúcar, consigo atravessar uma chuvinha dessas – forcei uma risada enquanto me soltava de sua mão e comecei a andar para a porta. De repente senti os braços dele me cercando.

– Jeongmin… Fique, por favor, pelo menos até a chuva passar – ele disse naquele tom que soava como uma criança de cinco anos pedindo uma bala e me abraçava por trás como se por aquele momento houvesse esquecido que já tínhamos terminado.

– Se eu esperar vai ser tarde para ir para casa – estava amando ficar ali, por mais que nunca admitisse isso. Acho que esse era o principal motivo para querer sair.

– Então por que você não dorme aqui? – quando ouvi isso tive que me virar para Hyunseong e ter certeza que ele estava falando sério. Me deparei com ele sorrindo como um bobo. O mesmo sorriso que ele sempre mostrava quando dizia que me amava ou outras coisas melosas. Fiquei tenso por um momento antes de responder.

– Você não está falando sério, está? – ainda estava ansioso. Parecia que as coisas não iam terminar bem, de um certo ponto de vista.

– Claro que estou – ele esperou por um momento, mas eu não disse nada. Não sabia realmente o que queria responder. – Por favor Jeongmin, só hoje. – dessa vez ele entrelaçou nossos dedos em ambas as mãos e ficou me olhando nos olhos esperando por uma resposta.

– Não sei – foi tudo que consegui dizer enquanto tentava desviar meu olhar para qualquer direção aleatória.

– Por que não? Eu não vou abusar de você nem nada assim, inclusive é mais fácil você fazer isso comigo primeiro – ele riu e eu também comecei a rir, não sei se foi por o que ele disse ou se foi pela sua risada. Respirei fundo e então finalmente respondi.

– Tudo bem, mas só hoje – disse ainda olhando para o chão, acho que sabia que se olhasse para ele, ele estaria com aquele sorriso bobo e eu ia começar a sorrir como um bobo também.

– Sério? Você vai mesmo ficar? – apenas meneei a cabeça dizendo que sim – Então vou preparar alguma coisa para a gente comer, espere aqui.

Ele saiu da sala e foi correndo pra cozinha. Eu deitei no sofá e suspirei profundamente. Não devia ficar aqui, mas meus instintos foram mais fortes que a razão e agora meu ex-namorado estava na cozinha fazendo um jantar para nós e eu ia dormir na casa dele. O pior é que no fundo eu estava animado com a ideia, fazia tanto tempo que não ficávamos juntos. Mas não deveria estar, fui eu que terminei tudo pra começo de conversa. Eu deveria estar tentando esquecer, mas estava aqui, começando tudo outra vez.

No jantar apenas conversamos sobre coisas bobas como videogame ou algum anime enquanto comíamos noddles. E sim, esse era nosso jantar. Hyunseong não sabia cozinhar muitos pratos e eu muito menos. Costumávamos pedir comida ou comer fora quando ainda morávamos juntos. E o jantar era sempre noddles quando não havia dinheiro o suficiente para pedir algo melhor. Depois de comer ficamos no sofá assistindo televisão. Ou melhor, com a televisão ligada enquanto pensávamos em qualquer outra coisa, pois eu mal sabia que programa estava passando.

– Jeongmin – quando me virei ele, que antes estava do outro lado do sofá, já estava do meu lado. Não tentei fugir, pois sabia que era impossível, se eu saísse de perto ele iria para onde eu estava de novo – Posso te fazer uma pergunta?

– Pode – respondi apesar de saber qual pergunta era e de não querer responder.

– Por que você terminou comigo? Você não me ama mais? – era como se já tivesse escutado a frase antes mesmo que ele falasse.

– Não é isso, Hyunseong – eu ainda o amava, e muito, mas obviamente não diria isso a ele. Além de não gostar de dizer esse tipo de coisa, esse era o momento mais inadequado.

– Então por quê?

– Você sabe, alguns problemas – estava tentando evitar detalhes mas provavelmente ficaria sem escolha.

– Não, não sei, não me lembro de nenhum problema.

-Como não se lembra? Meus pais e os seus nos expulsando de casa, todos nossos amigos que desapareceram. Nossos empregos que só conseguimos do outro lado da cidade onde ninguém nos conhecia. Só sair na rua era motivo para todas as pessoas nos encararem como se fôssemos alienígenas. O mundo estava caindo em nossas cabeças, Hyunseong.

– Engraçado – ele começou enquanto colocava o braço em volta da minha cintura – Quando eu tinha o mundo caindo na minha cabeça e tinha você eu estava feliz.

– E agora não está?

– É claro que não, como vou ser feliz sem você?

– Meu deus, como você é meloso – ri, mas no fundo achei fofo. Como ele tinha coragem de falar essas coisas em alto e bom som?

– Você sabe que eu sou meloso, sempre soube – ele também riu e apertou ainda mais o meio abraço enquanto chegava mais perto de mim, se isso era possível. – Jeongmin, vamos ficar juntos de novo, por favor, eu não ligo para nenhum desses “problemas” que você disse.

– Não sei, preciso pensar – a resposta que eu queria dizer era sim, claro. Mas sempre parecia haver mais em jogo que a minha vontade.

– Promete que vai mesmo pensar? – ele estendeu seu dedo mindinho. Rolei os olhos e ri pois como sempre, ele agia como uma criança.

– Prometo – enlacei meu dedo com o dele. Para ele aquilo era quase um pacto de sangue, então ia ter mesmo que pensar sobre.

Quando fomos dormir – na mesma cama já que naquele apartamento tinha apenas uma cama de casal – só conseguia pensar na conversa de horas atrás. Só havia terminado meu namoro com Hyunseong por pensar que era o melhor para os dois, achei que podíamos ser felizes separados, com outra pessoa. Mas pelo jeito não era bem assim que as coisas estavam acontecendo. Nem para mim, nem para ele. Quando começamos a namorar há um ano atrás, conseguimos esconder por um tempo, mas logo meus pais descobriram e começaram a contar para todas as pessoas que conheciam e para as que não conheciam – incluindo os pais de Hyunseong – sobre como seu filho mais novo era uma vergonha, um pecador, e outras outras coisas que eu já nem me lembro mais. Além de me expulsarem de casa, ainda deram dinheiro suficiente para comprarmos um apartamento bem longe deles, cada família deu uma parte. E assim começamos a morar juntos. Era difícil, pois basicamente éramos duas crianças obrigadas a agir como adultos. No começo tudo isso de trabalho, compras, despesas, contas, contas, contas e mais contas, era muito cansativo e complicado, mas com o tempo nos acostumamos. Começou a ser até divertido, Hyunseong sempre falava que éramos casados e até insistiu em comprar alianças. Mas ainda havia aquele sentimento de culpa, não sei exatamente de que, não estávamos fazendo nada errado, mas parece que todas as pessoas do mundo queriam que a gente pensasse que estava. Foi por isso que decidi terminar tudo e pedir para voltar para a casa dos meus pais. Pensando melhor agora, foi um motivo bem estúpido. Nunca liguei para o que pensavam de mim, mas isso é diferente, a pressão é no mínimo três vezes maior. Imaginei se Hyunseong sentia essa pressão do mesmo jeito, ou se era apenas coisa da minha cabeça.

– Hyunseong – sussurrei – Ainda está acordado?

– Sim, eu acho – então ele se virou pra mim, parecia já meio sonolento.

– Você estava quase dormindo, certo? Desculpe.

– Não, tudo bem – ele sorriu para mim, as vezes achava que ele sorria toda vez que me olhava – O que foi?

– Você realmente não liga pra nada daquilo? Não te incomoda as pessoas sussurrando o tempo todo sobre você?

– Na verdade incomoda um pouco, mas ficar longe de você é muito pior – lá estava ele sendo meloso de novo – Sabe, o tempo que estamos separados foi o pior mês da minha vida, acho que o melhor dia desde a última vez que te vi foi hoje – ele sorriu de novo. Não sei como não me enjoei desse monte de coisas que ele fala ainda. Até gostava na verdade.

– Meu mês também foi horrível – não estava mentindo, foi um inferno. Além de tudo ainda tive que aguentar meus pais tentando me arrumar milhões de namoradas.

– Você sentiu minha falta? – óbvio, a cada minuto que passava eu desejava estar perto de Hyunseong. Fazendo qualquer coisa estúpida que noa viesse a cabeça no dia, conversando com ele, ou o beijando, ou simplesmente estando perto, sentia que qualquer coisa era suficiente. Mas haviam palavras melhores para externar esses pensamentos.

– Claro que senti – cheguei ainda mais perto dele na cama. Geralmente o contrário acontecia, mas agora só queria o abraçar, dormir e acordar como se o último mês não tivesse existido.

– Eu também senti a sua, muito, você nem imagina o quanto – quase como se tivesse escutado meus pensamentos ele me abraçou e deitou sua cabeça no meu peito. – Eu te amo.

– Eu também te amo – o abracei de volta e fiquei alisando seu cabelo. Sempre adorei ficar com Hyunseong deitado, até parecia que ele era mais baixo que eu as vezes. Ficamos naquela posição por um tempo, sem falar nada, apenas sentindo a presença um do outro. – Então Hyunseong, estamos juntos nessa? – ele se moveu de onde estava e me olhou com o sorriso mais fofo que se pode imaginar. Sorri de volta, então ele me abraçou mais forte.

– É claro, sempre juntos.