Love Game – Capítulo IV

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  Quando Jeongmin me olhou com aquele sorriso no rosto, já imaginei que não iria escutar nada que me agradasse. Apesar de ele ficar feliz por dividir tudo comigo, eu preferia permanecer ignorante sobre alguns acontecimentos de sua vida. Mas o que eu mais temia aconteceu, Jeongmin me contava alegremente sobre sua nova namorada.

Isso já aconteceu antes, mas quando acabou, imaginei que não precisaria passar por aquilo de novo, fui muito estúpido. O aperto no peito, a sensação de preferir morrer que estar ali ouvindo aquelas palavras, a dor de saber concretamente que o amor da sua vida nunca vai te olhar, nunca vai cogitar também te amar, que você vai passar o resto de seus anos sofrendo por algo tão idiota como isso, mas que consegue destruir seu coração em dezenas de pequenos pedaços, como uma peça de vidro que nunca retornaria a sua forma original.

Um amor sem perspectiva de realização apesar de doer um pouco é suave, você não tem certeza do que pode acontecer e ainda nutre uma gota de esperança; mas, naquele momento, toda a esperança fora extraída de minha alma já sem cor e com pouca vida restante.

Apesar de me sentir sem chão, sorria enquanto ele contava sobre como a conheceu durante um passeio pelo parque que ficava perto de sua faculdade e como se apaixonaram perdidamente desde então – duas semanas atrás. Gostaria de dizer que nesse curto período de tempo é impossível se apaixonar assim, mas pareceria com inveja ou ciúme então apenas o parabenizei e finalmente dei uma desculpa de estar com muito sono e precisar dormir, não pude escapar de um último pedido.

– Hyung, quero que a conheça – ele segurava meu pulso para que eu não entrasse para meu quarto antes de o responder, o que era exatamente o que estava planejando. Questionei o porquê de tal pedido e ele respondeu – Preciso da sua aprovação, afinal, você é meu melhor amigo – a cada dia que se passava o ódio pela palavra amigo aumentava – Ela se parece muito com você, os gostos também são semelhantes, vocês vão se dar muito bem.

– Então seu tipo ideal é uma garota que se pareça comigo, Jeongminnie – ri tentando disfarçar qualquer coisa que pudesse transparecer daquela conversa horrível.

– Claro, como seria outro? – também riu e me soltou, me desejando boa noite, o qual respondi num último suspiro desacompanhado de lágrimas.

Entrei no meu quarto e imediatamente entrei em baixo das cobertas, escondendo meu rosto para que pudesse apenas chorar com um pouco de privacidade. Isso era um grande problema em morar num dormitório, se alguem visse me perguntaria o que aconteceu e eu não queria dizer a verdade, além de nunca ter sido um bom mentiroso. A única alternativa era torcer para ser invisivel por algumas horas.

Consegui esconder as lágrimas, mas não consegui esconder o estado horrível em que me encontrava nos dias seguintes. Até quando me olhava no espelho parecia que eu havia sido atropelado por um trem, e realmente havia, um trem chamado Lee Jeongmin. Que passou por cima de mim sem dó e sem perceber o dano que tinha causado, seguiu sua viagem à heterolândia tranquilamente.

Todos me perguntavam o que aconteceu com meus olhos e nariz vermelhos, eu apenas respondia que estava cansado. Era fácil de acreditar, pois realmente aquela agenda toda era feita para destruir o ânimo de qualquer pessoa, e fácil de mentir porque uma parte era verdade. Minha mentira não pareceu convencer Jeongmin, ele continuou a me perguntar o que estava acontecendo. Depois de vinte minutos recebendo inúmeros “Nada” como resposta, resolveu desistir e mudar de assunto.

Depois de Jeongmin contar a novidade a todos, Kwangmin me olhou, recebendo a resposta que queria há poucos dias atrás. Nem precisava confirmar a resposta, mas mesmo assim me arrastou até o banheiro, onde ele me consolou enquanto eu chorava mais um pouco. Dizia que eu deveria arrumar alguém – outra vez – e que deveria esquecer Jeongmin de uma vez por todas, eu concordava dizendo que com certeza faria isso. O problema é que falar era sempre mais fácil que fazer.

Os dias passavam normalmente, já me acostumava com a tristeza, apesar de não supera-la, sua presença frequente já se tornava de fácil controle para mim. Até o momento que Jeongmin me perguntou se eu poderia sair com ele e sua namorada no dia seguinte. Como negar algo àquele lindo sorriso? Era impossível. Aceitei tranquilamente e voltei a lavar a louça, tarefa que executava antes do convite. Chorava ainda mais, o controle não mais permanecia depois daquilo.

X

            Coloquei minhas melhores roupas – na minha opinião – para conhecer minha adversária. Pensei em me parecer com um legítimo macho de quem as meninas tem medo, talvez ela se afastasse de Jeongmin caso eu a amedrontasse o suficiente. Aquilo parecia impossível na minha mente, mas tentar não ia custar nada. Com minha jaqueta preta de couro, calças também pretas, uma regata branca por baixo e cabelos num topete sendo jogados para cima, fiz o que pude para ser o homem mais másculo de todo o paìs. Jeongmin entrou no quarto e vi apenas seu reflexo no espelho, lindo, como sempre, com aquele estilo despojado e delicado ao mesmo tempo, os olhos expressivos perfeitamente delineados, os cabelos alinhados que se encaixavam perfeitamente em sua figura e o sorriso, que fazia meu coração acelerar ou parar, não tinha muita certeza, não conseguia prestar atenção nas movimentações dos orgãos internos com aquela perfeição em frente aos meus olhos.

– Está bonito, hyung. Até parece que quem vai se encontrar com a namorada é você – riu enquanto se aproximava e pegava um lápis de olho para me ajudar a aplicar. Sabia que eu era horrível manuseando essas coisas.

– Apenas quero que ela tenha uma boa impressão de mim – tão boa que desista de você, vá embora e deixe meu caminho livre novamente.

– Ela vai te adorar, quem não adoraria? – ‘muitas pessoas’ pensei, mas apenas sorri e continuei em silêncio até que ele terminasse minha maquiagem – Pronto, podemos ir? –  concordei e deixamos o dormitório.

X

            Marcamos o “encontro” em um café perto do dormitório. Logo que entramos, vi uma garota sorrindo e acenando em nossa direção, Jeongmin acenou de volta e fomos em direção a ela. Quando chegamos, ela sorriu para mim e se curvou. Era muito bonita, cabelos longos, castanhos e levemente ondulados, uma maquiagem leve, mas bem feita, era baixa (Claro, Jeongmin nunca namoraria uma garota muito alta, ou ele pareceria ainda menor), super fofa e delicada, um esteriótipo de garota perfeita, que pelo que escutava, todos os garotos sonhavam. Talvez Jeongmin tivesse medo que eu ficasse interessado nela se não soubesse que não me interessaria nem se fosse a mulher mais bonita do mundo.

Fiquei com muita inveja. Sabia que aquela garota na minha frente poderia dar a Jeongmin tudo o que ele sonhasse em um relacionamento, enquanto eu não poderia dar nada. Não podia lhe dar uma familia, nada que fosse socialmente aceitável e nem mesmo sexo, nem uma vagina eu tinha. A única coisa que eu tinha era decepção. Fui tirado de meus pensamentos.

– Myungsook, esse é meu melhor amigo, Hyunseong – dizia sorrindo – Hyunseong, essa é minha namorada, Myungsook – ouvir aquilo doeu mais que eu imaginava. Pensei que não poderia ser pior que quando ele me deu a grande notícia pela primeira vez, estava errado.

Mas apenas sorri e disse que estava lisonjeado em conhece-la. Naquele momento me senti um ótimo ator pois minha vontade era pular no pescoço dela a qualquer momento. Não que eu fosse fazer minha vontade, nunca agia como um descontrolado.

Conversamos enquanto eu tomava meu frappucino e tentava me concentrar em Jeongmin e fingir que aquela garota nem estava ali. Não adiantou muito, ela me perguntava muitas coisas, queria dizer “Minha vida não te interessa, querida” mas apenas respondia educadamente.

Antes de sairmos, Jeongmin insistiu em pagar, o que era estranho já que ele sempre me fazia pagar tudo o que comprava, se dirigiu até o balcão e nos deixou sozinhos por uns minutos. Tinha algo que eu precisava dizer.

– Myungsook – ela, que estava mexendo no celular, me olhou esperando que continuasse – Pode me prometer uma coisa? – assentiu com a cabeça – Por favor, cuide bem de Jeongmin. Ele já teve algumas decepções amorosas, não quero ve-lo machucado de novo.

Foi a primeira vez que fui sincero o dia todo. Apesar de todo o ciúmes e inveja que sentia no momento, o que eu mais queria era ver Jeongmin feliz, sabia muito bem que não seria eu a trazer aquela felicidade, então era melhor te-la com outra pessoa.

– Você gosta muito dele, não é? – concordei – Ele sempre fala de você com muito carinho. Não se preocupe, vou cuidar dele.

Jeongmin falava de mim para sua namorada? Essa ideia realmente nunca havia passado pela minha mente. Achava que ele só lembrava de mim quando queria algo, ele é sempre tão indiferente a tudo. Mas talvez ao menos nossa amizade importasse de verdade para ele.

Finalmente fomos para casa, no caminho, Jeongmin ficava me perguntando o que eu tinha achado de Myungsook. Apenas disse a verdade, que a achei bonita e que ela parecia ser legal. Ele sorria, parecia estar feliz de verdade com ela. Aquilo me deixava feliz no fundo, bem no fundo do meu coração, apenas uma pequena ponta do fundo, o resto queria apenas deitar e ficar chorando para sempre.

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One Shot (Barquelle) – All The Things She Said

Barbie estava desolada após o fim de seu namoro com Ken. Por mais que ela tenha escolhido esse caminho, era difícil mudar aquilo que já durava tantos anos. Em seu closet, estava sentada atrás de um dos armários tentando se esconder de qualquer um que tentasse a procurar, não estava com vontade de bater papo.

– Barbie? – escutou uma voz muito conhecida em algum lugar do closet não tão perto de onde estava – Barbie? Você está ai? – por mais que não quisesse falar, era impossível não atender àquela voz.

– Estou aqui, Raquelle – logo ouviu passos em sua direção e logo a morena estava se sentando do seu lado.

Ficaram um tempo sentadas em silêncio. Barbie, ainda triste, sem vontade de falar algo. Raquelle, sem palavras, algo raro, mas não era muito boa em confortar as pessoas e não queria dizer besteiras naquele momento. Mesmo com pudor, decidiu quebrar a quietude.

– Barbie… sinto muito pelo seu término. Não sei exatamente o que aconteceu, mas você sabe que não fiz nada para causar isso, certo? Não dessa vez – dizia calma e lentamente.

– Eu sei, Raquelle, não se preocupe, a culpa foi toda minha.

– Se importaria de me contar o que aconteceu? Odeio te ver triste assim, você é sempre tão alegre – a loira deu um pequeno sorriso ao ouvir as palavras da outra.

– Obrigada pelo apoio – sorriu para a morena mas continuou a falar mais seriamente – Quer mesmo saber? Planejo te contar isso há algum tempo.

– Como planeja me contar se tudo aconteceu hoje?

– Não foi algo de apenas um dia, Raquelle, já faz um tempo que carregava essa vontade de acabar com isso.

– Do que você está falando, Barbie? – Raquelle estava confusa, o casal parecia feliz até ontem. Por que Barbie iria querer romper o relacionamento?

– Preciso que preste muita atenção no que tenho a dizer.

– Pode falar, estou escutando.

– Raquelle, há algum tempo percebi que havia uma razão para sempre te querer por perto, por mais que todos dissessem que você queria me fazer mal. Eu sentia que não, sentia que algo especial sempre aconteceu entre nós, algo que eu não compreendia, mas finalmente entendi e quero que você saiba. Eu te amo – Raquelle estava sem palavras, nunca imaginou realmente ouvir aquilo.

– Barbie, eu… – não conseguiu concluir a frase.

– Não precisa dizer nada, sei que você gosta do Ken, agora o caminho está livre.

– Você achou mesmo que eu gostasse do Ken? – não conseguiu conter o riso – Eu sempre quis separar vocês dois por ciúmes de você, eu também te amo, Barbie.

– Mesmo? – os olhos azuis da loira brilhavam enquanto olhava nos de Raquelle.

– Mesmo – a morena sorria.

– Vamos ficar juntas para sempre.

– Mas é claro, para a eternidade.

Então elas diminuíram a distância entre elas e seus lábios se tocaram, selando a união de seus corações e realização de seus maiores sonhos.

Love Game – Capítulo III

Sem Você

Acordei de um sono pesado com alguém balançando meus braços, provavelmente para de despertar. Agora um pouco mais consciente consegui reconhecer a voz de Kwangmin. Murmurei alguns sons que nem eu reconheci, mas era uma tentativa de perguntar por que ele estava me acordando, parece que ele entendeu o suficiente para me responder.

– Donghyun hyung me pediu para te chamar, já vamos tomar café da manha – sentou-se em minha cama enquanto eu me levantava para sentar também e tentar espantar o sono extremamente forte que tomava conta de mim naquele momento.

– É tão tarde? – coçei os olhos e o vi assentindo mesmo com minha vista embaçada – Fiquei no estúdio até tarde com Jeongmin ontem e quase não dormi.

– E você vai ficar até quando nessa com Jeongmin hyung? – ele me perguntava sério.

– Nessa qual? – me fiz de desentendido, não queria falar disso logo pela manhã.

– Você sabe, hyung – Kwangmin sabia de meus sentimentos sobre Jeongmin. Descobriu há pouco mais de um ano atrás, claramente, não por vontade da minha parte para contar algo.

X

– Hyung, você está sentado ai com essa cara faz uma hora, você está bem? – olhei para Kwangmin que entrava na sala com um grande pote de sorvete de baunilha nas mãos.

– Que cara, Kwangmin? – respondi talvez um pouco rispidamente demais, vendo como ele me olhou com os olhos arregalados. Abriu a boca várias vezes, tentando dizer alguma coisa. Me senti mal, não era culpa dele se eu estava irritado – Me desculpe, não estou de bom humor.

– Isso ficou claro, o que aconteceu? – sentou-se ao meu lado e me ofereceu uma colher. Tinha duas em suas mãos, uma para cada um de nós, logo abriu o sorvete e me servi de uma colherada antes de responder, acho que devia ter um jeito de falar aquilo sem soar estranho.

– Jeongmin saiu com sua nova namoradinha hoje – rispidamente engoli outra colherada do sorvete. Ele parecia me analisar por alguns segundos antes de responder.

– Você gosta do Jeongmin hyung? – ainda olhava nos meus olhos. Não sabia dizer se ele sabia de tudo ou não, resolvi tentar não demonstrar nada, ele podia estar falando sobre amizade apenas.

– Claro que sim, ele é meu melhor amigo. Só não gosto de quando ele me dispensa por alguma garota – tentei parecer o mais natural possível, mas acabei gaguejando um pouco. Só fiquei torcendo para ter o convencido.

– Você entendeu o que eu quis dizer, hyung, não finja que não – comecei a ficar desesperado. O que eu iria falar? Não tinha escolha a não ser falar a verdade, mesmo tendo isso decidido, nenhum som saia de minha boca. Por que Kwangmin tinha que ser tão esperto? – Eu já tinha percebido antes, vocês parecem estar em outro mundo juntos, nunca vi nenhum par de amigos agindo assim. Só achei que ele correspondia seu sentimento. Não parece ser o caso, ele sabe que você gosta dele? – apenas escutava. Como ele podia saber dessas coisas apenas observando de fora? Era incrível. Apenas neguei com a cabeça, ainda incapaz de falar alguma coisa – Você devia falar, talvez ele corresponda, hyung.

– Ele não vai – finalmente levantei a cabeça, ele me olhava esperando que eu continuasse – Ele até sabe que sou gay, mas sei que ele gosta de garotas, tem até uma namorada, me confessar só destruiria nossa amizade, não quero isso.

– Não acho que seria bem assim, mas você decide o que vai fazer – assenti com a cabeça, começava a sentir lágrimas caindo de meus olhos. Mas sequei e segurei as que insistiam em cair, não deixaria Kwangmin me ver chorando – Hyung, pode conversar comigo sobre isso se precisar, somos amigos, certo? – ele sorriu para mim e sorri de volta.

– Muito obrigada, Kwangminnie – passamos o resto do dia vendo filmes e comendo sorvetes.

Jeongmin terminou com a tal namorada alguns dias depois, ela havia traído ele com um garoto mais velho. O consolei por uns dias, apesar de ficar triste por vê-lo daquele jeito, não podia deixar de sentir um pouco de alívio por ele estar solteiro de novo, não que ele fosse querer algo comigo, mas era inevitável.

X

– Não quero falar sobre isso, Kwangmin – me levantei da cama e segui até o banheiro. Ele logo apareceu atrás de mim.

– E o que você quer, continuar sofrendo? – não podia negar que ele tinha razão, mas não é como se eu pudesse ir no meu cérebro e desligar o botão “Paixonite por Jeongmin”.

– Acho que sim – disse sinceramente, ele apenas me lançou um olhar de desaprovação e saiu sem dizer mais nada.

Continuei escovando os dentes enquanto pensava no que Kwangmin dissera. Sabia que ele se preocupava comigo e não queria que eu sofresse, mas eu não conseguia encontrar nenhuma solução. Não havia jeito de me livrar de meus sentimentos e muito menos te-los correspondidos. Procurar alguém para me fazer esquecer também não era uma opção. Era errado usar alguem desse jeito, nunca teria coragem de fazer isso. O jeito era continuar sofrendo, como fiz nos últimos dois anos.

Fui para a cozinha e dei um ‘Bom dia’ direcionado a todos. Meu olhar foi direto para Jeongmin, que sorria para mim e batia numa cadeira a seu lado, que havia reservado para mim, gesticulando me pedindo para me sentar ao seu lado. Me irritava que cada coisa tão pequena significasse tanto para mim, era só uma cadeira, mas para mim, quis dizer que ele se importa o bastante para querer que eu ficasse ao seu lado. Sorri e me sentei ao seu lado, onde ele havia indicado.

Não tinhamos nada programado para aquele dia, então, depois do café da manha, estávamos livres para fazer o que quisermos. Perguntei a Jeongmin se ele queria ver um filme comigo, como costumavamos fazer em tardes livres, mas ele recusou, disse que tinha coisas a fazer. Apenas concordei e fiquei na sala esperando que ele saísse. O que ele poderia ter para fazer? Quando saía com seus amigos, geralmente era a noite, e para visitar a família ele precisaria de mais de um dia livre, não era o que tinhamos no momento.

Ele apareceu na porta de seu quarto enquanto a abria e já pude sentir o cheiro forte de perfume, chegou na sala e vi suas roupas, uma camiseta azul, calças jeans escuras e jaqueta de couro preta. Além das muitas joias, vários colares, dois brincos em cada orelha e três aneis, dois deles identifiquei como meus. Ele apenas se despediu casualmente antes de sair pela porta principal. Algo naquilo não me cheirava nada bem, meu estomago se revirava de pensar se ele estaria indo encontrar uma garota, alguem mais importante que eu com certeza. Resolvi ir até Minwoo e perguntar se ele sabia de algo, ele apenas negou dizendo.

– Se ele não te disse, não ia me dizer, hyung – um pouco ríspido, mas era Minwoo e eu já deveria estar preparado para uma resposta como aquela. Apenas agradeci e voltei para a sala, onde coloquei algum DVD aleatório para assistir.

X

Beirava a meia noite quando ainda assistia filmes. Tinha perdido as contas de quantos já havia visto e já estava morrendo de sono, mas não conseguiria dormir antes que Jeongmin chegasse.

Não demorou mais quinze minutos para que a porta se abrisse e revelasse um Jeongmin sorridente entrando no apartamento. Arqueei uma sobrancelha enquanto o olhava, era muito estranho o ver agindo daquele jeito.

– Onde você estava até tão tarde, Jeongminnie? – finalmente perguntei o que deveria ter perguntado antes que ele saísse.

– Ainda acordado, hyung? Está tarde – ainda sorrindo, sentou-se ao meu lado no sofá e tirou os sapatos brancos com enormes saltos pretos.

– Sim, estava te esperando – soou um pouco estranho mas não consegui pensar em nenhuma mentira na hora, então seria a verdade mesmo.

– Que bom – se virou para mim quando terminou de tirar as meias e olhou diretamente em meus olhos – Preciso te contar uma coisa.

Desde o começo do dia já sentia que ele não seria bom, parece que isso começaria a se concretizar.

One Shot – As Flores e os Zéfiros

Os dias se passavam lentamente em Alfheim, ainda mais para quem não tinha uma função.

A floresta era um lugar magnífico, sua terra era verde, as águas cristalinas e a temperatura sempre ideal, graças a todos os elfos que faziam tudo que podiam para deixar aquele lugar sempre perfeito e na maioria das vezes usavam seus dons conjuntos com a natureza para o bem comum.

Todo elfo já sabia com qual elemento tinha afinidade, pois nasciam dele. Quando um elfo completava seus 15 anos, já era hora começar a treinar para realizar a conexão e trabalhar durante toda sua vida com seu elemento. Não demorava muito para que se conectassem com sua natureza. Pelo menos deveria ser assim com todo mundo.

Hyunseong já sabia há muito tempo que era um filho do Ar, mas já tinha 24 anos e não conseguira sua mágica ainda. Sua irmã do Ar e vizinha Hyosung, sempre lhe dava conselhos, dizia que ele precisava continuar tentando e o fazia ir sempre para lugares altos para sentir seu elemento em sua maior força e se comunicar com ele. Nunca funcionava.

Os outros moradores da floresta o olhavam com pena, era óbvio para eles que ele nunca conseguiria ser um verdadeiro filho do Ar, que algo dentro dele sempre o impediria disso. Mas ele não podia parar de tentar, era sua função principal como um elfo, afinal.

Durante os longos anos que procurava seu elemento, pensava sempre em desistir. As vezes queria encontrar outro elfo que pudesse passar a vida com ele e descobrir o sentimento que outras espécies chamavam de amor.

Na verdade era seu sonho desde sempre, queria amar.

Mas os elfos não amavam uns aos outros dessa forma, eles viviam apenas para se conectar a natureza e trazer harmonia para o planeta. Esse pensamento logo saia de sua mente e ele se esforçava para focar em seu principal objetivo novamente.

Por isso, resolvera naquela manha tentar meditar na montanha mais alta de Alfheim, a montanha Parnes. Ainda tinha esperanças de ser aceito pelo Ar por ir tão longe e tão alto apenas para ter sua aprovação. O caminho era longo, mas ele sempre gostou de caminhar e admirar a paisagem a sua volta, principalmente aquela do caminho até a montanha, pois nunca andara por ali antes.

Era lindo, principalmente a vegetação, sabia que muitos elfos filhos da Terra moravam ali, e cuidavam muito bem de seu território, apesar de também cuidar de toda a floresta, suas casas eram lugares especiais.

Não pôde deixar de observar um lindo e enorme canteiro de flores. Era incrivelmente colorido e belo, sabia que ali havia flores de todos os tipos, apesar de não entender muito sobre elas. Parou para sentir a mistura de cheiros e observá-las mais de perto.

Uma flor em especial chamou sua atenção, ela tinha uma cor rosada que degradava de tom em suas pétalas, tão delicada que parecia ter sido pintada a mão pela mais habilidosa artesã. Ao ver tão bela flor, pensou que a pessoa que a cultivava não sentiria falta se levasse uma consigo, tinha muitas outras, afinal.

Se moveu para tira-la do solo, abaixando-se para chegar mais perto de seu caule, quando sentiu uma mão em seu ombro. Com certeza não era ninguém conhecido, já que estava em uma parte distante da floresta, onde não conhecia ninguém. Não precisava ser um gênio para constatar que se tratava do dono das flores. Suspirou fundo, não esperava ser pego mexendo nas flores de outra pessoa assim, se sentia culpado, apesar de, tecnicamente, não ter feito nada ainda.

Finalmente resolveu olhar para trás, já preparado para dar milhões de desculpas. Se esqueceu de tudo que formulara ao olhar para o elfo que o encarava em pé com as sobrancelhas erguidas.

Nunca poderia imaginar que o dono das flores fosse mais bonito que todas as suas criações naquele jardim.

Ele tinha os cabelos castanhos e lisos, os olhos pequenos e brilhantes e a boca perfeitamente desenhada e rosada. Usava roupas verdes, como a maioria dos filhos da Terra. Era uma presença simplesmente cintilante.

– Se desejar alguma coisa no meu jardim seria melhor falar comigo primeiro, não acha? – ele disse em tom de acusação. Hyunseong não poderia culpá-lo, ele estava prestes a pegar uma flor sem sua permissão.

– Me desculpe, não quis parecer rude, eu só… – respondeu rapidamente e gaguejando um pouco.

– Você só… – fez movimentos circulares com a mão esquerda, indicando que queria que terminasse de falar.

– Só achei suas flores muito bonitas, queria levar uma comigo e achei que não sentiria falta, me desculpe – terminou de falar com a cabeça baixa, ainda com vergonha do que fizera.

– Tudo bem – ele suspirou, relaxando um pouco, pareceu satisfeito com a explicação do outro – Da próxima vez que quiser alguma flor apenas peça primeiro.

– Claro, me desculpe mesmo – disse, se levantando. Viu que era mais alto que o outro elfo, que parecia bem mais fofo e menos assustador desse ângulo.

– Você é mesmo daqui? – indagou curioso – Não consigo sentir a magia em você.

– Sou sim, moro mais ao norte. E a falta de magia, é uma longa história.

– Se importaria de me dizer? Nunca vi um elfo adulto sem magia por aqui e fiquei curioso.

Hyunseong não sabia se devia dizer ou não. O garoto havia pedido tão educadamente e ele era tão lindo, era difícil recusar qualquer pedido assim. Mas por outro lado não queria outra pessoa o julgando.

Olhou nos olhos brilhantes do outro que refletiam a mais pura curiosidade e animação e resolveu que uma pessoa a mais sabendo sobre sua história não faria mal. Contou tudo ao outro, que ao contrário do que pensou não o olhou com pena, mas sim com animação ao lhe dar um conselho.

– Uau, é muito raro que isso aconteça, tenho certeza que o Ar está preparando algo tão especial pra você que você deve se preparar muito para receber – Hyunseong riu disso, achou fascinante a forma como o filho da Terra via as coisas.

– Nunca pensei por esse lado, mas você pode estar certo, obrigado – sorriu e o outro sorriu de volta, um sorriso tão brilhante quanto o dono.

– Não foi nada, obrigado por compartilhar sua história comigo – o filho do Ar ainda estava sem ar fitando o belo sorriso a sua frente. Resolveu ir embora rapidamente antes que ficasse tarde.

– Preciso ir agora, adeus.

Foi embora a passos rápidos sem dar tempo para que o filho da Terra dissesse algo, ele apenas respondeu com um aceno de mão.  Por mais que ele tivesse sido tão simpático, ainda não acreditava que passara vergonha na frente de um elfo tão belo como aquele. Tinha certeza que demoraria mais de uma semana para esquecer aquilo. Ou mais, já que teria que passar pelo jardim do outro todos os dias enquanto estivesse fazendo suas meditações na montanha.

Enquanto subia, tentava esvaziar sua mente, pois precisaria dela livre de qualquer preocupação pelo resto da tarde. Não foi difícil, já estava acostumado a se concentrar todos os dias para aquilo. Era como um ritual, limpar a mente, se sentar ali no solo e se concentrar para sentir o Ar em sua volta.

Ficava ali tentando se conectar com seu elemento, fazendo tudo que Hyosung lhe ensinara. Abria sua mente para que o Ar pudesse lê-la e tentava dividir todos seus sentimentos com ele.

Depois de muito tentar resolveu abrir os olhos e viu que já escurecia. Suspirou, outro dia sem sucesso, mas ainda continuaria indo àquele lugar pelo menos por duas semanas, era sua última esperança. Começava a acreditar que realmente não era capaz de se conectar com seu elemento e que precisaria encontrar outra função que não fosse guiar os ventos pela floresta.

Avistou novamente o jardim mais lindo da floresta enquanto voltava. Se lembrou do lindo elfo e percebeu que ao menos tinha se apresentado ou perguntado o nome dele. Mas teria que passar por ali todos os dias de qualquer jeito, talvez tivesse a sorte de vê-lo novamente.

 

X

 

O sol nascia mais uma vez e Hyunseong seguia para sua rotina diária interminável. Ouviu mais uma vez os conselhos de Hyosung sobre como meditar e sobre como deveria voltar cedo pois era perigoso ficar fora de casa quando não havia luz solar. Já ouvira aquilo milhares de vezes mas sempre escutava com atenção, ele sabia que ela só estava sendo cuidadosa.

Naquele dia, andou mais rápido para chegar ao seu destino, qual não sabia exatamente se era a montanha ou o jardim. Tentou não se animar tanto para rever o elfo filho da Terra, pois o outro poderia nem estar lá, ou estar e ignorá-lo.

Mas em pouco tempo já podia ver o jardim e o elfo ali, tomando conta de suas plantas, logo ficou animado novamente.

Quando chegou perto do canteiro, se sentiu do mesmo jeito que da primeira vez. Hipnotizado pelas cores e estonteado pelos aromas. O elfo dono do lugar estava distraído com seu trabalho e não percebeu Hyunseong se aproximando. Ele já começava a pensar que era melhor deixar o outro trabalhando e seguir seu caminho quando o outro o olhou e exibiu um sorriso radiante.

– Achei que você não viria logo – ele riu ao sair do meio das flores e se aproximar do outro. Hyunseong não sabia se estava imaginando ele dizendo que o esperou ali – Me dei conta que nem perguntei seu nome ontem.

– É Hyunseong – hesitou um pouco, ficava nervoso perto dele.

– Prazer, meu nome é Jeongmin – estendeu a mão para cumprimentá-lo e logo foi correspondido.

– Prazer, também esperava que você estivesse aqui fora quando eu passasse – Jeongmin riu e Hyunseong pôde ver suas bochechas um pouco rosadas.

– Que bom que ambos estamos aqui então. Na verdade queria te dar uma coisa – ele se abaixou no nível das flores. O filho do Ar estava curioso, tentou olhar o que ele estava fazendo ali sem sucesso. Apenas viu que ele segurava uma flor quando se levantou, a mesma que Hyunseong tentou pegar no dia anterior – Você gostou dessa não é? Pode ficar com ela.

Hyunseong ficou chocado, não imaginava que o mais baixo lhe daria uma de suas flores assim. Ele as cultivava com tanto carinho e Hyunseong era só um estranho que passara pela sua casa duas vezes.

– Jeongmin… muito obrigado, ela é linda – disse aproximando a flor de seu nariz para senti-la, depois de seus olhos para observá-la de perto.

– Não é nada – ele riu – As flores sempre me alegram, imaginei que pudessem te alegrar também e te dar sorte na montanha hoje.

– Tenho certeza que vai, obrigado novamente.

Se despediram de forma mais calorosa dessa vez, com um aperto forte de mão. Hyunseong não podia negar que queria dar um abraço no outro elfo, mas claro, não teve coragem. Já se sentia próximo de Jeongmin por mais que tivesse o visto apenas duas vezes. Queria conhecê-lo melhor.

A oportunidade para isso veio no dia seguinte, quando saiu de casa mais cedo a fim de ter mais tempo com o filho da Terra. O elfo lhe convidou para um chá e o outro aceitou prontamente, ainda um pouco nervoso por entrar em sua casa pela primeira vez.

Era um casebre todo decorado por flores do lado de fora, Hyunseong não sabia exatamente como as flores ficavam agarradas a parede, mas o importante no momento era que deixava a casa lindíssima. Por dentro, as paredes não tinham tantos enfeites, mas sim prateleiras e estantes cheias de livros, parecia uma pequena biblioteca.

Jeongmin preparou um chá de camomila para eles, estava delicioso e Hyunseong não pôde deixar de perguntar se a flor usada ali também era cultivada em seu jardim, a resposta foi sim, obviamente.

– Você precisa ir a que horas? – Jeongmin perguntou tomando mais um gole de seu chá.

– Acho que não posso demorar muito – respondeu de cabeça baixa.

– Está desanimado para encontrar o Ar hoje?

– Pra ser sincero nunca estou muito animado – Jeongmin o encarou com os olhos arregalados. Como um elfo não queria se conectar com seu elemento? – É só que – suspirou antes de continuar – Já faz nove anos que tento me conectar e nada funciona, Jeongmin, as vezes acho que nunca vou conseguir.

Era a primeira vez que dizia isso em voz alta. Não queria falar sobre com alguém de sua aldeia, todos ficariam decepcionados. Mas considerando a reação de Jeongmin quando lhe contou sobre sua falta de mágica, deu um voto de confiança e contou, pensara que ele agiria diferente.

E Hyunseong logo percebeu que estava certo. O outro elfo o olhava compreensivo, ao invés de desapontado. Não disse nada por um bom tempo, talvez ponderando o que deveria falar.

– Sabe, eu também demorei a me conectar com a Terra, consegui apenas aos vinte anos.

– Mesmo? Parece que você faz isso há tanto tempo – o outro riu por seu espanto.

– Faz apenas três anos que estou conectado, também achei que nunca fosse conseguir – dizia olhando para sua caneca enquanto circulava seu dedo indicador na borda dela – Quer saber como consegui? – levantou o olhar ao perguntar e Hyunseong meneou a cabeça afirmativamente. Então ele começou a falar de novo – Desde que descobri que era um filho da Terra comecei a estudar muito. A Terra exige sabedoria de seus escolhidos, então passei a me dedicar a isso. Como você pode ver, tem muitos livros aqui, já li todos, e nenhum deles me trouxe a conexão. Eu não entendia o que fazia de errado para ser rejeitado pela Terra assim, até conhecer um velho amigo. Ele já era um filho da Terra há muitos anos, então lhe pedi conselhos sobre como me conectar e ele me respondeu que eu deveria me abrir a Terra e entender o verdadeiro significado de sabedoria.

– E qual era o significado? – estava curioso para o final da história.

– Depois de aprender muitas coisas desse amigo, o pedi a recomendação de algum livro, ele me disse que nunca lera um na vida pois não sabia ler – Hyunseong arregalou aos olhos ao ouvir, nunca conheceu um filho da Terra que não soubesse ler – Fiquei muito chocado quando soube, mas finalmente percebi que sabedoria não é só se afundar em livros, mas também viver, experimentar e aprender com isso. Não demorou muito para conseguir me conectar depois que cheguei a essa conclusão.

– Uau, que incrível – Jeongmin riu do modo exagerado que o mais velho falou – Você acha que esse pode ser meu problema? Que eu não tenha descoberto o que é coragem ainda?

– Pode ser, por isso te contei isso, é importante estar pleno em sua virtude para se conectar.

– Obrigado pelos conselhos Jeongmin, você realmente é sábio, a Terra deve estar orgulhosa – disse sorrindo e viu as bochechas de Jeongmin corarem, o que o fez sorrir ainda mais.

– Não diga coisas assim! – o repreendeu mas acabou rindo também.

Hyunseong não foi até a montanha naquele dia, nem nos seguintes.

Decidiu que já era inútil meditar todos os dias como sempre fizera. Já fazia a mesma coisa por anos e nunca teve resultado. Ao invés disso, passava os dias com Jeongmin, que se comprometeu a ajudá-lo com isso.

As vezes ficavam em sua casa, procurando uma resposta em vários de seus livros e as vezes saiam e Jeongmin o fazia subir em árvores ou atravessar rios para provar sua coragem ao Ar. Nada disso adiantava, mas não se arrependia de ter mudado sua tática, ao contrário dos longos dias de meditação, tentar coisas novas com Jeongmin era muito divertido. Ele estava cada dia mais afeiçoado àqueles olhos brilhantes e sempre que descobria algo novo gostava do filho da Terra ainda mais.

Como quando entrou no lago perto do jardim e o puxou junto. Nesse dia descobriu que Jeongmin não sabia nadar e o outro ficara muito bravo, não por muito tempo, logo Hyunseong o guiava pela água de mãos dadas com ele e os dois se divertiram.

Também descobriu que Jeongmin apesar de amar seus livros, não organizava-os como deveria. Passou uma tarde toda arrumando todas as estantes enquanto Jeongmin reclamava que aquilo atrapalharia seu processo criativo. No final do dia ganhou uma flor pequena e amarela como agradecimento. O mais novo também disse que devia guardá-la para não se esquecer dele quando voltasse pra casa. Mesmo que Hyunseong não precisasse de nada para pensar nele o tempo todo.

Naquela noite de verão, descobrira que Jeongmin amava observar a natureza sob a luz da Lua e era apaixonado pelas estrelas. A maioria dos elfos preferia ficar em casa durante a noite, eram seres estritamente diurnos, então Hyunseong sempre ficou também. Mas naquela noite se viu deitado na grama ao lado de Jeongmin, contemplando a beleza do céu noturno.

– É lindo não é? – Jeongmin perguntou ao fita-lo.

– Sim, ainda não acredito que fiquei todo esse tempo sem perceber tanta beleza.

– Fico feliz que tenha gostado, agora posso ter companhia para observar as estrelas.

Apenas sorriu enquanto olhava para Jeongmin. Sua beleza era mais estonteante que a das estrelas, se sentia o elfo mais sortudo do mundo por poder passar todos os dias com ele.

Estavam muito perto um do outro, Hyunseong conseguia sentir a respiração dele em seus lábios e ver o brilho de seus olhos que tanto amava perfeitamente. Mal percebeu quando a boca dele tocou a sua.

Não conseguiu pensar em nada além de como era bom estar tão perto de Jeongmin quando retribuiu o beijo. Sua mente desligou o raciocínio e se focou nas sensações. Sua barriga que parecia ter borboletas voando dentro dela, seu coração que batia rápido como nunca antes e principalmente seus lábios, que só queriam sentir ainda mais o outro e mergulhar em todos aqueles sentimentos novos e maravilhosos.

Quando se separaram, viu Jeongmin ainda de olhos fechados e com a boca mais rosada que o nomal, por conta do que acabara de acontecer. Sua expressão era serena e Hyunseong pensou que ele estava mais lindo do que nunca, apenas conseguia reproduzir na sua mente três palavras que insistiam em sair pela sua boca, “Eu te amo”. Logo conseguiu sair do transe e percebeu o que fizeram. Ficou assustado.

Aquilo era errado, deveria estar a procura do Ar ao invés de estar ali, se perdendo em tudo que Jeongmin o fazia sentir.

Se levantou e saiu dali o mais rápido que podia, ignorando os chamados do filho da Terra pedindo que voltasse, precisava de um tempo sozinho.

 

X

 

Hyunseong se sentia pesado por tantos sentimentos que se acumulavam dentro de si na última semana. Estava com saudades de Jeongmin, não o via desde o dia em que se beijaram. Também sentia culpa, por ter deixado o filho da Terra sozinho daquele jeito sem nenhuma explicação da sua parte. Mas o que mais pesava era o medo, queria não saber o que estava sentindo e voltar no tempo para nunca conhecer Jeongmin, não estava pronto para sentir tudo aquilo.

Passou dias trancado em sua casa, se comunicando apenas com Hyosung, que insistia em fazer companhia para o elfo mais novo ao menos por pouco tempo durante o dia.

Ele contou tudo que acontecera a irmã, ela não o julgou, afinal, já imaginava que o outro filho do Ar logo se apaixonaria, sempre viu esse desejo nele.

Em uma de suas conversas Hyosung o disse algo que finalmente o faria entender tudo.

– Hyunseong, eu não entendo por que você não tem coragem de se declarar para ele – o outro que estava cabisbaixo de repente a olhou surpreso fazendo com que ela parasse de falar – O que foi?

– Eu não tenho coragem – repetiu.

– Sim, foi isso que eu disse – ficou em silêncio até se dar conta também – É por isso que você não conseguiu se conectar ainda.

– O que eu faço, Hyosung? – apesar de ter descoberto o motivo de não ser aceito pelo seu elemento ainda estava confuso.

– Vá falar com ele! É o que o Ar quer que você faça, seu medo não era ser rejeitado caso amasse Jeongmin? – o elfo confirmou com um gesto – Agora não precisa mais se preocupar com isso, vá!

– Você acha mesmo que eu deva ir? – a mais velha o olhou com as sobrancelhas arqueadas.

– Precisa que eu te leve até lá de mãos dadas? – Hyunseong sabia que ela realmente faria isso se ele não saísse dali naquele momento.

– Não é necessário – se levantou para abraçar a irmã – Obrigado Hyosung, não sei o que faria sem você.

– Provavelmente não muita coisa – riu – Vá logo.

Então ele seguiu para a casa de Jeongmin e esperou que ele o perdoasse pela última vez que se viram.

O jardim estava lindo como sempre, mas o dono dele não estava cuidando das flores como habitualmente fazia. Ele estava sentado ao pé de uma árvore grande um pouco afastada do jardim, apenas olhando para cima, observando as nuvens, provavelmente.

Se aproximou e logo que Jeongmin percebeu sua presença se abaixou para abraçá-lo.

– Jeongmin, me desculpe por ter fugido naquele dia, por favor, eu estava assustado, me desculpe.

– Calma, Hyunseong, você vai me sufocar – disse rindo levemente e logo o filho do Ar soltou-o do abraço murmurando desculpas novamente – Não estou bravo com você, imaginei que fugira por isso, pude ver que estava nervoso, eu também me senti assim para ser sincero.

– Mesmo?

– Claro, quem não estaria? – Hyunseong concordou e os dois ficaram em silêncio. O filho do Ar procurava a coragem dentro de si para dizer o que queria ao outro elfo.

– Jeongmin… eu vim aqui para te dizer algo – hesitou e Jeongmin o olhava esperando que continuasse – Não sei se você sente o mesmo mas preciso dizer que te amo.

Jeongmin não pôde deixar de sorrir ao ouvir aquilo e responder com as mesmas palavras que também o amava, agora arrancando sorrisos dos dois elfos.

De repente sentiram um vento forte em volta da árvore onde estavam, ele fazia um movimento circular e logo o ar estava cheio de pólen. Hyunseong estava confuso, como um vento conseguiria ser tão forte para trazer pólen de tão longe?

– Hyunseong, foi você não foi? – o mais novo perguntou ao outro que não conseguiu responder, não tinha ideia do que acontecia naquele momento – Tente fazer parar – ele fez como Jeongmin pediu, apenas mentalizou o movimento da corrente de ar e em seguida movimentos menos abruptos, sentindo que o vento seguia os movimentos que mentalizava.

– Fui eu – olhava para suas mãos sem acreditar no que acabara de acontecer, finalmente se conectou com o Ar.

Quando olhou para Jeongmin novamente o viu sorrindo e sorriu também. Não demorou muito para que o outro colasse os lábios nos seus, num selo tão doce e apaixonante quanto o último que compartilharam.

– Estou tão orgulhoso, sempre te disse que o Ar tinha algo especial planejado para você, mas os Zéfiros foram realmente uma surpresa.

– Você acha que a Terra e o Ar fizeram nossas habilidades serem adjacentes de propósito?

– Com certeza sim – os dois riram antes de juntarem seus lábios novamente em outro beijo.

Muitos outros beijos ainda viriam depois dos primeiros, fazendo os dois elfos se tornarem complementares assim como os Zéfiros e as flores devem ser.

Love Game – Capítulo II

You are the music in me

Jogava Naruto em meu PSP, aquele jogo era viciante e eu provavelmente não ia parar até zerar todas as partes dele. Na verdade, já tinha zerado e aquela era a segunda vez que percorria o caminho, mas nunca ficava cansativo.

Estava no meio de um jogo de adivinhação de kage bushin quando senti duas mãos em meus ombros. Olhei rapidamente para trás no intuito de descobrir quem era o dono das mãos que ousavam atrapalhar meu jogo sagrado. Fiquei um pouco bravo, mas quando finalmente me virei, já me vi sorrindo como um bobo, era Jeongmin. Não me importava que ele atrapalhasee meu jogo, ou qualquer outra coisa, mas tentei parecer um pouco irritado, pois era assim que eu agiria se fosse qualquer outra pessoa.

– Jeongminnie, você me fez perder o jogo – levantei meu PSP apenas para confirmar que havia mesmo perdido. Me senti envergonhado, aquele era o mini game mais fácil que já existiu. Pelo menos eu tinha uma desculpa.

– Desculpe, hyung, é que eu preciso de um favor – disse enquanto fazia o caminho para se sentar ao meu lado no sofá. Quando chegou sorriu para mim de um jeito que eu já sabia que não ia recusar nada que eu pedisse, assim como ele também sabia. Sempre usava essa tática e nunca falhou, então desliguei meu PSP e direcionei toda a minha atenção para ele.

– Do que você precisa, Jeongminnie? – ele apenas me mostrou um pedaço de papel onde havia escrito uma letra de música e alguns acordes e eu já sabia o que aquilo significava: ele queria que eu gravasse a voz para outro demo de suas músicas – Outra música? – assentiu e eu soltei um suspiro – Você acha que sou um plugin de voz? – disse fingindo estar irritado e ri com sua reação, ele fechou um pouco a cara e ficou sem palavras por alguns segundos, até ouvir minha risada e responder.

– Claro que não, mas sua voz é muito bonita, como não vou querer ela em todas as músicas possíveis? – ele realmente sabia como me convencer. Amava cantar para Jeongmin, era a única coisa que eu conseguia fazer para impressiona-lo. Ele agia como se minha voz fosse a coisa mais linda que ele já ouviu, e apesar de envergonhado, me sentia feliz com isso.

– Tudo bem, vamos ensaiar – ele sorriu para mim, pegou na minha mão e me levou para o carro. Meu coração sempre batia rápido e eu ficava nervoso quando Jeongmin pegava na minha mão. Por alguns segundos podia fantasiar que estavamos indo de mãos dadas para um encontro ou algo assim. Algo bem idiota, eu sei, mas por mais que eu tente manter a compostura e não parecer um completo otário, as vezes não consigo me controlar. Ele provavelmente me acharia um louco se fosse como a Jean Grey e pudesse ler mentes.

Fomos até o carro que pertencia a Donghyun, já que nenhum de nós tinha um e o hyung sempre me deixava treinar em seu carro, dizia que se eu perdesse o gosto por dirigir depois de tirar a carta de motorista nunca mais o recuperaria. E como acabara de tirar a habilitação, devia dirigir muito, segundo ele. Achava um exagero, mas isso me fazia sempre poder usar o carro então, não reclamava muito.

Assim que entramos, Jeongmin plugou seu pen drive no aparelho de som e escolheu uma música. Após ouvir um segundo da música escolhida o olhei e sorrimos, sempre cantávamos aquela música no carro e hoje não seria diferente, logo começamos a cantarolar Love Game, da Lady Gaga. Jeongmin era praticamente um Little Monster e eu aprendi a gostar de algumas músicas depois de tanto ouvi-las, Love game era uma delas. Era impossível não se entregar a melodia e depois vi que a letra era um pouco pornográfica, não me importei muito, afinal, não esperaria menos de uma música que Jeongmin gosta. Ainda cantamos muitas outras músicas – todas do gosto de Jeongmin, não é como se minha opinião valesse – antes de chegarmos ao nosso destino, o estúdio.

Ficamos por muito tempo apenas jogando conversa fora, fofocando sobre os membros, alguns novos trainees que havíamos conhecido, ao inves de realmente ensaiarmos, acabamos passando a música duas vezes. Mas Jeongmin insistiu que estava perfeito e que deveríamos gravar uma vez antes de irmos embora, só com voz e teclado, que ele tocaria. Assim fizemos, enquanto cantava, pensava na letra que estava em minha frente. Era quase impossível acreditar que poemas tão bonitos saiam da cabeça de Jeongmin. Nos conheciamos há anos mas ele sempre tinha um jeito de me surpreender todos os dias. Quando conversavamos, ele era sempre leve, alegre, e ali naquelas músicas me parecia mais profundo, melancolico. Seria bom se ele compartilhasse esse lado comigo um dia, como seu principal confidente. As vezes, enquanto tocava, direcionava seus olhos diretos nos meus e sorria, como se para dizer que eu estava indo bem. Do jeito que ele me olhava quando tocavamos juntos, quase poderia acreditar que ele gostasse de mim, que correspondesse meus sentimentos. Era intenso, como uma ligação forte e única, algo maior que a parte consciente de nossa mente. Mas sempre que a música acabava, toda a magia no ar ia junto com ela.

– Foi perfeito, hyung – ele se levantou, andou até mim e estendeu sua mão para um high five, terminei o casual cumprimento.

– Como pode ter sido perfeito? Ficamos falando besteiras ao invés de ensaiarmos – ri lembrando de todo o trabalho que tivemos para chegar ali se podíamos simplesmente ficar conversando em casa.

– Só basta você cantar para ser perfeito – ele sorriu e saiu da sala de gravação para arrumar suas coisas. Já estava tarde e precisávamos ir embora.

Eu, por outro lado, não dei um passo sequer, quando ele dizia coisas como aquela para mim, ficava paralisado por algum tempo. Parecia que falava e sorria daquele jeito de propósito, apenas para que eu me apaixonasse cada dia mais. Para que me perdesse totalmente naquela estrada que já parecia sem saída. Sabia que para ele era normal elogiar seus amigos, mas ainda significava o mundo para mim. Cada ciclo de sua respiração já representava isso, ele era meu mundo.

Love Game – Capítulo I

Todos os defeitos de um homem perfeito

Olhando para ele agora, consigo me lembrar de todos os sentimentos ,que apenas por ver esse lindo rosto, tomavam conta da minha mente, do meu coração, de cada célula do meu corpo. Todos os arrepios que sua voz me causava, como se cada palavra fosse um feitiço para que eu me apaixonasse cada dia mais e mais. Me lembro de tudo que senti por todos esses anos, amor, ódio, um misto dos dois.

Amor, não há nada que eu conseguisse não amar em Jeongmin, ele era perfeito, desde sua aparência, até sua personalidade, que eu costumo comparar a um raio de Sol, sempre aquecendo e iluminando meus dias. Como um milagre que veio até mim me mostrar sentimentos que eu nunca imaginei como fossem e nunca pensei em um dia sentir em tamanha proporção e força.

E ódio, ódio por amar quem eu não podia, não devia. Ódio por saber que iria sofrer e não conseguir me conter para deixar tudo isso fora de mim. Por ele ser tão maravilhoso que mesmo odiando o que eu sentia, não conseguir deixar de ama-lo, como um vício, vício por sofrer, uma espécie de masoquismo que me destruía a cada segundo.

Por tudo isso, me odiava, mas nunca o odiaria, afinal, ele não tem a mínima culpa por eu ser apaixonado por ele desde que o conheci, há pouco mais de dois anos atrás, e que desde então minha mente é regada a uma confusão sem fim. Ele não pediu por isso, assim como eu nunca pedi, a culpa não é de ninguem, talvez eu apenas merecesse isso, talvez as forças superiores decidiram que eu merecia. Ou talvez não havia motivo nenhum, simplesmente era daquele jeito.

As coisas eram exatamente como estavam agora, nós dois, abraçados no sofá, ele dormindo e sonhando, confiando que está perto de seu melhor amigo, enquanto eu, acordado, sei das reais intenções de toda proximidade e penso em tudo que realmente sinto e ele não tem ideia. Sempre tentava me aproximar dele sem exceder os limites da amizade, afinal, ele confiava em mim, apesar de saber da minha orientação sexual, e nunca me julgou nem por um segundo, ao contrário de todas as outras pessoas que acabaram descobrindo. Essa era uma das razões pela qual somos tão próximos e porque sempre me sinto confortável com ele. Era como se ele fosse a única pessoa que me conhecesse bem e aceitasse tudo em mim, eu podia ser cem por cento eu mesmo em sua presença. Ainda me lembro do primeiro dia que o vi, nosso primeiro dia no treinamento, ele se apresentou com aquele lindo sorriso no rosto e depois daquilo, nunca mais pude passar um dia sequer sem vê-lo, sem ouvir sua voz, sentir sua presença. O dia em que ele descobriu meu maior segredo e que nos tornamos melhores amigos também estará sempre guardado em minha memória.

X

 

– Hyunseong, você ainda não me disse por que não deu o telefone para aquela trainee linda, você já tem namorada? Alguém em vista? – ele já me perguntou isso mais de cem vezes durante dois dias, eu já não aguentava mais ouvir aquela conversa sobre garotas, parece que ele não ia parar até que eu dissesse o real motivo, e eu não queria dizer.

– Não tenho ninguém, Jeongmin, eu só não gosto, apenas isso – me olhou como se analisando se eu estava falando a verdade, e eu estava, estava apenas omitindo algumas palavras para meu próprio bem.

– Não gosta de que? Você não pode dizer que não gosta dela, hyung, você nem a conhece! Dê uma chance – eu já estava a ponto de explodir e resolvi simplesmente falar tudo e correr o risco de nunca ter sua amizade novamente. Antes de responder, fui até a porta da sala de ensaios ver se não tinha ninguém andando por perto que pudesse ouvir. Provavelmente não haveria, já que naquele dia, nós dois resolvemos ficar praticando a nova música pedida na aula até tarde, e ninguém mais estava por perto ensaiando. Mesmo assim, nunca é bom arriscar.

– Jeongmin, vou te contar uma coisa, sei que você provavelmente nunca mais vai falar comigo, vai me odiar, mas preciso que me prometa que vai guardar segredo – ele parecia assustado e nervoso, mas tinha certeza que mais nervoso que eu ele não podia estar. Minhas mãos estavam suando e as coisas giravam lentamente a minha volta. Ele pareceu pensar um pouco antes de responder.

– Você não é um serial killer, é? Por que eu não sei se conseguiria mentir se a polícia viesse me procurar – ri de sua suposição, sua imaginação ia sempre longe. Só imaginar aquilo em sua cabeça pareceu assusta-lo muito, então resolvi falar logo antes que ele se desesperasse demais.

– Não sou um assassino, não consigo matar nem uma barata – ele suspirou e pareceu mais aliviado, até a tensão tomar seus olhos novamente.

– Então você é um traficante de drogas famoso e procurado? Sério, Hyunseong, eu nunca vou conseguir guardar um segredo assim – ele não ia esperar eu falar até inventar histórias loucas em sua mente?

– Não é nada que possa me mandar para a cadeia, você não vai precisar mentir para polícia – ri e ficamos em silêncio. Poucos segundos que pareceram uma eternidade. Vi que ele estava esperando até que eu falasse algo. Respirei fundo antes de começar a falar – Jeongmin, eu… eu sou gay, vou entender se nunca mais quiser ficar perto de mim ou me ver, me desculpe – olhava para o chão e conseguia sentir as lágrimas que insistiam em cair dos meus olhos sempre que eu mencionava esse assunto.

– Você está chorando? – então senti seus braços me envolvendo num abraço forte, o que fez minhas lágrimas caírem ainda mais rapidamente – Por favor, não chore, hyung. Eu nunca deixaria de falar com você por isso – ficamos mais um tempo apenas parados até que eu me acalmasse um pouco.

– Mesmo? Você não se importa? – o olhei e ele sorria pra mim, em seus olhos pude ver que ele estava sendo sincero, que o que eu acabara de dizer não o afetava de nenhuma maneira.

– Claro que não. Mas você me assustou fazendo esse drama todo só por isso – ambos rimos e quando ele falava desse jeito eu senti que não havia mesmo nenhum problema naquilo e que só era uma grande coisa porque eu fazia parecer assim – Nunca tenha vergonha de quem você é, hyung, você é uma pessoa maravilhosa, não deixe nenhum babaca preconceituoso te fazer acreditar no contrário – concordei com a cabeça e o abracei de novo, ele retribuiu.

– Muito obrigada, Jeongminnie, ninguem fez isso por mim antes – ele se separou do meu abraço e olhou nos meus olhos sorrindo novamente.

– Agora alguém fez – e continuaria fazendo pelo resto dos anos.

X

Estava tão perdido em meus pensamentos que só percebi que ele já havia acordado quando ele me cutucou. Ainda com os olhos fechados pela falta de costume com a luz, tentava me olhar. Eu apenas sorri, amava o ver daquele jeito, natural, ele era maravilhoso nos momentos mais simples. Ele sorriu de volta.

– Dormiu bem, hyung? – na verdade nunca dormia quando tirávamos cochilos na sala, o olhar adormecido era bem melhor.

– Não dormi muito – respondi enquanto levantávamos e ele se espreguiçava. Fazendo seu corpo todo se arrepiar, e como consequência, o meu também se arrepiava.

– Por quê? – “Estava ocupado pensando no quanto eu te amo” seria a resposta verdadeira, mas eu sempre tinha uma invenção na língua para dizer quando ele me perguntava esse tipo de coisa.

– Insônia, como sempre – ele assentiu e sorriu maravilhosamente pela última vez antes de sair para seu quarto e continuar sua vida, onde só tinha uma hora por semana de tempo exclusivamente para mim, e eu não reclamava, enlouqueceria se ficasse por mais tempo tão próximo dele.

Já enlouquecia com ele até nos meus pensamentos.

Drabble (Hyunseong-centric) – Expectativa

Finalmente o debut solo do Hyunseong nas minhas fics!!! Escrevi isso testando umas coisas que aprendi na aula de Literatura então pode estar um pouco estranho ??? Resolvi postar no aniversário dele que é a data mais especial do ano ♥♥♥

XX

O sinal tocou.

Alto e claro, anunciando a liberdade daqueles que se sentiam presos dentro da sala de aula. Mas as vezes o corredor cheio de pessoas que carregavam olhares pesados fosse pior que uma sala pequena.

Não era tão fácil para Hyunseong passar por ali com todos os olhos, risadas e cochichos direcionados a si. Respirou fundo e seguiu por ali ignorando a tudo e todos, apenas pensando em seu objetivo final no momento, chegar até o portão.

Inteiro.

Nem todos os dias ele conseguia.

Muitos garotos pareciam achar engraçado o importunar, fazer piadas sem graça e até tentar agredi-lo fisicamente (Plano que falhou miseravelmente após a primeira tentativa em que um deles recebeu de volta um soco muito bem dado). Alguns até diziam que ele devia sair da escola, mas ele não desistiria por causa de garotos mimados que gostavam de cuidar mais da vida alheia que das próprias.

Passou pelos lugares que já sabia que estariam vazios para chegar ao seu destino, aprendera rotas para evitar todos que pudessem o importunar. O silêncio dentro das paredes cinzas o deixava muito mais calmo que estava há minutos atrás. As únicas pessoas que o viram foram professores, que apenas sorriram educadamente ao passar. Não que gostassem mais dele que o resto dos ocupantes do local, mas eram civilizados o bastante para ao menos fingir.

Ainda teria que lidar com mais algumas pessoas no pátio imenso, mas, felizmente, estavam muito entretidas para se preocuparem com ele.

Ao ver o portão frontal preto com grades que separava duas paredes cinzas enormes, como todas da escola, se sentiu mais aliviado.

E ao passar por ele era como se até conseguisse respirar com mais facilidade. O barulho de adolescentes gritando que vinha do pátio logo foi substituído pelo canto calmo dos pássaros que moravam nas arvores que adornavam aquela vizinhança.

Andou pela calçada coberta de grama lentamente, cantarolando a música que ensaiara na aula do dia anterior. A música não era a mais animada, mas não pôde deixar de se animar ao cantá-la se lembrando dos elogios que recebera ao conseguir alcançar todas as notas perfeitamente “Um talento natural que só precisava ser trabalhado” como apontou sua professora.

Nunca pensou que realmente tivesse algum talento antes de fazer a audição, apenas fizera porque seu irmão insistiu. Seus pais foram contra no começo, mas logo concordaram. Ele suspeitou que a oferta de passar o dia todo longe dele fora tentadora para os dois. Surpreendentemente passou e logo começou a estudar canto, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Não demorou muito para chegar ao prédio verde e branco. Arrumou seus cabelos levemente bagunçados pelo vento forte que soprava.

Mal podia esperar pelas melhores horas do dia.

Drabble – Brilhante como o sol

O sol brilhava nas ruas de Seoul, Hyunseong caminhava para mais um dia de trabalho pelas ruas movimentadas e caóticas. Sendo o único ali que parecia não estar correndo. Nunca gostara de correr, apenas esportivamente é claro, a pressa era um sentimento que quase nunca o acompanhava.

Chegando na escola, cumprimentou todos os colegas com um sorriso no rosto, pegou seu café usual na sala dos professores e foi para sua sala de aula: a quadra.

O lugar vazio daquele jeito sempre parecia maior que realmente era, as paredes pintadas num tom de verde contrastadas com o chão e arquibancada pintados de branco. Mesmo com as lindas cores, só ficou realmente jovial com a presença dos alunos que logo chegaram para o primeiro período.

Não demorou para que a última aula, no fim da tarde, chegasse. A aula com as crianças menores era sempre mais divertida. Quando começou a lecionar, se sentia estranho perto delas e não conseguia cativá-las muito, mas logo aprendeu a se divertir com elas.

Como todas as outras do dia, essa aula passou rápido e logo viu-se despedindo das crianças e entregando os pequenos aos seus pais. Quase lhe passou despercebido que um deles ficara lá depois de todos irem embora, foi até ele e sorriu, pedindo ao pequeno garoto lhe ajudar a guardar os materiais no depósito, apenas para que não ficasse ali sozinho.

O céu já escurecia quando terminaram e foram até o banco ao lado da quadra se sentar.

– Professor, você acha que meu pai esqueceu de me buscar? – o garoto perguntou enquanto olhava para suas pernas que balançavam no banco por não alcançar o chão.

– Claro que não, Jungho, tenho certeza que ele já está chegando e só se atrasou por algum problema no trabalho – ele não sabia o que havia acontecido para o pai dele se atrasar tanto mas pensou em tentar animá-lo.

– Pode ser isso, ele trabalha muito.

– É mesmo? Ele trabalha com o que? – tratou de mudar o foco da conversa e logo viu que funcionou pois o garoto lhe olhou com um sorriso para responder.

– Ele é compositor, faz muitas músicas legais – Hyunseong se surpreendeu com essa resposta, a maioria das crianças ali tinham pais que trabalhavam em algum escritório, logo entendeu a animação de Jungho para responder.

– Ele deve ser muito legal mesmo – o garoto concordou com a cabeça ainda mais animado.

Antes que pudessem continuar a conversa ouviu alguém gritando o nome de seu aluno e ao vê se levantar animado e correr na direção da voz concluiu que era o pai dele.

Viu que o homem tinha quase sua idade, bem jovem para já ter um filho. Ele abriu os braços para receber o filho com um abraço enquanto sorria, seu sorriso era lindo e brilhante como o próprio sol, Hyunseong constatou ao observar a cena, iluminando o ambiente de forma que nem a lua seria capaz.

Depois de um tempo se separaram e vieram em direção a Hyunseong de mãos dadas.

– Professor, esse é o meu pai – Jungho disse animado.

– É um prazer conhecê-lo, Senhor Lee – se reverenciou para cumprimentá-lo e ele fez o mesmo.

– É um prazer também. Me desculpe te deixar aqui esperando por tanto tempo, não consegui sair do trabalho a tempo – ele sorriu e Hyunseong sorriu de volta – E pode me chamar apenas de Jeongmin.

– Então, Jeongmin – riu, pois não costumava tratar os pais dos alunos com informalidade, mas não poderia negar nada àquele belo sorriso – Não foi nada, imaginei que o atraso fosse por algo assim, não se preocupe.

– Muito obrigado… – pensou e o olhou confuso – Não sei seu nome, apenas o conheço como Professor Shim – os dois riram.

– Meu nome é Hyunseong, pode me chamar assim também.

– Certo, Hyunseong. Muito obrigado por cuidar do Jungho, não só hoje, mas ele sempre fala muito bem de você, não é, filho? – se dirigiu ao garoto que concordou com a cabeça antes de começar a falar.

– Pai, você podia sair com o Professor, acho que vocês ficariam bem juntos – olhou para os dois que de repente se viram com olhos arregalados e bochechas coradas.

– Jungho, não fale coisas assim – disse em tom de reprovação.

– Mas talvez não seja uma ideia tão ruim assim, não acha? – Hyunseong falou baixo, sem certeza se queria mesmo que o outro ouvisse, mas ele ouviu.

– Ah… sim… claro… quero dizer – Jeongmin parecia um pouco nervoso e Hyunseong riu pois achou extremamente fofo – Você poderia me passar seu número… se quiser, é claro.

– Passo sim, vamos marcar algo.

Os dois trocaram seus números enquanto Jungho observava a cena sorrindo e com os olhinhos brilhando. Gostava do Professor Shim e ficara feliz ao saber que seu pai também gostou dele.

Se despediram e cada um foi para um lado, Jeongmin e Jungho direto para casa e Hyunseong para a sala dos professores.

Não muito mais tarde, Hyunseong ia para sua casa, como sempre, sem pressa até chegar ao ônibus. Entrando nele, se sentou e logo se pôs a observar o céu, já escuro mas iluminado por várias estrelas e pela lua, sorriu ao vê-lo, não era tão comum ver o céu bonito como estava naquela noite.

Chegou em casa cansado, mas ainda assim feliz, dormiu pensando no que o esperaria de manha quando acordasse, mais um dia de trabalho e talvez um café com o dono de um sorrisos mais lindos que já vira.

Drabble – Listen to the rain

Ouvindo a chuva. Era isso que eu estava fazendo. E era essa uma das minhas atividades preferidas em dias de ócio.

A chuva tem vida.

A chuva conta histórias, tristes ou felizes.

A chuva guarda consigo os momentos mais inesquecíveis da minha vida.

Foi num dia de chuva que eu conheci Hyunseong.

Estava chovendo forte e estávamos os dois abrigados em baixo do toldo de uma loja qualquer. Quando o ouvi murmurar algo sobre seu cabelo estar arruinado agora, não pude deixar de rir. Ele me olhou, logo estávamos os dois rindo. Senti uma ligação com ele naquele momento, era estranho, não costumava ficar próximo de desconhecidos rapidamente. Não sei por que, naquele dia resolvi pedir seu telefone e prometer que ia lhe ligar em breve, mas fico feliz por ter feito isso.

Foi também num dia chuvoso que tivemos nosso primeiro encontro. Depois de tanto conversarmos por telefone, decidimos nos ver de novo. Fomos a um café no centro da cidade.  Naquele dia cheguei um pouco atrasado, ele já estava me esperando numa mesa com dois chocolates quentes em mãos. Fiquei impressionado por ele ter se lembrado que eu comentei vagamente que aquela era minha bebida favorita em uma conversa. Me lembro de como ele estava adoravelmente nervoso, derrubando quase tudo em que tocava e falando estranhamente rápido. Eu também estava um pouco inquieto, mas felizmente era melhor em esconder isso do que ele. Conversar pessoalmente era definitivamente melhor que por telefone, cheguei a essa conclusão naquele dia. No final, aquele encontro apenas resultou na certeza de que haveriam muitos outros.

E assim aconteceu. Depois disso, nossos encontros já não eram assim tão raros. Ficávamos muito tempo juntos e a cada vez que o via o sentimento era melhor. Sentia arrepios quando ouvia sua voz e todas as vezes que ele me abraçava, que não eram poucas. Um frio na barriga sempre que ele dizia que me amava, ou quando queria me proteger de tudo, parecia que queria me proteger até do vento. Quando estava com Hyunseong, sentia que nada podia me atingir, que nada de ruim ia me acontecer, só por ter ele por perto.

Numa chuva fina de julho foi quando nos beijamos pela primeira vez. Estávamos num parque onde costumávamos ir, cujo estava basicamente vazio devido ao tempo. Mas não havia problema para nós, um guarda chuva resolvia tudo, nunca perderíamos uma oportunidade de nos ver por um motivo tão banal. E eu ainda estava com a jaqueta de Hyunseong sobre a cabeça. Ele insistiu para que eu a usasse, para que não ficasse resfriado. Rebati dizendo que assim ele ficaria resfriado, mas no fim ele conseguiu me convencer com o argumento que eu era mais sensível com esse tipo de coisa.

Ficamos andando por um bom tempo dentro do parque, apenas jogando conversa fora, observando as árvores e o pouco movimento que havia nele, quando Hyunseong automaticamente se aproximou e selou meus lábios num movimento rápido. Assim que se afastou novamente pude ver seu rosto ficar em vários tons de rosa enquanto ele começava a se desculpar descontroladamente. Consegui apenas rir e me aproximar dele novamente para calá-lo com um beijo agora um pouco mais profundo. Pelo jeito que ele me olhou, ainda não tinha percebido que gostava dele há um tempo. Achei que fosse óbvio, mas ele nunca foi do tipo mais observador, então não me surpreendi.

Noutro dia quando uma tempestade caia, estávamos em minha casa jogando videogame. Eu o chamara ali por uma razão. Por mais que já planejasse o pedir em namoro há algum tempo, não conseguia deixar de me sentir nervoso. Ele ficou muito surpreso ao ouvir meu pedido, mas seus olhos brilharam com felicidade ao aceitar, fazendo meu coração se aquecer ao vê-lo tão feliz.

Fui interrompido em meus pensamentos por uma mão tocando em meus ombros. Olhei para o lado e vi Hyunseong me entregando uma xícara de café. Sorri ao pegar e sentir ele me abraçar logo em seguida.

– Sempre que vejo a chuva me lembro do dia que te conheci, Jeongminnie – ri ao constatar que não era o único que pensava sempre nisso.

– Estava pensando nisso agora mesmo – sussurrei já perto de seus lábios e me aproximei para um leve selar. Ambos sorrimos ao nos separar.

– Espero passar muitos dias de chuva ao seu lado.

– Vamos ficar juntos em todos que ainda pudermos ver – estendi meu dedo mindinho e ele repetiu o gesto, os juntando numa promessa um tanto infantil.

Uma promessa que se cumpriria até quando pudéssemos escutar a chuva caindo.

One Shot (Wontaek) – Better Than I Know Myself

Uma nova semana começava e logo pela manha Taekwoon se preparava para mais um dia no trabalho. Soltou um suspiro ao pensar nas infinitas reclamações de alunos e professores que receberia, como todos os outros dias. Era um trabalho cansativo, mas não era como se tivesse outra opção no momento. Sua vida estava estável e era isso que ele mais desejava agora. Mas aquilo não era algo que odiava, ele gostava de trabalhar como coordenador na universidade, só era extremamente desgastante.

Tentava arrumar seus cabelos de uma forma decente quando foi interrompido pelo som da campainha que soava pelo apartamento. Àquela hora da manha, a única pessoa que apareceria em sua casa era Wonshik, não era difícil adivinhar antes mesmo de chegar até a porta. Não podia deixar de ficar feliz ao receber o namorado, mas também não conseguia ficar em paz com o mesmo desde o último encontro com seus pais.

Namorava Wonshik há seis meses, mas há apenas um, levou o mais novo para conhecer sua família, ele insistira por eras para conhecê-los. Wonshik estava muito ansioso para conhecer o sobrinho de Taekwoon, Minyool, de quem ele tanto falava. Acabou se dando incrivelmente bem com o garoto quando o viu, mas o mesmo não aconteceu com os pais de Taekwoon.

Ele achou que estava tudo bem, até o último fim de semana, que eles o chamaram e disseram que não gostaram de seu namorado, até sugeriram que terminassem.

Ele nunca consideraria de verdade o término, mas a opinião de seus pais era muito importante, por isso não pôde evitar ficar um pouco distante do namorado nos últimos dias. Também não teve coragem de contar a ele o que ouvira, não queria ferir seus sentimentos, então achou melhor omitir essa conversa. Seria o plano perfeito se ele conseguisse agir normalmente.

A insistência de Wonshik em visitar sua casa mais vezes não ajudava em seu comportamento, o mais novo falara a semana toda que deveria ter ido com ele em sua última visita e que esperava ser convidado nas próximas.

Ao abrir a porta se deparou com o rosto sorridente do namorado, que logo se jogou sobre ele para um abraço, Taekwoon não pôde deixar de sorrir também ao abraçá-lo de volta.

– Senti saudades, amor – nunca se acostumaria a ser chamado assim, sempre achou esse tipo de tratamento muito brega, mas soava fofo ao ser pronunciado pelo mais novo.

– Nós nos vimos no sábado, Wonshik, há dois dias.

– Não posso sentir saudades assim mesmo? – ele fez um bico como se estivesse magoado, mas Taekwoon já o conhecia o suficiente para saber que ele só queria ser mais mimado, o que não conseguiria naquele dia.

– Pode sim – disse sem esperar uma resposta e foi até o sofá pegar sua bolsa para sair, precisava sair logo.

– Quer uma carona até o trabalho? – Wonshik questionou e Taekwoon balançou a cabeça em afirmação.

Os dois saíram do prédio e foram até a universidade. Wonshik tentou fazer perguntas ou puxar assunto durante todo o trajeto, mas fora respondido apenas com gestos ou monossílabos. Quando chegaram ao destino, Taekwoon começou a se mover para sair do carro até sentir uma mão em seu pulso o parando.

– Mereço ao menos um beijo de despedida? – ele sentiu uma pontada em seu peito ao ver mágoa nos olhos de Wonshik enquanto ele falava. Só queria pedir desculpas por o tratar assim durante toda a semana e dizer que o ama, mas as palavras pareciam desaparecer sempre que tentava. Então apenas se curvou e beijou seus lábios, num selar longo e suave – Você está estranho comigo, hyung, está tudo bem? – queria ser sincero mas não conseguiria agora, então apenas concordou com a cabeça novamente e murmurou um “tchau” que mais se assemelhava a um sussurro antes de sair do carro.

 

X

 

Em seu apartamento, a noite, Taekwoon apenas queria se deitar e dormir o mais rápido possível, mas não esperava encontrar Wonshik ali aguardando sua chegada.

Era comum para o mais velho encontrá-lo ali as vezes, já que ele tinha a chave, mas ele costumava sempre avisar que iria.

Ficaram sentados, cada um em um sofá da sala, completamente em silêncio. Enquanto Wonshik encarava Taekwoon e este encarava o chão.

– Se for falar algo, fale de uma vez – Taekwoon quebrou o silêncio sem desviar seu olhar.

– Por que você está agindo assim comigo? – Wonshik decidiu falar logo o que vinha o perturbando por um tempo, e que ensaiara milhares de vezes em sua mente.

– Assim como? – era claro que Taekwoon sabia como, mas não é como se planejasse admitir de primeira.

– Você sabe como, hyung, você está me tratando friamente e nós estamos distantes há uns dias, eu não sei o que aconteceu, eu fiz alguma coisa para te magoar? – esperou a resposta por alguns segundos e apenas recebeu um aceno negativo com a cabeça vindo do outro – Então por quê? Me diz, por favor, não consigo lidar com você me tratando assim, eu te amo.

– Você não fez nada, eu só… – não conseguiu continuar e olhou para o mais novo, que o encarava, esperando que continuasse – Me desculpe, eu não queria te tratar assim, mas você sabe como eu sou.

– Sei, e não é assim – Wonshik se levantou para sentar no outro sofá ao lado de seu namorado e segurou sua mão – Eu sei que aconteceu algo, pode me contar, você sabe que não há segredos entre nós.

– Eu não contei porque não queria te magoar – Taekwoon logo percebeu pelo olhar de Wonshik que ele não desistiria de saber, resolveu começar a contar – Se lembra que me pediu para ir até minha casa novamente? – o outro murmurou em afirmação como resposta – Então, não vou poder te levar, meus pais disseram que não vão mais te receber.

– O que? Mas por quê? Eles não gostaram de mim? – ele parecia chocado ao ouvir, tudo foi normal em sua visita, ele não sentira sinais de rejeição.

– Não, até me disseram que deveríamos terminar nosso relacionamento – Wonshik o olhou assustado dessa vez, Taekwoon não pôde deixar de rir um pouco da sua expressão desesperada – Não se preocupe, não estou pensando em acatar a sugestão – o mais novo suspirou aliviado.

– Mas não entendo os motivos deles para isso.

– Bom, eles disseram que é uma vergonha você não ter um emprego decente, que você tem muitas tatuagens e que seu cabelo é estranho, sua maquiagem também – Taekwoon falou aquilo num tom mais leve, dizer em voz alta o fez perceber que ele reagiu de forma exagerada à tudo aquilo. As reclamações de seus pais eram bem superficiais.

– Ei, meu emprego é decente, eu trabalho o dia todo – ele não parecia ofendido pelas outras coisas, ouvia elas constantemente, até de seus próprios pais.

– Tente explicar para eles que ser produtor e compositor é tão decente quanto ser um executivo ou outra coisa parecida.

– Posso tentar um dia se você quiser – disse suavemente se aproximando para colocar um braço por cima dos ombros do mais velho, já se sentindo mais confortável – Eu fiquei assustado, achei que você estava me traindo, ou que tinha se cansado de mim e nunca mais queria olhar na minha cara.

– Como você é exagerado, sabe que eu nunca faria isso – Taekwoon se aproximou o suficiente para colocar a mão no rosto de Wonshik, que o olhava fixamente nos olhos. Aqueles olhos brilhantes pelos quais se apaixonou, um olhar que só transmitia amor e carinho. Sorrindo, se aproximou um pouco mais e capturou seus lábios num beijo doce e repleto de sentimentos da parte de ambos – Eu te amo.

– Também te amo, hyung – Wonshik disse sorrindo – E prometo que vou tentar conquistar seus pais, não quero que brigue com eles por minha causa.

– Tenho certeza que se eles ignorarem seu cabelo estranho e te conhecerem de verdade vão te amar, assim como eu – o mais novo o olhava com curiosidade agora – O que foi?

– Você também não acha meu cabelo estranho, né? – Taekwoon riu com a pergunta do outro, e demorou a se acalmar para respondê-lo.

– Seu cabelo é lindo, você e o descolorante são almas gêmeas, tenho até ciúmes.

– Que bom, porque eu acho cada parte de você perfeita, amor – Taekwoon sentiu suas bochechas queimarem com aquelas palavras repentinas.

– Não precisa ser tão meloso, Wonshik.

– Eu sei que no fundo você adora – o mais novo riu e Taekwoon apenas continuou o olhando,tentando esconder que sim, adorava quando ele era meloso.

Queria ser capaz de dizer palavras como aquelas também, mas nunca foi bom com as palavras, ainda menos com as que expressam sentimentos, então preferia mostrar o que sentia com ações. Como beijos e abraços, todo tipo de carícia, assim como as que dividiram pelo resto daquela noite. E esperavam continuar dividindo por muito tempo.

Apesar dos problemas que poderiam ter no futuro, o amor deles era intenso, e mais importante que todos os obstáculos.