Love Game – Capítulo II

You are the music in me

Jogava Naruto em meu PSP, aquele jogo era viciante e eu provavelmente não ia parar até zerar todas as partes dele. Na verdade, já tinha zerado e aquela era a segunda vez que percorria o caminho, mas nunca ficava cansativo.

Estava no meio de um jogo de adivinhação de kage bushin quando senti duas mãos em meus ombros. Olhei rapidamente para trás no intuito de descobrir quem era o dono das mãos que ousavam atrapalhar meu jogo sagrado. Fiquei um pouco bravo, mas quando finalmente me virei, já me vi sorrindo como um bobo, era Jeongmin. Não me importava que ele atrapalhasee meu jogo, ou qualquer outra coisa, mas tentei parecer um pouco irritado, pois era assim que eu agiria se fosse qualquer outra pessoa.

– Jeongminnie, você me fez perder o jogo – levantei meu PSP apenas para confirmar que havia mesmo perdido. Me senti envergonhado, aquele era o mini game mais fácil que já existiu. Pelo menos eu tinha uma desculpa.

– Desculpe, hyung, é que eu preciso de um favor – disse enquanto fazia o caminho para se sentar ao meu lado no sofá. Quando chegou sorriu para mim de um jeito que eu já sabia que não ia recusar nada que eu pedisse, assim como ele também sabia. Sempre usava essa tática e nunca falhou, então desliguei meu PSP e direcionei toda a minha atenção para ele.

– Do que você precisa, Jeongminnie? – ele apenas me mostrou um pedaço de papel onde havia escrito uma letra de música e alguns acordes e eu já sabia o que aquilo significava: ele queria que eu gravasse a voz para outro demo de suas músicas – Outra música? – assentiu e eu soltei um suspiro – Você acha que sou um plugin de voz? – disse fingindo estar irritado e ri com sua reação, ele fechou um pouco a cara e ficou sem palavras por alguns segundos, até ouvir minha risada e responder.

– Claro que não, mas sua voz é muito bonita, como não vou querer ela em todas as músicas possíveis? – ele realmente sabia como me convencer. Amava cantar para Jeongmin, era a única coisa que eu conseguia fazer para impressiona-lo. Ele agia como se minha voz fosse a coisa mais linda que ele já ouviu, e apesar de envergonhado, me sentia feliz com isso.

– Tudo bem, vamos ensaiar – ele sorriu para mim, pegou na minha mão e me levou para o carro. Meu coração sempre batia rápido e eu ficava nervoso quando Jeongmin pegava na minha mão. Por alguns segundos podia fantasiar que estavamos indo de mãos dadas para um encontro ou algo assim. Algo bem idiota, eu sei, mas por mais que eu tente manter a compostura e não parecer um completo otário, as vezes não consigo me controlar. Ele provavelmente me acharia um louco se fosse como a Jean Grey e pudesse ler mentes.

Fomos até o carro que pertencia a Donghyun, já que nenhum de nós tinha um e o hyung sempre me deixava treinar em seu carro, dizia que se eu perdesse o gosto por dirigir depois de tirar a carta de motorista nunca mais o recuperaria. E como acabara de tirar a habilitação, devia dirigir muito, segundo ele. Achava um exagero, mas isso me fazia sempre poder usar o carro então, não reclamava muito.

Assim que entramos, Jeongmin plugou seu pen drive no aparelho de som e escolheu uma música. Após ouvir um segundo da música escolhida o olhei e sorrimos, sempre cantávamos aquela música no carro e hoje não seria diferente, logo começamos a cantarolar Love Game, da Lady Gaga. Jeongmin era praticamente um Little Monster e eu aprendi a gostar de algumas músicas depois de tanto ouvi-las, Love game era uma delas. Era impossível não se entregar a melodia e depois vi que a letra era um pouco pornográfica, não me importei muito, afinal, não esperaria menos de uma música que Jeongmin gosta. Ainda cantamos muitas outras músicas – todas do gosto de Jeongmin, não é como se minha opinião valesse – antes de chegarmos ao nosso destino, o estúdio.

Ficamos por muito tempo apenas jogando conversa fora, fofocando sobre os membros, alguns novos trainees que havíamos conhecido, ao inves de realmente ensaiarmos, acabamos passando a música duas vezes. Mas Jeongmin insistiu que estava perfeito e que deveríamos gravar uma vez antes de irmos embora, só com voz e teclado, que ele tocaria. Assim fizemos, enquanto cantava, pensava na letra que estava em minha frente. Era quase impossível acreditar que poemas tão bonitos saiam da cabeça de Jeongmin. Nos conheciamos há anos mas ele sempre tinha um jeito de me surpreender todos os dias. Quando conversavamos, ele era sempre leve, alegre, e ali naquelas músicas me parecia mais profundo, melancolico. Seria bom se ele compartilhasse esse lado comigo um dia, como seu principal confidente. As vezes, enquanto tocava, direcionava seus olhos diretos nos meus e sorria, como se para dizer que eu estava indo bem. Do jeito que ele me olhava quando tocavamos juntos, quase poderia acreditar que ele gostasse de mim, que correspondesse meus sentimentos. Era intenso, como uma ligação forte e única, algo maior que a parte consciente de nossa mente. Mas sempre que a música acabava, toda a magia no ar ia junto com ela.

– Foi perfeito, hyung – ele se levantou, andou até mim e estendeu sua mão para um high five, terminei o casual cumprimento.

– Como pode ter sido perfeito? Ficamos falando besteiras ao invés de ensaiarmos – ri lembrando de todo o trabalho que tivemos para chegar ali se podíamos simplesmente ficar conversando em casa.

– Só basta você cantar para ser perfeito – ele sorriu e saiu da sala de gravação para arrumar suas coisas. Já estava tarde e precisávamos ir embora.

Eu, por outro lado, não dei um passo sequer, quando ele dizia coisas como aquela para mim, ficava paralisado por algum tempo. Parecia que falava e sorria daquele jeito de propósito, apenas para que eu me apaixonasse cada dia mais. Para que me perdesse totalmente naquela estrada que já parecia sem saída. Sabia que para ele era normal elogiar seus amigos, mas ainda significava o mundo para mim. Cada ciclo de sua respiração já representava isso, ele era meu mundo.

Love Game – Capítulo I

Todos os defeitos de um homem perfeito

Olhando para ele agora, consigo me lembrar de todos os sentimentos ,que apenas por ver esse lindo rosto, tomavam conta da minha mente, do meu coração, de cada célula do meu corpo. Todos os arrepios que sua voz me causava, como se cada palavra fosse um feitiço para que eu me apaixonasse cada dia mais e mais. Me lembro de tudo que senti por todos esses anos, amor, ódio, um misto dos dois.

Amor, não há nada que eu conseguisse não amar em Jeongmin, ele era perfeito, desde sua aparência, até sua personalidade, que eu costumo comparar a um raio de Sol, sempre aquecendo e iluminando meus dias. Como um milagre que veio até mim me mostrar sentimentos que eu nunca imaginei como fossem e nunca pensei em um dia sentir em tamanha proporção e força.

E ódio, ódio por amar quem eu não podia, não devia. Ódio por saber que iria sofrer e não conseguir me conter para deixar tudo isso fora de mim. Por ele ser tão maravilhoso que mesmo odiando o que eu sentia, não conseguir deixar de ama-lo, como um vício, vício por sofrer, uma espécie de masoquismo que me destruía a cada segundo.

Por tudo isso, me odiava, mas nunca o odiaria, afinal, ele não tem a mínima culpa por eu ser apaixonado por ele desde que o conheci, há pouco mais de dois anos atrás, e que desde então minha mente é regada a uma confusão sem fim. Ele não pediu por isso, assim como eu nunca pedi, a culpa não é de ninguem, talvez eu apenas merecesse isso, talvez as forças superiores decidiram que eu merecia. Ou talvez não havia motivo nenhum, simplesmente era daquele jeito.

As coisas eram exatamente como estavam agora, nós dois, abraçados no sofá, ele dormindo e sonhando, confiando que está perto de seu melhor amigo, enquanto eu, acordado, sei das reais intenções de toda proximidade e penso em tudo que realmente sinto e ele não tem ideia. Sempre tentava me aproximar dele sem exceder os limites da amizade, afinal, ele confiava em mim, apesar de saber da minha orientação sexual, e nunca me julgou nem por um segundo, ao contrário de todas as outras pessoas que acabaram descobrindo. Essa era uma das razões pela qual somos tão próximos e porque sempre me sinto confortável com ele. Era como se ele fosse a única pessoa que me conhecesse bem e aceitasse tudo em mim, eu podia ser cem por cento eu mesmo em sua presença. Ainda me lembro do primeiro dia que o vi, nosso primeiro dia no treinamento, ele se apresentou com aquele lindo sorriso no rosto e depois daquilo, nunca mais pude passar um dia sequer sem vê-lo, sem ouvir sua voz, sentir sua presença. O dia em que ele descobriu meu maior segredo e que nos tornamos melhores amigos também estará sempre guardado em minha memória.

X

 

– Hyunseong, você ainda não me disse por que não deu o telefone para aquela trainee linda, você já tem namorada? Alguém em vista? – ele já me perguntou isso mais de cem vezes durante dois dias, eu já não aguentava mais ouvir aquela conversa sobre garotas, parece que ele não ia parar até que eu dissesse o real motivo, e eu não queria dizer.

– Não tenho ninguém, Jeongmin, eu só não gosto, apenas isso – me olhou como se analisando se eu estava falando a verdade, e eu estava, estava apenas omitindo algumas palavras para meu próprio bem.

– Não gosta de que? Você não pode dizer que não gosta dela, hyung, você nem a conhece! Dê uma chance – eu já estava a ponto de explodir e resolvi simplesmente falar tudo e correr o risco de nunca ter sua amizade novamente. Antes de responder, fui até a porta da sala de ensaios ver se não tinha ninguém andando por perto que pudesse ouvir. Provavelmente não haveria, já que naquele dia, nós dois resolvemos ficar praticando a nova música pedida na aula até tarde, e ninguém mais estava por perto ensaiando. Mesmo assim, nunca é bom arriscar.

– Jeongmin, vou te contar uma coisa, sei que você provavelmente nunca mais vai falar comigo, vai me odiar, mas preciso que me prometa que vai guardar segredo – ele parecia assustado e nervoso, mas tinha certeza que mais nervoso que eu ele não podia estar. Minhas mãos estavam suando e as coisas giravam lentamente a minha volta. Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Você não é um serial killer, é? Por que eu não sei se conseguiria mentir se a polícia viesse me procurar – ri de sua suposição, sua imaginação ia sempre longe. Só imaginar aquilo em sua cabeça pareceu assusta-lo muito, então resolvi falar logo antes que ele se desesperasse demais.

– Não sou um assassino, não consigo matar nem uma barata – ele suspirou e pareceu mais aliviado, até a tensão tomar seus olhos novamente.

– Então você é um traficante de drogas famoso e procurado? Sério, Hyunseong, eu nunca vou conseguir guardar um segredo assim – ele não ia esperar eu falar até inventar histórias loucas em sua mente?

– Não é nada que possa me mandar para a cadeia, você não vai precisar mentir para polícia – ri e ficamos em silêncio. Poucos segundos que pareceram uma eternidade. Vi que ele estava esperando até que eu falasse algo. Respirei fundo antes de começar a falar – Jeongmin, eu… eu sou gay, vou entender se nunca mais quiser ficar perto de mim ou me ver, me desculpe – olhava para o chão e conseguia sentir as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos sempre que eu mencionava esse assunto.

– Você está chorando? – então senti seus braços me envolvendo num abraço forte, o que fez minhas lágrimas caírem ainda mais rapidamente – Por favor, não chore, hyung. Eu nunca deixaria de falar com você por isso – ficamos mais um tempo apenas parados até que eu me acalmasse um pouco.

– Mesmo? Você não se importa? – o olhei e ele sorria pra mim, em seus olhos pude ver que ele estava sendo sincero, que o que eu acabara de dizer não o afetava de nenhuma maneira.

– Claro que não. Mas você me assustou fazendo esse drama todo só por isso – ambos rimos e quando ele falava desse jeito eu senti que não havia mesmo nenhum problema naquilo e que só era uma grande coisa porque eu fazia parecer assim – Nunca tenha vergonha de quem você é, hyung, você é uma pessoa maravilhosa, não deixe nenhum babaca preconceituoso te fazer acreditar no contrário – concordei com a cabeça e o abracei de novo, ele retribuiu.

– Muito obrigada, Jeongminnie, ninguem fez isso por mim antes – ele se separou do meu abraço e olhou nos meus olhos sorrindo novamente.

– Agora alguém fez – e continuaria fazendo pelo resto dos anos.

X

Estava tão perdido em meus pensamentos que só percebi que ele já havia acordado quando ele me cutucou. Ainda com os olhos fechados pela falta de costume com a luz, tentava me olhar. Eu apenas sorri, amava o ver daquele jeito, natural, ele era maravilhoso nos momentos mais simples. Ele sorriu de volta.

– Dormiu bem, hyung? – na verdade nunca dormia quando tirávamos cochilos na sala, o olhar adormecido era bem melhor.

– Não dormi muito – respondi enquanto levantávamos e ele se espreguiçava. Fazendo seu corpo todo se arrepiar, e como consequência, o meu também se arrepiava.

– Por quê? – “Estava ocupado pensando no quanto eu te amo” seria a resposta verdadeira, mas eu sempre tinha uma invenção na língua para dizer quando ele me perguntava esse tipo de coisa.

– Insônia, como sempre – ele assentiu e sorriu maravilhosamente pela última vez antes de sair para seu quarto e continuar sua vida, onde só tinha uma hora por semana de tempo exclusivamente para mim, e eu não reclamava, enlouqueceria se ficasse por mais tempo tão próximo dele.

Já enlouquecia com ele até nos meus pensamentos.

Drabble (Hyunseong-centric) – Expectativa

Finalmente o debut solo do Hyunseong nas minhas fics!!! Escrevi isso testando umas coisas que aprendi na aula de Literatura então pode estar um pouco estranho ??? Resolvi postar no aniversário dele que é a data mais especial do ano ♥♥♥

XX

O sinal tocou.

Alto e claro, anunciando a liberdade daqueles que se sentiam presos dentro da sala de aula. Mas as vezes o corredor cheio de pessoas que carregavam olhares pesados fosse pior que uma sala pequena.

Não era tão fácil para Hyunseong passar por ali com todos os olhos, risadas e cochichos direcionados a si. Respirou fundo e seguiu por ali ignorando a tudo e todos, apenas pensando em seu objetivo final no momento, chegar até o portão.

Inteiro.

Nem todos os dias ele conseguia.

Muitos garotos pareciam achar engraçado o importunar, fazer piadas sem graça e até tentar agredi-lo fisicamente (Plano que falhou miseravelmente após a primeira tentativa em que um deles recebeu de volta um soco muito bem dado). Alguns até diziam que ele devia sair da escola, mas ele não desistiria por causa de garotos mimados que gostavam de cuidar mais da vida alheia que das próprias.

Passou pelos lugares que já sabia que estariam vazios para chegar ao seu destino, aprendera rotas para evitar todos que pudessem o importunar. O silêncio dentro das paredes cinzas o deixava muito mais calmo que estava há minutos atrás. As únicas pessoas que o viram foram professores, que apenas sorriram educadamente ao passar. Não que gostassem mais dele que o resto dos ocupantes do local, mas eram civilizados o bastante para ao menos fingir.

Ainda teria que lidar com mais algumas pessoas no pátio imenso, mas, felizmente, estavam muito entretidas para se preocuparem com ele.

Ao ver o portão frontal preto com grades que separava duas paredes cinzas enormes, como todas da escola, se sentiu mais aliviado.

E ao passar por ele era como se até conseguisse respirar com mais facilidade. O barulho de adolescentes gritando que vinha do pátio logo foi substituído pelo canto calmo dos pássaros que moravam nas arvores que adornavam aquela vizinhança.

Andou pela calçada coberta de grama lentamente, cantarolando a música que ensaiara na aula do dia anterior. A música não era a mais animada, mas não pôde deixar de se animar ao cantá-la se lembrando dos elogios que recebera ao conseguir alcançar todas as notas perfeitamente “Um talento natural que só precisava ser trabalhado” como apontou sua professora.

Nunca pensou que realmente tivesse algum talento antes de fazer a audição, apenas fizera porque seu irmão insistiu. Seus pais foram contra no começo, mas logo concordaram. Ele suspeitou que a oferta de passar o dia todo longe dele fora tentadora para os dois. Surpreendentemente passou e logo começou a estudar canto, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Não demorou muito para chegar ao prédio verde e branco. Arrumou seus cabelos levemente bagunçados pelo vento forte que soprava.

Mal podia esperar pelas melhores horas do dia.

Drabble – Brilhante como o sol

O sol brilhava nas ruas de Seoul, Hyunseong caminhava para mais um dia de trabalho pelas ruas movimentadas e caóticas. Sendo o único ali que parecia não estar correndo. Nunca gostara de correr, apenas esportivamente é claro, a pressa era um sentimento que quase nunca o acompanhava.

Chegando na escola, cumprimentou todos os colegas com um sorriso no rosto, pegou seu café usual na sala dos professores e foi para sua sala de aula: a quadra.

O lugar vazio daquele jeito sempre parecia maior que realmente era, as paredes pintadas num tom de verde contrastadas com o chão e arquibancada pintados de branco. Mesmo com as lindas cores, só ficou realmente jovial com a presença dos alunos que logo chegaram para o primeiro período.

Não demorou para que a última aula, no fim da tarde, chegasse. A aula com as crianças menores era sempre mais divertida. Quando começou a lecionar, se sentia estranho perto delas e não conseguia cativá-las muito, mas logo aprendeu a se divertir com elas.

Como todas as outras do dia, essa aula passou rápido e logo viu-se despedindo das crianças e entregando os pequenos aos seus pais. Quase lhe passou despercebido que um deles ficara lá depois de todos irem embora, foi até ele e sorriu, pedindo ao pequeno garoto lhe ajudar a guardar os materiais no depósito, apenas para que não ficasse ali sozinho.

O céu já escurecia quando terminaram e foram até o banco ao lado da quadra se sentar.

– Professor, você acha que meu pai esqueceu de me buscar? – o garoto perguntou enquanto olhava para suas pernas que balançavam no banco por não alcançar o chão.

– Claro que não, Jungho, tenho certeza que ele já está chegando e só se atrasou por algum problema no trabalho – ele não sabia o que havia acontecido para o pai dele se atrasar tanto mas pensou em tentar animá-lo.

– Pode ser isso, ele trabalha muito.

– É mesmo? Ele trabalha com o que? – tratou de mudar o foco da conversa e logo viu que funcionou pois o garoto lhe olhou com um sorriso para responder.

– Ele é compositor, faz muitas músicas legais – Hyunseong se surpreendeu com essa resposta, a maioria das crianças ali tinham pais que trabalhavam em algum escritório, logo entendeu a animação de Jungho para responder.

– Ele deve ser muito legal mesmo – o garoto concordou com a cabeça ainda mais animado.

Antes que pudessem continuar a conversa ouviu alguém gritando o nome de seu aluno e ao vê se levantar animado e correr na direção da voz concluiu que era o pai dele.

Viu que o homem tinha quase sua idade, bem jovem para já ter um filho. Ele abriu os braços para receber o filho com um abraço enquanto sorria, seu sorriso era lindo e brilhante como o próprio sol, Hyunseong constatou ao observar a cena, iluminando o ambiente de forma que nem a lua seria capaz.

Depois de um tempo se separaram e vieram em direção a Hyunseong de mãos dadas.

– Professor, esse é o meu pai – Jungho disse animado.

– É um prazer conhecê-lo, Senhor Lee – se reverenciou para cumprimentá-lo e ele fez o mesmo.

– É um prazer também. Me desculpe te deixar aqui esperando por tanto tempo, não consegui sair do trabalho a tempo – ele sorriu e Hyunseong sorriu de volta – E pode me chamar apenas de Jeongmin.

– Então, Jeongmin – riu, pois não costumava tratar os pais dos alunos com informalidade, mas não poderia negar nada àquele belo sorriso – Não foi nada, imaginei que o atraso fosse por algo assim, não se preocupe.

– Muito obrigado… – pensou e o olhou confuso – Não sei seu nome, apenas o conheço como Professor Shim – os dois riram.

– Meu nome é Hyunseong, pode me chamar assim também.

– Certo, Hyunseong. Muito obrigado por cuidar do Jungho, não só hoje, mas ele sempre fala muito bem de você, não é, filho? – se dirigiu ao garoto que concordou com a cabeça antes de começar a falar.

– Pai, você podia sair com o Professor, acho que vocês ficariam bem juntos – olhou para os dois que de repente se viram com olhos arregalados e bochechas coradas.

– Jungho, não fale coisas assim – disse em tom de reprovação.

– Mas talvez não seja uma ideia tão ruim assim, não acha? – Hyunseong falou baixo, sem certeza se queria mesmo que o outro ouvisse, mas ele ouviu.

– Ah… sim… claro… quero dizer – Jeongmin parecia um pouco nervoso e Hyunseong riu pois achou extremamente fofo – Você poderia me passar seu número… se quiser, é claro.

– Passo sim, vamos marcar algo.

Os dois trocaram seus números enquanto Jungho observava a cena sorrindo e com os olhinhos brilhando. Gostava do Professor Shim e ficara feliz ao saber que seu pai também gostou dele.

Se despediram e cada um foi para um lado, Jeongmin e Jungho direto para casa e Hyunseong para a sala dos professores.

Não muito mais tarde, Hyunseong ia para sua casa, como sempre, sem pressa até chegar ao ônibus. Entrando nele, se sentou e logo se pôs a observar o céu, já escuro mas iluminado por várias estrelas e pela lua, sorriu ao vê-lo, não era tão comum ver o céu bonito como estava naquela noite.

Chegou em casa cansado, mas ainda assim feliz, dormiu pensando no que o esperaria de manha quando acordasse, mais um dia de trabalho e talvez um café com o dono de um sorrisos mais lindos que já vira.

Drabble – Listen to the rain

Ouvindo a chuva. Era isso que eu estava fazendo. E era essa uma das minhas atividades preferidas em dias de ócio.

A chuva tem vida.

A chuva conta histórias, tristes ou felizes.

A chuva guarda consigo os momentos mais inesquecíveis da minha vida.

Foi num dia de chuva que eu conheci Hyunseong.

Estava chovendo forte e estávamos os dois abrigados em baixo do toldo de uma loja qualquer. Quando o ouvi murmurar algo sobre seu cabelo estar arruinado agora, não pude deixar de rir. Ele me olhou, logo estávamos os dois rindo. Senti uma ligação com ele naquele momento, era estranho, não costumava ficar próximo de desconhecidos rapidamente. Não sei por que, naquele dia resolvi pedir seu telefone e prometer que ia lhe ligar em breve, mas fico feliz por ter feito isso.

Foi também num dia chuvoso que tivemos nosso primeiro encontro. Depois de tanto conversarmos por telefone, decidimos nos ver de novo. Fomos a um café no centro da cidade.  Naquele dia cheguei um pouco atrasado, ele já estava me esperando numa mesa com dois chocolates quentes em mãos. Fiquei impressionado por ele ter se lembrado que eu comentei vagamente que aquela era minha bebida favorita em uma conversa. Me lembro de como ele estava adoravelmente nervoso, derrubando quase tudo em que tocava e falando estranhamente rápido. Eu também estava um pouco inquieto, mas felizmente era melhor em esconder isso do que ele. Conversar pessoalmente era definitivamente melhor que por telefone, cheguei a essa conclusão naquele dia. No final, aquele encontro apenas resultou na certeza de que haveriam muitos outros.

E assim aconteceu. Depois disso, nossos encontros já não eram assim tão raros. Ficávamos muito tempo juntos e a cada vez que o via o sentimento era melhor. Sentia arrepios quando ouvia sua voz e todas as vezes que ele me abraçava, que não eram poucas. Um frio na barriga sempre que ele dizia que me amava, ou quando queria me proteger de tudo, parecia que queria me proteger até do vento. Quando estava com Hyunseong, sentia que nada podia me atingir, que nada de ruim ia me acontecer, só por ter ele por perto.

Numa chuva fina de julho foi quando nos beijamos pela primeira vez. Estávamos num parque onde costumávamos ir, cujo estava basicamente vazio devido ao tempo. Mas não havia problema para nós, um guarda chuva resolvia tudo, nunca perderíamos uma oportunidade de nos ver por um motivo tão banal. E eu ainda estava com a jaqueta de Hyunseong sobre a cabeça. Ele insistiu para que eu a usasse, para que não ficasse resfriado. Rebati dizendo que assim ele ficaria resfriado, mas no fim ele conseguiu me convencer com o argumento que eu era mais sensível com esse tipo de coisa.

Ficamos andando por um bom tempo dentro do parque, apenas jogando conversa fora, observando as árvores e o pouco movimento que havia nele, quando Hyunseong automaticamente se aproximou e selou meus lábios num movimento rápido. Assim que se afastou novamente pude ver seu rosto ficar em vários tons de rosa enquanto ele começava a se desculpar descontroladamente. Consegui apenas rir e me aproximar dele novamente para calá-lo com um beijo agora um pouco mais profundo. Pelo jeito que ele me olhou, ainda não tinha percebido que gostava dele há um tempo. Achei que fosse óbvio, mas ele nunca foi do tipo mais observador, então não me surpreendi.

Noutro dia quando uma tempestade caia, estávamos em minha casa jogando videogame. Eu o chamara ali por uma razão. Por mais que já planejasse o pedir em namoro há algum tempo, não conseguia deixar de me sentir nervoso. Ele ficou muito surpreso ao ouvir meu pedido, mas seus olhos brilharam com felicidade ao aceitar, fazendo meu coração se aquecer ao vê-lo tão feliz.

Fui interrompido em meus pensamentos por uma mão tocando em meus ombros. Olhei para o lado e vi Hyunseong me entregando uma xícara de café. Sorri ao pegar e sentir ele me abraçar logo em seguida.

– Sempre que vejo a chuva me lembro do dia que te conheci, Jeongminnie – ri ao constatar que não era o único que pensava sempre nisso.

– Estava pensando nisso agora mesmo – sussurrei já perto de seus lábios e me aproximei para um leve selar. Ambos sorrimos ao nos separar.

– Espero passar muitos dias de chuva ao seu lado.

– Vamos ficar juntos em todos que ainda pudermos ver – estendi meu dedo mindinho e ele repetiu o gesto, os juntando numa promessa um tanto infantil.

Uma promessa que se cumpriria até quando pudéssemos escutar a chuva caindo.

One Shot (Wontaek) – Better Than I Know Myself

Uma nova semana começava e logo pela manha Taekwoon se preparava para mais um dia no trabalho. Soltou um suspiro ao pensar nas infinitas reclamações de alunos e professores que receberia, como todos os outros dias. Era um trabalho cansativo, mas não era como se tivesse outra opção no momento. Sua vida estava estável e era isso que ele mais desejava agora. Mas aquilo não era algo que odiava, ele gostava de trabalhar como coordenador na universidade, só era extremamente desgastante.

Tentava arrumar seus cabelos de uma forma decente quando foi interrompido pelo som da campainha que soava pelo apartamento. Àquela hora da manha, a única pessoa que apareceria em sua casa era Wonshik, não era difícil adivinhar antes mesmo de chegar até a porta. Não podia deixar de ficar feliz ao receber o namorado, mas também não conseguia ficar em paz com o mesmo desde o último encontro com seus pais.

Namorava Wonshik há seis meses, mas há apenas um, levou o mais novo para conhecer sua família, ele insistira por eras para conhecê-los. Wonshik estava muito ansioso para conhecer o sobrinho de Taekwoon, Minyool, de quem ele tanto falava. Acabou se dando incrivelmente bem com o garoto quando o viu, mas o mesmo não aconteceu com os pais de Taekwoon.

Ele achou que estava tudo bem, até o último fim de semana, que eles o chamaram e disseram que não gostaram de seu namorado, até sugeriram que terminassem.

Ele nunca consideraria de verdade o término, mas a opinião de seus pais era muito importante, por isso não pôde evitar ficar um pouco distante do namorado nos últimos dias. Também não teve coragem de contar a ele o que ouvira, não queria ferir seus sentimentos, então achou melhor omitir essa conversa. Seria o plano perfeito se ele conseguisse agir normalmente.

A insistência de Wonshik em visitar sua casa mais vezes não ajudava em seu comportamento, o mais novo falara a semana toda que deveria ter ido com ele em sua última visita e que esperava ser convidado nas próximas.

Ao abrir a porta se deparou com o rosto sorridente do namorado, que logo se jogou sobre ele para um abraço, Taekwoon não pôde deixar de sorrir também ao abraçá-lo de volta.

– Senti saudades, amor – nunca se acostumaria a ser chamado assim, sempre achou esse tipo de tratamento muito brega, mas soava fofo ao ser pronunciado pelo mais novo.

– Nós nos vimos no sábado, Wonshik, há dois dias.

– Não posso sentir saudades assim mesmo? – ele fez um bico como se estivesse magoado, mas Taekwoon já o conhecia o suficiente para saber que ele só queria ser mais mimado, o que não conseguiria naquele dia.

– Pode sim – disse sem esperar uma resposta e foi até o sofá pegar sua bolsa para sair, precisava sair logo.

– Quer uma carona até o trabalho? – Wonshik questionou e Taekwoon balançou a cabeça em afirmação.

Os dois saíram do prédio e foram até a universidade. Wonshik tentou fazer perguntas ou puxar assunto durante todo o trajeto, mas fora respondido apenas com gestos ou monossílabos. Quando chegaram ao destino, Taekwoon começou a se mover para sair do carro até sentir uma mão em seu pulso o parando.

– Mereço ao menos um beijo de despedida? – ele sentiu uma pontada em seu peito ao ver mágoa nos olhos de Wonshik enquanto ele falava. Só queria pedir desculpas por o tratar assim durante toda a semana e dizer que o ama, mas as palavras pareciam desaparecer sempre que tentava. Então apenas se curvou e beijou seus lábios, num selar longo e suave – Você está estranho comigo, hyung, está tudo bem? – queria ser sincero mas não conseguiria agora, então apenas concordou com a cabeça novamente e murmurou um “tchau” que mais se assemelhava a um sussurro antes de sair do carro.

 

X

 

Em seu apartamento, a noite, Taekwoon apenas queria se deitar e dormir o mais rápido possível, mas não esperava encontrar Wonshik ali aguardando sua chegada.

Era comum para o mais velho encontrá-lo ali as vezes, já que ele tinha a chave, mas ele costumava sempre avisar que iria.

Ficaram sentados, cada um em um sofá da sala, completamente em silêncio. Enquanto Wonshik encarava Taekwoon e este encarava o chão.

– Se for falar algo, fale de uma vez – Taekwoon quebrou o silêncio sem desviar seu olhar.

– Por que você está agindo assim comigo? – Wonshik decidiu falar logo o que vinha o perturbando por um tempo, e que ensaiara milhares de vezes em sua mente.

– Assim como? – era claro que Taekwoon sabia como, mas não é como se planejasse admitir de primeira.

– Você sabe como, hyung, você está me tratando friamente e nós estamos distantes há uns dias, eu não sei o que aconteceu, eu fiz alguma coisa para te magoar? – esperou a resposta por alguns segundos e apenas recebeu um aceno negativo com a cabeça vindo do outro – Então por quê? Me diz, por favor, não consigo lidar com você me tratando assim, eu te amo.

– Você não fez nada, eu só… – não conseguiu continuar e olhou para o mais novo, que o encarava, esperando que continuasse – Me desculpe, eu não queria te tratar assim, mas você sabe como eu sou.

– Sei, e não é assim – Wonshik se levantou para sentar no outro sofá ao lado de seu namorado e segurou sua mão – Eu sei que aconteceu algo, pode me contar, você sabe que não há segredos entre nós.

– Eu não contei porque não queria te magoar – Taekwoon logo percebeu pelo olhar de Wonshik que ele não desistiria de saber, resolveu começar a contar – Se lembra que me pediu para ir até minha casa novamente? – o outro murmurou em afirmação como resposta – Então, não vou poder te levar, meus pais disseram que não vão mais te receber.

– O que? Mas por quê? Eles não gostaram de mim? – ele parecia chocado ao ouvir, tudo foi normal em sua visita, ele não sentira sinais de rejeição.

– Não, até me disseram que deveríamos terminar nosso relacionamento – Wonshik o olhou assustado dessa vez, Taekwoon não pôde deixar de rir um pouco da sua expressão desesperada – Não se preocupe, não estou pensando em acatar a sugestão – o mais novo suspirou aliviado.

– Mas não entendo os motivos deles para isso.

– Bom, eles disseram que é uma vergonha você não ter um emprego decente, que você tem muitas tatuagens e que seu cabelo é estranho, sua maquiagem também – Taekwoon falou aquilo num tom mais leve, dizer em voz alta o fez perceber que ele reagiu de forma exagerada à tudo aquilo. As reclamações de seus pais eram bem superficiais.

– Ei, meu emprego é decente, eu trabalho o dia todo – ele não parecia ofendido pelas outras coisas, ouvia elas constantemente, até de seus próprios pais.

– Tente explicar para eles que ser produtor e compositor é tão decente quanto ser um executivo ou outra coisa parecida.

– Posso tentar um dia se você quiser – disse suavemente se aproximando para colocar um braço por cima dos ombros do mais velho, já se sentindo mais confortável – Eu fiquei assustado, achei que você estava me traindo, ou que tinha se cansado de mim e nunca mais queria olhar na minha cara.

– Como você é exagerado, sabe que eu nunca faria isso – Taekwoon se aproximou o suficiente para colocar a mão no rosto de Wonshik, que o olhava fixamente nos olhos. Aqueles olhos brilhantes pelos quais se apaixonou, um olhar que só transmitia amor e carinho. Sorrindo, se aproximou um pouco mais e capturou seus lábios num beijo doce e repleto de sentimentos da parte de ambos – Eu te amo.

– Também te amo, hyung – Wonshik disse sorrindo – E prometo que vou tentar conquistar seus pais, não quero que brigue com eles por minha causa.

– Tenho certeza que se eles ignorarem seu cabelo estranho e te conhecerem de verdade vão te amar, assim como eu – o mais novo o olhava com curiosidade agora – O que foi?

– Você também não acha meu cabelo estranho, né? – Taekwoon riu com a pergunta do outro, e demorou a se acalmar para respondê-lo.

– Seu cabelo é lindo, você e o descolorante são almas gêmeas, tenho até ciúmes.

– Que bom, porque eu acho cada parte de você perfeita, amor – Taekwoon sentiu suas bochechas queimarem com aquelas palavras repentinas.

– Não precisa ser tão meloso, Wonshik.

– Eu sei que no fundo você adora – o mais novo riu e Taekwoon apenas continuou o olhando,tentando esconder que sim, adorava quando ele era meloso.

Queria ser capaz de dizer palavras como aquelas também, mas nunca foi bom com as palavras, ainda menos com as que expressam sentimentos, então preferia mostrar o que sentia com ações. Como beijos e abraços, todo tipo de carícia, assim como as que dividiram pelo resto daquela noite. E esperavam continuar dividindo por muito tempo.

Apesar dos problemas que poderiam ter no futuro, o amor deles era intenso, e mais importante que todos os obstáculos.

Underneath – Parte II: Jeongmin’s Feelings

Hyunseong era como uma âncora, sempre lá para me apoiar quando eu precisasse. Ele sempre estava lá quando eu estava triste para me consolar, e sempre que eu estava feliz para dividir sorrisos comigo. Não importava o quão ruim meu dia fora, eu sorria, pois sabia que ele estaria lá para mim.

Ele era um anjo, delicado, amoroso, inocente, além de extremamente bonito. As vezes pensava em como alguém tão perfeito poderia existir. Me via gostando mais de tê-lo perto de mim a cada dia.

Quando ele estava ao meu lado, era como se nada pudesse me atingir, como se nós dois juntos fossemos invencíveis, talvez a única coisa capaz de nos vencer fosse o medo.

Eu amava estar perto de Hyunseong, seus toques completamente inapropriados, seus abraços, suas palavras altamente constrangedoras, seus sorrisos que acendiam cada chama de felicidade existente em meu corpo. Mas sentia que deveria me afastar se alguém estivesse nos observando. Me sentia na obrigação de justificar qualquer contato além do considerado normal para amigos, de fazer o possível para que todos achassem que não éramos tão próximos.

As vezes sentia que todos sabiam, como se me julgassem a cada vez que me olhassem e isso me consumia. A única coisa que me deixava tranquilo era que apesar de tudo, Hyunseong ainda passaria a noite comigo assistindo a filmes ou apenas rindo de besteiras sem sentido.

Apesar da felicidade e tranquilidade que sentia estando com ele, tudo acabava quando passava da porta de casa e mais uma vez sentimentos ruins se estabeleciam. O medo era sempre o pior deles.

Tinha medo que alguém descobrisse meus sentimentos e os interpretasse de maneira errada. Mas qual era a maneira certa? Que sentimento era? Não sei descrever ao certo, só sei que é algo forte e que deve ser mantido em segredo.

Underneath – Parte I: Hyunseong’s Feelings

Isso não tem exatamente um plot, eu nem sei de onde saiu isso em primeiro lugar, mas escrevi faz um tempo e como estava guardada resolvi postar. Ela vai ter só dois capítulos em forma de drabble.

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Era estranho ter aquele tipo de sentimento. O sentimento errado. Pela pessoa errada. Na hora errada e no lugar errado. Ao mesmo tempo que parecia errado, parecia ter cada vez mais sentido. Mas eu sabia que o mundo não aceitaria minhas razões para achar certo, assim como eu não entendo as dele para achar errado.

E era assim que me sentia desde que o conheci. Aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso radiante, quando o vi, comecei a achar que era impossível não amar aquele jeito resplandecente se ser. Depois de um tempo percebi que estava certo, e não pude fazer nada a não ser me apaixonar como uma criança romântica e sonhadora.

Passava boa parte do meu tempo apenas o olhando e automaticamente sorrindo, era impossível me sentir triste com ele por perto. Jeongmin era como um vício, precisava dele, e tinha que manter isso em segredo. Ele me trazia sensações incríveis, inexplicáveis, e isso tinha que ficar guardado. O segredo sobre isso era para o meu próprio bem apesar de demasiadamente sufocante.

A cada vez que nós brigávamos, sentia um calafrio, um medo percorrendo todo o meu corpo. Medo de aquilo ser definitivo e eu nunca mais poder chegar perto dele, o abraçar, ficar tão perto a ponto de sentir sua respiração e seus batimentos cardíacos, aspirar seu perfume adocicado e intoxicante.

Uma sensação horrível ficava no meu peito a cada vez que ele me ignorava, ou quando encontrava seu olhar e ele parecia querer mirar em qualquer direção oposta à minha. Como se minha existência fosse irrelevante. Mas isso não durava mais que dois dias, depois disso parecia que nada tinha acontecido. E eu preferia fingir que realmente não aconteceu, doía muito lembrar.

A melhor alternativa era sempre aproveitar todo o momento que poderia ter. Aproveitar todo o amor que poderia receber e oferecer.

One Shot (Seoljeong) – Daydream

Finalmente escrevi uma fic que não seja Jeongseong, foi difícil mas saiu. Ando muito apaixonada por AOA ultimamente, especialmente por essas duas, espero escrever mais coisas delas no futuro, passar a vida toda escrevendo só um couple ninguém merece né, amores. Enfim, mesmo sendo a primeira espero que esteja aceitável ♡

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O salão estava lotado de pessoas, andando e dançando por todos os lados em vestidos glamorosos e ternos elegantes. Hyejeong adorava trajes de gala, eram seus favoritos, por isso sempre escolhia muito bem quando tinha a oportunidade de usar. Naquele dia em especial, escolheu um vestido de seda rosa claro que ela mesmo havia desenhado em sua última coleção. Ela preferia cores mais chamativas, mas preferiu não chamar atenção nessa festa, já que era o casamento de sua amiga e ela devia ser a estrela.

Estava muito feliz por Eunji, já que sempre foi seu sonho se casar e finalmente estava sendo realizado. Desde que conheceu Taekwoon planejava esse dia, ainda se lembrava da primeira vez que a amiga comentou sobre o garoto da sua sala da faculdade com os olhos brilhando, era maravilhoso que depois desses anos eles estivessem dando esse passo juntos. Já Hyejeong nunca teve essa ambição, sempre focou em sua carreira e mal teve tempo para namoro desde a faculdade, casamento não era algo com que se preocupava. Apesar de se encantar com aqueles vestidos brancos de casamento, que transmitem pureza e felicidade a todos que presenciam a cerimônia.

Por mais que achasse a festa maravilhosa, nunca se acostumava em permanecer em lugares cheios. Passava a maior parte do tempo sozinha em casa ou em seu ateliê, precisava respirar após ficar muito tempo rodeada de pessoas.

O lugar onde a festa acontecia, tinha um jardim enorme e muito bonito, com esculturas enormes de uma grama verde e claramente bem tratada. Além de postes de luzes que davam um ar vintage ao vergel. Hyejeong respirou fundo para sentir o ar puro que havia ali, era sempre melhor respirar em lugares vazios, ou quase vazios, como pôde constatar ao observar melhor os bancos a sua frente. Havia uma mulher sentada com os cotovelos apoiados em suas pernas e as mãos cobrindo o rosto, parecia frustrada. Hyejeong ficou preocupada, afinal, não era comum ver pessoas se sentindo assim em comemorações como aquela. Se aproximou dela e antes que dissesse qualquer coisa conseguiu imaginar qual era o problema, o vestido dela tinha um rasgo da ponta até o joelho.

– Ei – disse baixo e a mulher tirou as mãos do rosto para olhar em sua direção. Hyejeong suspirou quando a viu, ela era linda, os olhos grandes que expressavam surpresa, provavelmente por ter uma estranha falando com ela no meio do nada. Os lábios pequenos pintados de rosa, que combinavam perfeitamente com o tom levemente bronzeado de sua pele e com os cabelos pretos, compridos e lisos. Hyejeong via super modelos o tempo todo, mas aquela mulher a sua frente era a mais bonita que já vira em anos. Continuou a falar mesmo que ainda um pouco sem fôlego – Está com problemas no figurino? – tentou parecer casual apesar de estar um pouco nervosa.

– Sim, sou muito desastrada para usar vestidos longos assim – ela riu, Hyejeong logo se viu contagiada e riu também – Não posso voltar para lá desse jeito – disse com a voz chorosa e fazendo um bico fofo.

– Eu posso te ajudar se quiser – Hyejeong disse enquanto abria sua bolsa, tirando dali um pequeno estojo de costura – Sempre carrego um desses – ela sorriu e a mulher sorriu de volta.

– Você acaba de salvar minha noite, eu nunca pensaria em trazer um desses, e mesmo se trouxesse não sei costurar – as duas riam enquanto Hyejeong já preparava sua linha para costurar o vestido.

– Não se preocupe, as roupas das minhas modelos rasgam o tempo todo antes dos desfiles, estou acostumada a fazer isso – disse sem olhar para a outra, estava concentrada no tecido vermelho.

– Suas modelos? – perguntou a Hyejeong com um tom surpreso.

– Sim, eu sou estilista – respondeu – E meu nome é Shin Hyejeong, me desculpe, nem me apresentei antes de ir colocando as mãos no seu vestido – a outra riu com o comentário.

– Tudo bem, eu também não me apresentei, sou Kim Seolhyun – Hyejeong olhou para cima apenas para se deparar com o sorriso mais lindo que já vira direcionado para si.

– Muito prazer, Seolhyun – sorriu também e tentou se concentrar no vestido novamente.

– Então, o que faz aqui fora ao invés de estar aproveitando a festa? – Hyejeong já havia notado que Seolhyun gostava muito de conversar, ficou feliz em responde-la.

– Queria tomar um pouco de ar, muitas pessoas em volta me deixam tonta – Seolhyun riu com o comentário – E você, o que faz aqui além de esconder o vestido?

– Eu não conheço ninguém aqui na verdade, vim apenas para parabenizar Taekwoon.

– Entendo, eu conheço vários colegas antigos de faculdade, mas não é como se eu quisesse falar com eles – Seolhyun gargalhou um pouco alto demais e Hyejeong riu também, não entendia como a outra achava graça em sua falta de talento para socializar, mas sua risada era maravilhosa então aquilo não importava.

– Eu poderia dizer para você não falar assim sobre seus colegas mas sempre evito os meus também. Eram todos chatos, fiquei aliviada quando me formei.

– Parece que você não pode me julgar então – as duas riram – Mas como você conhece Taekwoon e não conhece mais ninguém aqui?

– Nos conhecemos quando minha empresa patrocinou uma de suas peças e ficamos amigos.

– Você tem uma empresa? – Hyejeong a olhou surpresa, afinal, Seolhyun parecia ser muito jovem para possuir uma corporação.

– Na verdade ela é dos meus pais, mas eu sou a CEO no momento – explicava como se estivesse falando que possuía uma bicicleta. Hyejeong ficou encantada, além de bonita, interessante, simpática, Seolhyun ainda era bem-sucedida.

– Nunca vi uma CEO tão bonita como você – Hyejeong disse sem pensar. Imaginou como aquilo deve ter soado ridículo logo após dizer, corou e já preparava as desculpas em sua mente quando ouviu Seolhyun rir baixo, ela não parecia incomodada com o comentário.

– Obrigada, também nunca vi uma estilista tão bonita – Hyejeong sorriu ainda olhando para o vestido, agora quase costurado – Na verdade não conheço muitas, mas não acho que conseguem ser mais bonitas que você, Hyejeong.

– Conseguem sim, você devia ir em um dos meus desfiles para vê-las.

– Duvido muito, mas aceito o convite para o desfile – disse Seolhyun para Hyejeong que agora se levantava após terminar o reparo no vestido vermelho.

– Pronto, não está perfeito mas está aceitável para ser visto até o fim da noite – olhava para baixo, vendo o que havia feito. Poderia ter ficado melhor, mas ela só tinha seu kit de emergência. Além de prestar mais atenção na voz melodiosa e na risada contagiante de Seolhyun do que no que estava fazendo – E eu ficaria muito feliz se você fosse mesmo em um desfile.

– Muito obrigada, Hyejeong, ficou maravilhoso – Seolhyun se levantou e girava para mover seu vestido e observar a barra agora quase perfeita – Não sei o que faria se você não tivesse aparecido.

– Provavelmente ficaria aqui sentada pelo resto da noite – Hyejeong riu. Seolhyun se sentou ao lado dela no banco, muito perto, o suficiente para deixar o coração de Hyejeong descompassado.

– Eu estava planejando fazer isso agora, se você quiser ficar aqui comigo, é claro – Seolhyun pegou na mão de Hyejeong e sorriu para ela, esperando uma resposta qual Hyejeong tentava dizer mas nada saia da sua boca.

– Quero sim – conseguiu dizer num sussurro e esperou que Seolhyun não a achasse muito idiota por ficar nervosa com tão pouco. Mas não era sempre que uma mulher tão bonita ficava perto de Hyejeong, segurando sua mão e provavelmente com segundas intenções. Aquilo nunca acontecera na verdade, Hyejeong nunca foi muito experiente nesse tipo de coisa.

– Ótimo – Seolhyun chegou mais perto, o que Hyejeong já achava que não era possível – Acho que podemos nós divertir mais aqui sozinhas.

Hyejeong soltou um suspiro quando Seolhyun colocou a mão em seu pescoço, aproximando seus rostos. Ela parou quando estavam perto o suficiente para sentirem a respiração uma da outra, como se desse tempo para Hyejeong se afastar se quisesse, obviamente ela não queria, pelo contrario, o que antes parecia muito perto começara a se tornar distante demais para ela, então num segundo de coragem se aproximou mais de Seolhyun, selando seus lábios.

Seolhyun logo correspondeu pressionando sua boca contra a outra, num selar calmo que rapidamente se tornou um beijo mais profundo quando Seolhyun pediu passagem com a língua e foi concedida no mesmo momento. Hyejeong colocou a mão na cintura de Seolhyun a puxando mais para perto e pode ouvir um leve arfar contra seus lábios enquanto separavam seus rostos por milímetros, apenas para se olharem e logo voltarem ao beijo, se perdendo naquela sensação que Hyejeong já não sabia se durara segundos ou horas. Quando se separaram, Hyejeong abriu os olhos e viu Seolhyun sorrindo, sorriu também.

– Acho que devia me passar seu número, para me avisar a data do seu próximo desfile – Seolhyun disse e Hyejeong riu, ela falava como se nada tivesse acontecido naquele espaço de tempo. Ela se via encantada com o modo simples que Seolhyun tinha de tratar as coisas.

– Claro me passe o seu também – Seolhyun concordou e as duas trocaram os celulares. Hyejeong salvou seu número no celular da outra como “Dongdong ♥” e riu de si mesma, se sentia uma adolescente de novo. Quando pegou seu próprio celular viu o novo contato “Seolhyunnie ♡” e ficou feliz por não ser a única se comportando como uma boba.

Não demorou muito para que se perdessem uma na outra entre beijos e continuassem assim pelo resto da noite, sem sequer se lembrar que uma festa ocorria lá dentro.

X

Hyejeong acordou na manha de domingo com um sorriso no rosto, ainda parecia um sonho tudo que acontecera na última noite. Se recordava de tudo com os mínimos detalhes, desde os olhos brilhantes de Seolhyun até seus lábios macios.

Pegou seu celular e viu que não passava das 8 da manha, decidiu dormir mais um pouco, mas não antes de abrir a mensagem que aparecia em suas notificações.

De: Seolhyunnie ♡

Bom dia, Dongdong ♥

Sei que já marcamos de nos encontrar no desfile, mas isso pode demorar um pouco, não? ㅋㅋㅋ poderíamos sair para tomar um café essa semana antes que eu sinta mais sua falta  ㅠㅠ

Hyejeong sorriu ao ler, já sentia falta de Seolhyun também e fez questão de dizer isso em sua resposta, pensou em voltar a dormir, mas enquanto lembrava dos beijos de Seolhyun e devaneava sobre todos os futuros encontros com ela, já se sentia no mundo dos sonhos.

One shot – I Shouldn’t (Should) Do It

Desde que recebeu aquele roteiro Hyunseong sabia que não deveria ter aceitado. Mas não era como se ele estivesse em posição de escolher alguma coisa, conseguiu poucos trabalhos nos últimos anos, apenas alguns personagens secundários em filmes alternativos. Com esse papel, sua carreira poderia melhorar, o diretor Kim Donghyun era conhecido e esse filme era aguardado por seus fãs, o público seria muito maior que qualquer filme que ele já havia feito. Não hesitou em aceitar, apesar de ver que o roteiro tinha uma cena de beijo. Hyunseong nunca achou que teria que beijar em cena, para ele era uma coisa especial que deveria ser dividida com alguém que se ama, não com um colega de trabalho aleatório. Mesmo assim resolveu ir no primeiro dia de gravações como havia combinado.

Antes de começar as gravações Hyunseong procurou Donghyun no set, aquele lugar era muito maior que qualquer um que ele já havia filmado, o que resultou em passar nos mesmos corredores várias vezes até achar o diretor sentado numa mesa com vários papeis a sua volta.

– Donghyun – ele olhou em sua direção, não parecia muito feliz de lhe ver ali, mas Hyunseong continuou – Posso me sentar um pouco? – ele concordou com a cabeça – Então, sobre essa cena do beijo, eu preciso mesmo fazer?

– Claro que precisa, Hyunseong, se está no roteiro é para ser feito – o ator abriu a boca para protestar mas logo foi interrompido – Não se preocupe, Jeongmin já fez isso várias vezes, ele vai te ajudar.

– Mas eu nem o conheço, vai ser estranho ter esse nível de intimidade, nós não poderíamos ao menos esperar uns dias para essa cena?

– Não, só vamos ter esse cenário disponível hoje. Você está se preocupando atoa, vai ser até bom, Jeongmin beija muito bem.

– Como você sabe disso? – Hyunseong viu Donghyun ficar completamente vermelho em um segundo e teve que se segurar para não soltar uma risada.

– Pare de fazer perguntas e vá logo fazer sua maquiagem, Hyunseong – o mais novo saiu sem falar mais nada e riu assim que saiu da vista de Donghyun.

Quando se acalmou, foi para o camarim se preparar. Uma maquiadora o esperava lá dentro, o que era um choque, já que nos outros filmes que fizera, teve que fazer sua própria maquiagem. Tudo ficou pronto rápido e ele agradeceu à mulher que sorriu para ele e deixou a sala depois de arrumar suas coisas.

Hyunseong resolveu passar seu roteiro mais uma vez antes de entrar em cena, apesar de ter alguns anos de experiência, sua memória ainda o traia em momentos cruciais. Já teve que lidar com várias experiências ruins por esquecer suas falas constantemente.

Ainda pensava no que conversara com Donghyun, será que o ator que trabalharia com ele realmente o ajudaria? Ele deveria ser ao menos um pouco mais famoso que Hyunseong, já que tinha trabalhado em muitos filmes e alguns com bastante prestígio, segundo a maquiadora, que lhe contou tudo sobre a equipe enquanto o maquiava. Ele poderia ser como alguns atores rudes que deixavam a fama subir a cabeça ou algo do tipo. Mas preferiu pensar que ele seria legal e que ele não teria que beijar nenhum idiota.

Ouviu batidas na porta e disse um “Pode entrar” alto o suficiente para que quem estivesse do outro lado da porta pudesse ouvir.

– Hey – pôde ver um garoto entrando pela porta, um pouco hesitante. Ele se aproximou e Hyunseong se levantou para cumprimenta-lo – Sou Lee Jeongmin, prazer, serei seu novo namorado nesses dias de filmagem – ele sorriu.

Hyunseong nunca tinha visto um sorriso tão lindo, tinha certeza que seu rosto já estava vermelho e demorou um tempo – um bom tempo – para estender a mão para Jeongmin e se apresentar.

– Sou Shim Hyunseong – sorriu também – Estava um pouco nervoso para te conhecer – Hyunseong se arrependeu no mesmo segundo em que terminou a frase, aquilo soava idiota, mas ele não conseguia controlar sua boca as vezes. Jeongmin não pareceu o achar tão bobo, apenas riu como se ele tivesse feito uma piada.

– Por que nervoso? Espero que Donghyun não tenha feito uma propaganda muito ruim.

– Ele só disse que você beija muito bem – Jeongmin riu ainda mais dessa vez.

– Ah, não ligue para isso, Donghyun é meio apaixonado por mim, mas quem não é? – ele se olhava no espelho arrumando sua franja que já estava arrumada. Hyunseong não sabia se ele estava brincando ou não, mas riu assim mesmo.

– Talvez eu seja o próximo – falou eu tom de brincadeira, mas sabia que não estava totalmente brincando.

– Espero que sim – Jeongmin diminuiu a distância entre eles, apoiou seus braços nos ombros de Hyunseong e ficou nas pontas dos pés para lhe dar um beijo na bochecha. Hyunseong o olhou com os olhos arregalados – Me desculpe se foi demais, só queria que você se sentisse mais confortável comigo para as filmagens não serem uma tortura – Hyunseong sorriu.

– Estou me sentindo bem melhor sobre isso agora que te conheci.

– Deveríamos ir agora, já vamos começar a filmar, vim aqui te chamar para isso na verdade – ele riu seguido por Hyunseong.

Os dois andaram em direção ao set de mãos dadas.

X

Durante as filmagens Hyunseong esqueceu suas falas algumas vezes. Não pela memória ruim como de costume, mas porque não conseguia parar de olhar para Jeongmin, reparando em todos os detalhes. Além do sorriso radiante, ele tinha lindos olhos pequenos, que quase se fechavam quando ele ria. Uma risada animada e melodiosa, que ecoava por todo o set, deixando o ar mais puro e brilhante. Seus cabelos que cobriam a testa num tom escuro de castanho e moldavam mais que perfeitamente seu rosto. Por fim, Hyunseong olhava para seus lábios, perfeitamente desenhados, que pareciam ser macios e perfeitos. A ideia de beija-los deixou de ser assustadora e passou a ser tentadora. Hyunseong pensou que Jeongmin falara sério mais cedo sobre todos se apaixonarem por ele.

Estavam num set que representava o quarto de Jeongmin – ou Donghae, como dizia o script – e eles estavam discutindo intensamente. Hyunseong – ou Hyukjae – conseguiu reproduzir todas as falas perfeitamente até o clímax da cena, o tão intimidador e depois tão aguardado beijo.

Hyunseong se levantou da cama e parou na frente de Jeongmin. Esse, já respirava fundo, se recuperando da briga que tinha acabado de encenar. As mãos de Hyunseong subiram para seu rosto enquanto ele se aproximavam mais. Jeongmin selou os lábios de Hyunseong. O beijo deveria ser técnico, os dois sabiam disso, mas ele acabou se desenvolvendo numa circulação de línguas entre as duas bocas. Não era como se isso fosse piorar a cena de algum jeito, pelo contrário.

Se separaram e se olharam, ambos com as bochechas rosadas e ofegantes, mas conseguiram continuar.

– Me desculpe, eu te amo – Hyunseong ( Hyukjae) disse e foi respondido com um sorriso do mais novo.

– Também te amo.

– CORTA – ouviram a voz estridente de Donghyun ecoar e finalmente se separaram – Isso foi ótimo – ele deu tapas nas costas dos dois, os parabenizando – Você estava nervoso atoa Hyunseong.

Na verdade Hyunseong estava mais nervoso agora que antes, ele beijara seu colega ultrapassando totalmente as barreiras do limite, mas Jeongmin não parecia ligar enquanto sorria e se curvava agradecendo pelo esforço hoje, Hyunseong se curvou de volta.

X

Com o dia de filmagem no fim, Hyunseong arrumou suas coisas e se preparou para voltar para casa, já estava na porta do estúdio quando sentiu alguém andar ao seu lado, se virou para encontrar Jeongmin sorrindo em sua direção, sorriu de volta automaticamente.

– Sabe, Donghae estava aqui falando na minha mente, e me pediu para convidar seu Hyukjae para um café, será que ele aceitaria? – Hyunseong riu com a desculpa que o mais novo arranjara para lhe convidar para um encontro.

– Não acho que Hyukjae negaria algo a seu amado, terei que aceitar – brincou também.

Jeongmin pegou na mão de Hyunseong enquanto o guiava para seu café preferido e descrevia todo o cardápio do lugar.

Hyunseong sorria para o menor e pensava “Sempre soube que deveria aceitar esse papel”.